Botucatu carrega com orgulho o título de Top Destino Turístico, reconhecimento que valoriza suas belezas naturais, trilhas, mirantes e paisagens que atraem visitantes de diversas regiões. No entanto, uma contradição salta aos olhos e compromete essa imagem: o acesso a um dos principais ícones do turismo local, o Morro de Rubião Júnior, começa literalmente em meio ao lixo.
Quem visita o local se depara, logo no início do trajeto, com descarte irregular de resíduos, entulho e falta de cuidados básicos com o espaço público. A cena causa espanto e frustração, especialmente para turistas que esperam encontrar organização, preservação ambiental e respeito ao patrimônio natural da cidade. Afinal, como sustentar o título de destino turístico de referência quando a porta de entrada de um de seus pontos mais emblemáticos revela abandono?
O turismo vai além da divulgação e dos títulos: ele se constrói no dia a dia, na zeladoria, na fiscalização e na consciência coletiva. Um cartão-postal não começa apenas no topo do morro ou na vista privilegiada, mas sim no caminho que leva até ele. Ignorar essa realidade é fechar os olhos para um problema que afeta diretamente a imagem de Botucatu e a experiência de quem a visita.
Se Botucatu deseja, de fato, consolidar-se como um destino turístico de excelência, é fundamental que o poder público e a comunidade assumam a responsabilidade de cuidar dos acessos, preservar o meio ambiente e garantir que seus símbolos naturais sejam tratados com o respeito que merecem. Caso contrário, o título corre o risco de se tornar apenas um selo bonito no papel, distante da realidade encontrada no chão — ou, pior, no lixo.
Foto: Fototurismo Botucatu
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