Coluna Bahige Fadel

Crônica da semana retrata o valor da sinceridade; a “Franqueza”

Vamos ser francos, salvo algumas exceções, a vida nunca esteve muito fácil. Se a gente quer conquistar 
alguma coisa, tem que ralar. Foi assim antes; é assim agora. Ganhar o grande prêmio da loteria é para 
alguns, que a gente só ouviu falar. Conhecer mesmo, raramente. Receber uma vultosa herança, pra não ter 
que fazer nada o resto da vida parece ser coisa virtual, não real. A gente vê essas coisas em filmes de 
ficção ou em notícias de fatos que ocorrem na Terra do Nunca. Nunca em nossa casa ou vizinhança.
Comigo foi assim. Com você também deve ter sido desse jeito, caro leitor. Você se arrebenta num trabalho, 
num projeto, que pode ou não dar certo. Se não dá certo, sua fama de incompetente rola o mundo. 
'Eu já sabia...' Todos já sabiam, menos você. 'Eu bem que avisei aquele cara de que ele daria cabeçada.
' Todos avisaram, só que deve ter sido em outra língua, porque você nunca ouviu coisa alguma. E o pior é 
quanto aparece aquele iluminado:'Se ele tivesse me ouvido. Eu tenho experiência nesse caso.' 
Quando aparece alguém oferecendo ajuda, você fica desconfiado. Será que é ajuda ou é interesse?
Mas se a coisa dá certo, raramente vem um elogio. Ainda bem que o advébio é raramente, e não nunca. 
A gente tem que ser justo. A gente não está totalmente só e abandonado neste mundo.  Mas como eu ia 
dizendo, se a coisa dá certo, vêm línguas de trapo inconformadas. 'Mas que cara de sorte! Nasceu com 
aquilo voltado pra lua!' Você planeja, analisa prós e contras, avalia, trabalha que nem escravo e 
consegue aquilo que projetou. Ótimo! A conclusão é 'cara de sorte'.  Sorte é o... Vamos deixar pra lá. 
Isso é pior que coice de mula. Melhor não enfrentar. Os danos serão terríveis. Desviar é a solução.
Pior de tudo é quando começa a ter a certeza de que algumas lutas ao longo de  sua vida foram inúteis. 
Você cansou, feriu-se, arranjou alguns inimigos, e o resultado de tudo foi o fato de cansar-se, ferir-se e 
arranjar inimigos. O resto ficou tudo igual. Quer dizer: pra que serviram essas lutas? Pra não resolver 
coisa alguma. Pena que a gente perceba isso mais tarde, com a experiência, quando não tem jeito de 
consertar. Nem de concertar.
E quando esperam que você continue lutando 'para resolver os problemas do mundo'? Caramba! Minhas 
forças mal são suficientes para lutar por mim e por minha família. Como eu dizia para meus alunos, 
no final de minha carreira: Agora é a vez de vocês. Bem ou mal, está aí o mundo. Cabe a vocês melhorá-lo. 
Eu posso não ter ajudado muito, mas fiz o máximo que pude. Dei o melhor de mim. Como eu dizia aos meus 
alunos - tenho saudade deles - ninguém é obrigado a ser o melhor aluno da classe, mas tem obrigação 
de ser o melhor que pode ser. Posso não ter sido o melhor naquilo que fiz, mas fui o melhor que pude ser. 
Ah se todos dessem o máximo de si para coisas boas! O mundo seria bem melhor, com certeza.

Bahige Fadel

Crônica Bahige Fadel: O pequeno problema e a (In)Felicidade

Um dia desses, um amigo me disse que estava muito infeliz. Perguntei-lhe o motivo de tamanha infelicidade. E ele me respondeu:
– Alguns probleminhas que eu tenho que resolver.
O olhar que dirigi a ele deve tê-lo assustado. Caramba! Ser infeliz só porque tem uns probleminhas a resolver?

Como pode? Se tenho uma dor de dente, fico infeliz. Se tenho dificuldades para o pagamento de uma dívida, fico infeliz. Se estou sentindo determinada dor, fico infeliz. Se num jogo de futebol, torci o tornozelo, fico infeliz. Se meu filho tirou uma nota baixa na escola, fico infeliz. Se meu filho está com pequena doença, fico infeliz. É assim?

Quer dizer que, salvo raríssimas exceções, todo mundo é infeliz. Não há felicidade no mundo, então. Não conheço nenhuma pessoa que não tenha nenhum probleminha para resolver. É preciso não confundir tristeza ou preocupação com infelicidade.

Amigo, sua felicidade é uma escolha. Não deve depender dos pequenos problemas que tem que resolver. Mesmo porque, se ficar infeliz, seu problema não se resolverá. Sua infelicidade será mais um problema em sua cabeça e corpo. Não é assim que a gente trata a nossa felicidade.

Ela é um bem impagável e, por isso, não pode estar condicionada a um probleminha qualquer. O problema, você luta para resolver. A felicidade, você tem ou não tem. Se você estiver infeliz, com certeza, terá muito mais dificuldade de resolver seus problemas. É simples. As pessoas felizes acumulam mais condições de resolver seus problemas. As pessoas que condicionam sua felicidade à não existência de problemas, sempre terão problemas e sempre serão infelizes.

Certa ocasião, uma pessoa me perguntou:
– Como a gente pode ser feliz, com um péssimo governo que temos? Com a violência que existe? Com a corrupção andando livre pelos altos escalões? Com as drogas tirando a vidas de seres humanos e enriquecendo seres desumanos? Como a gente pode ser feliz assim?

E eu lhe disse: Não condicionando sua felicidade a esses fatores. Veja o que você pode fazer de prático para acabar com esses problemas ou, pelo menos, reduzir a sua influência no mundo, sem abrir mão de sua felicidade. E se descobrir que pode fazer muito pouco, faça esse muito pouco, sem deixar de ser feliz. É que sua felicidade pode melhorar o mundo. Pode deixar felizes outras pessoas. Pode ajudar outras pessoas a se tornarem felizes. É que quem deseja a felicidade dos outros não pode apresentar-se infeliz a elas.

E se, com tudo isso, assim mesmo, você optar pela infelicidade, o que será das pessoas que o amam? Infelizes. O que será de seus amigos? Infelizes. O que será de seus companheiros de trabalho? Infelizes. O que será de você? Um problema a ser solucionado.
Quer saber? Ainda encontro felicidade com a presença da minha mulher. Com a certeza de que sou importante para a minha família. Com os amigos que tenho.

Com as minhas caminhadas matutinas. Com o fato de poder fazer um bolo de maracujá, que os outros adoram. Com o fato de ter netos. Com a certeza de que os problemas que tenho não se solucionarão com a minha infelicidade. Então, aqueles que teimam valorizar demais os motivos para serem infelizes, não contem comigo. Vou continuar lutando pela minha felicidade e a dos outros.

Bahige Fadel

Crônica desta quinta-feira, retrata o fim da paciência “Perdi a Vontade”

Todos devem se lembrar da famosa frase de Rui Barbosa: ‘De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto’.

Pois é. Parece que esta frase nunca deixa de ser atual. A cada minuto que passa, a gente vê ou lê ou ouve notícias estapafúrdias. Com isso, fica pensando: De que adianta ficar malhando em ferro frio? Não adianta nada. Sai governo, entra governo, as notícias são muito parecidas. A única diferença é que numa época a personagem é mocinho e noutra é vilão. E a gente perde a vontade de ficar comentando, dando opinião.

Se na maioria dos casos nem os fatos importam, mas as versões, de que adiantam as opiniões? Dá vontade de desistir. De deixar o barco seguir conforme a correnteza.

Está difícil entender certas coisas. Na vida, as coisas nem sempre são como 2 + 2 = 4. Os resultados são os mais diversos, dependendo das circunstâncias. E a inversão de valores? Nossa! Coisa de louco.

Recentemente, um diretor do São Paulo Futebol Clube vociferou umas bobagens, após o time ser redondamente prejudicado pelo árbitro. Entre as ‘poéticas’ frases, referindo-se ao técnico do adversário, soltou: ‘Portuguesinho de m…’ Foi um deus-nos-acuda. Xenofobia! Precisa ser punido.

Todo mundo se indignou com o ‘portuguesinho’. Ninguém destinou uma frase à m… Quer dizer que chamar um português de portuguesinho não pode, mas dizer que ele é uma m…, pode. Pode?

Se eu fosse processar todos aqueles que me chamam ou chamaram de turco, turquinho, beduíno, não teria tempo de viver. Aliás, no início, tentei explicar para as pessoas que turco é uma coisa, árabe é outra, mas não deu certo. Desisti. Quando vou comprar carne – cansei de esperar pela picanha prometida – os atendentes do açougue já vão falando: O que precisa hoje, turco? E eu digo o que quero e sou muito bem atendido.

E explicar o que é beduíno, então? Tentei explicar que beduínos são um grupo étnico que vive nos desertos do Oriente Médio e do norte da África, mas não adiantou. E isso não me causou nenhum problema, mas chamar um português de portuguesinho – grande técnico, aliás – é xenofobia.

Então, o ‘agressor’ pede desculpas, não porque se sentisse culpado, mas porque era conveniente pedir, e tudo fica bem. Não tenho mais paciência para assistir a isso.

Querem ver outro fato? Sabem quanto a Lava-Jato conseguiu que culpados devolvessem ao governo? Mais de 26 bilhões de reais. Só a Petrobrás se beneficiou com mais de seis bilhões.Só que desmantelaram a Lava-Jato, pararam de investigar casos de corrupção e libertaram os envolvidos.

Agora, esses envolvidos querem a devolução do dinheiro pago. Dá para entender? Dá para aguentar isso? E o pessoal

da Lava-Jato é que está sendo punido, agora.
Então, a gente pergunta: O que é certo e o que é errado? E a resposta depende de um monte de coisas.E nunca haverá a verdade definitiva. Sabem de uma coisa? Vou terminar essa crônica com uma frase que costumava dizer aos mais jovens, já na minha velhice: “As lutas que eu deveria lutar eu já lutei. Está na hora de vocês começarem a agir. Eu já não tenho mais idade e paciência”.

Bahige Fadel

“Superação”, artigo do professor Bahige Fadel

Tenho visto em vários sites mensagens e vídeos de casos de superação. ‘Menino de rua passa em primeiro lugar em vestibular.’ Não é sensacional? Isso mostra como é possível pessoas irem além do que esperam delas ou do que as condições em que vivem permitem. ‘Atleta corre contundido os últimos dez quilômetros da maratona e consegue medalha.’ Não é agradável ler algo com esse conteúdo? Claro que é. Ninguém espera nada de um atleta contundido, numa maratona.

Se ele tivesse desistido, ninguém o incriminaria. Todos achariam normal e, até, lamentariam o azar do atleta. Mas ele foi além do que esperavam e conseguiu uma medalha.
E por que esses dois casos ocorreram? Em primeiro lugar, porque eles tinham um objetivo. Em segundo lugar, porque eles se prepararam para realizar esse objetivo.

Em terceiro lugar, porque eles confiavam na capacidade que tinham. Em quarto lugar, porque tinham orgulho daquilo que faziam. Em quinto lugar, porque estavam preparados para as dificuldades que poderiam aparecer. E, finalmente, porque queriam vencer.

Assim, quando perceberam que, apesar das péssimas condições para os estudos, no primeiro caso, e da contusão, no segundo, precisavam superar os obstáculos e continuaram.
Comecei com esses dois casos de superação, para entrar numa situação mais delicada. E estejam certos: não adotarei o politicamente correto. Um dia me perguntaram se eu era a favor do programa Bolsa Família. E eu respondi que, nos moldes atuais, eu sou contra.

A pessoa ficou surpresa com minha resposta. E eu expliquei: Desde que surgiu o programa, vem aumentando o número de beneficiados. Isso quer dizer que, além do dinheiro distribuído, o governo nada tem feito para tirar essas pessoas da condição miserável. Além disso, a gente ouve comentários sobre pessoas que se negam a trabalhar com carteira assinada, para não perderem o dinheiro da Bolsa.

E isso, além de ilegal, é imoral. Assim, o que está ocorrendo é que as pessoas se acomodam ao programa pelo qual são beneficiados e não se esforçam para melhorar. Estão a dez, quinze anos na mesma situação.
E como fazer para que o Bolsa Família melhore pra valer a vida das pessoas? Existe um jeito? Claro que existe, É só querer. É só não querer que um programa que poderia ser maravilhoso seja usado para fins políticos.

Para começar, com o programa Bolsa Família poderia ser criado um programa de qualificação de pessoas para o trabalho. Junto com esse programa, um plano de encaminhamento de pessoas, agora qualificadas, para empregos. Para estimularem as pessoas a se qualificarem, cria-se um tempo limite para o recebimento desse dinheiro.

Por exemplo, cinco anos. São cinco anos em que, com o auxílio dos programadas do governo, as pessoas se qualificam para alguma profissão, arranjam emprego e saem do Bolsa Família. Assim, as pessoas sabem que terão cinco anos para se preparar, superar dificuldades, esforçar-se.

Caso contrário, não terão mais nada.Claro que as pessoas que não conseguirem nada nos cinco anos não serão abandonadas. Não tenho a fórmula mágica para a solução do problema, mas poderia, por exemplo, haver uma legislação que vai diminuindo gradualmente o dinheiro entregue às pessoas que não se prepararam para o emprego.

É apenas uma ideia. Isso ajudaria as pessoas a irem além do que estavam acostumadas a fazer. As pessoas teriam que se superar. Teriam que fazer mais do que faziam. Desse jeito, o Bolsa Família teria sentido. Ajudaria as pessoas necessitadas e permitiria que as pessoas tivessem condições de se sustentar com seu próprio trabalho.

Quando escrevo essas linhas, fico pensando em meus pais. Pai aleijado, pobre, com dois filhos, num país estranho. Mas havia um sonho: criar seus filhos. Veio a um país de oportunidades – Brasil – e superou todas as dificuldades que surgiram. Meus pais devem ter tido orgulho dos filhos. Eu e meu irmão, com certeza, temos orgulho deles. Superaram tudo porque queriam mais.

Bahige Fadel

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O Bem e o Mal

O bem sempre existiu. O mal sempre existiu. Os bons e o maus sempre conviveram num mesmo espaço. Às vezes, uns vencem e dominam. Às vezes, os outros vencem e dominam. Não há domínio permanente. Não há submissão permanente. Há, ainda, o fato de, às vezes, os bons virarem maus e os maus virarem bons. São casos raros, mas existem. O que existe com maior frequência é acharmos que os maus são bons ou que os bons são maus. São situações históricas e inevitáveis. Independente de nossa vontade, elas sempre existirão. A realidade, então, não é acabar com o mal. Não conseguiremos. Mais racional é evitar que o mal consiga sobrepujar o bem. Se o mal sobrepujar o bem, teremos muitos problemas. Assim, o desejável é lutar para que o bem lidere todas as ações possíveis.

 

Parece simples, né? Mas não é. Ao contrário, é muito difícil. A dificuldade mais notável é saber o que é o bem e o que é o mal. Para simplificar, poderia dizer que o bem está relacionado às boas ações e que o mal está relacionado às más ações. Simples. Ocorre que o que é uma boa ação para uma pessoa pode representar uma ação má para outras. Outra dificuldade é que, na maioria das vezes, o bem e o mal estão na mesma pessoa. É muito difícil uma pessoa ser apenas boa e outra ser apenas má. Sei que alguns dirão que Deus só tem o bem. Mas vamos falar de seres humanos. Desses que estão atuando na sociedade, nos governos, nos clubes esportivos, nas igrejas, nos supermercados… Em todos os lugares.

 

Já que é impossível debelar o mal, vamos diminuí-lo com boas ações, para que ele não tenha forças para dominar. E como se faz isso? Em primeiro lugar, anulando suas ações em nós mesmos. Impedindo que esse mal nos domine, atue sobre nós. Depois, ajudar os outros a dominarem o mal. Uns fazem isso com orações. Outros com reflexões. Outros, ainda, fazem isso com ações. Agir para o bem corresponde a aprimorar as suas boas qualidades e a estimular que as boas qualidades dos outros prevaleçam. Na política, por exemplo, como é que se faz isso? Se você se julgar capaz de melhorar a sociedade com a política, participe. Seja atuante. Pode ser candidato a um cargo público ou pode ser um bom eleitor. Atue sempre com empatia. Coloque-se no lugar dos outros e veja o que deve ser feito pelo outro. Impeça que os maus políticos (o mal) vençam os bons. E se os maus políticos já estiverem no poder, dificulte as suas ações.

Há várias maneiras para se fazer isso.

A primeira é o exemplo. Seja bom, com boas ações e ideias, e faça-se notar, para que os outros percebam que ser bom vale a pena. Depois, estimule a educação. A educação se faz pelo exemplo e pelos conhecimentos.  Um não pode estar dissociado do outro. O bom exemplo auxilia a pessoa a transformar o conhecimento em sabedoria. E essa sabedoria acompanhada do bom exemplo é que tranformará o mundo.

 

Tudo isso é muito difícil, mas não é impossível. É lento, mas pode ocorrer. Não é preciso ter pressa. O bem nunca será perfeito. Portanto, haverá sempre algo a fazer por ele. Mãos à obra!

 

BAHIGE FADEL

 

BAHIGE FADEL

A Crônica de Bahige Fadel para reflexão desta sexta-feira; “Esperar o quê?”

Quando começa o ano novo, as pessoas começam a postar suas esperanças para os próximos 365 dias. Nenhuma novidade nisso. De acordo com a personalidade, as pessoas revelam as mais variadas esperanças.

Os mais religiosos esperam que Deus continue norteando os seus passos. Os otimistas esperam que o mundo melhore em todos os sentidos. E até dão dicas para que isso aconteça. Os pacifistas querem que as guerras acabem, como se o fim das guerras dependesse tão somente de nossos desejos.

Os desempregados esperam conseguir um emprego para o sustento da família. Os empregados desejam manter o emprego ou, até, melhorar. Os enfermos querem a cura. Os desregrados esperam ter condições de respeitar as regras. Os obesos esperam emagrecer. Os pobres desejam tornar-se ricos.

Os ingênuos esperam ganhar o grande prêmio da loteria. E assim caminha a carruagem das esperanças.
Isso tudo tem sentido? Depende. Só desejar e não fazer nada para que aconteça não faz sentido algum. Esperar mudanças simplesmente porque você mudou o seu calendário não faz sentido nenhum.

Tudo só fará sentido se você fizer algo para que seu desejo se torne realidade. Todos querem a paz no mundo. Mas o que fazer para que isso aconteça? Nós, simples mortais, temos muito pouco para fazer.

O buraco é bem mais em cima. Na verdade, nesse assunto, só vale a nossa torcida. Mas há desejos que dependem de nós. A saúde, por exemplo. Se eu desejo saúde, preciso me cuidar. Vida regrada, alimentação saudável, prática de esportes… Se eu desejo emagrecer, a responsabilidade é só minha.

Se eu quero ganhar na loteria, é só começar a fazer uma fezinha. Assim mesmo, a possibilidade de sucesso é muito reduzida. É mais fácil capacitar-me e trabalhar mais, para conseguir um melhor salário.
Particularmente, não faço lista de desejos para um ano novo.

Meus desejos ocorrem independente da época do ano. Eu quero um mundo mais justo. Minha colaboração nesse sentido é pequena. Vivo honestamente. Ajudo a quem posso e quem merece. Nas eleições, voto nos melhores candidatos. Nem sempre dá certo, mas eu tento.

Quando trabalhava, procurava ser o melhor e mais útil funcionário. Escrevo periodicamente esses artigos, nos quais coloco minhas ideias. Nelas coloco opiniões e vontades positivas. Apoio minha família. Dou a ela toda a sustentação possível.

Aprendi que a vida honesta é possível e traz felicidade. É possível porque depende só de você e traz felicidade porque a gente fica mais leve e dorme em paz. Aprendi que a maldade é muito forte na humanidade. Os maldosos não dormem nunca. Estão sempre de plantão. Assim, os bons devem estar sempre alerta, não podem vacilar. Os maus estão sempre de tocaia, para ocuparem os melhores espaços.

É preciso que os bons sejam fortes, persistentes e estejam unidos. Devem trabalhar coletivamente. A luta é difícil, mas não impossível. Os bons precisam lutar para que haja boas leis e que elas sejam cumpridas. Encontraremos resistência.

Não podemos deixar que os interesses mesquinhos prevaleçam sobre os interesses coletivos para o bem da humanidade. E isso independe dos partidos políticos ou das crenças religiosas. Em todas as áreas há os bons e os maus. É preciso enfraquecer os maus, para que a bondade venha à tona.

Bahige Fadel

Crônica de Bahige Fadel desta quinta-feira (07), retrata a educação do País com tema; “Mais uma vez”

Mais uma vez, a educação brasileira passa vergonha em avaliação internacional. Mais uma vez, o desempenho dos estudantes brasileiros é inferior ao de países com menos condições de investimento que o Brasil.

Desta vez, foi no PISA – Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. As provas foram realizadas no ano passado e os resultados foram divulgados há alguns dias. Entre mais de oitenta países, a colocação do Brasil está lá na rabeira. Principalmente em matemática – a avaliação é em matemática, leitura e ciências – o resultado foi calamitoso.

Apenas 27% dos participantes alcançaram pelo menos o nível 2, considerado básico. 73% estão abaixo do básico. Os melhores países chegaram a 85% dos alunos com nota pelo menos no nível 2.Em leitura e ciências, o resultado foi um pouco melhor.

Para que o leitor tenha uma ideia melhor, vamos a alguns números: em matemática, o Brasil conseguiu 379 pontos. Os países da OCDE -Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – , com 38 países, conseguiu 479. O leitor pode estar pensando que essa organização só tem países do primeiro mundo.

Não é verdade. Mas vamos ficar na América do Sul. O desempenho do Brasil foi inferior ao do Peru (391). Inferior ao do Chile (412). Inferior ao da Colômbia (383). Se servir de consolo, empatamos com a Argentina, que está em crise há alguns anos.

Alguma surpresa nos resultados, caro leitor? Claro que não. Desde 2000, quando se iniciou a avaliação do PISA, os resultados têm sido catastróficos para o Brasil. O pior é que nossas autoridades não aprendem com isso. Parece que foi Einstein que disse isso: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Essas autoridades, há muitos anos, cometem os mesmos erros, e querem que os resultados sejam diferentes? Insanidade. Vamos continuar passando vergonha nessas avaliações.

Uma dessas autoridades declarou que há um programa do governo para fornecer uma espécie de mesada ao aluno de ensino médio, para que não haja evasão. A gente fala de nível de ensino, e o cara fala de mesada. Pode? Uma pessoa me disse: Em Singapura, que ficou em primeiro lugar, o salário do professor corresponde a treze mil reais. E eu explique que não é porque o salário é de treze mil, que o nível é alto. É o contrário. O salário é de treze mil, porque o nível é alto. Primeiro, prepara-se o profissional, para que ele possa ajudar a elevar o nível de ensino. Depois, paga-se mais ao profissional qualificado.

No Brasil, pensa-se numa mesada para o aluno, que não saírá da escola, em tese, mas continuará recebendo um ensino de baixa qualidade.
Para finalizar: enquanto não houver um programa sério de preparação do profissional da educação, continuaremos com esses resultados do PISA. E os resultados não mudarão de uma hora para outra. É preciso que haja paciência, persistência, continuidade e competência. Não existe mágica. Existe trabalho. Existe organização. O resto é discurso.

Bahige Fadel

Imagem Ilustrativa

Professor Bahige Fadel apresenta sua “Crônica Incertezas”

Não devo ser só eu. Muita gente deve ter as mesmas incertezas que tenho agora. Aliás, o mundo é de incertezas. Parece que a única coisa certa do mundo são as incertezas que ele tem. Incertezas que atingem a pobres e ricos, a letrados e analfabetos, aos judeus e aos cristãos. Na verdade, não estou certo sequer de que eu seja dono de meus próprios pensamentos. Serei mesmo dono deles ou eles são o resultado de influências externas? Sou eu que penso o que penso ou apenas penso aquilo que os outros querem que eu pense? Na minha juventude, quando insistia em escrever alguns versos, me veio esta frase: Sou o resultado do que desejei ser e do que os outros me fizeram. Desde aquele tempo, eu tinha a certeza de que eu não era bem o que desejava ser; era também produto dos desejos dos outros.
Na verdade, com os anos e os trancos da vida, fui perdendo muitas certezas. Quando entrei na política, tinha certeza de que, através dela, poderia mudar o mundo. Doce ilusão! Quase me mudaram. Saí rápido, para não sofrer esse desmanche. Descobri que, na política, não se quer mudar muita coisa. Os poderosos querem que os outros mudem para se adaptarem aos desejos deles. Você tem que mudar, para que eu possa permanecer do jeito que eu quero. É esse o pensamento político. Só que não dizem isso. As segundas intenções vêm sempre mascaradas de fantasia. A realidade não interessa a quem deseja mudar os outros, para que possa permanecer como deseja. O pior de tudo é que não descobri uma solução para o problema. Fosse eu capaz de ter soluções para todos os problemas! Mas não tenho, e isso me angustia.
As incertezas são históricas. Pilatos não tinha certeza de nada, quando lavou as mãos e condenou a Cristo. Tivesse ele todas as certezas necessárias, não tomaria essa atitude. E quantos Pilatos observamos no mundo de hoje? Pilatos de todos os níveis. Pilatos que lavam as mãos e deixam corruptos e corruptores livres, para continuarem o seu sujo trabalho. Pilatos que lavam as mãos, para que os incompetentes continuem desfilando a sua incompetência em prejuízo de milhares e milhões. Pilatos que lavam as mãos, para deixarem que as guerras persistam, matando culpados e inocentes. Pilatos que lavam as mãos, para permitir que a miséria perdure, para que a ignorância perdure, para que o medo perdure. É que é muito mais fácil dominar miseráveis, ignorantes e medrosos.
Certeza de quê, my friend? Certeza de que eu ainda consigo me indignar. Não é muita coisa, mas estou certo disso. Certeza de que a bondade vale a pena. Não para ter prêmios, lucros ou reconhecimento. Bondade apenas para satisfação pessoal. Certeza de que é uma obrigação de cada um ser honesto. Não para obter lucros, mas para que os outros não tenham prejuízos. Certeza de que é preciso ter paz. Só assim você poderá espalhar a paz, distribuir a paz, semear a paz. Certeza de que precisamos da felicidade. Precisamos ser felizes. Os felizes constroem um mundo melhor; os infelizes procuram destruir o que ainda existe de bom.

Bahige Fadel