Coluna Professor Nelson

Confira os gêneros textuais elaborados pelo Prof. Nelson Letras sobre o tema de redação da Fuvest

Neste ano, a Fuvest fez modificações em suas provas. Quanto à redação, exame realizado no último domingo (14), foram apresentadas duas propostas, e o candidato deveria optar pela produção de uma delas: uma dissertação-argumentativa ou uma carta. As duas propostas possuíam a mesma coletânea e abordavam o mesmo tema “O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado”.  A seguir, confira os textos-modelo produzidos pelo professor Nelson, da Escola de Redação Nelson Letras, sobre as duas proposições.

Proposta 1

Um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema “O perdão é um ato que pode ser condicionado ou limitado”.

Inúmeras são as idiossincrasias que compõem a natureza humana, e, entre as psicológicas, está o perdão. Este pode ser analisado sob vários aspectos, por exemplo: uma ação egoísta, pois se dá não para a absolvição do outro, mas por um querer sentir-se bem; uma ação altruísta, para o bem do outro; uma transação pela qual se tenta conseguir o livramento por meio da troca de ações virtuosas as quais façam o transgressor merecedor da remissão; uma virtude que só pode ser alcançada se o ofendido a realizar; um sentimento individual de autoperdão; ou, ainda, um paradoxo, pois o perdão existiria somente para o que é considerado imperdoável. Embora essas manifestações, individuais e/ou do relacionamento com o outro, sejam discutíveis e capazes de gerar reflexões diferentes, é fato que elas possuem condições ou limites.

Para que haja um perdão, é necessário que exista aquele que possa perdoar. Analisando a situação atual do extermínio na Faixa de Gaza, ainda que o principal responsável pela matança, o líder Benjamin Netanyahu, em um futuro hipotético, peça perdão por seus atos, é impossível que este ocorra integralmente, uma vez que milhares não mais existem para conceder a absolvição.

“Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem”. A evocação, de acordo com o texto bíblico, de Jesus enquanto sofria a crucificação, permite, entre outras, a reflexão de que o fato de não haver a consciência da transgressão também é condição para o perdão; porém, o mesmo texto também supõe o limite para a absolvição: a consciência pela transgressão acompanhada do arrependimento.

Esse limite também é observado na atual situação brasileira em que grupos políticos tentam aprovar uma anistia a fim de libertar aqueles que atentaram contra o Estado Democrático de Direito. Esses grupos e os condenados utilizam o vocábulo anistia, como se este não envolvesse uma transgressão. Logo, é possível supor que não há uma consciência de que a tentativa de golpe foi um erro. Esse é mais um limite para o perdão: não aceitar o erro, por conseguinte os transgressores não podem ser perdoados, podem, no máximo, ser anistiados.

Assim, a palavra perdão possui muitas nuances de significado, todas intrínsecas à natureza humana, condicionadas ou limitadas por situações que envolvem a psiquê, seja pela subjetividade carregada de aspectos emocionais, seja pela razão. Até mesmo o perdão compreendido como incondicional, paradoxalmente, possui limites, visto que ele não existe em qualquer situação e para qualquer pessoa. Ultrapassar esses limites seria, sob outras perspectivas, ir além do Übermensch de Nietzsche, pois a libertação da cólera e da culpa depende de fatores externos em que estão envolvidos os actantes,  depende da subjetividade e da razão daquele que quer o perdão e, principalmente, daquele que pode oferecer, afinal, ter a capacidade de perdoar ou de se sentir perdoado é anular psiquicamente o mal sofrido e praticado.

Proposta 2

Uma carta a uma personagem hipotética que o(a) tenha acusado falsamente da prática de um ato moralmente reprovável, explicando as razões pelas quais você lhe concede ou não o perdão. A carta deve ser assinada com o termo “Nome”.

 

São Paulo, 08 de janeiro de 2023

Caro companheiro:

Desculpe-me pelo extenso atraso, afinal, são décadas… O relógio marca 23h, e, finalmente, tiro a trave de meus olhos para lhe escrever. Hoje revivi um pouco aquele terror pelo qual passamos na juventude. Tive medo… Foi triste, angustiante, aterrorizante ver milhares de pessoas invadirem o Congresso pedindo a volta daquele aprisionamento. Mas o pesadelo parou… Sei que agora é o momento de lhe escrever, de ficar livre e de lhe permitir a liberdade, seguindo nossos ideais, pelos quais lutamos desde a época em que pertencíamos à Teologia da Libertação, quando jovens.

A última vez em que nos falamos foi o momento em que você me pediu perdão. Pelo menos, em que nos falamos pessoalmente, pois acredito que seus pensamentos mantiveram o diálogo com este seu amigo da faculdade de Direito do Largo de São Francisco, já que os meus atormentaram minha mente durante todos estes anos e projetaram várias conversas com você. Bebi deste cálice durante todo este tempo, o que me fez compreender e sentir que sua súplica está consumada.

Na época, eu o condenei não por todo o sofrimento pelo qual passei enquanto estava preso, não pelas torturas psicológicas e físicas, mas sim pelo que acreditava ser uma traição. Quando você foi pego pelo DOPS –  e ao assinar a mentira de que eu havia participado do assalto ao banco -, foi-me uma dor maior até mesmo que as que tive nos meses, anos seguintes, dores as quais fizeram de mim um homem mais egoísta do que havia sido até então.

Eu não entreguei ninguém, eu não inventei nada sobre ninguém. Eu suportei todas as dores e acusações. E, se eu possuía forças para isso, passei a acreditar que todos deveriam tê-las, inclusive você. Pois é, velho amigo, “é que Narciso acha feio o que não é espelho”. E eu estava errado.

Ainda tenho sequelas físicas e psicológicas, porém a que mais me causa sofrimento é a de não ter compreendido que não somos todos iguais. Não se tratou de fraqueza a sua ação, mas sim de uma característica humana. Você tentou ser leal, entretanto seu corpo não conseguiu, não aguentou, e acabou ratificando uma versão que nada mais era a que lhe foi imposta sob tortura.

Por estas palavras me liberto desse sentimento que me condicionou, me determinou, tirando minha liberdade de pensamento. Não sei se você ainda se angustia por eu não lhe ter perdoado, acredito que sim, pois lembro-me de como você sempre foi um cristão defensor da justiça, da virtude; e um falso testemunho  justamente contra nossa luta, contra este seu amigo, ainda deve inquietar seus pensamentos.

Você está livre, companheiro, eu lhe perdoo. Sua ação foi simplesmente uma consequência de algo externo, ela não foi uma escolha de seu livre-arbítrio. Você não infringiu a justiça, não há do que se culpar, foi seu corpo que não resistiu  aos socos, chutes, choques elétricos, afogamentos, pau de arara… Você não soltou a minha mão. Lembre-se da mensagem de Jesus quando livrou a mulher adúltera de seus acusadores: “eu também não te condeno”, ou seja, ela não possuía condenação, estava livre de algo que nem era dela, pois ela também era simplesmente um ser humano assim como eu, assim como você.

Os anos de chumbo acabaram, companheiro, estamos livres. E…

…nós ainda estamos aqui, Nome

 

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Confira texto elaborado pelo Professor Nelson Letras sobre o tema de Redação da UNESP

E o tema da redação do vestibular da Unesp 2026 foi “Vivemos hoje uma epidemia da solidão?”.  A seguir, confira um texto produzido pelo professor Nelson, da Escola de Redação Nelson Letras, sobre o tema deste ano.

Responsável por reflexões e emoções, a sétima arte implicou angústias em inúmeras pessoas quando o protagonista de O náufrago – interpretado por Tom Hanks -, devido à solidão, passou a interagir com uma bola de vôlei, “Wilson”, como se esta fosse um ser humano. O sofrimento do personagem transporta o espectador à dor do estar só. Essa solidão retratada no cinema é uma situação paradoxal ao ser comparada com a “epidemia”, cultura do isolamento alertada pela OMS, segundo a qual um terço dos idosos e um quarto dos adolescentes sofrem, física e/ou subjetivamente, angústias semelhantes às do personagem do filme, embora não estejam em uma ilha isolada, mas sim em uma sociedade hiperconectada pelos novos sistemas de comunicação. Logo, por causa de um condicionamento exterior que lhe prejudica a relação com o outro e a posse de uma boa saúde mental, grande parte da sociedade perde um pouco de sua humanidade.

Em Modernidade Líquida, Zygmunt Bauman analisou como a sociedade, determinada por um sistema que conduz o indivíduo a priorizar trabalho e bens de consumo, tem vivido sob a substituição de relacionamentos interpessoais por relações entre sujeitos e objetos. Os indivíduos passaram a viver sob um acúmulo de tarefas que os impedem de aprender sobre suas características de ser que necessita de interações sociais mais sólidas. Destarte: idosos são isolados de seus familiares e também socialmente, pois não estão em relações de trabalho, em atividades de entretenimento comunitário; e crianças, jovens e adultos, encontram-se, muitas vezes, sob o domínio das redes sociais e da positividade tóxica, com a necessidade de uma idealização de felicidade, mas isolando-se das relações físicas e sólidas, tendo como consequência uma solidão capaz até de gerar pseudointerações sentimentais com inteligências artificiais, os Wilsons do mundo virtual.

Assim, percebe-se que o aspecto negativo do signo linguístico solidão está relacionado não só a algo físico, mas principalmente mental. Em grande parte da sociedade moderno-líquida, o indivíduo possui seu inconsciente construído, desde criança, sob relações afetivas menos profundas, pois não há tempo para elas, estão inseridas em um sistema educacional de aulas expositivas sem interatividade, pois até mesmo as redes sociais, os jogos de celulares, substituem os pais. Nesse cenário, o superego, o qual é desenvolvido para não ter comunhão com outras pessoas, reflete no ser consciente, causando-lhe sofrimento. Mesmo vivendo em sociedade, com pessoas ao redor, esse indivíduo se sente solitário e não possui a capacidade de compartilhar suas emoções com outras pessoas – haja vista a imensa quantidade de indivíduos que têm procurado ajuda psicológica pelo ChatGPT ou por Apps de suporte emocional, ou ainda o fenômeno social dos bebês reborn ocorrido no Brasil em 2025.

O ser humano depende intelectual e materialmente do outro – assim como refletiu Aristóteles “O homem é por natureza um animal político”- e, com exceções de casos mais complexos de saúde, não necessita de bolas de vôlei personificadas, as IAs ou os bonecos artificiais hiper-realistas, para suprir uma carência. Projetar nestes a idealização da companhia pode gerar mais sentimento de solidão, por ser um falso compartilhamento de emoções o qual vai contra a natureza humana de ser social. É pelas relações sociais que o inconsciente é construído para uma boa saúde emocional capaz de viver bem o ócio e a relação com o outro – a exemplo da Finlândia, país considerado pelo oitavo ano consecutivo como o mais feliz do planeta, ao priorizar um sistema educacional para o pensamento crítico e com menos ênfase em competições, um estilo de vida pela ausência de ostentação, com valorização de tempo livre, da família e hobbies ao ar livre.

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E o tema da redação do Enem 2025 foi “Perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”.  A seguir confira um texto produzido pelo professor Nelson, da Escola de Redação Nelson Letras, sobre o tema deste ano.

Embora a sociedade brasileira descenda de uma cultura impositiva judaico-cristã, a qual valoriza as pessoas mais velhas como sábias e dignas de respeito, devido ao sistema capitalista a maior parte da população idosa passou a ser vista como inútil e geradora de despesas. Um fato que serve de sinédoque para essa situação ocorreu durante a pandemia de Coronavírus, quando um importante empresário, Roberto Justus, ao falar sobre estatísticas de um possível número de mortos, defendendo a economia acima de vidas, afirmou que seriam irrisórias as perdidas, e estas seriam de velhinhos. Contrária aos Direitos Humanos, essa cultura utilitarista do mercado, aliada à evolução da internet, implica perspectivas negativas quanto ao envelhecimento no Brasil,  o qual segundo o último censo de 2022 tende a crescer, já que não apenas o brasileiro está vivendo mais, como também tem diminuído a taxa de natalidade.

A ideologia excludente sobre a velhice não é universal. Há o idoso da elite, o qual faz academia, possui qualidade de vida, pele bem cuidada. Este, por ser o oposto do estigma – uma vez que é o representante do sistema monetário -, não sofre as consequências negativas, diferentemente da maioria da população, que tenta viver a difícil velhice, após anos de muito trabalho, pouco descanso, má alimentação e falta de acompanhamento médico. Dessa forma, as desigualdades inerentes ao sistema conduzem à exclusão daqueles que não possuem mais utilidade, que apenas consomem e não geram lucro, haja vista a reforma da previdência de 2019 que aumentou a idade mínima para aposentadorias, ou ainda os cortes de verbas, realizados durante o mesmo governo, sobre, por exemplo, programas como o Farmácia Popular o qual busca cuidar, entre outros, dos mais velhos de baixo poder aquisitivo.

As perspectivas sobre o envelhecimento também não são boas ao se analisarem as relações interpessoais, um dos fatores geradores de felicidade. Objetivando o lucro, a revolução comunicacional, por meio da internet, principalmente das redes sociais, intensifica a criação de gerações imediatistas, as quais não se preocupam com o futuro e com relações de afeto.  Essas relações cada vez mais líquidas, menos sólidas – lembrando os estudos sobre a Modernidade Líquida do filósofo Zygmunt Bauman – implicam uma vida isolada do idoso, que clama por relações de afeto. Dessa forma, o condicionamento às telas de celulares dificulta a compreensão das gerações mais jovens sobre a importância da afetividade com pais e avós e também sobre a obrigatoriedade que a família possui no cuidado dos mais velhos. Para intervir nesse cenário, o Ministério da Educação precisa ampliar a quantidade de aulas que afastem os alunos das telas e valorizem o senso crítico e relações pessoais, como Sociologia, Filosofia e Artes.

Para uma velhice mais saudável do brasileiro, o Congresso necessita aprovar leis, por exemplo, como a da redução da jornada de trabalho para, pelo menos, cinco por dois, e a da exclusão do Teto de Gastos de investimentos em saúde. A reforma da previdência também precisa de adequações  como o aumento de perícias, por parte do INSS, para garantir os direitos daqueles que necessitam da aposentadoria mesmo não tendo atingido a idade mínima, além de benefícios fiscais para empresas que contratarem pessoas acima de 55 anos, as quais têm dificuldade de inserção no mercado de trabalho. Conclui-se que é imprescindível: preparar o País para o envelhecimento da população por meio do fortalecimento do Estado a fim de lhes garantir boa qualidade de vida; e desconstruir a ideologia do mercado de que o lucro é mais importante que o ser humano e as relações interpessoais.

 

 

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“As relações sociais por meio da solidariedade”

E o tema da redação do vestibular da Fuvest 2025 foi “As relações sociais por meio da solidariedade”.

A seguir, confira o texto modelo produzido pelo professor Nelson, da Escola de Redação Nelson Letras, sobre o tema deste ano.

A solidariedade genuína é fundamental para a existência humana

O livro bíblico Atos dos Apóstolos narra o início do movimento cristão, registrando na história a formação de uma comunidade em que a solidariedade era um dos pilares para a vida harmônica: todos dividiam o que possuíam de forma que não havia necessitados. Este é um exemplo de como a solidariedade faz parte das relações sociais, já que é intrínseca à vida em coletividade. Porém ela existe por motivos diferentes, seja pelo querer bem ao outro como na mensagem de Jesus de Nazaré, seja por uma emoção gerada por algum ator externo, por exemplo, uma tragédia, seja por uma ação individualista para uma satisfação pessoal ou de isenção de sentimento de culpa.

O altruísmo é um dos responsáveis pela construção da sociedade. Ainda que gere, paradoxalmente, algumas vezes, um sentimento antipático e/ou de ódio, trata-se de um ator social. São inúmeros os exemplos de cidadãos que vivem em função da ajuda ao outro e pelo sentimento de desejar que esse outro esteja bem. Não é possível negar que até as consequências contrárias à solidariedade genuína – por exemplo, o ódio ao Padre Júlio Lancellotti por suas ações sociais, ou a ações governamentais como o Bolsa Família ou a proposta de isenção de Imposto de Renda para quem recebe até cinco mil reais – fazem parte do coletivo.

É comum agentes externos provocarem uma emoção no indivíduo de maneira a criar neste um desejo em querer ajudar o outro. Recentemente, no Brasil, cidadãos de todos os estados contribuíram para auxiliar os moradores do Rio Grande do Sul os quais sofreram com as enchentes que destruíram cidades inteiras. Essa caridade pode partir até mesmo de pessoas que não costumam contribuir ou que são contra programas assistenciais como o Bolsa Família, mas, embora seja um sentimento determinado pelo ambiente de tragédia e comoção nacional (e internacional) ele possui como consequência a solidariedade que contribui para a harmonia social.

O ser humano também pratica solidariedade, ainda que aja, conforme cantou Caetano Veloso, no final da década de 1970, como Narciso que “acha feio o que não é espelho”. Tal particularidade também pode criar ações solidárias, pois, muitas vezes, indivíduos, com o objetivo de serem bem vistos socialmente ou por quererem se isentar de um sentimento de culpa – já que sua riqueza é fruto da miséria de outro -, apesar de serem aporofóbicos, praticam “caridade mesmo detestando”, mesmo “encarando frente a frente, não vendo seu rosto e chamando de mau gosto o que viu”.

Em síntese, o ser humano é um animal político, como evidenciou Aristóteles, portanto é de sua natureza estabelecer vínculos sociais. A relação de solidariedade se dá: por ações altruístas, que buscam um Paraíso terrestre por amor ao outro; por uma determinação da própria sociedade ao lhe criar um sentimento de comoção; ou por conveniência, egoísmo. Todavia, caso a solidariedade genuína não prevaleça, atrocidades que são consequência da ambição e falta de empatia humanas – como o atual genocídio em Gaza, a fome no mundo ou a intervenção no meio ambiente, causadora das mudanças climáticas -, podem implicar o fim da humanidade e, consequentemente, de suas relações sociais.

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O tema da redação do vestibular da Unesp 2025 foi “Medicalização da vida: a quem interessa?”

E o tema da redação do vestibular da Unesp 2025 foi “Medicalização da vida: a quem interessa?”.  A seguir, confira um texto produzido pelo professor Nelson, da Escola de Redação Nelson Letras, sobre o tema deste ano.

 

“Esclarecimento, “Aufklärung” é a saída do homem de sua menoridade, da incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem o direcionamento de outro indivíduo”; “O homem inventou o ideal para negar o real, transformando-se em uma espécie sofredora, improdutiva”. Esses pensamentos pertencem, respectivamente, aos filósofos Immanuel Kant e Friedrich Nietzsche, os quais, sob perspectivas diferentes, refletiam sobre a dominação social que busca anular a essência do cidadão com o objetivo de lhe impor uma submissão. Seja pelo impedimento da razão, seja por controles morais que oprimem as emoções do indivíduo, mais recentemente, a evolução na medicina e na produção de medicamentos tem se transformado em uma nova ferramenta que, ao injetar uma ideologia de que determinadas emoções, como ansiedade e tristeza, são anomalias as quais não pertencem ao ser humano, domina-o para fins, principalmente, econômicos.

As ideias de Kant, filósofo do século XVIII, buscavam a liberdade de pensamento do indivíduo. Ser livre, para ele, consiste em o cidadão agir de acordo com sua razão e não segundo o pensamento de outro. Fazendo-se uma analogia com o mundo pós-moderno e o progressivo consumo de medicações, muitas vezes, desnecessárias, observa-se que grande parte da sociedade continua em uma menoridade intelectual, uma vez que não possui conhecimento sobre doenças físicas ou transtornos mentais e, impulsionada pela indústria farmacêutica e pelo ideal de ser humano normal que predomina, principalmente, nas redes sociais, deixa-se conduzir por estas como “um gado doméstico que não ousa dar um passo fora do carrinho para aprender a andar”. Assim, a medicalização indevida, resultado do condicionamento de uma idealização de ser perfeito, é um controle social que impede muitas pessoas de agirem segundo o próprio entendimento e de alcançarem a maioridade.

Algumas décadas depois de Kant, o pensador, também alemão, Friedrich Nietzsche, ao “martelar” outros filósofos e suas reflexões, supervalorizou a emoção em detrimento da razão. Embora sejam perspectivas diferentes sobre a essência humana, ele também criticou o controle social, mas indo contra as muletas sobre as quais o indivíduo se apoia para projetar – a fim de não sofrer – uma felicidade fora da realidade. Entretanto, para Nietzsche, esse niilismo seria o real causador do sofrimento, pois anularia e essência do homem. Da mesma forma, na atualidade, o progresso médico-farmacêutico anula o indivíduo ao lhe estabelecer um ideal de felicidade, sem, por exemplo, as dores de um luto, ou um abatimento por não se conseguir pagar uma dívida, os quais são intrínsecos ao cidadão. Ao se problematizar algo que é da natureza humana, a vida passa a ser compreendida como uma doença, que precisaria ser medicada.

Desde criança, o homem pós-moderno tem sido manipulado com comprimidos abstratos – a felicidade tóxica das redes sociais e outras mídias – e concretos – ansiolíticos, antidepressivos – que vêm tirando sua essência, pois, até mesmo, atitudes infantis, por exemplo, brincar, correr e gritar, passam a ser vistas como um transtorno que necessita de medicação. Todo esse controle, essa medicalização da vida, é interesse de indivíduos que se opõem à humanidade – uma vez que vai de encontro à razão e à emoção – e que, em busca, principalmente, de poder econômico, utilizam a ideologia enganadora imposta. São desde as big techs e seus influenciadores até a indústria farmacêutica os quais se enriquecem vendendo emplastos que retiram a humanidade do ser, ou seja, sua autonomia de pensamento e as manifestações de sua subjetividade, suas emoções.

 

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Confira o texto elaborado pelo Professor Nelson Letras sobre o Tema de Redação do Enem

E o tema da redação do Enem 2024 foi “Desafios para a valorização da herança africana no Brasil”.  A seguir confira um texto produzido pelo professor Nelson, da Escola de Redação Nelson Letras, sobre o tema deste ano.

Para o filósofo Aristóteles, a arte é a mimese da realidade. Tal concepção é confirmada por romances e canções brasileiros que vão de encontro à falsa imagem deste País, criada pela Casa Grande e que esconde e inferioriza a Senzala. A representação real pode ser encontrada, por exemplo, na literatura em O Mulato de Aluísio Azevedo, o qual no final do século XIX narrou o sofrimento de Raimundo que – embora fosse um cidadão de uma elite intelectual, não era aceito por esta devido à sua ascendência negra e escrava -, ou na música contemporânea pela crítica social de Mama África, de Chico César. As duas obras, de épocas diferentes, retratam a verdadeira face brasileira cujo reflexo, em grande parte, é desconhecido ou estigmatizado.

A obra de Aluísio Azevedo não foi bem aceita, na época, por aqueles que criavam e impunham uma imagem distorcida da realidade. Ideologia esta que continua predominando no País, haja vista que a maioria dos brasileiros desconhecem a herança africana. Os séculos de escravização e de imposição de valores europeus, ainda hoje, fazem com que os cidadãos brasileiros não tenham conhecimento sobre sua história de origem afro, assim como tenham preconceitos sobre essa cultura, o que pode ser observado pelo estereótipo negativo criado sobre religiões como a Umbanda e o Candomblé.

A “Mama África” foi maltratada por seu esposo europeu. Ela foi violentada, escravizada e a herança que ficou foi o preconceito, a exclusão e a pobreza. Assim, grande parte de seus filhos não a aceitam como mãe, muitos sequer a conhecem, possuindo apenas a visão passada pelo genitor usurpador. Mama África continua “solteira e tendo que fazer mamadeira todo dia, além de trabalhar como empacotadeira nas Casas Bahia”. Os filhos de pele escura deste solo não têm a figura paternal para alimentá-la, instruí-la, educá-la e, por isso, vivem na exclusão cultural e física, muitas vezes, não sendo aceitos como cidadãos brasileiros, já que são cerceados de seus direitos e deveres.

A real herança africana está na cultura cujos valores são estigmatizados, bem como no capital fruto da mão de obra escrava. Logo, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura ofereça cursos remunerados para capacitar professores, bem como elabore cartilhas, separadas pelas etapas do ensino básico, que abordem aspectos históricos, sociológicos, literários, teológicos, artísticos os quais desconstruam a falsa imagem criada pelos dominadores europeus. Essa cartilha deve ser trabalhada obrigatoriamente nas escolas públicas e privadas nas respectivas disciplinas com o conteúdo exigido em avaliações. Políticas afirmativas como cotas devem ser ampliadas para outros setores, como para cargos do executivo a fim de que representantes pretos tenham voz para criar leis de modo que a identidade nacional de origem africana seja conhecida e valorizada. Afinal, parafraseando Chico César, “deve ser legal ser negão, Senegal”, deve ser legal ser negão Brasil.

 

 

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Confira o texto elaborado pelo Professor Nelson Letras sobre o Tema Redação da Fuvest

E o tema da redação da Fuvest foi “Educação básica e formação profissional: entre a multitarefa e a reflexão”.  A seguir confira um texto produzido pelo professor Nelson, da Escola de Redação Nelson Letras, sobre o tema deste ano.

Uma educação menos tecnicista e mais reflexiva

A velocidade de um automóvel faz com que a visão do lado de fora, da paisagem, torne-se achatada; quanto mais rápido o movimento, menos profundidade. A imagem do veículo serve de metáfora para a sociedade pós-moderna, já que a vida de seus cidadãos é cada vez mais repleta de atividades implicando uma relação superficial, sem profundidade, entre o ser e o mundo ao seu redor. Dessa forma, observa-se que a educação do cidadão deve ser fundamentada em conhecimento e pedagogias para uma compreensão de mundo, bem como para uma boa saúde emocional e boas relações interpessoais, visto que as multitarefas escolares e uma formação profissional voltada não para a vocação, mas sim para um diploma, salário e função, afastam o indivíduo de ser um agente de sua vida, pois, para isso, ele necessita de tempo e desenvolvimento intelectual.

Na Grécia Antiga, Sócrates refletiu sobre a importância de formar cidadãos ativos na vida política da pólis, e esse pensamento ainda deve ser mantido, já que é necessário adequar o conteúdo escolar e a pedagogia às necessidades sociais. A extensa grade curricular nas escolas com a carga horária repleta de aulas expositivas e sem tempo para a construção do conhecimento, para a reflexão, para o lazer e para a troca de experiências interpessoais, pode separar o aluno da verdade social criando-lhe uma falsa concepção da realidade, um mundo idealizado, uma vez que dificulta o discente a se relacionar mais profundamente com o conhecimento e a desenvolver a razão. Além disso, é importante que alunos aprendam a viver o ócio, pois este permite a reflexão e a criatividade, permite pensar sobre si e sobre o mundo.

Paulo Freire, um dos principais nomes da educação, afirmou que “ensinar não se trata de transferir conhecimento, mas de criar as possibilidades para sua produção”. Esse pensamento vai de encontro à educação conteudista, “bancária”, que “deposita” nos discentes e lhes determina uma imagem profissional a qual não leva em conta a relação de convívio, a importância individual e social da profissão. O modelo de escola alicerçado em um falso pragmatismo prejudica o autoconhecimento do aluno sobre sua vocação, impondo-lhe profissões idealizadas e que requererão várias horas, tornando sua vida exaustiva. Essa concepção de que viver é trabalhar começa a ser descontruída, haja vista que até o atual ministro do Trabalho Luís Marinho defendeu a discussão sobre a semana possuir quatro dias de trabalho.

É mister que os cidadãos construam suas personalidades de forma livre, por meio do conhecimento das mais importantes ciências e de atividades que lhes permitam relacionarem-se com o outro e também com suas emoções. Assim, o ambiente escolar não pode ser como criticou o filósofo francês Michel Foucault “uma instituição que sequestra os indivíduos de seu espaço familiar e os internam para disciplinar seus comportamentos, formatando aquilo que pensam”. Essa ideologia escolar que é determinada socialmente como única e correta se aproveita das inúmeras obrigações conteudistas impostas aos discentes com sistemas fixos de horários para impedi-los não apenas de terem tempo livre de ser, de existir, assim como de refletir sobre a falsa concepção de sistema educacional em que estão inseridos.

 

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Confira texto elaborado pelo Prof. Nelson Letras sobre o tema de Redação da UNESP

E o tema da redação do vestibular da Unesp foi “É possível um futuro off-line?”.  A seguir confira um texto produzido pelo professor Nelson, da Escola de Redação Nelson Letras, sobre o tema deste ano.

Assim como outros meios de comunicação, a internet é uma realidade que faz parte da vida da maior parte da população mundial. Seja para entretenimento, seja para trabalho, o mundo on-line está presente no dia a dia da maior parte da sociedade, e acreditar que o ser humano pós-moderno abandonará  essa tecnologia digital consiste em uma utopia, uma vez que o sistema virtual não só é útil para a vida dos cidadãos como também possui a capacidade de viciar pessoas com suas técnicas de condicionamento. Entretanto, mesmo com a propagação da internet, desde que haja internautas os quais não fiquem presos às bolhas virtuais, mas sim mantenham o livre arbítrio na utilização das tecnologias de rede, é possível um futuro off-line.

As grandes corporações que dominam a internet desenvolveram estratégias tecnológicas que oferecem ao internauta o que ele deseja ler, ver e ouvir. Dessa maneira, muitos chegam a perder horas de sono aprisionados à rede que os satisfaz emocionalmente, impondo-lhes a ilusão de que são livres e de que estão no controle de suas ações por possuírem conhecimento e criatividade, por serem pessoas conscientes da realidade em que estão inseridas. Todavia, essa realidade é apenas uma imagem criada pelas próprias mídias digitais, as quais subjugam muitos usuários e os aprisionam sob uma ideologia paradoxal.

Mas, embora exista o condicionamento, é possível não se submeter a ele. Em suas reflexões sobre a humanidade, pensadores como Baruch Spinoza, Friedrich Hegel e Karl Marx concluíram que ser livre é compreender que existem determinismos e, assim, possuir a capacidade de como se relacionar com eles. Portanto, ainda que as redes sociais sejam capazes de atrair e manipular, o ser humano com conhecimento deste determinismo e com Maioridade intelectual – lembrando as reflexões sobre autonomia do filósofo Immanuel Kant – sabe utilizar o mundo online sem se prender e se submeter à falsa imagem criada por este.

Além disso, não é possível anular a hipótese de que, entre aqueles presos às subordinações inconscientes impostas pelos algoritmos, há os que poderão alcançar a liberdade de pensamento, deixando a capitulação. Segundo o filósofo Arthur Schopenhauer “o ser humano toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo”, logo é necessário que a sociedade não se prenda ao campo de visão criado pelas mídias sociais, e isso é possível, haja vista que há pessoas conscientes e que buscam propagar conhecimento, contribuindo, assim, no desenvolvimento intelectual de outros indivíduos, desconstruindo o determinismo imposto pelo mundo virtual.

A internet e suas redes retiram a humanidade de muitos usuários ao lhes impedir o uso da razão e a escolha de caminhos, contudo muitos estão fora dessa linha, pois possuem a consciência desse controle e comandam seus pensamentos e ações. Por conseguinte, é mister compreender que a existência de um mundo off-line não consiste na anulação do mundo on-line, mas sim em um não condicionamento às mídias virtuais, em o cidadão possuir uma autonomia intelectual que aproveita as tecnologias digitais em benefício próprio e da sociedade, e que desfruta a vida no mundo real. Um futuro off-line é possível assim como, embora haja o vício na rede, o presente off-line é uma realidade.

Escola de Redação Nelson Letras

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