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Igreja, dinheiro e a fé

Qual a diferença entre dízimos, ofertas e partilha? A bíblia ensina sobre dízimos e ofertas? Se sim e se não, sabemos que existe essa realidade nas igrejas de varias linhas e convicções de fé. Sabemos do mercado que subsiste através da fé e do dinheiro alheio é real e movimenta todo um mecanismo de abuso e excessos que têm deixado marcas quase que irreversíveis na vida de muita gente.

Mas o que de fato esta ligado, ou encontra, fundamento em Jesus de Nazaré?

Gosto, e quero iniciar por aqui, da realidade libertadora do evangelho de Jesus de Nazaré, onde ninguém é obrigado a nada, e muito menos, a dar dinheiro na igreja ou instituição religiosa. Acredito que nada nem ninguém compram o favor, amor, ou as bênçãos do Senhor.

Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão.

Gálatas 5:1

É demoníaca a visão de que o Senhor espera dos que creem uma ação monetária de fé. Deus não esta a espera do dinheiro de ninguém, Ele não precisa do dinheiro de ninguém.

“Quem primeiro lhe deu, para que ele o recompense? “

Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre! Amém.

Romanos 11:35,36

Todos que passam pela experiência da verdadeira fé, deveriam ser imersos na experiência libertadora das ‘desobrigatoriedades’ dos ritos, de petições, de frequências, de participações, de vestimentas especiais, de atributos morais, e de tudo que pré-condiciona a Graça.

A graça é Graça, que é de Graça, se assim não fosse não seria Graça. Ela é absurdamente escandalosa, absurda em si mesma, quase que imoral. Ela acolhe a tudo e a todos, vem avassaladoramente sobre os pecadores, sobre os maltrapilhos, sobre os que nada são. E quando entendemos esses aspetos da Graça, passamos a compreender que nada se compra, se barganha, ou cobra-se de Deus.

Entendendo isso, passamos ao próximo passo da experiência de conversão ao Evangelho de Jesus. Quando, de fato, nos convertemos ao Cristo, passamos de donos das nossas ‘coisas’, dos nossos bens, nossas conquistas de suor e trabalho, para uma condição consciente de administradores da coisas do Reino. Nossa mente se converte ao Evangelho, nosso bolso, nossos bens materiais são não mais apenas para nossos sustento e prazer, mas para auxilio e partilha.

Todos os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum.

Vendendo suas propriedades e bens, distribuíam a cada um conforme a sua necessidade.

Atos 2:44,45

É também diabólica a ideia de que conquista e isolamento financeiro são o ideal de vida perfeita. Todo aquele que pensa em acumular para si seus bens e riquezas, faz como que serve á Mamom e não á Deus.

“Nenhum servo pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará ao outro, ou se dedicará a um e desprezará ao outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro”.

Lucas 16:13

O evangelho não cogita em momento algum a possibilidade de não partilhar. No evangelho de Mateus, Jesus ensina sobre como partilhar com o coração livre da barganha, do apego e do ego.

Então, é muito importante saber que, ninguém que conhece de fato a Jesus, faz a partilha como uma obrigação, barganha ou espera o reconhecimento dos homens. Mas antes, com coração grato em dar, repartir daquilo que Deus tem dado á ele como sustento.

No que tange a igreja, penso que alguns fatores precisam ser colocados como requisitos de observação. O primeiro deles é a credibilidade do local onde o dinheiro, bens, ou qualquer tipo de doação serão feitos. Qual é essa igreja, qual a seriedade histórica que ela tem? Como ela se administra formalmente, e como ela administra as entradas financeiras?

São perguntas que acredito que precisam serem feitas antes de um partilha dentro do aspecto institucional.

Quando entendemos que fazemos parte da família cristã, passamos a entender a perspectiva coletivo-comunitária. Ou seja, precisamos sustentar melhorar, o local, a estrutura que criamos e conquistamos como comunidade.

É obvio que qualquer pessoa pode doar individualmente sua partilha onde ela quiser e como ela quiser, em qualquer lugar que julgue necessário. Ninguém tem obrigação de dar dinheiro na igreja. Mas quando encontramos um lugar onde nos sentimos acolhidos, abraçados, bem quistos, passamos a fazer parte de um grupo de amigos e irmãos, somos mergulhados no movimento da comunidade do Cristo. Nesse movimento de pertencimento é que entendemos os sonhos coletivos, e o desejo de que o que fazemos, cremos e vivemos, pode abençoar e ajudar mais pessoas, e assim o entendimento movimenta os corações e motivações.

Creio ser desse ajuntamento saudável, dessa honestidade estrutural que fica sadia a partilha.

Da leveza e da não obrigatoriedade, nos propósitos individuais iluminados pelo Espirito do Cristo, e na motivação coletiva e comunitária.

Renato Ruiz Lopes

Sobre FERNANDO BRUDER TEODORO

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