Saúde

Expansão e avanço na assistência: HCFMB terá 20 novos leitos de UTI

O Serviço Especializado de Terapia Intensiva (SETI) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), referência regional no atendimento dos mais diversos casos considerados graves, ampliará sua capacidade em mais 20 novos leitos, habilitados e custeados pelo Ministério da Saúde.

A última ampliação de leitos de UTI no HCFMB foi feita em 2007. Desde então, o SETI contava com 30 leitos, sendo 08 leitos na Ala I, conhecida como UTI do Pronto Socorro Referenciado (PSR); 16 na Ala II, conhecida também como UTI Central, e 06 na UTI Coronariana. Cerca de cinco mil pacientes foram atendidos no SETI neste período.

A expansão totaliza 50 leitos de UTI adulto no HCFMB e garante o aumento da oferta assistencial aos pacientes que necessitam de cuidados intensivos na região que o HCFMB atende, que abrange cerca de dois milhões de pessoas.

“No nosso hospital, nosso objetivo é sempre melhorar a assistência ao paciente. Com certeza, a gestão atual do HCFMB traz um importante avanço na assistência para a nossa região”, afirma Dra. Erika Ortolan, Diretora de Assistência do HCFMB.

A abertura de novos leitos de UTI impacta também na reavaliação do espaço físico, aquisição de respiradores mais modernos e contratação de uma equipe multidisciplinar especializada.  A abertura dos novos leitos está previsto para o próximo mês.

Para a Chefe do SETI do HCFMB, Dr.ª Patrícia Polla, o  reconhecimento do trabalho do Serviço é motivo de orgulho. “Agradeço a oportunidade de poder ampliar a assistência a mais pacientes que necessitam do cuidado intensivo. Saber que mais pessoas poderão usufruir da maior chance de recuperação através do cuidado intensivo nos traz nesse momento o impulso que faltava para sempre seguirmos em frente”, diz.

“O HCFMB é uma hospital que mesmo com suas dificuldades, não para de crescer. Esta expansão de leitos mostra mais uma vez nosso potencial de atendimento e valoriza ainda mais nossa assistência”, finaliza o Superintendente do HCFMB, Dr. André Balbi.

 

Fonte: Jornal do HCFMB

Saúde monta drive-thru de vacinação da 4 ª dose em idosos neste sábado, 12, em Botucatu

Neste sábado, 12, a Secretaria Municipal de Saúde terá um ponto de vacinação contra a Covid-19 montado no Largo da Catedral, em formato drive-thru.

As equipes aplicarão a 2ª dose de reforço (4ª dose) em idosos com 60 anos ou mais, das 8 às 13 horas.

Os cidadãos deverão comparecer aos locais portando documento de identificação (RG, CNH ou Passaporte), CPF, e a carteirinha de vacinação, podendo ser também o comprovante digital nos aplicativos do Poupatempo ou ConecteSUS. Estes também devem ter tomado as doses anteriores em Botucatu (pelo menos a 3ª dose).

Nota técnica da Comissão de Enfrentamento a Covid-19 AQUI

 

Mais informações:

Secretaria Municipal de Saúde

Rua Major Matheus, 07, Vila dos Lavradores

Telefone: (14) 3811-1100

Botucatu terá postos de saúde abertos para atendimento contra covid-19 neste fim de semana

Neste sábado, 12, e domingo, 13, Unidades de Saúde de Botucatu abrirão as portas para o atendimento de pessoas com síndrome gripal ou possíveis sintomas de Covid-19.

No sábado, as Unidades da Vila Jardim, Caimã, Vila Ferroviária, Cohab 1 e Vitoriana funcionarão das 09 às 16 horas com o atendimento e também realizando a testagem rápida de antígeno. O Hospital do Bairro, na Vila dos Lavradores, também fará estes atendimentos e testagem.

Já no domingo, abrirão para o público as Unidades de Saúde da Cecap, do Jardim Cristina e também o Hospital do Bairro.

Todos os cidadãos de Botucatu que porventura apresentarem sintomas característicos de Covid-19, como tosse, coriza, gripe, dor de cabeça, diarreia, febre, entre outros, devem procurar primeiramente uma dessas Unidades de Saúde, a fim de que os prontos socorros da Cidade recebam apenas casos graves, desafogando assim o atendimento.

Excepcionalmente neste sábado, 12, e domingo, 13, essas Unidades não farão a aplicação de vacinas.

Mais informações:
Secretaria Municipal de Saúde
Rua Major Matheus, 07, Vila dos Lavradores
Telefone: (14) 3811-1100

Como ter longevidade com qualidade?

O brasileiro, a cada ano, tem aumentado a sua longevidade. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020, a expectativa de vida subiu para uma média de 76,8 anos. Estudos do órgão ainda informam que em 2050, por exemplo, o Brasil terá 30% de sua população com idade acima dos 60 anos. Os números são marcantes ao ponto de sabermos que, nas próximas duas décadas, o percentual de idosos no Brasil, que hoje é de 13% da população, tende a dobrar. Além disso, a partir de 2047 a população deverá parar de crescer, contribuindo para o processo de envelhecimento populacional – quando os grupos mais velhos ficam em uma proporção maior comparados aos grupos mais jovens da população.

 

Com o envelhecimento natural da população, surge cada vez mais a preocupação de viver uma velhice com qualidade, em que a pessoa ainda consiga ser ativa nos próximos 20 a 30 anos vindouros. A terceira idade, inclusive, tem movimentado muito o ramo dos negócios. Seja pela reinserção no mercado de trabalho através da chamada “economia prateada”, ou pelo surgimento de empresas voltadas para a saúde, o bem-estar e, sobretudo, para oferecer lazer para esse público. A exemplo, temos a rede de franquias de cuidadores de pessoas Cuidare Brasil, criada há cinco anos pelo casal Izabelly Miranda, enfermeira e diretora técnica da rede, e Etevaldo de Miranda Jr., CEO da Cuidare. Hoje, a marca conta com cerca de 80 unidades espalhadas por 22 estados brasileiros.

 

Segundo Izabelly, a Cuidare surgiu de uma necessidade latente de mão de obra especializada nos cuidados assistenciais aos idosos. De acordo com a enfermeira, “o cuidador de idoso qualificado, dever ter um curso técnico de enfermagem, conhecer os primeiros socorros para o caso de uma emergência, ser muito paciente e gostar do que faz” e, a reunião destas características é fundamental para a qualidade de vida na terceira idade. Ela ainda aponta que, dentre as necessidades mais importantes para um envelhecimento saudável, estão:

 

  • Saúde: a importância do acompanhamento de um geriatra é fundamental para uma velhice saudável;
  • Exercícios Físicos: com acompanhamento de um profissional da área para realizar atividades como caminhada, hidroginástica, pilates, etc., ajudam muito no equilíbrio, na boa condição cardíaca e na resistência respiratória e muscular;
  • Companhia: é fundamental para a saúde mental do idoso ter companhia. Morar sozinho é algo que o idoso deve evitar, pois dificulta muito a longevidade do mesmo, a sua condição mental e suas necessidades físicas. Por isso, ter o carinho e a companhia da família, de um parente ou de um cuidador fará grande diferença.

Por estes motivos que, atualmente, as famílias buscam os cuidadores de empresas específicas nos cuidados assistenciais, uma vez que estas conseguem fornecer ao mercado profissionais com um nível de capacitação cada vez mais elevado, sendo inclusive, uma das profissões que mais crescem no Brasil. Entretanto, é preciso estar atento a quem você contrata para cuidar de um ente querido. Um bom cuidador de idosos, precisa ter características básicas como idoneidade, estabilidade emocional e capacidade de criar vínculos.

– A assistência da Cuidare não está pautada em apenas preparar um cuidador técnico, torna-se fundamental estruturar as intervenções junto a esse cuidador. Os estímulos à autonomia, autocuidado e independência são considerados também bastante relevantes. Outro aspecto essencial na assistência é sempre levar em consideração os anseios morais, características culturais existentes, pois resultará em uma relação de vínculo mais leve e prazerosa – finaliza Izabelly.

Para saber mais sobre os serviços e modelos de negócios da Cuidare Brasil, acesse: www.cuidarebr.com.br

 

Fonte: Gabriela Araújo

 

OAB SP promove debate sobre o direito à vacinação de crianças contra a Covid-19

A Ordem dos Advogados do Brasil seção São Paulo (OAB SP), por meio de sua Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, promove na próxima quinta-feira (10), às 17h, a videoconferência “Vacinação contra Covid-19 para crianças: Direito e saúde”, com transmissão ao vivo pela Web TV OAB SP.

A mediação será da presidente da comissão, Isabella Henriques. A presidente da Secional, Patricia Vanzolini, integra a lista de debatedores. O evento conta com os apoios das comissões de Ação Social e de Cultura e Eventos. Para receber certificado de participação, inscreva-se na plataforma Sympla [https://bit.ly/3B5g2Qr].

Palestrantes

Eduardo Dias – doutorado e mestrado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), especialização em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo (USP),  professor de Direitos Humanos com ênfase em Infância e Juventude da PUC-SP, integrante do corpo docente dos cursos de especialização da escola superior do Ministério Público de São Paulo (MPSP), é  também 42º procurador de justiça cível do MPSP, membro do Grupo Pediatria Legal da Sociedade de Pediatria de São Paulo e membro da Comissão de Ética em Pesquisa no Uso de Animais da Faculdade de Ciências Humanas e da Saúde (CEUA/FCHS) da PUC-SP; Richard Pae Kim – conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, supervisor do Comitê do Fórum Nacional do Poder Judiciário para monitoramento e resolução das demandas de assistência à saúde e doutor em Direito pela USP; Andreia Souto-Marchand – fundadora do Coletivo de Mães Cientistas e coordenadora do núcleo de Pesquisadores e Universitários Brasileiros em Houston (PUB-Houston); Renato Kfouri – presidente do departamento de imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, membro da câmara técnica assessora do Programa Nacional de Imunizações e pediatra infectologista; Alexsandro Santos – doutor em Educação pela USP e mestre em Educação: História, Política, Sociedade pela PUC-SP, diretor-presidente da Escola do Parlamento e professor do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Programa de Mestrado Profissional em Formação de Gestores Educacionais da Universidade Cidade de São Paulo (Unicid), cumpre estágio pós-doutoral junto ao Programa de Estudos Pós-Graduados em Administração Pública e Governo (EAESP-FGV) e junto ao Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia da Educação da PUC-SP; Ana Cláudia Cifali – advogada, mestre em Cultura de Paz, Conflitos, Educação e Direitos Humanos pela Universidad de Granada (UGR), mestre e doutora em Ciências Criminais pela PUC do Rio Grande do Sul.

Serviço

Webinar – Vacinação contra Covid-19 para crianças: Direito e saúde;

Quando: 10/02/2022, às 17h;

Onde: plataforma Zoom e youtube.com/webtvoabsp.

Prefeitura amplia 4ª dose contra Covid-19 para idosos com 60 anos ou mais

A Secretaria Municipal de Saúde abre todas as Unidades de Saúde do Município para, a partir desta segunda-feira, 07, vacinar com a 4ª dose da vacina contra a Covid-19, idosos com 60 anos ou mais, que tenham tomado a 3ª dose há pelo menos 4 meses.

As Unidades de Saúde funcionam de segunda a sexta-feira, das 8 às 16h30. Já a Sala de Vacinação Noturna, instalada no Centro de Saúde Escola da Vila dos Lavradores, funciona também de segunda a sexta-feira, das 18 às 21h30.

Os cidadãos deverão comparecer aos locais portando documento de identificação (RG, CNH ou Passaporte), CPF, e a carteirinha de vacinação, podendo ser também o comprovante digital nos aplicativos do Poupatempo ou ConecteSUS. Estes também devem ter tomado as doses anteriores em Botucatu (pelo menos a 3ª dose).

Os idosos com 70 anos ou mais, que não compareceram às ações de vacinação no último domingo, 06, também poderão procurar os postos de saúde para se imunizarem.

Nota técnica da Comissão de Enfrentamento a Covid-19 AQUI

 

Mais informações:

Secretaria Municipal de Saúde

Rua Major Matheus, 07, Vila dos Lavradores

Telefone: (14) 3811-1100

 

Fonte: Secretaria Municipal de Saúde

Câncer de intestino é o terceiro em incidência e com tendência de aumento

Quase 30% dos casos podem ser evitados com alimentação saudável, atividade física e distância do cigarro e álcool
Um tipo de câncer, que atinge homens e mulheres, vem preocupando as autoridades de saúde no Brasil. É o de intestino, também chamado de colorretal, que já é o terceiro em incidência na população, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca). São aproximadamente 40 mil novos casos diagnosticados por ano em ambos os sexos. Desse total, cerca de 30% ocorrem devido a fatores comportamentais, como má alimentação, tabagismo, consumo de álcool e falta de atividade física. Ou seja, poderiam ser evitados. Neste 4 de fevereiro, Dia Mundial de Combate ao Câncer, é importante discutir prevenção e diagnóstico dessa doença.
Isso porque, geralmente quando este tipo de carcinoma se manifesta, já está razoavelmente grande. “Fatores genéticos e o envelhecimento não temos como mudar. Porém os bons hábitos de vida, todos podemos adotar para prevenir o câncer de intestino e uma infinidade de outras doenças”, frisa o oncologista Alexandre Gomes, diretor nacional de Oncologia do Sistema Hapvida.
“A manutenção do peso corporal adequado, a prática de atividade física, assim como a alimentação saudável são fundamentais para a prevenção do câncer de intestino”, afirma Gomes. Uma alimentação saudável, reforça ele, é composta, principalmente, por alimentos in natura e minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, cereais integrais, feijões e leguminosas, grãos e sementes. Além disso, deve-se evitar o consumo de carnes processadas (salsicha, mortadela, linguiça, presunto, bacon, blanquet de peru, peito de peru e salame) e limitar o consumo de carnes vermelhas até 500 gramas do alimento cozido por semana.
“Com esse padrão de alimentação, que é rico em fibras, além de promover o bom funcionamento do intestino, também ajuda no controle do peso corporal. Manter o peso dentro dos limites da normalidade e fazer atividade física, movimentando-se diariamente ou na maior parte da semana, são fatores importantes para a prevenção deste tipo de câncer. Além disso, não fumar e nem se expor ao tabagismo”, ressalta o oncologista.
Mas mesmo com hábitos de vida saudável, é importante estar atento ao funcionamento do organismo para, em caso de a pessoa desenvolver câncer de intestino, desconfiar o quanto antes e procurar atendimento médico. “Os sintomas mais frequentemente associados à doença são sangue nas fezes, alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados), alteração na forma das fezes (fezes muito finas e compridas), dor ou desconforto abdominal, fraqueza e anemia, perda de peso sem causa aparente e massa (tumoração) abdominal”, alerta Alexandre Gomes.
O médico lembra que o risco de desenvolver câncer de intestino aumenta ao envelhecer. Cerca dos 90% dos casos ocorrem acima dos 50 anos. Por isso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que os países com condições de garantir a confirmação diagnóstica, referência e tratamento, realizem o rastreamento do câncer de cólon e reto em pessoas acima de 50 anos, por meio do exame de sangue oculto de fezes. Caso o teste seja positivo, ou seja, constate o sangue oculto, a pessoa deverá fazer uma colonoscopia. Fechado o diagnóstico do câncer de intestino, o tratamento é a retirada cirúrgica da lesão.

Sobre o Sistema Hapvida
Com mais de 7,4 milhões de clientes, o Sistema Hapvida hoje se posiciona como um dos maiores sistemas de saúde suplementar do Brasil presente em todas as regiões do país, gerando emprego e renda para a sociedade. Fazem parte do Sistema as operadoras do RN Saúde, Medical, Grupo São José Saúde, Grupo Promed, Premium Saúde, além da operadora Hapvida e da healthtech Maida. Atua com mais de 38 mil colaboradores diretos envolvidos na operação, mais de 15 mil médicos e mais de 15 mil dentistas. Os números superlativos mostram o sucesso de uma estratégia baseada na gestão direta da operação e nos constantes investimentos: atualmente são 49 hospitais, 203 clínicas médicas, 49 prontos atendimentos, 176 centros de diagnóstico por imagem e coleta laboratorial.

 

 

 

 

Pesquisadores de Araraquara e Botucatu participam de estudo global para sequenciamento de 10 mil genomas de Salmonella

Salmonella já é reconhecida como um dos principais problemas de saúde do mundo. Dados do estudo Global Burden Disease de 2017, um levantamento de problemas de saúde no planeta organizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS),  atribuem a este grupo de bactérias mais de 50 mil mortes e 95 milhões de infecções anuais em todo o mundo. Só este ano, um surto nos Estados Unidos varreu 25 estados. A bactéria causadora foi transmitida através de dragões-barbudos, animais exóticos que têm sido cada vez mais adotados como mascotes domésticas por lá. A relação afetiva baixou a guarda dos proprietários, criando a brecha para contaminações em série, que atingiram 44 pessoas e causaram 15 hospitalizações.

E há motivos para pensar que o número de contaminações e mortes pode crescer no futuro. A OMS já expressou sua preocupação com o crescimento da resistência a substâncias antimicrobianas em microrganismos causadores de doenças, um processo associado ao uso indiscriminado de antibióticos nos tratamentos de saúde e na criação animal, e que tem se intensificado nos últimos anos. As projeções sugerem que, até 2050, as doenças resistentes a agentes antimicrobianos poderão causar mais de 10 milhões de mortes anuais, se nada for feito para reverter esse quadro. Desse total, boa parte terá a Salmonella como causa.

Agora, um ambicioso projeto, denominado 10 k Salmonella Genome, está reunindo mais de 60 pesquisadores de todo o mundo para ampliar nosso conhecimento genético sobre o microrganismo. No total, o projeto já sequenciou mais de 10 mil diferentes cepas diferentes. Entre os integrantes estão dois grupos de pesquisadores da Unesp, das unidades de Araraquara e Botucatu. Os primeiros resultados do projeto foram publicados em dezembro na revista científica BMC Genome Biology.

À frente do projeto estão Jay Hinton, do Instituto de Ciências Ecológias, Veterinárias e de Infecções da Universidade de Liverpool, e Neil Hall, diretor do Instituto Earlham, um centro de pesquisas na Inglaterra. A equipe de pesquisadores coordenada por Hinton e Hall na Inglaterra desenvolveu uma metodologia mais acessível para a realização do sequenciamento, em larga escala, dos genes das diversas cepas do gênero Salmonella.

Os colaboradores de outros países enviaram amostras de Salmonella coletadas em suas regiões ao Reino Unido, onde foram sequenciadas. O professor de microbiologia Cristiano Gallina Moreira, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp Araraquara, é o representante do Brasil no projeto. Ele contou com a ajuda dos pesquisadores Rodrigo Tavanelli Hernandes, Terue Sadatsune e Adriano Martison Ferreira para selecionar cepas de Salmonella isoladas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB).

Dados confirmam presença de cepa virulenta no Brasil

Ao todo, foram sequenciadas 49 cepas de Salmonella oriundas do HCFMB. Após a seleção, as bactérias foram ‘rompidas’ e seu material genético foi extraído e enviado para Liverpool, para que o sequenciamento fosse realizado. As informações genéticas agora estão disponíveis e poderão ser analisadas pela comunidade científica internacional.

Além de possibilitar comparações entre as cepas brasileiras e estrangeiras, o grande espaço de tempo entre as diferentes amostras isoladas no Hospital permite que se investiguem indícios de evolução nas bactérias locais. “A nossa amostra mais antiga é de 1998 e a mais recente, dentre o material que enviamos para Liverpool, é de 2017. É um período longo”, diz Rodrigo Hernandes, do Departamento de Microbiologia e Imunologia do Instituto de Biociências de Botucatu.

Outra característica peculiar é que as amostras das cepas enviadas pelos pesquisadores unespianos foram extraídas e isoladas a partir do sangue de pacientes contaminados. Geralmente, as amostras de Salmonella são isoladas a partir das fezes, visto que estas bactérias geram infecções gastrointestinais e são eliminadas pelo trato digestivo. A presença delas no sangue, portanto, demonstra um grau maior de complexidade, pois significa que romperam a barreira do intestino e ocuparam a corrente sanguínea. Os motivos para tal fenômeno, segundo Cristiano Moreira, “ainda não foram explicados pela literatura da área” e também são objetos de estudos de seu grupo de pesquisa.

 

Um dos primeiros resultados observados a partir do sequenciamento dessas ‘amostras de sangue’ é a presença de bactérias de Salmonella da sorovariedade Typhimurium e tipo clonal ST313. Esta rara sublinhagem é mais resistente a antibióticos, possui uma taxa de mortalidade superior a 25% e, há menos de uma década, era reportada quase que exclusivamente na África Subsaariana.  Num estudo de 2017, Moreira, ao lado de pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP Ribeirão Preto, já havia localizado amostras de ST313 no Brasil, fornecidas pelo Instituto Adolf Lutz de Ribeirão Preto e pela Fiocruz. Agora, a presença deste sorotipo na coleção do HCFMB recém-sequenciada confirma que ele circula no país em maior quantidade e já há algum tempo, e nesta forma de infecção diferenciada, a partir do sangue.

Combate à Salmonella é estratégico para o Brasil

No Brasil, a Salmonella foi a principal responsável pelos surtos de doenças de transmissão hídrica e alimentar (DTHA) de 2007 a 2019, nas ocasiões em que o patógeno responsável pelas infecções foi identificado. Essas bactérias foram a causa de 812 dos 3.275 surtos cujas origens foram identificadas, o equivalente a 24% do total. No mesmo período, ocorreram outros 5.755 surtos cujos agentes não foram desvendados, o que levanta a suspeita, entre as autoridades sanitárias, de que o estrago causado pelo microrganismo possa ser ainda maior.

Outro fato que alimenta a preocupação das autoridades médicas e sanitárias é o fato de que o Brasil é um dos principais produtores mundiais de proteína animal, exportando seus produtos para dezenas de países. “A Salmonella é um grande problema, principalmente para a indústria alimentícia, porque é uma bactéria amplamente distribuída na natureza. Qualquer animal, seja de sangue quente ou frio, pode ser um portador. Então, desde animais de produção até ‘pets’ podem representar risco”, diz Juliano Gonçalves Pereira, especialista em inspeção sanitária de alimentos e professor da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) de Botucatu. “E como ela está distribuída no ambiente, também é possível contaminar vegetais: um melão pode cair no chão e contaminar-se com fezes de um animal que a portava. É uma cadeia complexa, e todos esses fatores fazem com que essa bactéria seja um dos principais patógenos do mundo.”

Para diminuir os riscos, os governos criam regulamentações e promovem inspeções nas indústrias alimentícias, a fim de verificar as condições sanitárias dos produtos que vão ocupar as prateleiras dos supermercados. As próprias indústrias, por sua vez, também possuem programas de autocontrole, onde elas mesmas cuidam das análises. Entretanto, segundo Pereira, ainda assim é possível que haja contaminação em outras etapas do processo: “a contaminação pode vir da ração e das ‘camas’ onde os animais ficam, de roedores que habitam o local e têm acesso ao ambiente de produção e das aves silvestres que o sobrevoam. Até insetos podem carrear o patógeno”.

Outra estratégia adotada pela indústria para controlar a presença bacteriana na produção passa pela utilização de antibióticos para o tratamento dos animais envolvidos. O uso intensivo desses medicamentos, entretanto, é um dos maiores responsáveis pelo aumento da resistência bacteriana aos antimicrobianos no longo prazo. “Vários estudos mostram que, com essa pressão para a utilização de antibióticos na cadeia de produção, as bactérias estão se tornando resistentes”, diz Pereira.

Para ele, é por meio de projetos como o 10k Salmonella Genomes e outras iniciativas de pesquisa  semelhantes que os cientistas podem encontrar formas de combater a contaminação por Salmonella, ao seguirem “estudando muito, dimensionando o real problema e propondo soluções de acordo com as novas descobertas”.

Moreira explica quais serão os próximos passos das pesquisas. “Temos agora uma coleção sequenciada que poderemos comparar com coleções prévias para investigar questões como ‘será que as amostras do Brasil têm fatores de virulências distintos de amostras de outros países?’. Será que essas cepas incomuns, que ganham a corrente sanguínea, têm alguma coisa diferente? Acho que é mais ou menos isso que os pesquisadores vão buscar a partir de agora.” O microbiólogo já está conduzindo estudos baseados nesses sequenciamentos, entre eles uma tese de doutorado com enfoque na comparação das cepas de Botucatu com as de outros países. “Agora vem a parte mais difícil de se fazer pesquisa no Brasil: obter o fomento para viabilizar estes estudos que vão gerar abordagens mais profundas e, consequentemente, mais significativas para a sociedade.”

 

Fonte: Jornal da Unesp