“A lógica do condomínio: O espaço público está em declínio?

PROF. NELSON LETRAS ELABORA REDAÇÃO

SOBRE O TEMA DA UNESP/2023 – “A LÓGICA DO CONDOMÍNIO: O ESPAÇO PÚBLICO ESTÁ EM DECLÍNIO?”

 Você que fez a segunda fase do vestibular da Unesp, confira a dissertação desenvolvida pelo professor Nelson, da Escola de Redação Nelson Letras, sobre o tema pedido “A lógica do condomínio: o espaço público está em declínio?”.

Nas últimas décadas, vêm crescendo o número de condomínios, fundamentados na lógica da segurança, praticidade e do convívio harmonioso entre semelhantes. Todavia – assim como cantava  o vocalista do grupo porto-alegrense Engenheiros do Hawaii, Humberto Gessinger, no início dos anos 90, “erguemos muros que nos dão a garantia de que morreremos cheios de uma vida tão vazia” –, criar muros e grades a fim de uma separação é retirar do ser humano uma parte de sua singularidade de ser político, de cidadão que participa do corpo social em benefício do bem comum.

Dessa forma, o espaço público passa a ser segregado, em grande parte, àqueles com baixo poder aquisitivo. Por conseguinte, há um esvaziamento da essência democrática, uma vez que muitos passam a se isolar nas construções fechadas – bem como ocorre em escolas privadas, por exemplo, – e a deixar de exercer seu papel de cidadão com trocas de experiências e de sentimentos com pessoas diferentes. Com isso, ocorre uma redução da capacidade política, da compreensão de direitos e deveres em função do coletivo, do bem público.

Comunidades separadas invertem a perspectiva do medo, pois – parafraseando a letra da canção Minha Alma da banda carioca O Rappa – as grades são para trazer proteção, entretanto trazem a dúvida se são os moradores que estão na prisão. Elas são uma concretude da perda de liberdade, já que “paz sem voz não é paz, é medo”. A ausência populacional na intervenção das cidades e a consequente falta de ação estatal transforma o espaço público em um lugar que fabrica violência, que aprisiona os indivíduos os quais se isolam, e lhes tiram a voz, a cidadania, a capacidade e possibilidade de viver bem fora dos muros.

Cada vez mais indivíduos, cada vez menos cidadãos. A parcela do corpo social que, acomodada,  fecha os portões para a realidade e busca desfrutar de sua Pasárgada retoma o sentido original da palavra idiota – do grego “idiótes”, pois vive sua vida privada, recusa a vida política, a vida pública. Portanto o lugar utópico é uma zona de conforto que, embora ofereça, dentro de seus muros, segurança e praticidade, dificulta o indivíduo de fazer uma autorreflexão crítica e de compreender seu papel desempenhado dentro do ambiente social.

Em seus estudos sobre sociedade, o filósofo alemão Karl Marx concluiu que os indivíduos desenvolvem comportamentos devido às relações sociais. Utilizando essa tese, na atualidade, observa-se que a ruptura das relações entre os que estão dentro de condomínios mais ricos e os que estão fora alimenta o desejo daqueles de estarem separados de classes sociais de baixo poder aquisitivo implicando uma segregação marcada por distinção e uma falsa ideia de superioridade.

Assim, há um declínio do espaço público, e os condomínios são uma parte de um todo que representa essa perda de cidadania e democracia. Eles são uma sinédoque dessa camarotização social em detrimento do público e da função de cada um para uma sociedade harmoniosa. Condomínios oferecem proteção dentro de seus muros e grades; no entanto, deixar de intervir pelo bem público gera a violência fora de seus portões. Logo, a vida tão vazia cantada por Humberto Gessinger é a crença de que se vive livre e protegido, mas, na realidade, é “uma vida superficial” que afasta o ser humano de sua idiossincrasia política.

 

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