Esperança

Ufa! Finalmente, as eleições acabaram. Os vitoriosos comemoram. Os derrotados curam as feridas. Pelo menos, o desfile de acusações terminou. Terminou mesmo? Tomara que sim. Ninguém estava mais aguentando o tiroteio de acusações. Num determinado momento, comecei a achar que no Brasil não existem pessoas boas. Corrupto, assassino, ladrão, bandido, nazista, genocida, chefe de quadrilha, diabo, satanás, capeta, belzebu, chifrudo, coisa-ruim, tinhoso, lúcifer, canhoto, anjo das trevas, cão, besta…

Tomara que tudo isso tenha acabado mesmo. Tomara que aconteça o mesmo que ocorre nas lutas de judô. Os adversários usam todas as estratégias possíveis para vencerem. Terminada a luta, ambos fazem reverência em sinal de respeito e o derrotado toma a iniciativa de cumprimentar o vencedor. Vencedor e vencido não se tornam inimigos. Ou devem agir como Federer e Nadal no tênis. Os dois grandes adversários nessa modalidade. Na quadra, fazem tudo para vencer. Gastam todas as suas energias. Depois, grandes amigos. Ambos se respeitam e se admiram.

Não, caro leitor. Não sou tão ingênuo assim. Não vão pensar que estou achando que desejo que Lula e Bolsonaro fiquem amigos. Não cheguei a tanto. Mas posso ter a esperança de que lulistas e bolsonaristas não deixem de ser amigos, só porque têm opiniões políticas diferentes. Isso não é desejar demais, né? Você não conhece palmeirenses que são amigos de corintianos? Eu conheço. Não é parecido? Ou você acha que só porque seu candidato foi derrotado, agora você vai ficar torcendo para que tudo dê errado no Brasil? Você vai querer dividir o país em derrotados e vitoriosos? Acho que ambos os lados querem a mesma coisa: desenvolvimento, bons salários, emprego, liberdade, progresso. Todos querem a mesma coisa. Não precisam trocar beijos, mas podem trocar esperanças.

Afinal de contas, somos todos brasileiros, e como se sabe, brasileiro, profissão esperança. Eu ainda não perdi a minha. Não sou favorável à ideia de que amigo não tem defeito, mas se o inimigo não tiver defeitos, a gente inventa um. Isso não ajuda nem resolve problemas. É preciso consciência coletiva. É preciso consciência de nação. Caso contrário, não haverá esperanças. E eu não quero perder a que eu tenho.

BAHIGE FADEL

Sobre FERNANDO BRUDER TEODORO

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