O dramaturgo e autor de novelas Alcides Nogueira falou com exclusividade ao jornalista Fernando Bruder, da Rede Alpha, sobre a situação envolvendo o tradicional Cine Teatro Nelli, em Botucatu. Em seu depoimento, o escritor lamentou o cenário atual do espaço cultural e classificou o problema como consequência de anos de “má gestão”.
Segundo Alcides, o teatro foi criado por Armando Joel Nelli e Dona Alice Nelli, casal que lutou para transformar o local em uma importante referência cultural da cidade. Ele relembrou que, em determinado período, o grupo Pedutti ajudou na conclusão e estruturação do espaço, permitindo a convivência entre cinema e teatro. Com o passar dos anos, porém, o cinema teria assumido maior protagonismo dentro do local, enquanto o setor teatral perdeu espaço.
Durante a entrevista exclusiva concedida à Rede Alpha, o dramaturgo afirmou acreditar que a atual situação do Cine Teatro Nelli é resultado de sucessivas administrações problemáticas.
“Não há dúvida de que as últimas diretorias tiveram muita culpa nisso. Má gestão, má gestão”, declarou. Para ele, o patrimônio cultural foi sendo “dilapidado” ao longo do tempo, prejudicando diretamente a cultura botucatuense.
Alcides também destacou a importância histórica do teatro para o circuito cultural paulista. Segundo ele, Botucatu fazia parte do corredor cultural do Estado de São Paulo, recebendo grandes companhias teatrais no palco do Nelli. O dramaturgo relembrou ainda um comentário da atriz Cacilda Becker, que teria classificado o espaço como “uma das salas mais bem equipadas e confortáveis da época, inclusive em comparação com teatros da capital paulista.”
Autor de peças apresentadas no local, Alcides Nogueira recordou sua ligação pessoal com o teatro, citando montagens como “Feliz Ano Velho” e “Gertrude Stein”, que passaram pelo palco botucatuense com grande participação do público.
Ao final da entrevista, o dramaturgo defendeu que a população busque respostas sobre o que aconteceu com o espaço cultural.
“Mais uma vez quem sofre é o ambiente cultural. A cultura sempre é jogada de lado”, concluiu.
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