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No TEA (Transtorno do Espectro Autista), o tempo também é tratamento

Entre laudos, escola, terapias, impostos e protocolos, famílias lutam para que a burocracia não consuma o tempo e os recursos do cuidado.

Os pais aprendem a falar em siglas antes mesmo de conseguirem entender o que estão sentindo.

TEA. ABA. TO. AEE. PEI. CID. RN da ANS.

Em pouco tempo, aquilo que deveria ser cuidado se transforma em uma espécie de administração doméstica da urgência. Há uma pasta com exames. Outra com relatórios. Prints de conversas. E-mails sem resposta. Protocolos anotados no celular. Mensagens para a escola. Ligações para o plano de saúde. Encaminhamentos do serviço público. Orçamentos particulares. Comprovantes de pagamento. Recibos de terapia. Novas avaliações. Novas esperas.

A família vai aprendendo a provar tudo.

Provar que a criança precisa de terapia. Provar que precisa de continuidade. Provar que a escola precisa se adaptar. Provar que a negativa veio. Provar que tentou resolver administrativamente. Provar que a rede não atende. Provar que a despesa existe. Provar que não dá para esperar.

A criança, enquanto isso, não espera. Ela cresce.

E é por isso que, no Transtorno do Espectro Autista, o tempo não é apenas calendário. O tempo também é tratamento.

Há uma violência silenciosa na demora. Não aquela violência evidente, que assusta de imediato, mas a que se esconde em frases burocráticas: “aguarde análise”, “envie novo relatório”, “não há vaga”, “o pedido não preenche os critérios”, “a escola está avaliando”, “a rede credenciada não possui profissional disponível”, “retorne em trinta dias”.

Para muitas famílias, cada avanço é construído com repetição, rotina e continuidade. Uma sessão interrompida não é apenas uma sessão. Uma adaptação escolar que não chega não é apenas um detalhe pedagógico. Uma autorização negada não é apenas uma resposta administrativa. Uma fila indefinida não é apenas uma fila.

Tudo isso incide sobre uma criança em desenvolvimento. E desenvolvimento tem tempo.

A legislação brasileira já reconhece essa urgência. A Lei nº 12.764/2012, conhecida como Lei Berenice Piana, considera a pessoa com Transtorno do Espectro Autista como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais. Isso significa que inclusão, tratamento, suporte, acessibilidade e prioridade não são favores. Não são gestos de boa vontade. Não são concessões feitas quando sobra estrutura. São direitos.

A mesma lei aponta para algo que as famílias conhecem bem: o TEA exige articulação entre saúde, educação e assistência. A criança não vive separada em setores. Ela não é paciente de manhã, aluna à tarde e beneficiária de plano à noite. É a mesma criança atravessando ambientes diferentes, todos decisivos para seu desenvolvimento.

Mas, na prática, as instituições muitas vezes fazem o contrário.

A escola diz que o problema é de saúde. O plano de saúde diz que o problema é educacional. O serviço público fala em fila, regulação, fluxo, orçamento, encaminhamento. A família, no meio desse labirinto, vira tradutora de um sistema que deveria falar por si.

A criança é inteira. A burocracia é que a reparte em pedaços.

Na educação, inclusão não é matrícula. Matrícula é o começo. Às vezes, é apenas a aparência do começo. A criança entra pelo portão, usa uniforme, tem nome na lista, mas continua sem adaptação real, sem previsibilidade, sem apoio adequado, sem plano individualizado, sem diálogo efetivo com a família e com os profissionais que a acompanham.

A Lei Brasileira de Inclusão garante o direito à educação inclusiva e impõe deveres ao poder público e também às escolas privadas. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu que a inclusão escolar de pessoas com deficiência não é uma gentileza institucional, mas uma obrigação jurídica. Uma escola não cumpre sua função apenas aceitando a criança formalmente; cumpre quando organiza condições reais para que ela permaneça, aprenda, conviva e esteja segura.

No TEA, permanência é tão importante quanto acesso.

Na saúde, o problema aparece de outro modo. O cuidado pode ser tratado como custo. A terapia vira número. A sessão vira limite. O método vira discussão contratual. A urgência vira protocolo.

Mas também aqui o direito avançou. A ANS ampliou a cobertura obrigatória para transtornos globais do desenvolvimento, incluindo o TEA, e o Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento de que é abusiva a limitação, pelo plano de saúde, do número de sessões de terapia multidisciplinar prescritas para pacientes com TEA, como psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e fisioterapia.

Essa orientação jurídica traduz algo que as famílias já sabem na prática: no autismo, frequência, regularidade e continuidade podem fazer parte do próprio tratamento.

Isso não significa que qualquer pedido genérico baste. Um cuidado sério exige documentação séria. Laudo médico, prescrição detalhada, relatório multiprofissional, justificativa da frequência, histórico de evolução, negativa formal, protocolos, registros escolares, mensagens, tentativas de agendamento e relatos de regressão são elementos fundamentais.

A prova, nesses casos, não serve apenas para um eventual processo. Serve para proteger a história concreta da criança contra a amnésia das instituições.

Porque a família sabe o que aconteceu. Sabe quando a criança regrediu. Sabe quando a rotina desorganizou. Sabe quando o sono piorou. Sabe quando a fala, a alimentação, a interação ou a escola foram afetadas. Mas, diante de uma negativa, de uma fila ou de uma omissão, aquilo que a família vive no corpo precisa virar documento.

E há nisso uma crueldade: quanto mais exausta está a família, mais ela precisa organizar provas. Quem tem tempo, dinheiro, orientação e rede consegue reunir laudos, pareceres e relatórios. Quem está sozinho, endividado ou emocionalmente esgotado muitas vezes só consegue insistir.

Mas insistência não deveria ser requisito de acesso ao cuidado.

A conta também chega no orçamento.

Famílias de crianças com TEA frequentemente pagam consultas, avaliações, terapias, medicamentos, transporte, escola, adaptações, relatórios, profissionais particulares e horas de trabalho perdidas. Muitas vezes, a discussão jurídica começa porque a família já não sabe mais de onde tirar dinheiro para manter uma rotina mínima de cuidado.

Por isso, o tema do TEA também alcança o direito tributário.

Em certos casos, gastos educacionais de pessoas com deficiência podem ser discutidos como despesas médicas dedutíveis no Imposto de Renda. A Turma Nacional de Uniformização, no Tema 324, firmou entendimento de que são integralmente dedutíveis da base de cálculo do IRPF, como despesa médica, os gastos relativos à instrução de pessoa com deficiência física, mental ou cognitiva, mesmo quando ela esteja matriculada em instituição regular de ensino.

Também podem existir isenções estaduais, como a isenção de IPVA para pessoas com deficiência. No Estado de São Paulo, o serviço oficial prevê isenção para pessoa com transtorno do espectro do autismo em grau moderado, grave ou gravíssimo, conforme requisitos administrativos próprios, laudo e procedimento específico.

Em alguns municípios, há até mesmo isenção de IPTU que beneficia pessoas com TEA e seus familiares.

Esses direitos fiscais não eliminam a sobrecarga da família, claro. Não pagam a exaustão. Não devolvem noites sem dormir. Não resolvem, sozinhos, a ausência de terapia, de suporte escolar ou de atendimento adequado. Mas podem reduzir parte do peso financeiro de uma rotina que, muitas vezes, se torna insustentável.

Porque o cuidado contínuo não exige apenas atenção, afeto. Exige tempo, dinheiro, deslocamento, documentação, organização e capacidade de insistir.

É claro que nem toda dificuldade vira indenização. Nem toda negativa gera dano moral automático. Nem toda escola que enfrenta dificuldades está agindo de má-fé. Nem todo benefício fiscal é automático. O direito exige análise concreta. É preciso distinguir limitação real de omissão, dificuldade de negligência, divergência técnica de recusa abusiva, direito reconhecido de promessa genérica.

Mas essa cautela não pode servir para normalizar a demora, e muito menos a recusa à assistência.

Quando uma criança com TEA perde meses aguardando terapia, quando a escola não oferece suporte mínimo, quando o plano limita artificialmente sessões prescritas, quando o poder público promete avaliar mas não entrega resposta concreta, quando a família paga sozinha por aquilo que deveria integrar uma rede de cuidado, o problema já não é apenas administrativo.

É uma transferência do custo institucional para a família.

A família paga com dinheiro.

Paga com tempo.

Paga com sono.

Paga com trabalho perdido.

Paga com culpa.

Paga com medo de que uma janela de desenvolvimento se feche.

E a criança paga com aquilo que ninguém deveria tratar como recuperável: oportunidade.

Por isso, falar de TEA é falar de saúde, mas também de educação, convívio social. É falar de escola, mas também de família. É falar plano de saúde, mas também de política pública de saúde. É falar de imposto, transporte, orçamento doméstico e sobrevivência financeira. É falar de direito, mas antes disso é falar de tempo.

O processo judicial, quando necessário, pode corrigir uma negativa, garantir uma terapia, exigir acompanhante, determinar custeio, reconhecer uma dedução, assegurar uma isenção ou reparar um dano. Mas o ideal seria que o direito não precisasse chegar sempre como ambulância tardia daquilo que a instituição deixou de fazer.

Para pessoas com TEA, proteger direitos não é transformar todo conflito em processo. É impedir que a burocracia consuma o tempo do cuidado.

Porque há prazos que podem ser reabertos. Há documentos que podem ser reenviados. Há reuniões que podem ser remarcadas. Há protocolos que podem ser corrigidos. Há declarações que podem ser retificadas.

Mas há oportunidades que não voltam.

E, para uma criança em desenvolvimento, essa diferença é tudo.

João Gilberto Belvel Fernandes Júnior

Projeto social denuncia possível irregularidade em competição organizada pela Prefeitura de Botucatu

Uma denúncia envolvendo a organização da Copa Integração de Futsal 2026, promovida pela Prefeitura de Botucatu por meio da Secretaria de Esportes e Qualidade de Vida, está gerando revolta entre pais, atletas e integrantes de um projeto social esportivo da cidade. O caso envolve a aplicação de um W.O. contra a equipe MOF/Gol de Placa na categoria Sub-18, em partida marcada para o dia 16 de maio. Segundo documentos encaminhados à reportagem, a decisão teria sido tomada de forma irregular e baseada em informações contraditórias registradas pela arbitragem.

De acordo com o recurso protocolado junto à Secretaria de Esportes, a equipe afirma que, ao chegar ao local da partida, não havia arbitragem posicionada em quadra e que os árbitros estariam em horário de alimentação. O documento aponta ainda que o placar eletrônico do ginásio, fotografado às 13h34, ainda exibia informações da partida anterior, indicando que sequer havia sido iniciada a contagem oficial de tolerância prevista no regulamento. Mesmo assim, a súmula do árbitro registra que a equipe adversária e a arbitragem estavam prontas às 13h30 e que o W.O. foi decretado às 13h45 após o prazo regulamentar de 15 minutos.

A denúncia também afirma que atletas da equipe já estavam uniformizados e presentes no ginásio, inclusive com jogador em quadra no momento da decisão. O recurso relata ainda que não houve aviso sonoro, apito ou comunicação clara sobre o encerramento do prazo de tolerância, além de acusar a arbitragem de postura “desorganizada, omissa e incompatível com a responsabilidade da função”.

O coordenador do projeto social afirma que a situação prejudica diretamente adolescentes que estão em fim de ciclo na categoria Sub-18 e que muitos deles podem não ter nova oportunidade de disputar a competição devido ao limite de idade. Segundo relatos encaminhados junto ao recurso, familiares e testemunhas presentes também contestam a versão oficial registrada na súmula da partida.

A equipe MOF/Gol de Placa pede a revisão imediata do W.O., a apuração formal da conduta da arbitragem e que a equipe responsável pelo jogo não seja mais escalada para partidas do projeto. Até o momento, a Secretaria de Esportes e a Prefeitura de Botucatu não se pronunciaram oficialmente sobre as denúncias apresentadas.

Familia que teve casa incendiada em Botucatu denuncia vereador Abelardo por invasão para fazer live

Uma situação envolvendo uma família vítima de incêndio no Jardim Santa Mônica, em Botucatu, gerou forte repercussão nas redes sociais nesta semana. O morador da residência destruída pelo fogo publicou um vídeo relatando indignação com a postura do vereador Abelardo, acusando o parlamentar de entrar no imóvel sem autorização para realizar gravações e uma transmissão ao vivo nas redes sociais.

O incêndio, que destruiu a casa da família, mobilizou uma corrente de solidariedade na cidade após a divulgação do caso pela Rede Alpha de Comunicação. Diversos moradores, profissionais e empresários da cidade passaram a colaborar com doações de móveis, alimentos, materiais de construção, elétrica, pintura entre outros serviços para ajudar na reconstrução da residência.

No vídeo divulgado nas redes sociais, o proprietário afirma que tentou contato com o vereador Abelardo logo após o incêndio, no intuito de obter uma ajuda, mas não teria recebido retorno no dia em que ele ligou e também não retornou nos dias seguintes que foram os mais difíceis enfrentados pela família. Segundo ele, somente após a repercussão pública do caso houve resposta.

“O que mais me chateou foi que ele entrou na minha casa sem minha autorização e fez vídeo lá dentro. Ficou parecendo que ele tinha feito tudo aquilo pela gente, mas não foi assim que aconteceu”, declarou o morador.

Ainda segundo o relato, no momento em que o vereador esteve no local, voluntários já realizavam serviços de recuperação da residência, incluindo reparos elétricos e pintura. O proprietário fez questão de agradecer nominalmente as pessoas que ajudaram a família, citando Fernando Bruder, Júlia Bruder, profissionais da área elétrica, pintores e diversos moradores que contribuíram com doações.

A família também afirmou que a reportagem exibida pela Rede Alpha foi fundamental para mobilizar a ajuda da população. “Se não fosse a reportagem mostrando nossa situação, muita coisa não teria acontecido”, afirmou.

A situação levantou debates nas redes sociais sobre limites éticos na atuação política em momentos de tragédia e vulnerabilidade social. Internautas questionaram o uso de imagens e transmissões em residências particulares sem autorização expressa dos moradores.

Até o momento, o vereador citado não havia se pronunciado oficialmente sobre as declarações feitas pela família.

Link do Vídeo:

youtube.com/watch?v=QO88IxTzod0&feature=youtu.be

 

 

 

 

 

Tribunal de Contas emite alerta para Prefeitura de Botucatu sobre contas e gastos públicos

O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) emitiu uma notificação de alerta para a Prefeitura de Botucatu após análise das contas públicas referentes ao período de novembro de 2025. O documento é direcionado ao prefeito Fabio Vieira de Souza Leite e aponta situações consideradas desfavoráveis na gestão fiscal e na aplicação de recursos da educação.

Entre os pontos destacados pelo TCE está a preocupação com a arrecadação e execução orçamentária do município, indicando tendência de possível descumprimento das metas fiscais previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal. O órgão também alertou para a movimentação dos chamados “restos a pagar”, afirmando que os valores quitados ficaram abaixo do esperado e que ajustes devem ser feitos pela administração municipal.

Outro item citado envolve as despesas com pessoal. Segundo o Tribunal, houve aumento nos gastos em relação ao percentual apurado anteriormente, o que exige atenção da Prefeitura para evitar descumprimento das regras da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Na área da educação, o TCE apontou irregularidades na aplicação de recursos do FUNDEB. O relatório afirma que o município apresentou percentual desfavorável tanto na utilização dos recursos gerais do fundo quanto nos valores destinados aos profissionais da educação básica. O Tribunal reforçou que a administração deve seguir as exigências legais para evitar possíveis sanções administrativas e até penais.

Possível sabotagem em prédio público gera tensão política em Pratânia no dia de julgamento da vereadora Sandra

A cidade de Pratânia amanheceu nesta segunda-feira (11) diante de um episódio grave, cercado de forte repercussão política e institucional, após a constatação de um possível ato criminoso praticado contra o sistema de energia elétrica do prédio público localizado na Rua Capitão João Batista, nº 254, imóvel pertencente à Prefeitura Municipal e utilizado simultaneamente para atividades culturais, administrativas e legislativas.

No local funcionam, paralelamente, a Biblioteca Municipal, o Museu Municipal e o Plenário da Câmara Municipal de Pratânia, espaço onde estava marcada para ocorrer, às 10h00 desta segunda-feira, sessão de julgamento da vereadora Sandra de Andrade Santos, em procedimento político-administrativo relacionado a acusações envolvendo atos de improbidade administrativa. A parlamentar também é conhecida no município por ser primeira-dama da cidade e esposa do prefeito Osmir José Felix.

Segundo informações preliminares recebidas pela Presidência da Câmara Municipal, o vereador Kendji Takeda Clemente Garcia foi surpreendido logo nas primeiras horas da manhã após ser informado de que os fios do quadro/relógio de energia do prédio teriam sido cortados de maneira aparentemente intencional, comprometendo o fornecimento de energia elétrica e colocando em risco a realização das atividades públicas previstas para a data.

O episódio ultrapassa a esfera de um simples dano material. A coincidência temporal entre o corte da energia e a realização de uma sessão de julgamento de elevada repercussão política inevitavelmente levanta questionamentos relevantes acerca da motivação do ato, especialmente porque a interrupção do fornecimento elétrico possuía potencial concreto para inviabilizar o funcionamento do plenário, prejudicar equipamentos essenciais, comprometer transmissões, sistemas administrativos e impedir o regular desenvolvimento das atividades legislativas.

Embora ainda não exista conclusão oficial das autoridades policiais acerca da autoria ou finalidade do ocorrido, o contexto em que os fatos se inserem torna inevitável a suspeita de que o episódio possa ter sido praticado com o objetivo de criar embaraços institucionais, tumultuar os trabalhos do Poder Legislativo ou até mesmo impedir a realização da sessão de julgamento programada para esta data.

A situação adquire contornos ainda mais delicados diante do fato de que não se trata de um prédio isolado da Câmara Municipal, mas de uma estrutura pública multifuncional pertencente ao Município, utilizada diariamente pela população para atividades culturais, educacionais e administrativas. Assim, eventual ação deliberada contra o sistema elétrico do imóvel não atingiria apenas o Poder Legislativo, mas potencialmente toda a coletividade local, afetando serviços públicos essenciais e o patrimônio público municipal.

Nos bastidores políticos da cidade, o episódio provocou imediata apreensão. A avaliação predominante é de que fatos dessa natureza representam grave ameaça à normalidade institucional, sobretudo quando coincidem com atos oficiais sensíveis e de elevado impacto político. Ainda que qualquer conclusão definitiva dependa de investigação formal, o caso já é tratado com extrema preocupação por agentes públicos e membros da comunidade local.

A Câmara Municipal deverá formalizar comunicação à Polícia Civil do Estado de São Paulo, requerendo a adoção de providências de polícia judiciária para apuração integral dos fatos, inclusive eventual perícia técnica, levantamento de imagens de segurança, identificação de autoria, motivação e circunstâncias da ocorrência.

A Presidência da Câmara também destacou que o episódio não impedirá a adoção das medidas necessárias para preservação da legalidade, continuidade dos trabalhos legislativos e proteção das instituições públicas municipais, ressaltando que qualquer tentativa de intimidação, sabotagem ou interferência no funcionamento regular do Poder Legislativo deve ser rigorosamente apurada dentro dos limites da lei e do devido processo legal.

Até o momento, não houve divulgação oficial de suspeitos ou confirmação pericial acerca da dinâmica exata do ocorrido.

Dramaturgo Alcides Nogueira critica má gestão e lamenta situação do Cine Teatro Nelli em Botucatu

O dramaturgo e autor de novelas Alcides Nogueira falou com exclusividade ao jornalista Fernando Bruder, da Rede Alpha, sobre a situação envolvendo o tradicional Cine Teatro Nelli, em Botucatu. Em seu depoimento, o escritor lamentou o cenário atual do espaço cultural e classificou o problema como consequência de anos de “má gestão”.

Segundo Alcides, o teatro foi criado por Armando Joel Nelli e Dona Alice Nelli, casal que lutou para transformar o local em uma importante referência cultural da cidade. Ele relembrou que, em determinado período, o grupo Pedutti ajudou na conclusão e estruturação do espaço, permitindo a convivência entre cinema e teatro. Com o passar dos anos, porém, o cinema teria assumido maior protagonismo dentro do local, enquanto o setor teatral perdeu espaço.

Durante a entrevista exclusiva concedida à Rede Alpha, o dramaturgo afirmou acreditar que a atual situação do Cine Teatro Nelli é resultado de sucessivas administrações problemáticas.

Não há dúvida de que as últimas diretorias tiveram muita culpa nisso. Má gestão, má gestão”, declarou. Para ele, o patrimônio cultural foi sendo “dilapidado” ao longo do tempo, prejudicando diretamente a cultura botucatuense.

Alcides também destacou a importância histórica do teatro para o circuito cultural paulista. Segundo ele, Botucatu fazia parte do corredor cultural do Estado de São Paulo, recebendo grandes companhias teatrais no palco do Nelli. O dramaturgo relembrou ainda um comentário da atriz Cacilda Becker, que teria classificado o espaço como “uma das salas mais bem equipadas e confortáveis da época, inclusive em comparação com teatros da capital paulista.”

Autor de peças apresentadas no local, Alcides Nogueira recordou sua ligação pessoal com o teatro, citando montagens como “Feliz Ano Velho” e “Gertrude Stein”, que passaram pelo palco botucatuense com grande participação do público.

Ao final da entrevista, o dramaturgo defendeu que a população busque respostas sobre o que aconteceu com o espaço cultural.

“Mais uma vez quem sofre é o ambiente cultural. A cultura sempre é jogada de lado”, concluiu.

Após reportagem da Rede Alpha, Prefeitura está resolvendo problema da lagoa de chorume no Jardim Santa Mônica

Uma antiga reivindicação dos moradores do Jardim Santa Mônica, na região sul de Botucatu, começou a receber atenção após a repercussão de uma reportagem publicada pelo Portal Alpha Notícias em dezembro de 2023. O local sofria há anos com alagamentos, esgoto a céu aberto e acúmulo de resíduos em um córrego próximo à Rua Carlos de Rosa.

Na época, moradores denunciaram que as estruturas improvisadas das pontes existentes no trecho não suportavam o volume de água durante os períodos de chuva. A situação provocava o transbordamento do córrego, formando um verdadeiro “caldeirão” de água da chuva misturada com esgoto e resíduos, gerando forte odor e preocupação com riscos à saúde pública.

Os transtornos se agravavam em dias de chuva intensa, quando a água chegava a cobrir a ponte e dificultava a passagem dos moradores. Segundo relatos da população, o problema persistia há mais de 30 anos sem solução definitiva, apesar de diversas solicitações encaminhadas ao poder público municipal.

Após a divulgação da matéria pelo Portal Alpha Notícias, moradores afirmaram que medidas começaram a ser tomadas para resolver a situação. Um dos moradores agradeceu publicamente a repercussão dada ao caso e destacou a importância da imprensa em dar visibilidade às demandas da comunidade.

“Fernando, muito obrigado! Quero agradecer a você e ao Portal Alpha Notícias por ter feito a matéria. O problema está sendo resolvido. Aqui não vai ter mais dengue, não vai ter mais problema ambiental, esgoto caindo lá no pesqueiro”, declarou um municipe.

O morador também ressaltou que a população da região sul frequentemente se sente esquecida pelo poder público e cobrou mais investimentos e políticas públicas para os bairros do setor.

A expectativa agora é de que as melhorias tragam mais segurança, qualidade de vida e eliminem os riscos ambientais e sanitários enfrentados há décadas pelos moradores do Jardim Santa Mônica.

Reforma do Cine Nelli apaga simbolo cultural e gera revolta em Botucatu

Uma intervenção de reforma qua há mais de um ano acontece em Botucatu, realizada durante as obras no Cine Teatro Nelli está provocando forte repercussão negativa entre moradores e agentes culturais da cidade. Segundo denúncias, a reforma autorizada pela Prefeitura de Botucatu resultou na raspagem do tradicional painel filogenético, uma obra que há décadas integrava a identidade visual do espaço.

De acordo com relatos, o painel — considerado por muitos como um símbolo da conexão entre arte, ciência e cultura local — não estava em estado irreversível e poderia ter passado por um processo de restauração. A decisão de removê-lo, no entanto, foi vista como precipitada e desrespeitosa com a memória cultural da cidade.

Artistas, produtores culturais e moradores se manifestaram nas redes sociais criticando duramente a ação. Para esse grupo, a eliminação do painel representa mais do que uma intervenção estética: seria um apagamento simbólico da história recente do teatro e da própria produção cultural botucatuense.

Era possível recuperar, preservar e valorizar. Optaram por apagar”, comentou um integrante do meio artístico local, refletindo o sentimento de indignação que cresce entre aqueles que acompanham a cena cultural da cidade.

O painel filogenético fazia parte da fase mais recente de ressignificação do teatro, marcando o espaço como um ponto de encontro entre diferentes expressões artísticas e o conhecimento científico — algo especialmente relevante em uma cidade com forte vocação universitária.

Até o momento, não houve detalhamento público por parte da administração municipal sobre os critérios técnicos que levaram à remoção da obra. A ausência de explicações tem intensificado as críticas e levantado questionamentos sobre a falta de transparência e de diálogo com o setor cultural.

A situação reacende um debate importante: qual é o limite entre modernizar e preservar? Para muitos, a reforma poderia ter sido uma oportunidade de valorização do patrimônio artístico local — e não de sua eliminação.

Agora, cresce a pressão para que a Prefeitura de Botucatu se posicione oficialmente sobre o caso e esclareça se houve estudo técnico, consulta a especialistas ou qualquer tentativa de conservação antes da raspagem do painel.

Enquanto isso, fica a pergunta que ecoa entre artistas e cidadãos:
Botucatu está evoluindo culturalmente — ou apagando a própria história?