Artigos do Autor: Fernando Bruder

Após perseguição e capotamento, DISE realiza maior apreensão de cocaína e pasta base da história de Botucatu

Na tarde desta terça-feira (28), uma operação conduzida pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (DISE) resultou em uma grande apreensão de drogas em Botucatu.

De acordo com informações levantadas, a ação terminou com a retirada de circulação de uma expressiva quantidade de entorpecentes, incluindo cocaína, pasta base, haxixe, skunk e maconha. No caso da cocaína e da pasta base, o volume apreendido já é apontado como o maior registrado na história do município.

A ocorrência teve início após uma perseguição policial na região da vicinal Alcides Soares. Durante a tentativa de fuga, o veículo utilizado para transportar a carga ilícita acabou capotando.

Equipes da Guarda Civil Municipal, com apoio de motocicletas, tiveram papel fundamental no acompanhamento e cerco ao suspeito.

Todo o material foi encaminhado à Polícia Civil, onde passa por contagem e perícia. Devido à grande quantidade, o procedimento deve se estender por várias horas.

Até o momento, não há confirmação oficial sobre o peso total das drogas apreendidas nem informações sobre eventuais prisões relacionadas ao caso.

Eleições 2026: Prazo para regularizar pendências termina em uma semana

Os eleitores que pretendem votar nas eleições de outubro têm até o dia 6 de maio para regularizar suas pendências na Justiça Eleitoral.

O prazo deve ser observado pelo cidadão que quer tirar o primeiro título de eleitor, regularizar o documento, cadastrar biometria, transferir o domicílio eleitoral e atualizar dados cadastrais.

A partir do dia 7 de maio, o cadastro eleitoral será fechado e não serão permitidas alterações nos dados dos eleitores.

Para resolver as pendências, o eleitor pode acessar o serviço eletrônico disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Pela plataforma, é possível enviar os documentos solicitados para cada tipo de serviço e acompanhar o andamento da solicitação.

O eleitor também pode procurar os cartórios eleitorais ou postos de atendimento presenciais em todo o país. A localização pode ser encontrada no site do tribunal.

Alguns serviços, como a coleta de biometria e a solicitação do primeiro título, só podem ser realizados presencialmente.

Regularização

Para verificar se o título está regular, o eleitor pode acessar a página do TSE na internet e clicar no menu Consultas. Em seguida, basta clicar em Situação do Título.

O passo a passo para a regularização será indicado pelo sistema eletrônico.

Cancelamento

O prazo de regularização também deve ser seguido por quem teve o título cancelado por deixar de votar por três eleições seguidas (três turnos consecutivos) e não justificou ausência.

Além de não conseguir votar nas eleições de outubro, a manutenção do cancelamento pode causar diversas restrições para o cidadão, como não conseguir tirar passaporte ou carteira de identidade, renovar matrícula em instituição pública de ensino e tomar posse em cargo público após ser aprovado em concurso.

Primeiro título

De acordo com a Constituição, o voto é obrigatório para quem tem entre 18 e 70 anos e facultativo para jovens entre 16 e 17 anos e quem tem mais de 70.

Após completar 15 anos, os jovens poderão solicitar a emissão do primeiro título de eleitor. Contudo, somente estará apto a votar quem tiver completado 16 anos na data da eleição.

Eleição

O primeiro turno das eleições será realizado no dia 4 de outubro, quando serão eleitos o presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.

Eventual segundo turno para os cargos de governador e presidente ocorrerá no dia 25 do mesmo mês.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Tânia Rêgo

Casal é detido por abandono de incapaz e maus-tratos envolvendo duas crianças em Avaré

Um casal foi detido nesta terça-feira (28), em Avaré (SP) sob acusação de abandono de incapaz e maus-tratos contra os próprios filhos, duas crianças de 1 ano e 11 meses e 2 anos e 10 meses. A ação da Polícia Militar ocorreu após uma denúncia que levou os agentes até o imóvel.

De acordo com a ocorrência atendida pela viatura do Cabo Marcos e do Cabo Armando, quando os policiais chegaram ao local, as duas crianças estavam sozinhas dentro da casa. Os pais só apareceram depois da presença da equipe policial.

“Realmente, foi registrada uma ocorrência pela viatura do Cabo Marcos com o Cabo Armando. Quando eles chegaram no local, haviam duas crianças que estavam sozinhas. Porém, na sequência, o pai e a mãe chegaram”, relatou o Sargento Palhau.

Ao entrarem na residência, os agentes constataram um ambiente considerado crítico, com muita sujeira e condições totalmente insalubres para a criação das crianças.

Segundo a polícia, este não seria o primeiro caso envolvendo o casal. Os responsáveis já teriam perdido a guarda de outras duas crianças anteriormente, pela mesma situação de abandono e maus-tratos.

Diante das circunstâncias, o Conselho Tutelar foi acionado e compareceu ao local, realizando a recolha das duas crianças, que foram encaminhadas a um abrigo e passaram a ser acompanhadas pelo órgão.

“A princípio, maus-tratos confirmados e, possivelmente, o abandono de incapaz. Quando nós chegamos no local, eles não estavam presentes. Eles viram a viatura e foram até nós. Informamos o motivo. Entramos na residência, local totalmente insalubre. Eles ali permaneceram e informaram para a gente que eles já perderam duas crianças em outra data”, completou o Sargento Palhau.

O casal foi levado ao plantão policial e segue à disposição da Justiça. O delegado de plantão se deslocou até a residência para verificar in loco as condições do imóvel.

Fonte: A Voz do Vale

Foto: Reprodução

Suspeito foge da Guarda Civil Municipal e abandona bicicleta furtada em Botucatu

A Guarda Civil Municipal de Botucatu recuperou uma bicicleta furtada durante a madrugada desta terça-feira (28), em Botucatu. Por volta das 4h, uma equipe que realizava patrulhamento pela Praça do Cachoeirinha identificou um homem em comportamento suspeito. Ao notar a aproximação da viatura, ele fugiu rapidamente e, durante a tentativa de escapar, deixou para trás uma bicicleta, que foi apreendida pelos agentes.

Após checagem, os guardas constataram que o objeto havia sido furtado algumas horas antes, por volta das 20h de segunda-feira (27), em frente a um comércio localizado na região central da cidade. Com a identificação do proprietário, a GCM realizou os procedimentos necessários e providenciou a devolução da bicicleta. O suspeito não foi localizado até o momento.

Guarda Civil Municipal

Câmara aprova nome de Romeu Escolástico para rua e família acompanha homenagem

A Câmara Municipal de Botucatu analisou, na sessão desta segunda-feira (27), projeto de lei que propõem a denominação de rua em um novo loteamento da cidade. Entre as homenagens, está o Projeto de Lei nº 34/2026, de autoria do vereador Nuno Garcia, que sugere o nome “Romeu Escolástico” para a Rua 03. Durante a sessão, familiares dos homenageados estiveram presentes, acompanhando a votação e se emocionando com o reconhecimento público.

A homenagem a Romeu Escolastico resgata a trajetória de um cidadão que marcou gerações em Botucatu. Nascido em 18 de maio de 1923, ele era filho de imigrantes italianos que chegaram ao Brasil pelo Porto de Santos em 1901. Romeu cresceu em uma família numerosa e trabalhadora, ao lado dos irmãos, todos dedicados à marcenaria. Junto de Antônio e Sabatini, foi sócio de uma marcenaria na Rua Quintino Bocaiuva, tornando-se referência na cidade pela qualidade e capricho de seus serviços, especialmente na confecção de armários embutidos.

Casado com Pedrina, conhecida como Dina, Romeu construiu uma família sólida, deixando três filhos, além de netos, bisnetos e tataranetos que preservam sua memória. Após encerrar a sociedade na marcenaria, seguiu atuando com dedicação e perfeccionismo, conquistando clientes e respeito pela excelência de seu trabalho. Reconhecido como um homem íntegro, trabalhador e profundamente ligado à família, ele faleceu em 25 de março de 2001, deixando um legado de valores como honestidade, respeito e união, agora eternizados também na memória urbana da cidade.

Turbinado pelo cigarro eletrônico, tabagismo volta a ameaçar brasileiros

O aumento do número de jovens fumantes no Brasil volta a se tornar uma preocupação para a saúde pública. O tabagismo é reconhecido pelo Ministério da Saúde como uma doença crônica causada pela dependência à nicotina. Dados do relatório Vigitel Brasil 2006-2024 mostram um aumento significativo de jovens fumantes. Em 2023, o índice era de 9,2%, subindo para 11,5% em 2024.

Para o professor Ricardo Luiz de Melo Martins, da Faculdade de Medicina da UnB, o aumento do percentual em 2024 se deve ao crescimento do uso do cigarro eletrônico, conhecido como vape. “Até 2024, o Brasil tinha uma política de erradicação do cigarro exemplar. Havia uma tendência declinante, mas passou a aumentar por causa do cigarro eletrônico, principalmente consumido por jovens. Já se sabe, por exemplo, que a nicotina presente no cigarro eletrônico é cerca de 20 vezes maior do que a do cigarro comum”, observa o médico.

A publicitária e influenciadora Laura Beatriz Nascimento, de 28 anos, é uma sobrevivente do câncer de pulmão causado pelo cigarro eletrônico. Ela conta que começou a fumar esporadicamente quando ainda era adolescente, mas, com o passar do tempo, o cigarro se tornou uma necessidade. Em 2020, em uma tentativa de parar de fumar tabaco, começou a usar o vape. “Me mostraram, e eu via que era uma alternativa para parar de fumar. Diziam que era menos prejudicial que o tabaco normal. Eu acabei caindo nessa mentira. Na época, eu achei que fosse verdade”, conta.

Quatro anos depois, em 2024, Laura, na época com 26 anos, descobriu a doença. Ela não precisou fazer quimioterapia, mas metade do pulmão direito foi retirado. “Quando eu estava internada no hospital, comecei a pensar em alguém do meu convívio que não fumava. Não tinha ninguém que não fumava. Aquilo acendeu um alerta em mim e tive a ideia de postar na internet sobre isso para alertar minha família e meus amigos, mas os posts saíram da bolha. Até hoje eu posto”, diz.

Mesmo depois da doença, a vontade de fumar demorou para ir embora. Atualmente, Laura está há 1 ano e 4 meses sem fumar, mas diz que não foi um processo fácil. “Ano passado foi muito difícil. É muito estranho, porque a minha vida de fumante foi relativamente longa. Então, ter que me acostumar com essa nova rotina sem poder fumar foi muito difícil. Já teve dias que eu precisei ir pra casa porque eu via meus amigos fumando”.

O professor Ricardo Martins explica que o cigarro afeta, principalmente, o pulmão, porque o órgão é incapaz de metabolizar substâncias contidas no fumo. “Quando a pessoa fuma, em torno de 5.200 substâncias são inaladas. E isso vai provocar uma inflamação crônica no pulmão. Além das doenças, por que a gente é tão contra o cigarro? É pela inadequação de colocar para dentro do organismo substâncias nas quais o órgão não está preparado para metabolizar”, alerta o especialista.

Segundo o Instituto de Efetividade Clínica e Sanitária, os danos do cigarro custam R$ 153,5 milhões para o Sistema Único de Saúde todos os anos. No Brasil, mais de 145 mil pessoas morrem por doenças relacionadas ao tabaco todos os anos, sendo 477 pessoas por dia. Entre essas, mais de 40 mil mortes correspondem à Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, 30 mil à doenças cardíacas, 26 mil ao câncer de pulmão, 20 mil ao tabagismo passivo, entre outros.

Aconselhamento

Uma pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostrou que uma conversa de até 5 minutos com um profissional de saúde pode ser decisiva para evitar a iniciação ao fumo ou incentivar o abandono do tabagismo. Os dados mostram que mais de 10 milhões de pessoas estiveram em um consultório médico, mas não foram aconselhadas sobre o assunto. Além disso, a conversa poderia reduzir o número de fumantes em meio milhão e poupar até R$ 1 bi do SUS.

Martins também aponta para a importância da conversa e do acolhimento. “Acredito que em torno de 10% dos pacientes, só de conversar com o médico, já largam o cigarro. Isso é um número expressivo”.

Além disso, existem tratamentos para o tabagismo no SUS. “O tratamento consiste em reuniões, em que são feitas dinâmicas de psicoterapia cognitiva comportamental, dependendo do caso, associado também ao uso de medicação ou de reposição de nicotina”, explica o professor.

Indústria do tabaco

Apesar das políticas de enfrentamento ao tabagismo, a indústria do tabaco argumenta que as restrições ao mercado legal de tabaco estão servindo de combustível para o crime organizado.

Às vésperas da retomada do julgamento do Tema 1.252 no Supremo Tribunal Federal (STF), no próximo dia 01 de maio, o iLab Segurança — organização que reúne autoridades e especialistas da área de segurança pública, combate ao crime organizado e inteligência —, enviou um alerta contundente aos ministros do Supremo: restrições severas ao mercado legal de tabaco estão servindo de combustível para o crime organizado.

Em petição protocolada nesta quarta-feira (22) pelos sindicatos do setor (Sinditabaco BA e RS), o iLabSegurança adverte que a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 14/2012 da Anvisa, que restringe o uso de ingredientes

Os dados técnicos apresentados pelo sindicato ao STF apontam que o mercado ilegal responde por 32% das vendas de cigarro, o que provocou uma evasão fiscal de R$ 105 bi nos últimos 12 anos.

Fonte: Correio Braziliense
Foto: Eva Hambach

Fim da escala 6×1: Estudos divergem sobre impactos no PIB e inflação

As propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil, em tramitação no Congresso Nacional, têm mobilizado pesquisadores sobre os possíveis impactos da medida na economia, a partir do fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, a chamada 6×1.  

De um lado, estudos de entidades que representam o empresariado, as chamadas confederações patronais, projetam queda no Produto Interno Bruto (PIB) e alta da inflação.

Por outra perspectiva, análises da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenham um cenário diferente, com impactos reduzidos atingindo apenas alguns setores, além da criação de mais empregos e possível aumento do PIB.

Para a economista da Unicamp Marilane Teixeira, a diferença entre as pesquisas sobre os custos econômicos da redução da jornada ocorre porque não se trata de um debate puramente técnico, mas político.

“Parte significativa da literatura econômica que discute o assunto parte de modelos que assumem, como regra, que qualquer redução na quantidade de horas trabalhadas levará, inevitavelmente, à redução da produção e da renda – ignorando, assim, os ajustes dinâmicos que historicamente ocorrem no mercado de trabalho”, aponta.

Membro do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesite), Marilene defende que a resistência à redução da jornada, por parte dos empregadores, pode levar a projeções alarmistas.

“Do ponto de vista dos empregadores, é claro que, qualquer mudança é vista a partir do seu negócio. Eles não olham a economia como um todo, mas isso traz benefícios para o conjunto da sociedade”, acredita.

Previsões

pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula uma perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro (-0,7%) com a redução da jornada das atuais 44 para 40 horas. No caso da indústria, o PIB cairia 1,2%.

“Nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações”, destaca o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que reúne empresários desses setores, afirma que a redução da jornada aumentaria os custos sobre a folha salarial em 21%. A estimativa da CNC cita que o repasse de preços ao consumidor poderia chegar a 13%.  Já a CNI aponta para altas nos preços de 6,2%, em média.

“Sem redução dos salários nominais, espera-se por impactos significativos sobre a rentabilidade da atividade comercial no Brasil”, diz a CNC.

Custos x benefícios

Já o estudo do Ipea afirma que a alta no custo das empresas com os trabalhadores, a partir da redução da jornada, não passaria dos 10%, no caso dos setores mais impactados. Na média, a previsão é de um custo extra do trabalho de 7,8%.

Porém, considerando o custo total das empresas, conta que engloba o conjunto de gastos, o impacto da redução da jornada varia de 1%, em setores como comércio e indústria, a até 6,6%, no caso do ramo de vigilância e segurança.

“Os resultados indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos demandem atenção específica”, diz o estudo do Ipea.

A exceção seriam as empresas com até nove trabalhadores, que empregam cerca de 25% dos assalariados formais do país. Segundo o Ipea, esses negócios podem precisar de apoio estatal para transição à nova jornada de trabalho.

Um dos autores do estudo do Ipea, Felipe Pateo, afirma que o levantamento da CNC não demonstra, “de forma transparente”, como eles chegaram ao aumento de 21% no custo do trabalho.

“Mesmo olhando só para o custo do trabalho em si, a gente mostra que, matematicamente, não tem como esse aumento ser maior do que 10% porque é exatamente o tempo de horas que o empregador vai perder em relação ao trabalhador que faz 44 horas semanais”, afirmou.

A Agência Brasil procurou a CNC para comentar as divergências, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

Inflação dos preços

 

Supermercados
Foto: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil/Arquivo
Setor de comércio calcula aumento dos custos com redução da jornada  – Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil/Arquivo

Projeções de aumento de preços com o fim da escala 6×1 são destaque nos estudos de entidades patronais como CNC e CNI, que argumentam que o aumento do custo da mão de obra será repassado ao consumidor final.

O economista da CNI Marcelo Azevedo pondera que a necessidade de contratar mais vai gerar aumento de custos na ponta.

“Tem aumento de custo porque o valor do salário-hora aumentou, então vai ter aumento de custo. Todos os produtos vão ter aumento. Isso é um efeito que vai se acumulando porque cada setor tem o mesmo problema”, explica.

Por sua vez, o economista do Ipea Felipe Pateo avalia que o impacto inflacionário será limitado, lembrando que os empresários podem ainda absorver essa diferença com redução de lucros.

“O aumento no custo operacional é de 1%. Se o empresário repassar integralmente esse aumento, vai ser um aumento de 1% no preço do produto”, afirma Pateo.

Já a economista da Unicamp, Marilane Teixeira, avalia que não há risco de aumento generalizado de preços.

“Se fosse assim, então, toda vez que eleva o salário mínimo, você teria um aumento da inflação exponencial porque o salário mínimo tem impacto para o conjunto da economia”, compara.

Ela acrescenta que praticamente todos os setores da economia atuam com capacidade ociosa, que permite aumentar a oferta em caso de pressão no lado da demanda.

“Essa ideia de que uma elevação marginal no custo do trabalho pela contratação gera inflação, não se sustenta. O impacto disso no custo total é tão marginal que é óbvio que não vai impactar no preço do produto. E se a empresa compete, ele não vai reajustar preço porque corre o risco de perder cliente para o concorrente”, justifica.

A nota técnica do Ipea sustenta que a redução da jornada terá efeito semelhante a de aumentos do salário mínimo e afirma que as projeções que preveem redução do PIB e do emprego não são respaldadas por estudos que analisam a experiência histórica brasileira.

“Aumentos reais [do salário mínimo], que chegaram a 12% em 2001, 7,6% em 2012 e 5,6% em 2024, não causaram efeitos negativos sobre o nível de emprego”, diz a nota técnica do Ipea.

Divergências

A divergência entre as pesquisas ocorre porque os levantamentos partem de pressupostos e premissas diferentes para calcular os impactos sobre o PIB e inflação, por exemplo.

O estudo da Unicamp parte da premissa de que a redução da jornada vai incentivar os empregadores a contratar mais. Em contrapartida, o estudo da CNI parte do pressuposto de que a redução do total de horas trabalhadas diminuiria o total do produto final.

O gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explicou à Agência Brasil que os estudos de projeções econômicas simplificam a realidade e precisam definir hipóteses para fazer projeções de impactos da mudança.

“Você pode assumir que vai ter ganho de produtividade, você pode assumir que não vai ter ganho de produtividade. E tudo bem. Isso faz parte dos estudos, desde que bem explicitados que tipo de hipótese você está assumindo. Não à toa você tem visões diferentes e não necessariamente erradas, mesmo que conflitantes”, pondera.

Marilene ressalta que a diferença entre as pesquisas não é resultado de uma manipulação das evidências. A partir dos mesmos dados, pode-se chegar a resultados distintos em razão da perspectiva política, econômica e social que o pesquisador tem do contexto que se analisa.

“É um conflito que chamamos de conflito distributivo. É uma disputa para definir para onde canalizar os lucros, a renda do trabalho, o salário e o consumo. O que está em disputa são os ganhos da produtividade”, completa.

Produtividade

 

fábrica, indústria, sede da Suzano Celulose
Trabalhador da indústria- Amanda Oliveira/GovBA

O estudo da CNI aponta que a redução da jornada de trabalho vai impactar a competitividade das empresas.Ele avalia como improvável o aumento da produtividade para compensar a redução das horas trabalhadas.

Ao aumentar a produtividade, uma empresa pode produzir o mesmo com menos tempo de trabalho.

“A gente, infelizmente, e por diversas razões que não são simples de contornar, está com uma produtividade estagnada há muito tempo. Ela é baixa frente aos outros países. Acho difícil apostar numa melhora significativa de produtividade”, explicou à Agência Brasil o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

A economista Marilane Teixeira aponta que, mesmo com uma jornada relativamente extensa como a brasileira, a produtividade se mantém estagnada.

“Portanto, não é a jornada de trabalho que vai resolver o problema da produtividade. Talvez, até reduzindo a jornada de trabalho, você possa melhorar a produtividade porque as pessoas vão estar mais descansadas”, completa.

O técnico do Ipea Felipe Pateo afirma que há muitas possibilidades para adequação das empresas frente a redução da jornada, não sendo possível antecipar uma queda no PIB.

“A hora liberada do trabalhador pode gerar também maior produção, maior consumo. Pode fazer com que as outras atividades, no tempo livre, tenham uma dinâmica positiva na economia”, explica.

Evolução histórica

 

“Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”, disse o então presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal de 1988.
Presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal de 1988. – Arquivo Agência Brasil

Em 1988, a Constituição brasileira reduziu a jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais. Em 2002, economistas da PUC Rio e da Universidade de São Paulo (USP) publicaram estudo que não identificou efeitos negativos no nível de emprego.

“As mudanças relacionadas à jornada de trabalho em 1988 não aumentaram a probabilidade de o trabalhador afetado perder o emprego e diminuíram a sua probabilidade de sair da força de trabalho no ano seguinte à mudança regulatória”.

O economista da CNI Marcelo Azevedo questiona a comparação da redução atual da jornada com a que foi realizada durante a Constituição de 1988, alegando que a economia mudou muito nesses 40 anos.

“A economia era mais fechada, não tinha globalização como tem hoje, não tinha o comércio eletrônico de hoje. Era mais fácil absorver os custos com uma inflação elevadíssima como a daquela época”, rebate Azevedo.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Tânia Rêgo

Governo empenha R$ 12 bi em emendas às vésperas de sabatina de Messias no STF

O governo federal comprometeu cerca de R$ 12 bilhões em emendas parlamentares nos dias que antecederam a sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Supremo Tribunal Federal. O empenho significa que o Executivo separou e se comprometeu formalmente a liberar esses recursos.

Do total, R$ 10,7 bilhões integram os R$ 17,3 bilhões que o governo tem obrigação de pagar no primeiro semestre de 2026, conforme calendário definido na Lei de Diretrizes Orçamentárias. O cronograma determina o repasse de 65% das emendas individuais e de bancada destinadas a fundos de saúde, assistência social e às chamadas “emendas PIX”, de aplicação livre.

No início de abril, apenas R$ 389,8 milhões haviam sido empenhados desse montante semestral, valor inferior a 2% do total obrigatório. Com a aceleração recente, o governo já se comprometeu com mais de 58% do total previsto para o período.

O aumento expressivo ocorre enquanto o Executivo articula votos para aprovar a indicação de Messias. A sabatina está marcada para esta quarta-feira (29) na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O AGU precisa de ao menos 14 votos favoráveis na CCJ para que a indicação avance ao plenário, onde serão necessários 41 votos para sua confirmação como ministro do Supremo.

Fonte: Auri Verde Brasil

Foto: Reprodução