Canetas emagrecedoras ilegais: um risco silencioso à saúde

O uso de canetas emagrecedoras tem crescido de forma expressiva nos últimos anos, impulsionado pela promessa de perda de peso rápida e pelos conteúdos disseminados nas redes sociais. No entanto, junto com essa popularização, avança também um problema grave de saúde pública: o uso de canetas emagrecedoras ilegais, sem prescrição médica e fora do controle da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

É fundamental esclarecer que nem toda caneta emagrecedora é autorizada para uso no Brasil. Medicamentos não regulamentados não passam por avaliação rigorosa de segurança, eficácia e qualidade. Isso significa que o paciente pode estar injetando no próprio corpo uma substância de origem desconhecida, com dosagem inadequada ou até diferente do princípio ativo anunciado.

Riscos reais e potencialmente graves

O uso dessas canetas ilegais pode provocar efeitos adversos sérios, como:

  • Intoxicação medicamentosa, com dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e alterações hepáticas;
  • Complicações neurológicas, incluindo fraqueza muscular, alterações na fala, dificuldades de locomoção e
  • comprometimento de funções vitais;
  • Distúrbios metabólicos, como hipoglicemia grave;
  • Risco cardiovascular, especialmente em pessoas com doenças pré-existentes;
  • Falta de resposta ao tratamento ou agravamento de condições de saúde já existentes.

Casos recentes de internações em estado grave, associados ao uso desses produtos adquiridos de forma clandestina, mostram que o perigo não é teórico — ele é real e pode deixar sequelas permanentes ou levar à morte.

O perigo da automedicação

Outro ponto crítico é a automedicação. Medicamentos para emagrecimento, mesmo quando regulares, exigem avaliação clínica, indicação precisa, acompanhamento médico e monitoramento contínuo. Cada organismo reage de forma diferente, e o que parece seguro para uma pessoa pode ser extremamente perigoso para outra.

Além disso, quando o produto é ilegal, não há como rastrear sua procedência, nem garantir armazenamento adequado, esterilidade ou concentração correta da substância.

O papel da Anvisa e do médico

A Anvisa alerta que medicamentos não autorizados não oferecem qualquer garantia ao consumidor. A prescrição médica não é um detalhe burocrático: ela é uma medida de proteção à vida.
Emagrecer com saúde envolve mudança de hábitos, acompanhamento profissional e, quando indicado, uso responsável de medicamentos regularizados, sempre com orientação médica.

Informação salva vidas

Diante da pressão estética e da busca por resultados rápidos, muitas pessoas acabam se expondo a riscos desnecessários. É papel dos profissionais de saúde, da imprensa e da sociedade reforçar: não existe atalho seguro quando se trata de medicamentos ilegais.

Antes de utilizar qualquer caneta emagrecedora, informe-se, procure um médico e desconfie de produtos vendidos sem receita, especialmente os importados clandestinamente ou anunciados como “milagrosos”.

Cuidar do corpo é também cuidar da vida.

Sobre Fernando Bruder

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