Médico do HCFMB explica por que os jovens têm infartado com maior frequência

O número não é uma novidade – 30% das mortes no Brasil são provocadas por doenças cardiovasculares. O elemento novo neste contexto é que indivíduos abaixo dos 40 anos têm infartado mais nas últimas décadas. De acordo com o médico cardiologista intervencionista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu – Unesp (HCFMB), Fábio Cardoso Carvalho, os jovens estão vivendo de forma pior.

Para ele, o número crescente de infartos está associado ao estilo de vida. Pouca atividade física, má alimentação, tabagismo e o estresse fazem parte do cenário que tem levado muitos jovens a infartar. “Era algo muito raro no começo da minha prática clínica e que tem se tornado cada vez mais corriqueiro”, lembra Carvalho.

Outra causa que tem contribuído para este quadro é o uso de esteroide anabolizante. Segundo o especialista, ainda que a prescrição seja feita por um(a) médico(a), os riscos de infarto aumentam quando os jovens escolhem fazer uso destas substâncias. “É pior ainda quando a prescrição de esteroide anabolizante vira receita de bolo; um passa para o outro como se fosse algo tranquilo”, pontua.

Incidência

Levando em consideração a população mais jovem, até os 40 anos de idade, “os homens infartam mais do que as mulheres”, explica Carvalho. As mulheres dispõem do estrogênio, hormônio sexual feminino, que atua como um fator de proteção. No período pós-menopausa o índice de infartos nas mulheres se equipara ao índice dos homens.

                                                                 

Fábio C. Carvalho durante atendimento no HCFMB

O que fazer?

O corpo emite sinais quando uma pessoa está prestes a infartar. Dor torácica, súbita falta de ar, desmaio e palpitação são alguns indícios. Quando isso ocorre, é crucial agir rapidamente acionando um serviço de urgência e emergência ou procurar espontaneamente um serviço de saúde.

Ainda de acordo com o especialista do HCFMB, conhecer manobras de primeiros socorros é importante para preservação da vida do indivíduo que está infartando. “Raramente a morte súbita é a primeira manifestação de um infarto. Possivelmente o indivíduo já sentia algo e não deu a devida importância”, frisa.

Futuro

O contexto de infartos no Brasil preocupa. De acordo com Carvalho, o sedentarismo aumentou após a pandemia de COVID-19. “Nós temos uma perspectiva de, até 2030, um quarto da população estar com o peso normal, com IMC abaixo de 25. As pessoas estarão mais sedentárias e obesas e isso, sem dúvida, tem um impacto sobre a saúde cardiovascular”, finaliza.

Mais informações sobre o tema estão disponíveis no PODHC Botucatu: https://www.youtube.com/watch?v=xyt5FNhsOPw&t=562s

                                     

                                                   

Fábio C. Carvalho durante gravação do PODHC Botucatu

Fonte: Jornal HCFMB

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