Botucatu, quarta-feira, 16 de Outubro de 2019

Cidade / Geral
29/08/2019

Primeira imagem de Santana da história de Botucatu pode ser visitada na Catedral



A relíquia histórica com cerca de 200 anos estava, até então, sob a guarda da família do escritor Francisco Marins  e foi trazida no século 19 pelos fundadores de Botucatu

 

Fotos e texto - Carlos Pessoa

 

O fiel ou visitante que adentra a Catedral Metropolitana de Botucatu utilizando a rampa de acesso do lado esquerdo, logo se depara com uma capelinha iluminada, reforçada em aço e vidro, que guarda uma pequena imagem. Os menos avisados podem até considerá-la sem relevância, simples demais se comparada à beleza de tantas outras que ornamentam a principal construção do Centro Histórico da Cidade.

Mas ali está uma relíquia histórica, que há cerca de um mês foi incorporada ao patrimônio da Catedral e permanecerá exposta ao público de forma permanente. Trata-se da primeira imagem de Santana de que se tem registro em terras botucatuenses. Ela foi trazida por D. Anna Florisbela Machado de Oliveira e Vasconcellos, esposa do capitão José Gomes Pinheiro, fundador da cidade.

Esculpida em terra-cota, data do século 19 e após pertencer ao escritor e folclorista Alceu Maynard de Araújo, desde 1962 estava sob a guarda da família do escritor Francisco Marins. A ideia de incorporá-la ao patrimônio da igreja partiu do padre Emerson Anizi, como um presente para a comunidade na comemoração dos 75 anos da Catedral. A missão contou com ajuda providencial do padre José Marins, irmão de Francisco Marins.

"Foi uma divina missão fazer com que a imagem chegasse até a Catedral. Pouco antes da festa de Santana, junto com o padre Marins, estive com dona Elvira, esposa do Dr. Francisco. Pedi a ela que nos desse a graça de ter a imagem de Santana, não apenas como patrimônio da igreja, mas como um patrimônio cultural do nosso povo. Agradeci todo cuidado que ela, ao lado do Dr. Francisco, teve durante tantos anos na guarda da imagem. Ela nos atendeu prontamente e permitiu que no mesmo dia já trouxesse essa relíquia comigo".

No último 26 de julho, dia de Santana, a imagem foi introduzida no nicho principal da Catedral. Dentro do artefato, cujo interior é oco, está acondicionada a carta original, datada de 1962, em que Alceu Maynard de Araújo explica os motivos que o levou a passá-la à guarda de Marins.

Padre Emerson diz que a motivação para buscar a imagem era o desejo de torná-la visível para todos, além de promover o resgate de um pedaço da história de Botucatu. "Hoje a Catedral é um marco histórico e cartão postal da cidade. Uma referência independente de fé e religião. Creio que o melhor lugar para tê-la seja aqui mesmo", afirma.

O religioso reconhece que a imagem original de Santana, pequena e simples, pode até passar despercebida por muitos, mas carrega profundo simbolismo e identificação com a cidade.

"A beleza está nos detalhes. Não é uma imagem bela, como estamos acostumados a ver, mas demonstra a simplicidade de dona Ana Florisbela, na sua devoção a Santana e a simplicidade das pessoas que começaram a construir a grandeza que Botucatu é hoje. A imagem reflete a simplicidade de nosso povo. Como diz o Evangelho, mesmo que sua fé seja simples e pequena, se for verdadeira, você será capaz de transportar montanhas. Essa relíquia tem uma beleza incorporada na história que carrega".

Fonte - JCNET










© Alpha Notícias. Todos os direitos reservados.