O evento, iniciado às 10h30, reuniu representantes de ministérios, instituições, lideranças e especialistas na pauta. Durante a cerimônia, o presidente da Caixa, Carlos Vieira, formalizou acordos de cooperação técnica com o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, o Ministério da Igualdade Racial e o Ministério das Mulheres, além de um protocolo de intenções com o Instituto Antes que Aconteça. As parcerias buscam integrar políticas públicas e fortalecer a rede de proteção às mulheres em diferentes frentes.
Também está previsto o funcionamento de canais internos de apoio, com escuta qualificada e sigilosa, voltados tanto para funcionárias da instituição quanto para qualquer empregado que precise de orientação sobre casos de violência. A estratégia inclui ainda ações para reduzir a vulnerabilidade de trabalhadoras em situação de risco.
A coordenadora técnica do programa Antes que Aconteça, professora Nadja Oliveira, destacou a dimensão estrutural do problema. Segundo ela, a violência doméstica é um fenômeno histórico, enraizado em uma cultura marcada pelo “machismo e pelo patriarcado”, e exige respostas que vão além da repressão. “Os países que conseguiram reduzir esses índices investiram em educação, capacitação e autonomia financeira das mulheres”, afirmou.
Para Nadja Oliveira, a independência econômica é um dos fatores decisivos para romper o ciclo da violência. “Não há como quebrar esse ciclo sem garantir condições de trabalho seguras e renda. Muitas mulheres permanecem em relações abusivas por falta de alternativas”, disse. Ela lembrou que aproximadamente 40 milhões de lares brasileiros são sustentados por mulheres, muitas delas chefes de família solo.
A especialista também chamou atenção para formas extremas de violência, como o chamado “vicaricídio” — quando o agressor atinge a mulher por meio de violência contra os filhos —, recentemente tipificado no país. Para ela, o reconhecimento legal dessas práticas é um avanço, mas precisa vir acompanhado de políticas preventivas.
O programa lançado pela Caixa está alinhado ao Pacto Brasil contra o Feminicídio, que articula ações entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. A iniciativa busca não apenas ampliar a proteção às vítimas, mas também promover uma mudança cultural, envolvendo homens e mulheres no enfrentamento à violência de gênero.
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