Botucatu, domingo, 20 de Outubro de 2019

Colunista Quico Cuter Jornalista, Autor, Escritor, Historiador e Poeta
05/05/2019

Deputado assassino livre mostra
como a injustiça impera no Brasil



Foto - Reprodução

 

Não é segredo pra ninguém que lei no Brasil é branda para quem tem dinheiro e pode contratar um batalhão de advogados. Por isso quando se fala que cadeia não foi feita para ricos, com raríssimas exceções, não se comete nenhum disparate. Prende-se quem furta peças de carne, salame, bolacha ou margarina, enquanto grandes ladrões que surrupiam milhões do dinheiro público ficam impunes. E milionários!

Sobre essa questão de rico não ir para a cadeia queria ressaltar um caso ocorrido no Paraná, envolvendo o então deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho. Dá nojo só de citar o nome desse excremento humano, que tirou a vida de duas pessoas de maneira irresponsável e cruel e continua em liberdade. Belo e garboso, gasta os milhões da família muito bem abastada, financeiramente.

Lembrando a história, na primeira hora da madrugada do 7 de maio de 2009 o deputado, na ocasião com 26 anos, completamente bêbado, trafegava com seu Passat Variant preto, blindado, a mais de 160 km/h por uma avenida de Curitiba (PR). Carli Filho já havia tomado 23 multas por excesso de velocidade, e sua carteira de motorista estava suspensa. Pouco antes, havia dividido diversas garrafas de vinho com amigos num restaurante de um bairro nobre da cidade. Deixou o local segundo o garçom, “trançando as pernas”. E saiu em alta velocidade.

Minutos depois o Passat decolou devido à velocidade e um aclive. Aterrissou em cima de um Honda Fit, no qual estavam Carlos Murilo de Almeida, 20, e Gilmar Rafael Yared, 26.  Os dois tiveram morte instantânea. O excremento escapou após passear por uma cirurgia e foi julgado em fevereiro do ano passado.

Confessou no tribunal ter bebido e dirigido em alta velocidade. Foi condenado por homicídio a 9 anos e 4 meses de prisão. Porém, seu batalhão de advogados recorreu e a pena foi reduzida a pouco mais de 7 anos em regime semiaberto. Desproporcional para a gravidade e violência do crime que ele cometeu. Acontece que, no Paraná, atualmente, não há vagas disponíveis no sistema prisional para que um condenado durma na cadeia e deixe a prisão durante o dia para trabalhar ou estudar. Sem vagas, o juiz responsável pela execução penal de Carli Filho, hoje com 36 anos, determinou o cumprimento da pena em casa, com uso de tornozeleira eletrônica.

Só pra lembrar, o excremento dirigia com a carteira de motorista suspensa quando matou Almeida e Yared. Acumulava 130 pontos em sua habilitação devido a 30 multas - 23 delas por excesso de velocidade. O exame de sangue realizado após o acidente mostrou que ele tinha 7,8 decigramas de álcool por litro de sangue quando bateu o carro. O tolerado, na época, eram 2 decigramas. O batalhão de advogados apresentou 34 recursos antes do julgamento do ex-deputado, seis deles no STF (Supremo Tribunal Federal). Com os recursos, o júri de Carli Filho foi adiado, o exame de embriaguez foi considerado prova inválida e a acusação contra ele foi aliviada. Ele, que seria julgado por homicídio qualificado e poderia pegar até 30 anos de prisão, virou réu de um processo de homicídio simples e sua condenação (?) foi permanecer em casa.

O pior de tudo é que o advogado Gustavo Scandelari fez o seguinte comentário sobre a “pena” do seu cliente.  “Carli Filho é um injustiçado.” Diz que o culpado pelo acidente foi o condutor do Honda Fit dirigido por Yared e o excremento causou o acidente sem querer e sem assumir o risco de ele acontecer.

Sendo assim, se as duas vítimas da irresponsabilidade desse cidadão, estivessem vivas, muito provavelmente estariam respondendo processo por se atreverem a trafegar na mesma avenida onde ele dirigia completamente bêbado, com CNH suspensa e em velocidade muito acima do normal. Apesar de ter ceifado a vida de duas pessoas, não ficou um dia sequer preso. Esse tipo de injustiça, embora seja revoltante, é comum nos tribunais do Brasil. Por isso, somos tachados do país da impunidade. O país do Carli Filho.










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