A Corrida de São Silvestre celebrou nesta quarta-feira (31) seu centenário com uma manhã de pura emoção e recorde de participantes nas ruas de São Paulo. Concebida pelo jornalista Cásper Líbero e realizada pela primeira vez em 31 de dezembro de 1925, a prova pedestre completou 100 edições e consagrou vitórias internacionais: Sisilia Ginoka Panga, da Tanzânia, dominou a corrida feminina, enquanto Muse Gizachew, da Etiópia, conquistou a vitória masculina em uma dramática disputa nos metros finais.
Panga cruzou a linha de chegada em 51min07, mostrando superioridade frente às concorrentes, seguida pela queniana Cynthia Chemweno (52min30). A melhor brasileira foi Núbia de Oliveira Silva, terceira colocada com 52min42. No masculino, a disputa foi eletrizante: Jonathan Kipkoech, do Quênia, liderava até os últimos 50 metros, mas foi ultrapassado por Gizachew, que finalizou em 44min30, apenas três segundos à frente do queniano. O brasileiro mais bem colocado foi Fábio Jesus Correia, em terceiro com 45min07.
A edição centenária contou com 55 mil corredores, um aumento significativo em relação aos 37,5 mil do ano anterior. A organização precisou adotar largadas em ondas para dar maior mobilidade aos amadores e ampliar a segurança do percurso. Apesar da limitação inicial de 50 mil participantes, a procura superou todas as expectativas, com pico de 150 mil acessos simultâneos à plataforma de inscrição, que chegou a travar.
Além da competição, a São Silvestre de 2025 teve forte caráter festivo. Muitos atletas participaram fantasiados e exibindo mensagens lúdicas e político-sociais, reforçando o clima de celebração popular.
A prova, que começou sendo noturna e restrita a brasileiros, se abriu a competidores internacionais em 1945 e passou a ser disputada durante o dia a partir de 1989. Entre os nomes históricos que marcaram a corrida estão Emil Zátopek, da Tchecoslováquia, vencedor em 1953, e Paul Tergat, do Quênia, pentacampeão na década de 1990. A competição feminina estreou apenas em 1975, com o domínio absoluto da portuguesa Rosa Mota entre 1981 e 1986.
A edição centenária reafirma o prestígio da São Silvestre como a maior corrida de rua da América Latina, com emoção, tradição e celebração nas ruas da capital paulista.