A assembleia realizada na noite desta terça-feira (2) pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Botucatu (SISPUMB) terminou com forte insatisfação dos trabalhadores diante da proposta de reajuste salarial apresentada pela Prefeitura. O Governo Municipal ofereceu duas opções: 4,5% de reajuste aplicado ao salário e ao vale alimentação/saúde, ou 5% de aumento nos salários e 4,11% no vale, índice correspondente à inflação do período.
Durante a apresentação da proposta, a administração municipal justificou as limitações financeiras apontando a contratação de 175 novos servidores ao longo de 2026 e os impactos do chamado “descongela”, mecanismo que restabeleceu direitos e contagens de tempo interrompidas durante a pandemia. A explicação, porém, foi recebida com críticas por parte dos funcionários presentes.
Entre os principais questionamentos levantados está a transferência da responsabilidade pelo reajuste considerado insuficiente para os novos servidores recém-contratados. Segundo representantes da categoria, a maior parte dessas admissões ocorreu na área da Educação, especialmente de professores, cujos salários são custeados majoritariamente com recursos do FUNDEB, fundo federal destinado ao financiamento da educação básica sendo que nas prestações de contas ao Conselho do Fundeb, as representantes do Executivo afirmam constantemente que o Fundeb é dedicado 100% à folha de pagamento. Na avaliação dos trabalhadores, o impacto dessas contratações sobre as contas do município seria limitado, não justificando a contenção salarial apresentada pela Prefeitura.
Outro ponto levantado pelos servidores é o que classificam como um histórico de falta de valorização do funcionalismo municipal. Críticos da proposta lembram que o atual prefeito participou de gestões anteriores ocupando secretarias estratégicas responsáveis por decisões orçamentárias e políticas salariais. Para parte da categoria, a dificuldade em conceder ganhos reais aos servidores não é um problema recente, mas uma característica que atravessa diferentes administrações municipais.
A justificativa relacionada ao “descongela” também foi contestada. Servidores argumentam que, mesmo durante o período em que direitos e contagens de tempo estavam congelados por legislação federal, os reajustes concedidos pelo município também ficaram abaixo das expectativas da categoria. Por isso, questionam o uso do retorno desses direitos como principal argumento para limitar aumentos salariais neste momento.
A pauta original aprovada pelos trabalhadores previa reposição da inflação medida pelo INPC acrescida de 5% de ganho real, totalizando cerca de 10% de reajuste. Além disso, a categoria reivindica um plano de reposição das perdas salariais acumuladas, estimadas em aproximadamente 35%, equiparação do vale alimentação pelo maior valor pago atualmente, reajuste de 10% no benefício e a construção de um plano de carreira negociado com o sindicato.
Ao final da assembleia, os servidores decidiram aceitar a proposta apresentada pelo Executivo para evitar atrasos na aplicação do reajuste, mas registraram protesto formal contra o índice considerado insuficiente. O projeto deverá ser encaminhado à Câmara Municipal para votação e, se aprovado, passará a valer nos próximos pagamentos.
Alpha Notícias Rede Alpha de Comunicação