Crônica de Bahige Fadel desta quinta-feira (07), retrata a educação do País com tema; “Mais uma vez”

Mais uma vez, a educação brasileira passa vergonha em avaliação internacional. Mais uma vez, o desempenho dos estudantes brasileiros é inferior ao de países com menos condições de investimento que o Brasil.

Desta vez, foi no PISA – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. As provas foram realizadas no ano passado e os resultados foram divulgados há alguns dias. Entre mais de oitenta países, a colocação do Brasil está lá na rabeira. Principalmente em matemática – a avaliação é em matemática, leitura e ciências – o resultado foi calamitoso.

Apenas 27% dos participantes alcançaram pelo menos o nível 2, considerado básico. 73% estão abaixo do básico. Os melhores países chegaram a 85% dos alunos com nota pelo menos no nível 2.Em leitura e ciências, o resultado foi um pouco melhor.

Para que o leitor tenha uma ideia melhor, vamos a alguns números: em matemática, o Brasil conseguiu 379 pontos. Os países da OCDE -Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – , com 38 países, conseguiu 479. O leitor pode estar pensando que essa organização só tem países do primeiro mundo.

Não é verdade. Mas vamos ficar na América do Sul. O desempenho do Brasil foi inferior ao do Peru (391). Inferior ao do Chile (412). Inferior ao da Colômbia (383). Se servir de consolo, empatamos com a Argentina, que está em crise há alguns anos.

Alguma surpresa nos resultados, caro leitor? Claro que não. Desde 2000, quando se iniciou a avaliação do PISA, os resultados têm sido catastróficos para o Brasil. O pior é que nossas autoridades não aprendem com isso. Parece que foi Einstein que disse isso: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Essas autoridades, há muitos anos, cometem os mesmos erros, e querem que os resultados sejam diferentes? Insanidade. Vamos continuar passando vergonha nessas avaliações.

Uma dessas autoridades declarou que há um programa do governo para fornecer uma espécie de mesada ao aluno de ensino médio, para que não haja evasão. A gente fala de nível de ensino, e o cara fala de mesada. Pode? Uma pessoa me disse: Em Singapura, que ficou em primeiro lugar, o salário do professor corresponde a treze mil reais. E eu explique que não é porque o salário é de treze mil, que o nível é alto. É o contrário. O salário é de treze mil, porque o nível é alto. Primeiro, prepara-se o profissional, para que ele possa ajudar a elevar o nível de ensino. Depois, paga-se mais ao profissional qualificado.

No Brasil, pensa-se numa mesada para o aluno, que não saírá da escola, em tese, mas continuará recebendo um ensino de baixa qualidade.
Para finalizar: enquanto não houver um programa sério de preparação do profissional da educação, continuaremos com esses resultados do PISA. E os resultados não mudarão de uma hora para outra. É preciso que haja paciência, persistência, continuidade e competência. Não existe mágica. Existe trabalho. Existe organização. O resto é discurso.

Bahige Fadel

Imagem Ilustrativa

Sobre FERNANDO BRUDER TEODORO

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