Destaque

ANVISA manda recolher Molho de Tomate Granoro por risco de vidro na embalagem

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou, na quarta-feira (7), o recolhimento do lote LM283 do molho de tomate Passata de Pomodoro Di Puglia, da marca Mastromauro Granoro. A decisão suspende a comercialização, distribuição, importação, divulgação e consumo do produto em todo o país.

A medida foi adotada após alerta emitido pelo sistema europeu RASFF (Sistema de Alerta Rápido para Alimentos e Rações), que identificou a presença de fragmentos de vidro no lote do molho de tomate importado e comercializado no Brasil.

Além disso, a Anvisa proibiu os lotes 25G073, S25C004, S25C003, S25C002 e S25G072 do suplemento alimentar Neovite Visão, da empresa BL Indústria Ótica Ltda. (Bausch Lomb). O recolhimento foi comunicado de forma voluntária pela fabricante, após a constatação de irregularidades na composição do produto.

Segundo a Anvisa, os lotes continham Capsicum annuum L. (páprica), ingrediente não autorizado como fonte de zeaxantina em suplementos alimentares, além de apresentarem quantidade de Caramelo IV acima do limite permitido pela legislação sanitária.

Outros produtos também foram alvo de fiscalização. Os suplementos Vitamina C Sucupira com Unha de Gato Ervas Brasil e Suplemento Alimentar Colesterol Ervas Brasil, da empresa Ervas Brasil Indústria Ltda., tiveram apreensão determinada e estão proibidos de serem comercializados, fabricados, divulgados ou consumidos.

De acordo com a Anvisa, a empresa não possui licença sanitária nem alvará de funcionamento, utilizou ingredientes não autorizados e realizou divulgação irregular, com alegações terapêuticas sem comprovação científica, associando os produtos a benefícios à saúde de forma indevida.

Quase 330 presos não retornam aos presídios após “saídinha” de Natal

Cerca de 330 detentos não retornaram às unidades prisionais do interior de São Paulo após o período da saída temporária concedida entre os dias 23 de dezembro e 5 de janeiro. As informações foram divulgadas pela Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), que monitora o cumprimento do benefício previsto na Lei de Execução Penal.

Na região de Presidente Prudente, 2.167 presos foram autorizados a deixar 15 unidades prisionais. Em apenas cinco delas houve retorno total dos beneficiados. Nas demais, 73 detentos não se reapresentaram dentro do prazo e passaram a ser considerados foragidos. Situação semelhante foi registrada na região de Bauru, onde mais de 4,3 mil presos receberam a autorização, sendo aproximadamente 3,2 mil apenas na cidade de Bauru. Nesse conjunto, 111 não retornaram.

Em Sorocaba e Capela do Alto, 618 detentos foram liberados, mas 22 não voltaram às unidades. Em Itapetininga, 619 presos receberam o benefício, com 16 ausências no retorno. Já na região de São José do Rio Preto, cerca de 1,6 mil detentos foram contemplados, dos quais 56 não se reapresentaram após o período autorizado.

Entre os municípios do oeste paulista, Osvaldo Cruz teve 26 não retornos entre 776 presos beneficiados, enquanto Pacaembu registrou 24 ausências em um total de 667 liberações. Em Presidente Prudente, 12 dos 191 detentos não voltaram. Por outro lado, cidades como Flórida Paulista, Irapuru, Lucélia, Marabá Paulista, Martinópolis e Tupi Paulista registraram retorno integral dos presos.

A SAP esclareceu que a concessão da saída temporária é de competência do Poder Judiciário e segue regras específicas no Estado de São Paulo, definidas pela Portaria DEECRIM 02/2019. O órgão reforçou que o detento que não retorna no prazo estipulado é automaticamente considerado foragido, perde o direito ao regime semiaberto e, se recapturado, retorna ao regime fechado.

Os alimentos que devem dominar a dieta nos Estados unidos

Nesta quarta-feira (7), no entanto, a Casa Branca divulgou a nova Diretriz Alimentar que propõe uma reformulação nos padrões e adesão à dieta preconizada por médicos e entidades internacionais, caso da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O mote é escolher “comida de verdade”, ou seja, colocar frutas, legumes, verduras, cereais integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis na alimentação, cortando os ultraprocessados e carboidratos refinados.

Um site foi criado para apresentar o guia alimentar que, em muitos aspectos, tem semelhanças com o Guia Alimentar para a População Brasileira, cuja primeira edição foi publicada em 2006, pelo reforço ao consumo de alimentos in natura e minimamente processados.

A diferença é que foca em proteínas como principais alimentos, enquanto o guia brasileiro sugere que os produtos de origem vegetal devem ser a base da alimentação.

Segundo o Departamento de Saúde e Servicos Humanos (HHS, na sigla em inglês), as diretrizes pautam os programas federais de alimentação e a proposta é replicar os padrões alimentares recomendados em escolas e órgãos militares e de veteranos.

O departamento, comandado pelo secretário Robert F. Kennedy Jr., diz que as recomendações podem ser seguidas de acordo com as preferências, necessidades e renda da população.

A justificativa para a mudança de padrão, que prega a redução do consumo de carboidratos, açúcar adicionado, sódio em excesso e aditivos químicos, é melhorar a saúde da população e diminuir a incidência de doenças crônicas.

Pardinho: Centro Max Feffer destaca exposição “Ser Tião em Festa”

Museu Tião Carreiro convida o público a mergulhar no universo das festas do sertão, em mostra sobre o filme “Sertão em Festa”.

Durante o mês de janeiro, o Centro Max Feffer Cultura e Sustentabilidade, em Pardinho/SP, tem como grande destaque a exposição “Ser Tião Em Festa”, em cartaz no Museu Tião Carreiro, administrado pelo Instituto Jatobás. A mostra celebra o filme “Sertão em Festa”, estrelado por Tião Carreiro e Pardinho, e apresenta curiosidades da produção cinematográfica, informações sobre o elenco, a trilha sonora e aspectos marcantes das gravações. Entre os destaques estão peças originais utilizadas pelo artista durante o filme, aproximando os visitantes da história e do legado de um dos maiores nomes da música sertaneja raiz.

A cenografia transforma o espaço do museu em um verdadeiro cenário de celebração. Bandeirinhas que remetem aos nomes do elenco, uma cozinha caipira que relembra os encontros festivos da roça e painéis com registros fotográficos e curiosidades sobre a trilha sonora ajudam a criar uma experiência sensorial e afetiva. Como parte do percurso, o público também pode assistir à exibição contínua do filme “Sertão em Festa” em uma sala de cinema montada dentro do museu.

Aberta ao público até março de 2026, a exposição se consolida como uma opção cultural para todas as idades durante o período de férias, reforçando o compromisso do Centro Max Feffer e do Instituto Jatobás com a valorização da cultura popular brasileira e da memória da música raiz.

Serviço – Exposição “Ser Tião Em Festa” – Museu Tião Carreiro

Em cartaz até março de 2026
Local: Centro Max Feffer Cultura e Sustentabilidade – Pardinho/SP
Entrada gratuita

O horário de funcionamento do Museu Tião Carreiro é de terça a domingo, das 10h às 18h. O telefone para contato e para agendar visitas é o (14) 99879-2760.

Para mais informações e conferir a programação completa, acompanhe as redes sociais oficiais @centromaxfeffer ou acesse o site institutojatobas.org.br

Sobre o Museu Tião Carreiro

O Museu Tião Carreiro é um espaço dedicado a preservar a memória do Rei do Pagode, celebrando sua trajetória e promovendo o reconhecimento da cultura de raiz. Localizado no Centro Max Feffer, o museu é gratuito e acessível ao público, sendo um ponto de referência para quem deseja se conectar com a história da música caipira.

O espaço também recebe grupos de escolas, empresas e organizações da região. As visitas são guiadas, gratuitas e realizadas exclusivamente às quartas-feiras. A experiência, com duração aproximada de 40 minutos, vai além da trajetória do artista, proporcionando aos participantes uma verdadeira imersão na cultura caipira e sua importância para a história e a identidade cultural brasileira.

Sobre o Instituto Jatobás

O Instituto Jatobás é uma organização com 20 anos de atuação em São Paulo que acredita na cultura e na educação como ferramentas fundamentais para a transformação social. Seu desafio central é a redução da desigualdade social, promovendo oportunidades para que mais pessoas conquistem autonomia e realizem seus projetos de vida, tornando-se protagonistas de suas próprias histórias. A instituição administra dois espaços dedicados à cultura e à educação: Centro Max Feffer e Fazenda dos Bambus e desenvolve programas e cursos focados na geração de renda e na inserção no mercado de trabalho.

Anvisa libera novo medicamento para fase inicial do Alzheimer

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou um novo medicamento, o Leqembi, para tratamento de pacientes diagnosticados na fase inicial da doença de Alzheimer. A aprovação foi publicada no Diário Oficial da União no dia 22 do mês passado.
O remédio, produzido com o anticorpo lecanemabe, é indicado para retardar o declínio cognitivo das pessoas que já apresentam demência leve causada pela doença.

Segundo o registro da Anvisa, o lecanemabe reduz as placas beta-amiloides no cérebro. O acúmulo dessas placas é uma característica definidora da doença de Alzheimer. O produto é uma solução para diluição para infusão.

A Anvisa divulgou que o medicamento teve a eficácia clínica avaliada em um estudo principal que envolveu 1.795 pessoas com doença de Alzheimer em estágio inicial, que apresentavam placas betaamiloides no cérebro e receberam o Leqembi ou placebo.

A principal medida de eficácia foi a mudança nos sintomas após 18 meses”, apontou a Anvisa. A avaliação ocorreu a partir de uma escala de demência denominada CDR-SB, utilizada para testar a gravidade da doença de Alzheimer em pacientes.

A escala inclui questões que ajudam a determinar o quanto a vida diária do paciente foi afetada pelo comprometimento cognitivo. Segundo o estudo, no subgrupo de 1.521 pessoas, os pacientes tratados com o novo medicamento apresentaram um aumento menor na pontuação CDR-SB do que aqueles que receberam placebo.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Reprodução

Homem procurado no Piauí é preso pela GCM após ataque de cão em Botucatu

Durante uma ação de patrulhamento preventivo no bairro Comerciários III, a Guarda Civil Municipal de Botucatu prendeu um homem de 42 anos que estava com dois mandados de prisão em aberto, expedidos pela Justiça do Estado do Piauí.

A equipe foi acionada para atender uma ocorrência envolvendo omissão de cautela na guarda de animal e lesão corporal. No local, uma idosa de 75 anos relatou ter sido mordida por um cachorro que havia escapado de uma casa vizinha após pular um muro por uma abertura. A vítima foi socorrida pelo SAMU, e os guardas orientaram quanto aos procedimentos legais para registrar a ocorrência.

Durante a checagem dos dados do tutor do animal, com apoio do Centro de Operações Integradas (COI), os agentes constataram que o homem era procurado pela Justiça da Comarca de Parnaíba (PI), respondendo por dois mandados: um por roubo (artigo 157) e outro por furto (artigo 155), este com pena definida em três anos e seis meses, ainda sem trânsito em julgado.

O tutor do cão foi orientado sobre suas responsabilidades, e o Canil Municipal foi acionado para as medidas necessárias em relação ao animal. O homem recebeu voz de prisão e foi conduzido à Delegacia de Investigações Gerais (DIG), onde a prisão foi formalizada.

Ele permanece à disposição da Justiça.

Lei endurece contra agressores que desrespeitarem medidas protetivas

A cada novo caso de feminicídio, o país é confrontado com a urgência de transformar proteção em efetividade. No Distrito Federal, foram registradas 27 vítimas no ano passado. Criadas para interromper esse hediondo ciclo de violência, as medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha funcionam como ordens judiciais imediatas para resguardar a integridade física, psicológica e patrimonial de mulheres ameaçadas, impondo restrições ao agressor, como o afastamento do lar e a proibição de contato. Com o recente endurecimento da legislação para quem descumprir a medida protetiva, a promessa é reforçar a segurança de quem vive sob risco constante.

Dos 27 casos de feminicídio, sete vítimas chegaram a solicitar Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) em algum momento, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF). Dentre elas, quatro tinham a proteção judicial em vigor no dia do crime. “Em todos os casos, isto é, das quatro vítimas com MPUs vigentes, todas coabitavam com o autor no momento do crime”, informou a pasta, ao destacar que a convivência com o agressor representa um fator de risco elevado.

De acordo com a SSP-DF, a coabitação reduz a eficácia da proteção. “Essa circunstância representa um fator de risco expressivo e reduz a efetividade de mecanismos de proteção baseados em distância, acionamento remoto e resposta rápida”.

Ainda segundo a pasta, nenhuma das vítimas estava inserida no Programa Viva Flor, aplicativo com botão de pânico, que envia alerta e localização em tempo real para a polícia. Desde a implementação, em 2018, 2.657 mulheres já foram assistenciadas, com 1.481 usuárias ativas, atualmente, no DF.

Em 2025, foram registrados 87 acionamentos voluntários, que resultaram em 64 prisões. “A ocorrência é tratada de forma prioritária, em uma espécie de ‘fura fila’, pois a mulher do Viva Flor não pode esperar. Nenhuma mulher regularmente incluída no programa foi vítima de feminicídio, desde a sua implementação, em 2018”, ressaltou a SSP-DF.

O que muda?

A Lei 15.280/2025 mudou, e agora endurece a resposta penal contra agressores que desrespeitarem medidas protetivas determinadas pela Justiça. A nova legislação tipifica de forma mais rigorosa o descumprimento dessas ordens, estabelecendo pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, o que representa um avanço na proteção das vítimas. Outro ponto relevante é que a concessão de fiança passa a ser de competência exclusiva do juiz, restringindo a possibilidade de soltura imediata e reforçando o caráter preventivo das medidas, ao desestimular a reincidência e aumentar a segurança de mulheres, crianças e demais pessoas em situação de vulnerabilidade. A mudança também tornou obrigatório o uso de tornozeleira eletrônica por agressores em saídas autorizadas do sistema prisional, inclusive em casos de feminicídio e crimes sexuais. Além de outras mudanças.

A alteração é, na prática, um pacote de atualização penal e processual, sobretudo quando envolvem pessoas em situação de vulnerabilidade. Ou seja, o endurecimento não se limita a subir a pena, ele reorganiza a resposta do Estado em punição, proteção imediata e monitoramento do acusado.

Ordem desafiada

Para o advogado criminalista e especialista em direito constitucional Vítor Sampaio, o foco da nova legislação está justamente no momento em que o risco à vítima costuma se agravar. “No DF, onde é lamentavelmente crescente o número de denúncias e de pedidos de medidas protetivas, esse tipo de reforço normativo importa, porque melhora a capacidade de o sistema reagir exatamente no momento em que o risco costuma aumentar: quando a ordem judicial é desafiada. Na prática, é na violação que o risco da vítima costuma escalar. Por isso, o legislador reforça o ‘cinturão de proteção’ em duas frentes: tipifica e endurece a punição do descumprimento e busca aumentar a efetividade das medidas”.

“Revisar leis é importante, mas é um equívoco tratar isso como solução principal. O que costuma falhar é a efetividade: fiscalização que não acontece, atendimento que revitimiza, investigação que não prioriza risco”, completa.

Para a especialista em direito da mulher Cristiane Britto, a legislação é apenas uma das camadas do enfrentamento. “A violência contra a mulher não é apenas um problema penal, ela é cultural e educacional”, afirma. Ela destaca que, no DF, a maioria dos casos de feminicídio é precedida por violência psicológica, ameaças e agressões. “Isso revela que o problema começa muito antes do crime final e está ligado a padrões de comportamento ainda tolerados socialmente”.

Na avaliação de Patricia Zapponi, presidente da Rede Internacional de Proteção à Vítima Laço Branco Brasil, o endurecimento da lei fortalece a proteção e a responsabilização do agressor, mas precisa vir acompanhado de informação. “Existem vítimas que, dependendo do vínculo com o agressor, acabam quebrando a medida protetiva. Por isso, precisamos conscientizar tanto as vítimas quanto os autores sobre a importância dessa medida e sobre o fato de que o descumprimento vai ensejar prisão”, defende.

Para a presidente, campanhas nacionais serviriam para explicar o que é a medida protetiva e por que ela deve ser respeitada por ambas as partes. “Nossa legislação é boa. O que falta é a informação chegar a quem precisa”.

A psicóloga Simone Arruda, especializada em saúde mental, ressalta que o retorno da mulher ao agressor muitas vezes está ligado a fatores emocionais profundos. “Não é que a mulher gosta de apanhar. Ela está inserida em um ciclo psicológico complexo, com dependência emocional, culpa e esperança de mudança”. Segundo ela, sair do ciclo de violência é uma questão de sobrevivência. “A medida protetiva é justamente para resgaurdar a vida e a integridade da mulher. Viver sob violência não é viver, é estar em alerta constante”.

Vítimas

Esse ciclo é vivido por mulheres que recorreram à Justiça, como Ana Paula*, que abriu uma medida protetiva há poucos meses. Ela relata mais de cinco anos de perseguição e violência psicológica. “Levei um tempo para entender todo o cenário. A perseguição começou a tomar proporções assustadoras e minha saúde mental estava em jogo”, conta. Apesar da proteção judicial, ela afirma que o medo permanece. “Vemos muitos episódios de mulheres que morrem após solicitar a protetiva. No meu caso, ele demorou muito para entregar as armas, e isso me deixou aflita”.

O agressor de Ana Paula a procurou após a medida protetiva. Segundo ela, ele arquitetou um plano para parecer que quem tinha ido atrás era ela. “Ele tentou forjar um descumprimento da minha parte, mas, graças a Deus, o Judiciário verificou a situação da forma correta e manteve a minha protetiva”. Ainda assim, reforça a importância de buscar ajuda. “O único caminho para sair dessa situação é procurando ajuda. Sair desse lugar sozinha é muito difícil e dá muito medo. Sem apoio é complicado. Terapia, polícia, advogado, tudo o que conseguir… e força, é o que as vítimas precisam”.

Já Luana* relata que a medida protetiva representou uma mudança radical em sua vida após anos de abusos físicos, psicológicos, morais e patrimoniais. Ela abriu a medida há menos de um mês. “A melhor coisa que eu fiz foi a medida. O cenário mudou completamente. Com contato zero, pararam as ameaças e a pressão psicológica”, afirma. Ela também passou a usar o aplicativo Viva Flor, que aciona a polícia em situações de risco. “Hoje me sinto muito mais segura. Todo mundo que tiver motivo, peça”, aconselha.

*O nome das entrevistadas foi alterado para preservar a segurança das vítimas

Fonte: Correio Braziliense
Foto: Reprodução

Novo guia orienta rastreamento do câncer de colo do útero

A Fundação do Câncer lançou nesta quinta-feira (8) nova versão atualizada do Guia Prático de Prevenção do Câncer de Colo do Útero, como parte do Janeiro Verde, mês de conscientização e prevenção da doença. O guia teve a primeira edição lançada em 2022, quando se falava de vacinação contra o HPV (papilomavirus humano), vírus que afeta a pele e as mucosas – a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo – e o rastreamento com o exame Papanicolau, que utilizava a citologia, método vigente à época.

A nova versão do guia visa a orientar profissionais de saúde na transição de rastreamento, que substituirá gradualmente o exame Papanicolau pelo teste molecular de DNA-HPV.

“Tanto a vacinação quanto o método de rastreamento receberam muitas mudanças nesse período, principalmente em 2025. Houve uma ampliação para vacinação do público-alvo contra o HPV”, disse a consultora médica da Fundação do Câncer, Flávia Miranda Corrêa.

Segundo ela, em relação ao rastreamento foram incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS), em 2024, os testes moleculares (DNA-HPV) para detecção do HPV oncogênico (tipos de HPV com potencial capacidade de causar câncer de colo do útero). A partir de setembro do ano passado, começou o processo de implementação”.

O processo de implementação dos testes moleculares para detecção do HPV oncogênico foi iniciado em setembro do ano passado, por meio de um núcleo criado na Secretaria de Atenção Especializada em Saúde, do Ministério da Saúde, e ocorrerá de forma gradativa, disse Flavia Corrêa, doutora em Saúde Coletiva da Criança e da Mulher pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (IFF/Fiocruz). Primeiro foram elencados municípios de 12 estados para começar essa implementação baseada.

Eles estão em diferentes estágios de evolução desse processo. Agora começaram as conversas com mais 12 estados para ter apoio do ministério e começar a implementação”. Flavia destacou que nos lugares em que o rastreamento molecular (DNA-HPV) não tiver chegado ainda, continuarão valendo as regras baseadas no rastreamento citológico (Papanicolau).

O guia atualizado da Fundação do Câncer já incorpora as recomendações das novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, aprovadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), que preveem a substituição gradual do exame de Papanicolaou pelo teste de DNA-HPV no SUS.

De acordo com o cirurgião oncológico e diretor executivo da Fundação do Câncer, Luiz Augusto Maltoni, enquanto o Papanicolau identifica alterações celulares quando elas já estão presentes, o novo exame molecular detecta a infecção pelo HPV, “ampliando a capacidade de detecção precoce e a efetividade das estratégias de prevenção”.

Público alvo

Flavia Corrêa informou que o público-alvo do novo exame de rastreamento DNA-HPV continua o mesmo no Brasil, abrangendo mulheres na faixa etária de 25 a 64 anos de idade. Outros países fixaram a idade inicial em 30 anos. Após estudos, o Brasil decidiu manter o que já estava consolidado no país, principalmente para não ter os dois métodos sendo usados concomitantemente em uma mesma unidade de saúde. “As duas técnicas não podem coexistir, porque senão vai haver muita confusão e, inclusive, a possibilidade de serem feitos os dois testes na mesma mulher”, explicou.

A periodicidade dos testes também é diferente. Na citologia, ele tem de ser repetido de três em três anos após um resultado negativo, depois de dois resultados negativos feitos no intervalo de um ano.

“Os primeiros exames são anuais e, a partir daí, são trienais”. Com o exame molecular (DNA-HPV), mais sensível, sabe-se que 99% das mulheres têm teste negativo, não têm HPV, não têm lesão precursora nem câncer e, por isso, pode-se ampliar o intervalo do rastreamento para cinco anos. Essa diferença é justificada pela maior sensibilidade do teste HPV.

Entre as mulheres que tiverem resultado positivo para os tipos mais perigosos e responsáveis por 70% dos casos de câncer de colo do útero, que são o HPV 16 e 18, em que há mais risco de lesão precursora de câncer, o encaminhamento para exame de colposcopia é imediato. A colposcopia permite, por meio de lentes de aumento, visualizar o colo do útero e a vagina de forma ampliada e detalhada e, com o uso de alguns reagentes, detectar lesões precursoras da doença.

Flavia Corrêa disse ainda que além do HPV 16 e 18, existe um grupo de mais dez tipos de HPV, considerados pela Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc) responsáveis por 30% dos casos de câncer de colo de útero. As mulheres com resultado positivo para outros tipos de HPV oncogênico terão a citologia reflexa processada no mesmo material coletado para o teste molecular. Caso a citologia apresente alterações, essas pacientes também serão encaminhadas para colposcopia. Mas se a citologia for normal, se não tiver nenhuma alteração, a paciente repete o teste de HPV em um ano, em vez de cinco anos, porque está em risco intermediário entre a mulher que tem HPV 16 e 18 positivo e aquela que apresenta teste negativo.

Pilares

O Brasil aderiu à Estratégia Global para a Eliminação do Câncer de Colo do Útero, lançada em 2020 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e assumiu metas até 2030 que incluem vacinar 90% das meninas até 15 anos de idade, rastrear 70% das mulheres com teste molecular e tratar 90% das pacientes diagnosticadas com lesões precursoras ou câncer.

Flavia Corrêa destacou que a vacinação das meninas é a forma mais eficaz de prevenir o câncer de colo do útero “porque simplesmente não tendo uma infecção por HPV, o câncer não ocorre. É o que a gente chama de prevenção primária”. Com a pandemia de covid-19 e, nos anos seguintes, com o movimento muito forte antivacina, a cobertura caiu. Agora, o Programa Nacional de Imunização (PNI) faz grande esforço em relação à meta de 2030 e, desde o final do ano passado, com duração prevista até o final do primeiro semestre de 2026, está fazendo o resgate dos adolescentes entre 15 e 19 anos que não foram vacinados até o momento contra o HPV.

“Vai ser uma medida muito importante, porque a gente sabe que quanto mais cedo a criança ou adolescente for vacinado contra o HPV, maior é a imunidade que se desenvolve”.

Disponível no SUS desde 2014, a vacina quadrivalente protege contra os tipos mais frequentemente associados ao desenvolvimento do câncer de colo de útero. No Brasil, meninas e meninos de 9 a 14 anos recebem dose única contra o HPV.

O segundo pilar é o rastreamento, que ganha força com a incorporação do teste molecular DNA-HPV. A consultora médica da Fundação do Câncer salientou que, ao contrário do Papanicolau, com subjetividade muito grande pelo fator humano e que pode apresentar resultados falsos positivos como negativos, o exame molecular (DNA-HPV) é automatizado e tem 99% de segurança, se der negativo, de que a pessoa não tem nem vai ter lesão precursora ou câncer no período de cinco anos ou mais. “Essa mudança aproxima o Brasil de países como a Austrália, referência mundial, que já registrou quedas expressivas na incidência da doença após adotar o novo exame como principal método de rastreamento”, afirmou Flavia.

O terceiro pilar é o tratamento oportuno, que completa a estratégia da OMS. Ele inclui desde o manejo adequado de lesões precursoras até o acesso rápido ao tratamento oncológico para os casos já avançados, assegurando que mulheres identificadas com alguma alteração recebam o cuidado necessário de forma rápida e efetiva. Se for confirmado o diagnóstico de lesão precursora ou câncer e a mulher não for submetida a tratamento, se rompe um elo dessa cadeia e não se está fazendo prevenção, disse a médica.

“Não basta só mudar o teste. Toda a rede de cuidado e prevenção do câncer do colo do útero tem que estar estruturada”.

Prioridades

Flavia lembrou que a vacinação gratuita contra o HPV está disponível no SUS também para grupos prioritários como pessoas com HIV/Aids, transplantados, pacientes oncológicos e vítimas de abuso sexual (9 a 45 anos), além de usuários de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), medicamento antirretroviral tomado por pessoas sem HIV para prevenir a infecção. Para mulheres na faixa de 20 a 45 anos, a vacina não está incorporada ao SUS e elas terão de recorrer ao setor privado de saúde. A partir dos 20 anos, a vacina é dividida em três doses e a decisão deve ser compartilhada entre a mulher e o profissional de saúde que a acompanha, para avaliação dos benefícios.

Como participante do Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes da OMS: Atualização das Recomendações de Rastreamento e Tratamento da OMS para prevenir o câncer de colo do útero”, Flavia Corrêa admitiu que os profissionais do sexo ainda não estão incluídos nos grupos de vacinação no SUS. Mas, como representam um grupo de risco maior, ela acredita na possibilidade de virem a ser incluídos na expansão da vacinação contra o HPV.

Fonte:Agência Brasil

Foto: Reprodução/João Risi