Liminar é ignorada pela Prefeitura de Botucatu e criança fica sem suplemento vital

O jornalista Fernando Bruder recebeu uma grave denúncia envolvendo a falta de fornecimento de suplemento alimentar essencial para a sobrevivência de uma criança de 12 anos, moradora de Botucatu. A mãe, Priscila de Lima Campos, participou ao vivo do Jornal Alpha Notícias, na Rádio Alpha FM, e relatou a situação dramática enfrentada pela família após a interrupção do fornecimento do produto, utilizado como única fonte de alimentação da filha, que possui paralisia cerebral, microcefalia e se alimenta exclusivamente por gastrostomia.

Segundo Priscila, o processo de renovação do fornecimento do suplemento deveria ter ocorrido em novembro, o que não aconteceu. Desde então, a família passou a depender de doações esporádicas, insuficientes para garantir a nutrição contínua da criança. Diante da ausência de respostas da Prefeitura, da Secretaria de Saúde e da DRS de Bauru, a mãe recorreu à Justiça. Conseguiu, uma liminar judicial determinou que a Prefeitura realizasse a compra imediata do suplemento. No dia seguinte, o município foi oficialmente notificado e recebeu prazo de 24 horas para cumprir a decisão — o que, segundo a família, não ocorreu.

A mãe afirma que a Prefeitura alegou existência de doações, informação que ela contesta veementemente. “Não houve doação. Se houve, que apresentem um documento assinado por mim ou pelo meu esposo comprovando o recebimento, o que não existe”, afirmou. A última ajuda recebida, segundo ela, foi no dia 12/01, com apenas três latas, quantidade suficiente para poucos dias. O suplemento acabou, e atualmente a criança está sem qualquer nutrição adequada, colocando sua vida em risco.

Desesperada, Priscila buscou ajuda do Conselho Tutelar, que tentou localizar o produto em farmácias e estabelecimentos de produtos hospitalares, sem sucesso. Como medida emergencial e improvisada, uma nutricionista — que se encontra de licença médica — orientou uma dieta alternativa caseira, que não é a indicada para o quadro clínico da criança. A mãe alerta que esse tipo de alimentação já causou graves complicações no passado, incluindo ganho excessivo de peso e internação na Unesp, o que levou a equipe médica a determinar o uso exclusivo do suplemento específico.

Priscila reforça que o fornecimento sempre foi regular ao longo dos 12 anos de vida da filha, inclusive em administrações anteriores, e que esta é a primeira vez que a criança fica sem o suplemento. “É a única coisa que ela se alimenta. É essencial para a sobrevivência dela. Eu não sei mais a quem recorrer”, desabafou, pedindo que o poder público providencie a compra imediata do produto.

Procurado pela Rede Alpha, o secretário de Saúde e vice-prefeito de Botucatu, André Spadaro, que acompanhou ao vivo a entrevista pelas Rádio Alpha FM, informou via whatsapp que a DRS de Bauru alega não ter sido notificada e que o fornecimento seria de responsabilidade do Estado. Segundo ele, no final do ano, por questões burocráticas de renovação do processo, a dieta deixou de ser enviada pela DRS, e a Prefeitura passou a fornecer provisoriamente até a regularização, fato que foi contradito pela mãe ao vivo na entrevista.

No entanto, a resposta do secretário é considerada vaga e insuficiente diante da gravidade do caso. A denúncia expõe um grave descaso do poder público frente a uma situação que envolve o direito à vida, à saúde e à dignidade de uma criança em condição de extrema vulnerabilidade. Uma solução que poderia ser simples — como a compra emergencial do suplemento ou um contato direto entre os órgãos responsáveis e a família — se arrasta em meio à burocracia, enquanto a criança permanece sem alimentação adequada.

A Rede Alpha segue acompanhando o caso e cobrando providências urgentes das autoridades competentes.

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