Acidente em Trilha de Cachoeira em Botucatu Acende Debate sobre Segurança em Atrativos Turísticos Privados

Um turista foi resgatado na tarde de ontem (27) após sofrer um acidente na trilha de acesso à Cachoeira da Pavuna, localizada na divisa entre Botucatu e São Manuel. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a vítima escorregou durante o percurso íngreme e precisou de atendimento especializado no local, sendo transportada para uma unidade de saúde. O estado de saúde não foi divulgado, mas a Defesa Civil emitiu um alerta reforçando a necessidade de cuidados em trilhas úmidas e sinalizadas, especialmente em períodos chuvosos. A Cachoeira da Pavuna, parte de um ecoparque privado com cinco quedas d’água e trilhas de nível médio a difícil, é um dos atrativos turísticos mais visitados da região, cobrando R$ 15 pela entrada e recomendando a contratação de guias para maior segurança.

O incidente reacende discussões sobre a responsabilidade do poder público na fiscalização de espaços turísticos em propriedades privadas. Consultado pela reportagem, o advogado Thiago Devidé, especializado em direito e com atuação em Botucatu, destacou a importância da legislação vigente para garantir a sustentabilidade e a segurança nesses locais.

“De acordo com a Lei Geral do Turismo (Lei nº 11.771/2008, alterada pela Lei nº 14.978/2024), o Ministério do Turismo tem competência para fiscalizar prestadores de serviços turísticos, incluindo atrativos privados como cachoeiras e parques explorados comercialmente. No entanto, essa atribuição pode e deve ser delegada aos municípios por meio de convênios, como previsto no art. 44 da lei”, explicou Devidé.

Enfatizo a urgência de Botucatu se articular com o Ministério do Turismo para promover a fiscalização efetiva e a segurança dos pontos turísticos locais, especialmente aqueles em propriedades privadas. “É essencial que o município integre o Sistema Nacional de Turismo (Sisnatur), conforme o Decreto nº 7.381/2010, para monitorar aspectos como sustentabilidade ambiental, direitos do consumidor e prevenção de riscos. Acidentes como esse poderiam ser minimizados com inspeções regulares, garantindo que a exploração turística seja sustentável e segura para todos”, pontuou o advogado.

Autoridades locais informaram que investigam o caso e planejam ações preventivas, mas especialistas como Devidé cobram maior proatividade na cooperação federativa para evitar tragédias futuras em um dos cartões-postais do Pólo Cuesta.

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