Cultura

Banana avaliada em mais de R$ 30 milhões é roubada de museu na França

Uma das obras de arte mais famosas e controversas do mundo voltou a chamar atenção após um novo incidente na França. A banana que integra a obra Comedian, do artista italiano Maurizio Cattelan, foi roubada de uma exposição no Museu Pompidou-Metz, na cidade de Metz.

A peça consiste em uma banana presa à parede com fita adesiva e se tornou um fenômeno mundial desde sua estreia, em 2019. Apesar da simplicidade da composição, a obra alcançou valores milionários no mercado de arte, chegando a ser negociada por mais de R$ 30 milhões.

De acordo com o museu, o desaparecimento da fruta foi percebido pela equipe de segurança, que acionou as autoridades. A instituição registrou a ocorrência e informou que a banana foi substituída rapidamente, permitindo que a instalação continuasse em exibição para o público.

Esta não é a primeira vez que Comedian se envolve em situações inusitadas. Em exposições anteriores, visitantes retiraram e até consumiram a banana exposta, gerando grande repercussão internacional. Em todos os casos, a fruta foi substituída sem comprometer a obra, já que o conceito artístico permanece o mesmo.

Criada como uma provocação ao mercado de arte contemporânea, a instalação de Maurizio Cattelan segue despertando debates sobre valor, originalidade e o significado da arte. Mesmo após mais um episódio inusitado, a obra continua atraindo a atenção do público e da imprensa ao redor do mundo.

Parceria Público Privada do Cine Nelli vai custar R$ 7 mil aos cofres públicos só com limpeza

O discurso oficial da Prefeitura de Botucatu sobre o renascimento do antigo Cine Teatro (Cine Neli) acaba de colidir frontalmente com a realidade do Diário Oficial do Município. No início do ano, a promessa da administração municipal foi categórica: a restauração do histórico espaço cultural seria “bancada integralmente pelo Grupo Araújo”, empresa responsável pela rede de cinemas. À época, o Prefeito Fábio Leite celebrou o acordo como um “presente para Botucatu e símbolo de como a cultura pode avançar com apoio privado”, destacando expressamente que a cooperação nasceu de uma “simples conversa” — uma espécie de Parceria Público-Privada (PPP) informal, sem custos para o erário.

No entanto, um ato oficial publicado no Diário Oficial do Município na terça-feira, 26 de maio de 2026, acendeu o alerta sobre a real transparência e os verdadeiros custos dessa operação.

Sob o Ato nº 04470/2026 (decorrente do Processo Administrativo nº 9.663/2026), a Secretária Municipal de Cultura, Maria Cristina Cury Ramos, homologou e autorizou a contratação direta de uma empresa especializada especificamente para a execução da “limpeza final de obra da edificação Cine Neli”.

O valor do contrato é de R$ 7.000,00 (sete mil reais), destinados à contratada Diana Aurora Ramos Manchego (CNPJ: 60.115.653/0001-48), por meio de dispensa de licitação fundamentada na Lei Federal 14.133/2021 (Art. 74, inc. IV).

O Contradito das Versões

A contratação levanta questionamentos jurídicos e éticos incontornáveis: se a obra deveria ser integralmente custeada pelo parceiro privado, por que o cidadão botucatuense está sendo chamado a pagar pela limpeza final dos serviços?

  • O Discurso Político: “A restauração será bancada integralmente pelo Grupo Araújo… numa PPP informal…” — Fábio Leite.

  • O Fato Jurídico: Contratação com dinheiro público de R$ 7.000,00 para serviços pós-obra no mesmo prédio. — Diário Oficial, 26/05/2026.

Especialistas em direito administrativo apontam que o próprio conceito de uma “PPP informal iniciada com uma simples conversa” é uma fragilidade jurídica. Parcerias que envolvem patrimônio público exigem contratos formais, editais, contrapartidas claras e fiscalização rigorosa. Sem um termo de parceria formalizado e público que delimite com precisão onde termina a obrigação da empresa e onde começa a do município, abre-se uma brecha perigosa para aditivos verbais, “puxadinhos” orçamentários e o uso pulverizado do dinheiro do contribuinte.

Detalhes do Gasto Público Revelado:

  • Fundamento Legal: Lei Federal 14.133/2021, Art. 74, inc. IV (Contratação direta).

  • Valor do Gasto: R$ 7.000,00 (Sete mil reais).

  • Objeto do Contrato: Limpeza final de obra da edificação “Cine Neli”.

  • Ordenadora da Despesa: Maria Cristina Cury Ramos (Secretária Municipal de Cultura).

A limpeza final é, por praxe no mercado de engenharia e construção civil, uma etapa intrínseca à entrega de qualquer obra ou restauração. Ao assumir essa despesa com o orçamento da Secretaria de Cultura, a Prefeitura desmente a narrativa de custo zero para o município.

O caso do Cine Teatro de Botucatu deixa de ser, portanto, um exemplo puro de “apoio privado” e passa a figurar como um alerta de falta de transparência, onde o marketing político vende um “presente”, mas as letras miúdas do Diário Oficial cobram a fatura do contribuinte.

Há algumas semanas, o Cine Teatro Nelli já estava no centro das atenções quando do episódio do apagamento do painel filogenético no Cine Teatro Nelli gerou polêmica ao ser interpretado como mais um caso de descaracterização do patrimônio cultural do espaço. A intervenção, realizada durante o processo de reforma, teria removido ou alterado uma das marcas visuais históricas do local, o que provocou críticas de setores ligados à cultura e à memória da cidade, que viram na ação uma perda simbólica importante para a identidade do equipamento cultural de Botucatu.

A sociedade de Botucatu e os órgãos de controle, como a Câmara Municipal e o Ministério Público, exigem esclarecimentos: quais outros custos “informais” dessa restauração serão transferidos para o bolso do cidadão até o fim do ano?

Centro Max Feffer celebra cultura popular, música e tradição junina em programação especial de junho

Agenda do mês reúne quadrilha, forró, teatro, cinema, literatura, exposição sobre as Irmãs Galvão e atividades gratuitas para diferentes públicos em Pardinho.

Junho chega ao Centro Max Feffer Cultura e Sustentabilidade, em Pardinho (SP), embalado pelo clima das festas juninas, da música de raiz e das manifestações culturais populares. A programação do mês reúne apresentações artísticas, teatro, contação de histórias, cinema, oficinas, atividades literárias e encontros musicais gratuitos, ocupando diferentes espaços do centro cultural administrado pelo Instituto Jatobás.

Entre os destaques está o evento “Tradições Juninas”, no dia 20 de junho, a partir das 17h. A programação contará com apresentação da tradicional quadrilha Asa Branca, show de forró e praça de alimentação típica, transformando o Centro Max Feffer em um grande arraial aberto ao público.

Outro ponto alto do mês é o Café e Viola especial de Dia dos Namorados, marcado para o dia 14 de junho, às 9h, com apresentações das duplas Carol e Rafael e AnieRafa. O encontro mistura música sertaneja de raiz, clima intimista e café compartilhado, em uma das ações mais tradicionais da programação cultural do espaço.

Ao longo do mês, o público também poderá visitar a exposição “Irmãs Galvão: o legado das soberanas”, em cartaz de terça a domingo, das 10h às 20h, no Museu Tião Carreiro, que fica dentro do Centro Max Feffer. A mostra apresenta a trajetória da dupla que marcou a história da música caipira brasileira e amplia o olhar sobre a presença feminina dentro da cultura raiz.

A programação inclui ainda o espetáculo “Reciclow”, da Cia Rarus, no dia 3 de junho; a oficina de enquadramento e composição fotográfica para iniciantes, com Melissa Szymanski, realizada pelo Ponto MIS Pardinho; a roda de histórias e música “Caldos, Contos e Causos”, com os Cururueiros de Araritaguaba; além das apresentações do grupo de teatro do Max, com a leitura dramática de “Eles não usam black-tie”, de Gianfrancesco Guarnieri, e o Sarau de Inverno.

Para o público infantil e familiar, a agenda traz a contação de histórias “Saiu da minha caixinha: Na floresta do bicho-preguiça”, com Nina Brondi, além da Tarde de Jogos Modernos de Tabuleiro, realizada em parceria com a Cowzy Games.

Durante todo o mês, a Biblioteca Pública de Pardinho, espaço localizado também dentro do Centro Max Feffer, estará com uma mostra de livros e um varal de ações sustentáveis. Também integra a programação a 15ª Mostra Cinema e Direitos Humanos, com o tema “Rumo a um futuro sustentável”.

Ainda em junho, a biblioteca anuncia o lançamento do II Concurso Cuesta Mangá, iniciativa voltada à produção artística e ao incentivo da cultura pop e dos quadrinhos na região.

Sobre o Centro Max Feffer

Localizado em Pardinho, o Centro Max Feffer Cultura e Sustentabilidade se consolidou como um dos principais polos culturais da região da Cuesta. O espaço reúne biblioteca, museu, salas de formação e áreas dedicadas a atividades educativas e culturais, com programação voltada a públicos de diferentes idades.

Além de apresentações e eventos culturais, o centro desenvolve ações contínuas nas áreas de literatura, música, teatro, cultura popular, formação artística e sustentabilidade, aproximando a produção cultural do cotidiano da comunidade.

Sobre o Instituto Jatobás

Responsável pela gestão do Centro Max Feffer, o Instituto Jatobás atua há 21 anos em iniciativas de acesso à cultura, à educação e à sustentabilidade. Em Pardinho e região, a instituição desenvolve projetos voltados à formação cultural, geração de oportunidades e fortalecimento dos vínculos comunitários através do Centro Max Feffer.

Serviço

Programação de Junho – Centro Max Feffer Cultura e Sustentabilidade
Pardinho/SP
Atividades gratuitas

Destaques do mês

Café e Viola – Especial Dia dos Namorados
14 de junho, às 9h

Tradições Juninas
20 de junho, às 17h
Quadrilha Asa Branca, show de forró e praça de alimentação típica

Exposição “Irmãs Galvão: o legado das soberanas”
Terça a domingo, das 10h às 20h

Programação completa e atualizações:
Instagram: @centromaxfeffer
Site: institutojatobas.org.br

Jean Garfunkel celebra 45 anos de carreira em show gratuito do projeto Lageado Cultural, em Botucatu

O projeto Lageado Cultural promove, no próximo dia 27 de maio, às 20h, um show gratuito do cantor e compositor Jean Garfunkel, no Auditório Prof. Paulo Rodolfo Leopoldo, localizado na Fazenda Experimental Lageado, em Botucatu.

Com 45 anos de trajetória artística, Jean Garfunkel apresenta o espetáculo de lançamento do álbum “Ninguém é um”, obra que reúne canções marcantes de sua carreira e reafirma sua relevância na música popular brasileira. Suas composições já foram gravadas por artistas consagrados como Elis Regina, Maria Rita, Zizi Possi, Margareth Menezes e a dupla Pena Branca e Xavantinho, entre outros nomes da música nacional.

A apresentação propõe uma experiência intimista e sensível, unindo música e poesia em um formato sofisticado e genuinamente brasileiro. No palco, Jean será acompanhado por músicos convidados, em um espetáculo centrado na voz e no violão do artista.

O projeto foi contemplado pelo Edital ProAC nº 20/2024 – Projetos Culturais para Pessoas 60+ na Indústria Criativa, promovido pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura.

A realização local é do Comitê de Ação Cultural da FCA, Comitê de Ação Cultural da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), Pró-Reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Estadual Paulista e Fundação de Ensino e Pesquisas Agrícolas e Florestais (Fepaf).

Serviço

Show Jean Garfunkel – Projeto Lageado Cultural

27 de maio de 2026 (quarta-feira)
20h
Auditório Prof. Paulo Rodolfo Leopoldo – Fazenda Experimental Lageado – Botucatu
Entrada gratuita

Museu Tião Carreiro inaugura exposição sobre as Irmãs Galvão e celebra protagonismo feminino na música caipira

Nova mostra abre ao público em 24 de maio e integra programação especial dedicada à cultura raiz em Pardinho.

O Museu Tião Carreiro, localizado no Centro Max Feffer Cultura e Sustentabilidade, em Pardinho (SP), sob gestão do Instituto Jatobás, inaugura no dia 24 de maio a exposição “Irmãs Galvão: O Legado das Soberanas”, nova mostra que coloca em evidência a trajetória de uma das duplas mais emblemáticas da música caipira brasileira que completa 70 anos. Com entrada gratuita, a exposição poderá ser visitada de terça a domingo, das 10h às 18h.

A iniciativa amplia o olhar sobre a cultura raiz ao destacar o protagonismo feminino em um universo historicamente marcado por vozes masculinas. A mostra reúne elementos que resgatam a história, a musicalidade e a relevância das Irmãs Galvão para a consolidação da música sertaneja de raiz no Brasil, conectando memória, identidade e patrimônio cultural.

“A exposição nasce do desejo de reconhecer e valorizar a contribuição das Irmãs Galvão para a cultura caipira, evidenciando a força feminina dentro desse universo. É também uma forma de ampliar narrativas e promover novos olhares sobre a nossa tradição musical”, afirma Karoline Violeira, curadora do Museu Tião Carreiro.

Programação especial amplia a homenagem à cultura raiz

A abertura da exposição integra uma agenda cultural que reforça o compromisso do Museu com a valorização da cultura popular brasileira. No sábado, 23 de maio, às 9h, Oficina de Ritmos Pantaneiros com Vitória da Viola,  às 18h, acontece a atividade “Literatura das 10 Cordas”, com Maikel Monteiro, que apresenta reflexões a partir do livro Dossiê As Galvão, aprofundando o contexto histórico e artístico da dupla.

Já no domingo, 24 de maio, às 9h, o público poderá acompanhar o encontro “Violeiras e Viola em Homenagem a Mary Galvão”, reunindo artistas como Vitória da Viola & Maísa, Jéssica & Juliana, Juliana Andrade, Lívia & Lavínia, além de violeiras regionais. A apresentação tem como anfitriã Karoline Violeira e propõe um momento de celebração coletiva, em que diferentes gerações de mulheres da viola se encontram para reverenciar o legado das pioneiras.

O projeto é realizado com recursos do Fomento CultSP, programa do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas.

Serviço

Exposição “Irmãs Galvão: O Legado das Soberanas”
Abertura: 24 de maio
Visitação: de terça a domingo, das 10h às 18h
Local: Museu Tião Carreiro – Centro Max Feffer Cultura e Sustentabilidade, Pardinho (SP)
Entrada gratuita

Literatura das 10 Cordas – com Maikel Monteiro
Data: 23 de maio (sábado)
Horário: 18h
Entrada gratuita

Oficina Ritmos Pantaneiros com Vitória da Viola
Data: 23 de maio (sábado)
Horário: 9h
Entrada gratuita

Violeiras e Viola em Homenagem a Mary Galvão
Data: 24 de maio (domingo)
Horário: 9h
Entrada gratuita

Dramaturgo Alcides Nogueira critica má gestão e lamenta situação do Cine Teatro Nelli em Botucatu

O dramaturgo e autor de novelas Alcides Nogueira falou com exclusividade ao jornalista Fernando Bruder, da Rede Alpha, sobre a situação envolvendo o tradicional Cine Teatro Nelli, em Botucatu. Em seu depoimento, o escritor lamentou o cenário atual do espaço cultural e classificou o problema como consequência de anos de “má gestão”.

Segundo Alcides, o teatro foi criado por Armando Joel Nelli e Dona Alice Nelli, casal que lutou para transformar o local em uma importante referência cultural da cidade. Ele relembrou que, em determinado período, o grupo Pedutti ajudou na conclusão e estruturação do espaço, permitindo a convivência entre cinema e teatro. Com o passar dos anos, porém, o cinema teria assumido maior protagonismo dentro do local, enquanto o setor teatral perdeu espaço.

Durante a entrevista exclusiva concedida à Rede Alpha, o dramaturgo afirmou acreditar que a atual situação do Cine Teatro Nelli é resultado de sucessivas administrações problemáticas.

Não há dúvida de que as últimas diretorias tiveram muita culpa nisso. Má gestão, má gestão”, declarou. Para ele, o patrimônio cultural foi sendo “dilapidado” ao longo do tempo, prejudicando diretamente a cultura botucatuense.

Alcides também destacou a importância histórica do teatro para o circuito cultural paulista. Segundo ele, Botucatu fazia parte do corredor cultural do Estado de São Paulo, recebendo grandes companhias teatrais no palco do Nelli. O dramaturgo relembrou ainda um comentário da atriz Cacilda Becker, que teria classificado o espaço como “uma das salas mais bem equipadas e confortáveis da época, inclusive em comparação com teatros da capital paulista.”

Autor de peças apresentadas no local, Alcides Nogueira recordou sua ligação pessoal com o teatro, citando montagens como “Feliz Ano Velho” e “Gertrude Stein”, que passaram pelo palco botucatuense com grande participação do público.

Ao final da entrevista, o dramaturgo defendeu que a população busque respostas sobre o que aconteceu com o espaço cultural.

“Mais uma vez quem sofre é o ambiente cultural. A cultura sempre é jogada de lado”, concluiu.

Arquiteto Pedro Paulo Pacheco critica retirada de painel filogenético do Cine Teatro Nelli e defende preservação da memória cultural de Botucatu

A retirada do tradicional painel filogenético da fachada do Cine Teatro Nelli, em Botucatu, gerou forte repercussão entre moradores, artistas, arquitetos e defensores do patrimônio histórico da cidade. Durante entrevista concedida ao jornalista Fernando Bruder, na Rádio Alpha FM 87,5, nesta sexta-feira (08), o arquiteto Pedro Paulo Pacheco falou sobre a importância simbólica, cultural e afetiva da obra que marcou gerações de botucatuenses.

Logo no início da conversa, Pedro Paulo destacou a necessidade de que a preservação do patrimônio histórico deixe de ser assunto apenas em momentos de polêmica. Segundo ele, o ideal seria que o cuidado com a memória da cidade acontecesse de forma natural e contínua.

“Eu não quero mais ser chamado apenas quando acontece uma polêmica envolvendo patrimônio histórico. Eu quero que a preservação aconteça de forma orgânica”, afirmou.

Embora o painel não faça parte da construção original do Cine Teatro Nelli — tendo sido instalado possivelmente no início dos anos 1990 — o arquiteto ressaltou que a obra acabou incorporada ao imaginário coletivo da população. Para ele, o valor do patrimônio vai além da idade da estrutura.

“Não é porque tem 100 anos que é patrimônio histórico e não é porque tem 10 anos que não é. O pertencimento da população é o que transforma aquilo em patrimônio”, explicou.

Durante a entrevista, Pedro Paulo fez uma comparação com os tradicionais pilares vermelhos do MASP, em São Paulo, lembrando que a cor foi adicionada posteriormente à construção original, mas acabou se tornando uma marca registrada do espaço cultural.

Ele também destacou o simbolismo do painel filogenético instalado na fachada do cinema, que representava a evolução humana.

“A sétima arte, que é o cinema, colocou na sua fachada a evolução física do ser humano. Quem teve essa ideia teve uma sacada brilhante”, comentou.

Além da análise arquitetônica, o arquiteto compartilhou memórias pessoais ligadas ao local. Ele relembrou os tempos em que estudantes aguardavam horas na fila para assistir aos filmes no Cine Nelli e contou que chegou a utilizar o painel para estudar biologia na época do colegial.

“São pequenas histórias que criam pertencimento. Quando vi que retiraram o painel, achei que aquilo mexia só comigo. Depois comecei a ouvir relatos de pessoas emocionadas, chorando, tristes pela retirada”, disse.

Fernando Bruder também questionou sobre a falta de diálogo com a população antes da remoção da obra. Para Pedro Paulo, o principal problema foi justamente a ausência de participação popular nas decisões relacionadas ao patrimônio cultural.

“A população precisa ser mais ouvida do que consultada”, afirmou.

Ao longo da entrevista, o arquiteto também alertou para os desafios da preservação histórica em Botucatu. Segundo ele, muitos prédios importantes da cidade estão sendo demolidos ou descaracterizados, enquanto a conscientização sobre o valor histórico ainda é insuficiente.

“O patrimônio histórico de Botucatu está febril há muitos anos. Precisa de ações rápidas e efetivas”, declarou.

Pedro Paulo ainda ressaltou a importância do Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico (COMPATRI), criado recentemente, e defendeu que o turismo cultural pode ser um importante aliado na valorização dos bens históricos da cidade.

“O turismo e o patrimônio histórico precisam andar juntos. Uma cidade sem memória perde sua identidade”, completou.

Ao final da entrevista, o arquiteto fez um apelo para que a população participe mais ativamente das discussões sobre preservação cultural e destacou que defender o patrimônio histórico também é um ato de cidadania.

“Preservar patrimônio histórico é preservar pertencimento, memória e identidade para as futuras gerações”, concluiu.

Assista a Entrevista na íntegra:

Reforma do Cine Nelli apaga simbolo cultural e gera revolta em Botucatu

Uma intervenção de reforma qua há mais de um ano acontece em Botucatu, realizada durante as obras no Cine Teatro Nelli está provocando forte repercussão negativa entre moradores e agentes culturais da cidade. Segundo denúncias, a reforma autorizada pela Prefeitura de Botucatu resultou na raspagem do tradicional painel filogenético, uma obra que há décadas integrava a identidade visual do espaço.

De acordo com relatos, o painel — considerado por muitos como um símbolo da conexão entre arte, ciência e cultura local — não estava em estado irreversível e poderia ter passado por um processo de restauração. A decisão de removê-lo, no entanto, foi vista como precipitada e desrespeitosa com a memória cultural da cidade.

Artistas, produtores culturais e moradores se manifestaram nas redes sociais criticando duramente a ação. Para esse grupo, a eliminação do painel representa mais do que uma intervenção estética: seria um apagamento simbólico da história recente do teatro e da própria produção cultural botucatuense.

Era possível recuperar, preservar e valorizar. Optaram por apagar”, comentou um integrante do meio artístico local, refletindo o sentimento de indignação que cresce entre aqueles que acompanham a cena cultural da cidade.

O painel filogenético fazia parte da fase mais recente de ressignificação do teatro, marcando o espaço como um ponto de encontro entre diferentes expressões artísticas e o conhecimento científico — algo especialmente relevante em uma cidade com forte vocação universitária.

Até o momento, não houve detalhamento público por parte da administração municipal sobre os critérios técnicos que levaram à remoção da obra. A ausência de explicações tem intensificado as críticas e levantado questionamentos sobre a falta de transparência e de diálogo com o setor cultural.

A situação reacende um debate importante: qual é o limite entre modernizar e preservar? Para muitos, a reforma poderia ter sido uma oportunidade de valorização do patrimônio artístico local — e não de sua eliminação.

Agora, cresce a pressão para que a Prefeitura de Botucatu se posicione oficialmente sobre o caso e esclareça se houve estudo técnico, consulta a especialistas ou qualquer tentativa de conservação antes da raspagem do painel.

Enquanto isso, fica a pergunta que ecoa entre artistas e cidadãos:
Botucatu está evoluindo culturalmente — ou apagando a própria história?