Eventos e ações marcam mês de luta contra o vírus HIV, a aids e outras IST

No mês de dezembro profissionais, grupos e instituições que atuam na atenção à saúde global de pessoas que vivem com HIV/Aids se mobilizam nacionalmente pela causa. Neste 1 de dezembro, data marcada como o dia de uma campanha global que combate o preconceito, a desinformação e o estigma que ainda perduram em torno da doença Aids, conversamos com o médico infectologista Alexandre Naime Barbosa, diretor de assistência do Serviço de Ambulatórios Especializados em Infectologia “Domingos Alves Meira” – SAEI-DAM da Famesp, também vice-presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, professor e pesquisador da Unesp/Botucatu.O especialista fala sobre os serviços existentes para as pessoas que vivem com HIV/Aids, como o SAE de Infectologia, e os desafios que até hoje – 35 anos depois da 3ª Conferência Internacional de Aids, realizada em Washington (EUA) em 1987, ocasião em que a doença era considerada uma sentença de morte – são enfrentados por ativistas, comunidade científica e quem vive com o vírus.  “É uma data muito importante porque temos cerca de 40 milhões de pessoas no mundo vivendo com infecção pelo HIV, um quantitativo muito grande”, pontua Naime. No Brasil, cerca de 1 milhão de pessoas, do total de 200 milhões de brasileiros, vive com HIV.A Aids é uma doença crônica, mas completamente controlável e com tratamento efetivo. De acordo com o especialista, graças aos tratamentos atuais, a pessoa que vive com HIV tem uma expectativa de vida igual à da população em geral.“A história natural da doença foi modificada completamente nos últimos anos por conta do tratamento que promove a chamada carga viral indetectável. Se usar o tratamento correto, a pessoa atinge essa carga viral indetectável e a intransmissibilidade. Sem dúvida foi um avanço. Mas, ainda há pontos a serem melhorados”, destaca.Diagnóstico tardio, mais testagemNaime explica que o diagnóstico ainda é demorado e a pandemia de Covid-19 piorou a situação, sendo feito tardiamente. Muitos pacientes só chegam aos serviços já na fase de doença, a chamada Aids, com complicações e infecções oportunistas.Para o médico infectologista é preciso ampliar a testagem, melhorar o rastreio. É preciso incentivar a testagem entre as pessoas que eventualmente se exponham ao HIV, fazendo sexo sem preservativo. Só assim será possível o diagnóstico precoce a tempo de administrar as medicações existentes e intervir da melhor forma para garantir os benefícios do tratamento.“O SAE de Infectologia, localizado em Botucatu-SP, tem sido um diferencial no atendimento das pessoas vivendo com HIV/Aids em Botucatu e região. Somos responsáveis por uma área de cobertura de assistência de cerca de 3 milhões de pessoas. Temos mais de 1,5 mil pacientes vivendo com HIV em seguimento e mais de 99% desses pacientes com carga viral não detectável, com excelente qualidade de vida”, destaca Naime.  Visão estereotipadaOutro ponto que ainda demanda atenção, segundo Naime, é o combate ao estigma e ao preconceito. “Infelizmente, grande parte da população ainda tem uma visão estereotipada das pessoas que vivem com HIV, fazendo ações de preconceito, de discriminação, que não são toleráveis numa sociedade civilizada”.Evento da Sociedade Brasileira de InfectologiaEm alusão à data, a Sociedade Brasileira de Infectologia vai promover um evento gratuito nesta quinta-feira, 1/12, às 20h, com o tema Novos Cenário e Desafios Futuros. Duas palestras de especialistas na área serão mediadas por Naime (detalhes: https://medictalks.com/hivaids22)

  Jornada em Botucatu, dia 07

A saúde de quem vive com HIV/Aids também será tema da I Jornada Multiprofissional em Atenção à Saúde Global das pessoas vivendo com HIV/Aids, que será realizada no dia 07 de dezembro em alusão à campanha Dezembro Vermelho – instituída em 2017 para marcar uma grande mobilização nacional na luta contra o vírus HIV, a Aids e outras IST (infecções sexualmente transmissíveis), chamando a atenção para a prevenção, a assistência e a proteção dos direitos das pessoas infectadas com o HIV.Organizado por Naime e pela farmacêutica Vânia Vieira de Melo Fagundes Vidal, ambos da equipe assistencial do Serviço de Ambulatórios Especializados em Infectologia “Domingos Alves Meira” – SAEI-DAM, hospital próprio da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), o evento também é promovido pela Enfermaria de Moléstias Infecciosas e Parasitárias (MIP) da Unesp, com apoio da Faculdade de Medicina da Unesp de Botucatu (FMB/Unesp). A jornada é aberta a toda a comunidade, especialmente a profissionais da área da saúde de equipes multidisciplinares. A inscrição é gratuita e on-line (Link para inscrição: https://www.inscricoes.fmb.unesp.br/ajuda.asp).Natal sustentável e solidárioA equipe do Serviço de Ambulatórios Especializados (SAE) de Infectologia Domingos Alves Meira também está promovendo a Campanha Natal Solidário para arrecadar alimentos não perecíveis para doar a pacientes em situação de vulnerabilidade social. As doações podem ser feitas até o dia 09/12, das 7h às 17h, na sede do SAE de Infectologia, em Botucatu, que fica na Alameda dos Cedrinhos, 54, no Distrito de Rubião Junior. Mais informações: 14 3811-6537

Sobre FERNANDO BRUDER TEODORO

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