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Frases da Pandemia

Em que fase da pandemia estamos? Estamos na pior? Estamos saindo da pior? Estamos entrando na pior? Quer saber de uma coisa? Ninguém sabe. Os médicos não sabem. Os especialistas não sabem. Aliás, nem sei se há especialistas em coronavírus. Não deu tempo ainda de se formarem especialistas nesse negócio. Sei que estamos nessa – o mundo inteiro – com mais incertezas do que certezas, com mais chutes do que verdades. Ninguém tem certeza de nada, a não ser que uns tentam a solução e outros tentam aumentar a confusão. O pior de tudo é que aqueles que tentam aumentar a confusão são, às vezes, mais ouvidos do que aqueles que tentam alguma solução. É o desconcerto do mundo, como dizia o grande poeta português Camões: ‘Os bons vi sempre passar/ no mundo graves tormentos/ e para mais me espantar/ os maus vi sempre nadar/ em mar de contentamentos.’

Mas isso não me surpreende. O mundo sempre foi assim.  Muitas pessoas – e pessoas importantes – acham mais fácil subir pisando os outros, usando os outros como alavanca. Assim, a politização da pandemia não é nenhuma novidade. É da índole dos políticos aproveitar-se de tudo. De tudo e de todos. Transformar em popularidade e voto a tristeza e a alegria do povo, a vida e a morte, a saúde e a doença, a riqueza e a pobreza. O que importa é o voto, o resto são circunstâncias que devem jogar a favor deles.

É assim mesmo. Quando chegou a doença, é o outro quem permitiu a chegada. Quando chegou a vacina, fui eu quem trouxe.  A doença é culpa do outro, a cura é por causa de minha virtude. E muitos acreditam nisso. Parece que algumas pessoas se satisfazem em ser ludibriadas, tratadas como conduzíveis. É mais fácil ser conduzido, requer menos esforço, do que usar a própria força para se conduzir. No final, quando a maioria da população estiver imunizada pela vacina, aparecerão os heróis e os vilões. As mesmas pessoas serão acusadas e acusarão. Vilões para uns, heróis para outros. A única prejudicada nessa briga tola e inútil será a verdade. Ninguém saberá, ao certo, onde ela se encontra. Possivelmente, oculta no esquecimento. Poucos se interessarão por ela.

Lastimável! Numa época tão difícil, pessoas usando a dificuldade de todos para se beneficiarem, para se locupletarem. Falam na saúde do povo sem pensarem no povo, mas unicamente em sua promoção pessoal. Apesar de tudo, chegará o dia em que falaremos da COVID 19 como falamos hoje da varíola: uma doença do passado. E ninguém se lembrará dos oportunistas que se aproveitaram da doença, sem se preocuparem com os doentes, que gritaram pela saúde do povo, sem pensarem no povo, mas em si mesmos. ‘Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança…’ – novamente Camões.

BAHIGE FADEL

Sobre FERNANDO BRUDER TEODORO

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