Pronto-Socorro Adulto expõe uso político de cargos e salários elevados na “fiscalização” da saúde em Botucatu

 

Em meio a uma série de denúncias sobre o atendimento no Pronto-Socorro Adulto (PSA) de Botucatu, a Prefeitura decidiu nomear e manter três assessores políticos atuando diretamente dentro da unidade de saúde. A justificativa oficial é de que eles exerçam funções de “fiscalização” e contribuam para a “humanização” do atendimento.

A medida ocorre após reportagens da Rede Alpha de Comunicação revelarem o recebimento de dezenas de reclamações semanais, principalmente relacionadas à demora no atendimento aos pacientes.

Os três nomeados fazem parte da base política do prefeito Fábio Leite e têm em comum o fato de não terem sido eleitos nas eleições municipais de 2024. São eles: Fernando Aparecido Carmoni, Assessor de Gabinete II; Antonio Carlos Francisco, conhecido como Biro Árbitro, Assessor de Gabinete I; e Dáurio Pereira de Oliveira, nomeado como Subprefeito de Vitoriana. Todos são servidores comissionados, com salários pagos com recursos públicos, cujos dados constam no Portal da Transparência Municipal.

Apesar dos cargos formais, os três assessores desempenham atividades dentro do Pronto-Socorro Adulto que não guardam relação direta com suas atribuições legais. Segundo apuração da Rede Alpha, a atuação chamada de “humanização” se resume a tarefas operacionais, como empurrar cadeiras de rodas, macas, distribuir copos descartáveis e circular pelo hospital abordando pacientes — muitas vezes conhecidos pessoais — questionando “se poderiam ajudar”, o que gera desconforto e a percepção de possível favorecimento indevido no atendimento.

O caso mais emblemático envolve Dáurio Pereira de Oliveira, que consta na folha de pagamento da Prefeitura como Subprefeito de Vitoriana, com carga horária de 40 horas semanais e salário mensal de R$ 7.445,56, lotado formalmente na Secretaria Municipal de Saúde. No entanto, durante visita do jornalista Fernando Bruder à Subprefeitura de Vitoriana, a secretária informou não conhecer o subprefeito, afirmando que outra pessoa exerceria a função, sem presença diária no local. Apesar disso, Dáurio cumpre escala noturna no Pronto-Socorro Adulto, exercendo atividades alheias à função de subprefeito.

 

Situação semelhante ocorre com Antonio Carlos Francisco (Biro Árbitro), servidor vinculado à Secretaria de Esportes, nomeado como Assessor de Gabinete I, com salário mensal de R$ 7.460,89. Mesmo não sendo da área da saúde, ele atua em escala vespertina no PSA, desempenhando as mesmas funções informais de “humanização”.

Fernando Aparecido Carmoni, Assessor de Gabinete II, está lotado oficialmente no Gabinete do Prefeito e recebe R$ 4.602,17 por 40 horas semanais. Ele atua diariamente no período da manhã dentro do Pronto-Socorro Adulto, também vinculado ao serviço de “humanização”, sem formação técnica ou atribuição legal na área da saúde.

A presença constante desses três assessores políticos dentro do hospital tem causado desconforto entre médicos, funcionários e pacientes. Eles transitam livremente por áreas internas da unidade, inclusive locais de acesso restrito, o que levanta questionamentos sobre segurança, sigilo médico e possível acesso indevido a informações sensíveis dos prontuários dos pacientes. Em diversas ocasiões, segundo relatos, a equipe da Rede Alpha foi abordada pelos assessores ao comparecer ao local para apurar denúncias de atraso e falhas no atendimento.

Outro ponto que tem gerado forte indignação popular é o custo mensal dessa estrutura paralela. Somados, os salários dos três assessores totalizam R$ 19.508,62 por mês, o que representa um gasto anual de aproximadamente R$ 234 mil aos cofres públicos. Considerando os quatro anos da atual gestão municipal, o custo estimado dessa função informal chega a cerca de R$ 936 mil, valor que, segundo especialistas da área, seria suficiente para custear centenas de plantões médicos ao longo do mesmo período.

Tudo isso ocorre em um momento em que médicos e profissionais da saúde denunciam salários defasados, sobrecarga de trabalho e precarização do atendimento no Pronto-Socorro Adulto. Diante do cenário, cresce a cobrança da população por explicações claras da Prefeitura de Botucatu sobre a legalidade, a necessidade e a real efetividade da atuação desses assessores, bem como sobre os critérios adotados para a utilização de recursos públicos em meio a uma crise que afeta diretamente a vida dos pacientes.

A Rede Alpha de Comunicação segue acompanhando o caso e aguarda posicionamento oficial da Prefeitura, do prefeito Fábio Leite e dos órgãos de controle e fiscalização.

Sobre Fernando Bruder

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