Economia

Mais de 230 empresas brasileiras transferiram produção para o Paraguai

O Paraguai tem se consolidado como destino para empresas brasileiras em busca de custos operacionais menores. Dados recentes apontam que 232 empresas do Brasil passaram a produzir no país vizinho desde 2007, aproveitando os benefícios oferecidos pelo chamado regime de maquila, voltado principalmente para a exportação.

O modelo permite que empresas estrangeiras instalem unidades produtivas no Paraguai com uma carga tributária reduzida e custos trabalhistas inferiores aos praticados no Brasil. Além disso, incentivos fiscais, energia mais barata e menos encargos sobre a folha de pagamento têm sido apontados como fatores decisivos para a migração de investimentos.

A maior parte dessas empresas atua em setores como têxtil, autopeças, plásticos, alimentos e bens de consumo. O movimento ganhou força nos últimos anos após o governo paraguaio ampliar incentivos para atrair indústrias estrangeiras e fortalecer sua base produtiva.

Especialistas avaliam que a busca por maior competitividade tem levado empresários brasileiros a considerar operações no Paraguai, especialmente em atividades industriais com alto consumo de energia e mão de obra. Em muitos casos, a produção é realizada no país vizinho e os produtos retornam ao Brasil para comercialização ou etapas finais de fabricação.

O crescimento das maquiladoras tem gerado debates sobre o ambiente de negócios brasileiro. Enquanto empresários destacam a necessidade de reduzir custos e burocracias para manter a competitividade, representantes de trabalhadores alertam para os impactos da transferência de fábricas e empregos para outros países da região.

Estudo aponta quase R$ 1 trilhão em custos extras na conta de luz até 2050

Um levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia estima que decisões adotadas pelo governo federal e pelo Congresso Nacional podem resultar em cerca de R$ 985 bilhões em custos adicionais nas contas de energia elétrica dos brasileiros até 2050. O valor representa compromissos assumidos pelo setor que deverão ser repassados aos consumidores ao longo das próximas décadas.

De acordo com o estudo, os custos estão relacionados a medidas envolvendo mudanças no acordo de Itaipu, incentivos a determinadas fontes de geração de energia e a contratação de novas usinas para garantir o abastecimento do sistema elétrico nacional. A projeção considera apenas despesas já previstas e contratadas.

Os especialistas responsáveis pelo levantamento destacam que a estimativa não inclui reajustes tarifários anuais, inflação ou outros fatores que tradicionalmente influenciam o preço da energia elétrica. Dessa forma, o montante calculado corresponde apenas aos encargos decorrentes das medidas analisadas.

O tema tem provocado debate entre representantes do setor elétrico, economistas e autoridades públicas. Críticos afirmam que as decisões podem aumentar significativamente o peso da conta de luz no orçamento das famílias e das empresas. Já defensores das medidas argumentam que os investimentos são necessários para ampliar a segurança energética e garantir o fornecimento de energia no futuro.

A discussão ocorre em um momento em que o custo da energia elétrica segue sendo uma das principais preocupações dos consumidores brasileiros, especialmente diante dos impactos que as tarifas exercem sobre a inflação, a atividade econômica e o poder de compra da população.

Prefeito dá aumento pífio aos servidores e coloca a culpa nos novos 175 funcionários

A assembleia realizada na noite desta terça-feira (2) pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Botucatu (SISPUMB) terminou com forte insatisfação dos trabalhadores diante da proposta de reajuste salarial apresentada pela Prefeitura. O Governo Municipal ofereceu duas opções: 4,5% de reajuste aplicado ao salário e ao vale alimentação/saúde, ou 5% de aumento nos salários e 4,11% no vale, índice correspondente à inflação do período.

Durante a apresentação da proposta, a administração municipal justificou as limitações financeiras apontando a contratação de 175 novos servidores ao longo de 2026 e os impactos do chamado “descongela”, mecanismo que restabeleceu direitos e contagens de tempo interrompidas durante a pandemia. A explicação, porém, foi recebida com críticas por parte dos funcionários presentes.

Entre os principais questionamentos levantados está a transferência da responsabilidade pelo reajuste considerado insuficiente para os novos servidores recém-contratados. Segundo representantes da categoria, a maior parte dessas admissões ocorreu na área da Educação, especialmente de professores, cujos salários são custeados majoritariamente com recursos do FUNDEB, fundo federal destinado ao financiamento da educação básica sendo que  nas prestações de contas ao Conselho do Fundeb, as representantes do Executivo afirmam constantemente que o Fundeb é dedicado 100% à folha de pagamento. Na avaliação dos trabalhadores, o impacto dessas contratações sobre as contas do município seria limitado, não justificando a contenção salarial apresentada pela Prefeitura.

Outro ponto levantado pelos servidores é o que classificam como um histórico de falta de valorização do funcionalismo municipal. Críticos da proposta lembram que o atual prefeito participou de gestões anteriores ocupando secretarias estratégicas responsáveis por decisões orçamentárias e políticas salariais. Para parte da categoria, a dificuldade em conceder ganhos reais aos servidores não é um problema recente, mas uma característica que atravessa diferentes administrações municipais.

A justificativa relacionada ao “descongela” também foi contestada. Servidores argumentam que, mesmo durante o período em que direitos e contagens de tempo estavam congelados por legislação federal, os reajustes concedidos pelo município também ficaram abaixo das expectativas da categoria. Por isso, questionam o uso do retorno desses direitos como principal argumento para limitar aumentos salariais neste momento.

A pauta original aprovada pelos trabalhadores previa reposição da inflação medida pelo INPC acrescida de 5% de ganho real, totalizando cerca de 10% de reajuste. Além disso, a categoria reivindica um plano de reposição das perdas salariais acumuladas, estimadas em aproximadamente 35%, equiparação do vale alimentação pelo maior valor pago atualmente, reajuste de 10% no benefício e a construção de um plano de carreira negociado com o sindicato.

Ao final da assembleia, os servidores decidiram aceitar a proposta apresentada pelo Executivo para evitar atrasos na aplicação do reajuste, mas registraram protesto formal contra o índice considerado insuficiente. O projeto deverá ser encaminhado à Câmara Municipal para votação e, se aprovado, passará a valer nos próximos pagamentos.

Conselho da Petrobras aprova subsídio de R$ 1,12 por litro de diesel comercializado

O Conselho de Administração da Petrobras, em reunião nesta segunda-feira (1°), aprovou a adesão da companhia à subvenção econômica aos produtores e importadores de óleo diesel de uso rodoviário no país, no valor de R$ 1,12 por litro comercializado, instituída pela Medida Provisória (MP) nº 1.363, de 30 de maio. O ajuste nos seus preços de venda de óleo diesel valem a partir desta terça-feira (2).

“Diante do caráter facultativo e do potencial benefício, entende-se que essa adesão é compatível com o interesse da companhia e preserva a flexibilidade da Petrobras na implementação da sua estratégia comercial”, explica a estatal.

A adesão à nova subvenção é complementar à adesão anteriormente autorizada pela Medida Provisória nº, de 13 de maio.

A estatal disse que mantém sua estratégia comercial levando em consideração sua participação no mercado, a otimização dos seus ativos de refino e a rentabilidade de maneira sustentável, evitando o repasse para os preços internos da volatilidade conjuntural das cotações internacionais e da taxa de câmbio.

Fonte: Agência Brasil

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Filipe Bronel da Balder Soluções Empresariais apresenta estratégias tributárias para fortalecer o caixa das empresas

O empresário e contador Filipe Bronel, CEO da Balder Soluções Empresariais, participou de entrevista com o jornalista Fernando Bruder e explicou como a chamada “inteligência tributária” pode ajudar empresas a reduzirem custos, recuperarem créditos e melhorarem o fluxo de caixa. Durante a conversa, Bronel destacou que muitas empresas acabam pagando impostos indevidos ou em duplicidade sem perceber, principalmente em operações envolvendo diferentes estados.

Segundo ele, a inteligência tributária consiste em uma análise detalhada da carga tributária das empresas para identificar pagamentos feitos “a maior” e possíveis créditos tributários que podem ser recuperados. “Muitos empresários estão pagando tributos indevidos e nem sabem disso. Com uma revisão correta é possível recuperar valores e transformar isso em crédito tributário ou até dinheiro no caixa da empresa”, afirmou.

Bronel explicou ainda o funcionamento da estratégia conhecida como “Ativo Moeda”, baseada na utilização de direitos creditórios homologados judicialmente para compensação de tributos federais. De acordo com ele, o sistema permite que empresas consigam quitar impostos com deságio de até 20%, trazendo alívio financeiro ao caixa empresarial. Ele ressaltou que todo o processo é respaldado por legislação e auditorias técnicas realizadas por empresas especializadas.

Durante a entrevista, o CEO da Balder também alertou sobre práticas irregulares existentes no mercado envolvendo os chamados “créditos podres”, que seriam créditos sem homologação ou sem validade jurídica. “Existe muita gente trabalhando de forma errada e isso acabou manchando o setor. Nosso trabalho é baseado em créditos auditados, homologados e totalmente rastreáveis”, destacou.

Outro ponto abordado foi a recuperação de créditos tributários e o impacto direto no fluxo de caixa das empresas. Bronel deu como exemplo companhias que conseguem reduzir significativamente os custos mensais com tributos federais por meio da compensação de guias. Segundo ele, empresas que pagam cerca de R$ 100 mil em impostos mensais podem obter uma economia aproximada de R$ 20 mil através das operações de deságio.

A entrevista também abordou temas como contabilidade consultiva, blindagem patrimonial e os impactos da Reforma Tributária. Bronel afirmou que empresários precisarão investir cada vez mais em gestão financeira e planejamento tributário para enfrentar as mudanças previstas nos próximos anos. “A empresa que não tiver gestão financeira eficiente poderá sofrer bastante com a nova carga tributária”, alertou.

Sobre a blindagem patrimonial, ele explicou que a estruturação de holdings familiares tem sido uma alternativa procurada por empresários para proteger patrimônio e facilitar sucessão familiar, além de possibilitar redução de custos tributários dentro da legalidade.

Bronel ainda afirmou que pequenas e médias empresas também podem se beneficiar das soluções tributárias, desde que estejam enquadradas nos regimes de Lucro Presumido ou Lucro Real. Empresas optantes pelo Simples Nacional, segundo ele, possuem limitações legais para esse tipo de operação.

Ao final da entrevista, Filipe Bronel reforçou que a Balder Soluções Empresariais atua em todo o território nacional e disponibiliza diagnósticos tributários gratuitos para empresários interessados em verificar possíveis créditos, reduções tributárias e oportunidades de recuperação financeira.

Brasileiros tem R$ 10,57 bilhões em dinheiro esquecido; veja como consultar

Novo levantamento do Banco Central, publicado nesta terça-feira (12/5), aponta R$ 10,57 bilhões em valores esquecidos em instituições financeiras. Segundo a Estatística de Valores a Receber, cerca de R$ 14,5 bilhões em dinheiro esquecido já foi devolvido.

Desse montante, R$ 8,1 bilhões estão distribuídos entre 45.332.328 pessoas físicas, enquanto 5.044.222 pessoas jurídicas tem R$ 2,4 bilhões em valores esquecidos. Para consultar, cidadãos pode acessar sistema disponível no site do BC.

Os dados mostram que 62,9% tem valores retidos abaixo de R$ 10, enquanto 24,16% tem de R$ 10,01 a R$ 100 e 10,90% tem até de R$ 100,01 a R$ 1.000. Apenas 2,05% tem acima de R$ 1.000 em dinheiro esquecido.

Ainda segundo o relatório, a maior parte das pessoas, cerca 33 milhões, tem valores em bancos. As administradoras de consórcio vem em seguida, com 8,2 milhões.

A publicação do relatório ocorre no mesmo dia do prazo final para que bancos enviem esse valores ao Fundo Garantidor de Operações (FGO). Desse valor, R$ 5 bilhões devem ser destinados à cobertura de risco de inadimplências no Novo Desenrola Brasil, lançado na última segunda (4/5).

O Ministério da Fazenda indica ainda que 10% desse valor deve ser destinado para cobrir eventuais pedidos de devolução por parte dos cidadãos. Após a transferência para o FGO, a pasta vai disponibilizar um link para um sistema de informações com detalhes sobre extrato, agência, número da conta e banco de origem. O acesso à consulta é individualizado.

Fonte: Correio Braziliense

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Após Desenrola: Brasil tem 82,8 milhões de endividados; veja como limpar nome

O Brasil tem 82,8 milhões de endividados. O número das pessoas que não conseguem pagar as dívidas em dia no país foi divulgado pela Serasa nesta terça-feira (5/5), um dia após o governo federal lançar programa para reduzir esse contingente: o Desenrola 2.0 (leia abaixo).

O número representa aumento de 1,35% em relação ao levantamento anterior, de fevereiro deste ano, quando havia 81,7 milhões de pessoas que não conseguiam pagar as dívidas em dia. O total de 82,8 milhões de endividados representa 49% da população adulta.

Novo Desenrola

  • O programa Novo Desenrola Brasil, que visa a reduzir o endividamento recorde da população, começa a valer nesta terça-feira (5/5). A iniciativa, lançada nessa segunda-feira (4/5), vai conceder descontos em dívidas e provocar o refinanciamento com juros mais baixos, limitados a 1,99% ao mês
  • O Novo Desenrola traz quatro categorias de Desenrola específicas: Desenrola Famílias (carro-chefe), Desenrola Fies, Desenrola Empreendredor e Desenrola Rural (pequenos agricultores)
  • Os descontos para as operações de renegociação de dívida variam de 30% a 90%, com taxa média estimada em 65%, segundo o governo federal.
  • O governo também irá limpar o nome de quem tem dívida de até R$ 100.
  • Podem participar as pessoas com renda de até cinco salários mínimos, ou seja, R$ 8.105.

No caso da pesquisa do Serasa, além do aumento do contingente de pessoas endividadas, houve crescimento no valor da dívida média total por pessoa. Em relação a fevereiro, a alta foi de 1,98%, o que fez o valor chegar a R$ 6.728,51.

Cada pessoa tem, em média, conforme a Serasa, quatro dívidas. Cada uma delas tem valor médio de R$ 1.647,64.

Ao todo, existem 338,2 mil dívidas – que somam R$ 557 bilhões em valores. Esse número cresceu 3,35% em relação ao levantamento de fevereiro deste ano.

A pesquisa da Serasa ouviu ao todo 1.904 pessoas que têm dívidas não pagas em todo o país, em abril deste ano. A sondagem mostrou que 38% dos entrevistados apontam o desemprego ou a perda de renda como o principal fator para a inadimplência.

Os fatores gastos de emergência (16%), descontrole/desorganização financeira (13%), apoio financeiro a familiares ou amigos (10%) e atraso no pagamento de contas básicas (7%) representam parcela maior, ou seja, 46%.

Diretora da Serasa, Aline Maciel chama a atenção para o fato de o endividamento elevado e a inadimplência recorde ocorrerem mesmo diante de um momento bom para a geração de emprego.

“Mesmo com os índices de desemprego bons, a gente tem ele como um opressor [da inadimplência], vemos que ainda tem espaço para piorar essa percepção. É algo para a gente ficar em alerta”, pontua Maciel.

A taxa de desocupação ficou em 6,1% nos três primeiros meses do ano, conforme dados divulgados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, na última quinta-feira (30/4), pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE).

Conforme o levantamento, 47% das dívidas dos brasileiros estão concentradas no setor financeiro:

  • 27,3% bancos/cartão de crédito;
  • 21% utilidades (contas básicas, como água, luz e gás);
  • 20,2% financeiras;
  • 11,5 serviços.

Desenrola: como limpar o nome

O governo federal lançou, na segunda-feira (4/5), o programa Novo Desenrola Brasil, que visa reduzir o endividamento recorde da população. Segundo a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o débito renegociado terá descontos de 30% a 90% para pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).

A iniciativa, que terá duração de 90 dias, vai conceder descontos de até 90% em dívidas e provocar o refinanciamento com juros mais baixos, limitados a 1,99% ao mês.

O programa atua em linhas diferentes:

  • Desenrola Famílias: renegociação de dívidas atrasadas, uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS), consignado Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e consignado público;
  • Desenrola Fies;
  • Desenrola Empresas: Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e Programa Acredita (ProCred); e
  • Desenrola Rural.

No caso do desenrola famílias, são elegíveis as dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, nas modalidades de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC). Podem participar as pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).

A dívida renegociada terá:

  • descontos entre 30 a 90%.
  • taxa de juro máxima de 1,99% ao mês.
  • até 48 meses de prazo;
  • prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela;
  • limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira; e
  • garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO).

O Desenrola 2.0 estabeleceu que dívidas de até R$ 100 serão perdoadas pelos bancos e 1% do que for renegociado deverá ser destinado à educação financeira.

As normas valem para dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).

Segundo o governo, os usuários do novo Desenrola também ficarão bloqueados em plataformas de apostas on-line, as chamadas de bets, por um ano.

“A pessoa vai estar automaticamente fora dos jogos on-line (bets) por um ano. A gente precisa melhorar a qualidade do crédito que essa pessoa toma. A pessoa que está endividada e precisa de ajuda do governo não pode jogar nas apostas on-line”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.Quem pode participar?

  • Público-alvo: brasileiros com renda até 5 salários mínimos (R$ 8.105).
  • Dívidas elegíveis: o programa permite renegociar dívidas (cartão de crédito, cheque especial e empréstimos) que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, feitas até janeiro de 2026.
  • Forma de acesso: canais oficiais dos bancos.

O que quer o endividado

Do total, 71% dos entrevistados na pesquisa Serasa afirmaram que já tentaram negociar as dívidas bancárias. Na pesquisa divulgada nesta terça, 45% dos entrevistados responderam, em múltipla escolha, que se sentiriam mais confiante se houvesse:

  • acordo com desconto (69%);
  • redução nos juros (64%);
  • parcelamento acessível (58%); e
  • aumento da renda (36%).

A diretora vê com bons olhos o novo programa do governo federal para redução no endividamento e na inadimplência. No entanto, ressalva que outras medidas são necessárias, bem como a educação financeira e a redução nas taxas de juros no país.

“O programa sozinho não vai fazer milagre. A gente viu o programa passado, ele acaba suavizando a inadimplência, mas sabemos que, se outras ações não forem tomadas, a gente não vai ter a inversão na curva da dívida, porque a gente tem um estoque altíssimo de dívidas”, afirma Maciel.

No aplicativoA Serasa afirma que parte das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN) tem convênio com a instituição. Este grupo mantém ofertas de renegociação, inclusive nos termos do Novo Desenrola Brasil, que podem ser acessadas diretamente no aplicativo da Serasa.

Conforme a instituição, a plataforma privada concentra 7,7 milhões de ofertas no âmbito do Novo Desenrola Brasil e 691 milhões ao todo, contemplando 2 mil empresas parceiras.

Fonte: Metrópoles

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Fim da escala 6×1: Estudos divergem sobre impactos no PIB e inflação

As propostas de redução da jornada de trabalho no Brasil, em tramitação no Congresso Nacional, têm mobilizado pesquisadores sobre os possíveis impactos da medida na economia, a partir do fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso, a chamada 6×1.  

De um lado, estudos de entidades que representam o empresariado, as chamadas confederações patronais, projetam queda no Produto Interno Bruto (PIB) e alta da inflação.

Por outra perspectiva, análises da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desenham um cenário diferente, com impactos reduzidos atingindo apenas alguns setores, além da criação de mais empregos e possível aumento do PIB.

Para a economista da Unicamp Marilane Teixeira, a diferença entre as pesquisas sobre os custos econômicos da redução da jornada ocorre porque não se trata de um debate puramente técnico, mas político.

“Parte significativa da literatura econômica que discute o assunto parte de modelos que assumem, como regra, que qualquer redução na quantidade de horas trabalhadas levará, inevitavelmente, à redução da produção e da renda – ignorando, assim, os ajustes dinâmicos que historicamente ocorrem no mercado de trabalho”, aponta.

Membro do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesite), Marilene defende que a resistência à redução da jornada, por parte dos empregadores, pode levar a projeções alarmistas.

“Do ponto de vista dos empregadores, é claro que, qualquer mudança é vista a partir do seu negócio. Eles não olham a economia como um todo, mas isso traz benefícios para o conjunto da sociedade”, acredita.

Previsões

pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) calcula uma perda de R$ 76 bilhões no PIB brasileiro (-0,7%) com a redução da jornada das atuais 44 para 40 horas. No caso da indústria, o PIB cairia 1,2%.

“Nossa indústria vai perder participação no mercado doméstico e internacional, a partir da redução nas exportações e da alta nas importações”, destaca o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Já a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que reúne empresários desses setores, afirma que a redução da jornada aumentaria os custos sobre a folha salarial em 21%. A estimativa da CNC cita que o repasse de preços ao consumidor poderia chegar a 13%.  Já a CNI aponta para altas nos preços de 6,2%, em média.

“Sem redução dos salários nominais, espera-se por impactos significativos sobre a rentabilidade da atividade comercial no Brasil”, diz a CNC.

Custos x benefícios

Já o estudo do Ipea afirma que a alta no custo das empresas com os trabalhadores, a partir da redução da jornada, não passaria dos 10%, no caso dos setores mais impactados. Na média, a previsão é de um custo extra do trabalho de 7,8%.

Porém, considerando o custo total das empresas, conta que engloba o conjunto de gastos, o impacto da redução da jornada varia de 1%, em setores como comércio e indústria, a até 6,6%, no caso do ramo de vigilância e segurança.

“Os resultados indicam que a maioria dos setores produtivos apresenta capacidade de absorver aumentos nos custos do trabalho, ainda que alguns segmentos demandem atenção específica”, diz o estudo do Ipea.

A exceção seriam as empresas com até nove trabalhadores, que empregam cerca de 25% dos assalariados formais do país. Segundo o Ipea, esses negócios podem precisar de apoio estatal para transição à nova jornada de trabalho.

Um dos autores do estudo do Ipea, Felipe Pateo, afirma que o levantamento da CNC não demonstra, “de forma transparente”, como eles chegaram ao aumento de 21% no custo do trabalho.

“Mesmo olhando só para o custo do trabalho em si, a gente mostra que, matematicamente, não tem como esse aumento ser maior do que 10% porque é exatamente o tempo de horas que o empregador vai perder em relação ao trabalhador que faz 44 horas semanais”, afirmou.

A Agência Brasil procurou a CNC para comentar as divergências, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

Inflação dos preços

 

Supermercados
Foto: Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil/Arquivo
Setor de comércio calcula aumento dos custos com redução da jornada  – Tânia Rêgo/Arquivo/Agência Brasil/Arquivo

Projeções de aumento de preços com o fim da escala 6×1 são destaque nos estudos de entidades patronais como CNC e CNI, que argumentam que o aumento do custo da mão de obra será repassado ao consumidor final.

O economista da CNI Marcelo Azevedo pondera que a necessidade de contratar mais vai gerar aumento de custos na ponta.

“Tem aumento de custo porque o valor do salário-hora aumentou, então vai ter aumento de custo. Todos os produtos vão ter aumento. Isso é um efeito que vai se acumulando porque cada setor tem o mesmo problema”, explica.

Por sua vez, o economista do Ipea Felipe Pateo avalia que o impacto inflacionário será limitado, lembrando que os empresários podem ainda absorver essa diferença com redução de lucros.

“O aumento no custo operacional é de 1%. Se o empresário repassar integralmente esse aumento, vai ser um aumento de 1% no preço do produto”, afirma Pateo.

Já a economista da Unicamp, Marilane Teixeira, avalia que não há risco de aumento generalizado de preços.

“Se fosse assim, então, toda vez que eleva o salário mínimo, você teria um aumento da inflação exponencial porque o salário mínimo tem impacto para o conjunto da economia”, compara.

Ela acrescenta que praticamente todos os setores da economia atuam com capacidade ociosa, que permite aumentar a oferta em caso de pressão no lado da demanda.

“Essa ideia de que uma elevação marginal no custo do trabalho pela contratação gera inflação, não se sustenta. O impacto disso no custo total é tão marginal que é óbvio que não vai impactar no preço do produto. E se a empresa compete, ele não vai reajustar preço porque corre o risco de perder cliente para o concorrente”, justifica.

A nota técnica do Ipea sustenta que a redução da jornada terá efeito semelhante a de aumentos do salário mínimo e afirma que as projeções que preveem redução do PIB e do emprego não são respaldadas por estudos que analisam a experiência histórica brasileira.

“Aumentos reais [do salário mínimo], que chegaram a 12% em 2001, 7,6% em 2012 e 5,6% em 2024, não causaram efeitos negativos sobre o nível de emprego”, diz a nota técnica do Ipea.

Divergências

A divergência entre as pesquisas ocorre porque os levantamentos partem de pressupostos e premissas diferentes para calcular os impactos sobre o PIB e inflação, por exemplo.

O estudo da Unicamp parte da premissa de que a redução da jornada vai incentivar os empregadores a contratar mais. Em contrapartida, o estudo da CNI parte do pressuposto de que a redução do total de horas trabalhadas diminuiria o total do produto final.

O gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explicou à Agência Brasil que os estudos de projeções econômicas simplificam a realidade e precisam definir hipóteses para fazer projeções de impactos da mudança.

“Você pode assumir que vai ter ganho de produtividade, você pode assumir que não vai ter ganho de produtividade. E tudo bem. Isso faz parte dos estudos, desde que bem explicitados que tipo de hipótese você está assumindo. Não à toa você tem visões diferentes e não necessariamente erradas, mesmo que conflitantes”, pondera.

Marilene ressalta que a diferença entre as pesquisas não é resultado de uma manipulação das evidências. A partir dos mesmos dados, pode-se chegar a resultados distintos em razão da perspectiva política, econômica e social que o pesquisador tem do contexto que se analisa.

“É um conflito que chamamos de conflito distributivo. É uma disputa para definir para onde canalizar os lucros, a renda do trabalho, o salário e o consumo. O que está em disputa são os ganhos da produtividade”, completa.

Produtividade

 

fábrica, indústria, sede da Suzano Celulose
Trabalhador da indústria- Amanda Oliveira/GovBA

O estudo da CNI aponta que a redução da jornada de trabalho vai impactar a competitividade das empresas.Ele avalia como improvável o aumento da produtividade para compensar a redução das horas trabalhadas.

Ao aumentar a produtividade, uma empresa pode produzir o mesmo com menos tempo de trabalho.

“A gente, infelizmente, e por diversas razões que não são simples de contornar, está com uma produtividade estagnada há muito tempo. Ela é baixa frente aos outros países. Acho difícil apostar numa melhora significativa de produtividade”, explicou à Agência Brasil o gerente de análise econômica da CNI, Marcelo Azevedo.

A economista Marilane Teixeira aponta que, mesmo com uma jornada relativamente extensa como a brasileira, a produtividade se mantém estagnada.

“Portanto, não é a jornada de trabalho que vai resolver o problema da produtividade. Talvez, até reduzindo a jornada de trabalho, você possa melhorar a produtividade porque as pessoas vão estar mais descansadas”, completa.

O técnico do Ipea Felipe Pateo afirma que há muitas possibilidades para adequação das empresas frente a redução da jornada, não sendo possível antecipar uma queda no PIB.

“A hora liberada do trabalhador pode gerar também maior produção, maior consumo. Pode fazer com que as outras atividades, no tempo livre, tenham uma dinâmica positiva na economia”, explica.

Evolução histórica

 

“Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do Brasil”, disse o então presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal de 1988.
Presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal de 1988. – Arquivo Agência Brasil

Em 1988, a Constituição brasileira reduziu a jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais. Em 2002, economistas da PUC Rio e da Universidade de São Paulo (USP) publicaram estudo que não identificou efeitos negativos no nível de emprego.

“As mudanças relacionadas à jornada de trabalho em 1988 não aumentaram a probabilidade de o trabalhador afetado perder o emprego e diminuíram a sua probabilidade de sair da força de trabalho no ano seguinte à mudança regulatória”.

O economista da CNI Marcelo Azevedo questiona a comparação da redução atual da jornada com a que foi realizada durante a Constituição de 1988, alegando que a economia mudou muito nesses 40 anos.

“A economia era mais fechada, não tinha globalização como tem hoje, não tinha o comércio eletrônico de hoje. Era mais fácil absorver os custos com uma inflação elevadíssima como a daquela época”, rebate Azevedo.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Tânia Rêgo