O recolhimento voluntário e preventivo de alguns lotes de fórmulas infantis da linha NAN, anunciado pela Nestlé, trouxe à tona um tema pouco conhecido fora do meio científico: a toxina cereulide, associada à bactéria Bacillus cereus. Embora o recall tenha caráter preventivo, o assunto merece atenção especial de pais e responsáveis, sobretudo por envolver alimentos destinados a bebês.
O que é a bactéria Bacillus cereus?
O Bacillus cereus é uma bactéria amplamente distribuída no ambiente, encontrada no solo, na água e em matérias-primas alimentares. Algumas cepas desse microrganismo são capazes de produzir toxinas responsáveis por quadros de intoxicação alimentar (FAO/WHO, 2023).
Entre essas toxinas, a mais preocupante no contexto das fórmulas infantis é a cereulide, associada à chamada síndrome emética.
O que é a toxina cereulide?
A cereulide é uma toxina termoestável, ou seja, não é destruída pelo calor, nem por fervura, pasteurização ou pelo preparo habitual das fórmulas infantis (TALLENT; KNOLHOFF, 2026). Isso significa que, se a toxina estiver presente no produto, o aquecimento não elimina o risco.
Segundo estudos microbiológicos, a cereulide atua diretamente no sistema digestivo e também pode interferir em mecanismos neurológicos, sendo considerada especialmente perigosa para grupos vulneráveis, como bebês e crianças pequenas (TALLENT; KNOLHOFF, 2026).
Quais sintomas a cereulide pode causar em bebês?
Os sintomas da intoxicação por cereulide costumam surgir rapidamente, geralmente entre 1 e 6 horas após o consumo do alimento contaminado (ANVISA, 2026). Os principais sinais de alerta incluem:
Vômitos repetidos ou persistentes
Diarreia
Letargia (sonolência excessiva, apatia)
Irritabilidade ou prostração
Em casos mais graves, risco de desidratação
Embora em adultos a intoxicação por Bacillus cereus seja, na maioria das vezes, autolimitada, em bebês o risco clínico é maior, devido à imaturidade do sistema digestivo e imunológico (FAO/WHO, 2023).
Por que fórmulas infantis exigem tanto cuidado?
Órgãos internacionais de controle sanitário, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a FAO, classificam as fórmulas infantis como alimentos de alto risco, justamente porque são consumidas por um público extremamente sensível (FAO/WHO, 2023).
Por esse motivo, padrões internacionais — como os do Codex Alimentarius — recomendam limites microbiológicos rigorosos para Bacillus cereus nesses produtos, mesmo quando não há evidência direta de doença (FAO/WHO, 2023).
O que dizem a Nestlé e os órgãos de saúde?
Em comunicado oficial, a Nestlé informou que o recolhimento foi realizado de forma voluntária e preventiva, após a identificação da presença potencial de cereulide em um ingrediente específico, em articulação com as autoridades sanitárias (NESTLÉ BRASIL, 2026).
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) reforçou a orientação para que os consumidores suspendam imediatamente o uso dos lotes afetados, mesmo na ausência de sintomas, e busquem orientação médica caso a criança apresente qualquer alteração clínica após o consumo (ANVISA, 2026).
Autoridades europeias, como a Food Safety Authority of Ireland (FSAI), adotaram posicionamento semelhante, destacando que a principal medida de proteção é não consumir o produto e realizar a devolução conforme orientação do fabricante (FSAI, 2026).
O que os pais devem fazer?
Pais e responsáveis que utilizam fórmulas infantis devem:
Verificar se o produto pertence aos lotes incluídos no recall
Suspender imediatamente o uso, em caso de dúvida
Entrar em contato com o fabricante para devolução e reembolso
Procurar atendimento médico se a criança apresentar vômitos, diarreia ou sonolência excessiva
Em se tratando de alimentação infantil, a precaução é sempre o melhor caminho. A informação correta, aliada à vigilância dos pais e à atuação dos órgãos de controle, é fundamental para garantir a segurança das crianças.
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👉 Nestlé anuncia recolhimento preventivo da linha de leite NAN em todo o Brasil.
Cuidar da alimentação infantil é cuidar do futuro — e atenção nunca é demais quando o assunto é saúde.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Informações gerais sobre intoxicação alimentar por Bacillus cereus. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/proibida-venda-de-formula-infantil-com-risco-de-contaminacao-por-toxina. Acesso em: 07/01/2026
2. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA – ANVISA. Proibida venda de fórmula infantil com risco de contaminação por toxina. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/proibida-venda-de-formula-infantil-com-risco-de-contaminacao-por-toxina. Acesso em: 07/01/2026.
3. COMMISSION OF THE EUROPEAN COMMUNITIES. Regulation (EC) N° 1441/2007. União Europeia, 2007. (Critérios microbiológicos para Bacillus cereus em alimentos para consumidores vulneráveis).
4. FAO/WHO. Codex Standard for Infant Formula and Formulas for Special Medical Purposes Intended for Infants (CXS 72-1981). FAO/WHO Codex Alimentarius, 2023.
5. FSAI. SMA infant formula and follow-on formula recall. Food Safety Authority of Ireland, 2026.
6. NESTLÉ BRASIL. Nestlé inicia recall voluntário e preventivo de lotes específicos de fórmulas infantis. Presse release, 2026. Nestlé Brasil
7. TALLENT, Sandra M.; KNOLHOFF, Ann. BAM: Quantitative Analysis for Cereulide in Food Products. U.S. Food and Drug Administration, 2026.
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