Coluna Bahige Fadel

Bahige Fadel: “Vale a pena?”, Uma reflexão sobre escolhas

Sei não. Há tantas coisas que eu achava que valiam a pena. Hoje, já não tenho tanta certeza. É que a gente tanto bate nas mesmas ideias achando que haverá algum resultado positivo. Quando vê, nada mudou. A gente gasta tempo e espaço. Só que nada muda. Ou quase nada muda.
Vale a pena falar da corrupção no INSS? Bilhões foram tirados dos aposentados. Vale a pena falar disso? Vai mudar alguma coisa? Vai ficar tudo limpinho? A corrupção desaparecerá num passe de mágica? Os corruptos serão presos? Não haverá mais corrupção no serviço público?

Há três tipos de corrupção, que existem na história do Brasil desde o período colonial: a ativa, a passiva e a concussão. A ativa é quando alguém oferece um benefício a outro. A passiva é quando alguém aceita o benefício oferecido, E a concussão envolve a exigência de um benefício indevido por parte de um funcionário público. Os três tipos existem, no Brasil, aos borbotões. Sim, usei ‘aos borbotões’ (expressão antiga), para dizer que isso é antigo na história do Brasil. Soluções? Quase nunca. Vai haver solução no caso do INSS? Vão acusar um e outro, mas a chefia da caterva, ou a malta, ou a súcia (escolham o termo) ficará ilesa. Assim, vale a pena?

Vale a pena falar sobre o bebê reborn? Está na moda, mas vale a pena? Vejam algumas manchetes publicadas na mídia brasileira sobre o tal bebê reborn: MULHER É DEMITIDA APÓS PEDIR AFASTAMENTO DO TRABALHO PARA CUIDAR DE BEBÊ REBORN; MULHER TENTA VACINAR BEBÊ REBORN EM UBS DE SC E É IMPEDIDA; MORADORA DE GUABIRUBA TRANSFORMA A VIDA AO ADOTAR BEBÊ REBORN COMO FILHA.
Tá bom. Chega. Já entenderam o que eu quis dizer, né? Vale a pena gastar energia para comentar esses casos? Se eu fizer um comentário profundo, utilizando conceitos sociais e psicológicos, vai resolver alguma coisa? Essa turma ‘normal’ vai parar de fazer essas loucuras? Claro que não. Então, não vale a pena.

Vale a pena falar sobre o tráfico e o consumo de drogas, no Brasil? Vale a pena? Há quanto tempo você ouve falar desse assunto? Desde a sua infância, com certeza. E já resolveram alguma coisa? Muito pelo contrário. Não tenho informações atualizadas, mas consta que o tráfico de drogas no Brasil gera lucros aproximados de 15 bilhões por ano. Deve ser bem mais.
Apreendem grande quantidade de drogas. A mídia dá destaque. Prendem um chefe do tráfico. A mídia dá destaque. Resolveu-se o problema? Não. O mercao ilegal de drogas está sempre crescente.

Sabem o que vale a pena? Pelo menos, na minha idade, vale a pena ser correto, parecer ser correto, mostrar que vale a pena ser correto, provar que você pode ser bem sucedido, sendo correto. Confesso que já não tenho forças ou disposição para fazer mais. Isso é suficiente? Se muitos fizerem desse jeito, pode ser. Mas tem que ser muita gente.

Bahige Fadel

A Decepção Digital: Pais e Filhos na Era da Tecnologia, por Bahige Fadel

A informação não é recente. É de 2020. Pesquisas científicas constatam que, na última geração, os filhos são menos inteligentes do que os pais. Decepção. Com toda evolução tecnológica e científica, os filhos têm inteligência inferior aos pais. Por quê? Não sou especialista, mas fica claro que a educação das crianças e jovens, nos últimos tempos, não tem contribuído para desenvolver a inteligência das pessoas.

Sabe-se que a inteligência pode ser desenvolvida através de estímulos e interações com o ambiente. Conclui-se, portanto, que os pais não estão desempenhando bem em seus filhos atividades que contribuam para o desenvolvimento intelectual deles. Isso realmente acontece? Acredito que sim. E há culpados nesse processo? Muitos. Inclusive os pais.

Algumas gerações atrás, as crianças tinham muito menos tecnologia ao seu dispor. Mesmo assim, os pais compravam livros para as crianças lerem. E elas reclamavam quando não tinham nenhum livro para ler. Quando os pais não tinham condições financeiras, havia as bibliotecas das escolas e as bibliotecas públicas. E as bibliotecas escolares tinham sempre interessados em retirar livros de leitura. Nas bibliotecas públicas, as pessoas tinham que se cadastrar, para poderem retirar os livros de leitura. Quando não eram cadastradas, tinham que ler os livros nas próprias bibliotecas. Quando retiravam os livros, para levem em casa, tinham prazo de entrega, pois havia uma lista de espera para a retirada.

Por outro lado, quais eram as brincadeiras/atividades das crianças? Pescaria. Como era bom ir pescar no rio que não ficava longe de casa e voltar de tardezinha. Passear a cavalo. Quando a gente não tinha cavalo, pedia emprestado para o seu Zé, que permitia que déssemos algumas voltas pelo campo, com todos os cuidados possíveis. Jogar bola de gude, rodar pião, brincar no jardim da igreja, esconde-esconde. Ou simplesmente se sentar na calçada e jogar conversa fora, por tempo indeterminado ou até a hora em que a mãe gritava da cozinha: Entra pra tomar banho que já está na hora da janta! E a gente corria para dentro, que ninguém era louco de desrespeitar a mãe. Mas antes programava as atividades do dia seguinte. E a janta era com a família toda sentada à mesa. Era a hora de conversar e contar as novidades do dia. A isso se dava o nome de família.

Hoje, quais são os estímulos ou as interações com o meio ambiente? Quase zero. E esse quase é a esperança. Com raras exceções, os pais não têm tempo para os filhos e, para piorar, não ficam seguros em permitir que os filhos descubram o mundo. Vão para a escola de carro ou de van. Seu mundo são os programas que colocaram no celular. Dificilmente, as refeições são feitas em família. As crianças são mais criadas por babás e escolas do que pelos pais. É o mundo moderno.

Há solução para isso? Deve haver, mas não é fácil. Uma fratura num osso ocorre num segundo, mas a sua consolidação pode demorar meses, e ainda não ficar como era antes. Não consigo dizer tudo que deve ser feito, mas posso dizer que o que está sendo feito não ajuda no desenvolvimento intelectual e social das crianças e jovens. Não é o uso abusivo do celular que desenvolverá a inteligência das crianças. Não é a ausência da família que trará a melhor educação para os filhos. Não é o uso constante do Playstation que contribuirá para a socialização da criança e a sua inter-relação com o meio-ambiente.

Bahige Fadel

Professor Fadel “Insegurança”

Amigo, não sei se você vai concordar comigo. É um pensamento que começou a aparecer há algum tempo e que tomou conta dos meus dias. É o seguinte: a insegurança é um dos piores males que pode nos ocorrer. A insegurança é terrível. Ela pode ter motivo ou, simplesmente, ocorrer. E quanto mais você tenta expulsá-la, mais ela se acomoda em seus pensamentos, perturbando dias e noites.

A velhice é considerada a melhor idade, por vários motivos. Você não precisa mais procurar emprego, seus filhos não precisam tanto de sua assistência, não é escravo do relógio e está mais livre para fazer apenas o que lhe causa prazer. Seria um paraíso se fosse só isso. Um paraíso aqui na terra. Mas, e na vida sempre existe um mas, há as coisas ruins também. Há o desgaste do corpo, há as dores, as doenças. E entre esses males, a insegurança. Na velhice, há a tendência à insegurança. E não é sem motivo. Você perde a força física. E essa perda acarreta, além das limitações, insegurança. E se você precisar dessa força que já não tem?

Não é fácil. Por causa dessa perda, você começa a abandonar certas atividades que lhe eram comuns, no passado. Se você tem uma queda, é difícil levantar-se sem ajuda. Então, procura não fazer atividades que possam resultar em quedas. Na rua, anda mais devagar e olhando para o chão. Vá que haja uma saliência que o faça tropeçar. E convenhamos que as calçadas de Botucatu são um convite para os tropeços e quedas.

Na velhice, a insegurança também é gerada pela perda de memória. É normal você não ter a mesma memória da juventude. Faz parte da natureza. Quantas vezes, ao abrir a geladeira, você não sabia o que estava procurando? Comigo, isso não é raro acontecer. Esses pequenos esquecimentos podem ser parcialmente resolvidos com uma boa agenda. O difícil é quando você se esquece de consultar a agenda. Ainda bem que aqui em casa minha mulher é a memória. Ela não me deixa esquecer as principais responsabilidades.

Há, no entanto, outros tipos de insegurança. que independem da idade. A política, por exemplo. Estamos numa época de inseguranças. As coisas estão tão nebulosas, que não sabemos ao certo o que podemos e o que não podemos dizer. Se continuar assim, logo não saberemos em que podemos pensar. O pior é quando percebemos que uns podem dizer e outros não podem. E a isonomia vai para o brejo. E o que você faz para se proteger? Abre mão de dizer o que está pensando. No final da minha carreira, eu costumava dizer para os meus alunos: Já lutei as minhas lutas; é hora de vocês lutarem as suas. Já era insegurança.

Você se sente seguro para sair de casa, à noite? Eu não. E isso não é coisa de velho. Os jovens já não se sentem seguros para ir à escola, a pé. Vão de carro, ou de ônibus, ou de van. É a insegurança da vida moderna.

Para se viver melhor, é preciso saber superar nossas inseguranças. Ou pelo menos, não ser escravos delas. Saber vencê-las. Acomodá-las no esquecimento. É possível.

Bahige Fadel

Bahige Fadel “Só para Esclarecer”

Falar corretamente não é frescura. Não é esnobismo. Falar corretamente tem vários objetivos. Um deles é respeitar o idioma com o qual você se expressa. Outro objetivo é preservar a língua. Se todos falassem do jeito que quisessem, um dia (muito distante), não teríamos mais línguas. Teríamos uma infinidade de dialetos, o que dificultaria a comunicação fora daquele grupo do dialeto.

Pois bem. Disseram-me que era frescura esse negócio do verbo HAVER, com o sentido de existir, ocorrer. Só que não é frescura. É o respeito às normas da língua portuguesa. Vamos esclarecer. O verbo haver, com o sentido de existir, ocorrer, é IMPESSOAL. O que quer dizer isso? Ele não tem as pessoas do discurso: primeira, segunda e terceira pessoas do singular e do plural. Essas pessoas, sintaticamente, funcionam como sujeito da oração. E o verbo concorda com o sujeito (com a pessoa).

Se o verbo HAVER, com o sentido de existir, ocorrer, não tem pessoa, não tem sujeito. Assim, não tem com quem concordar. Por isso, deverá ficar sempre na terceira pessoa do singular. Exemplo: HOUVE uma prisão; HOUVE várias prisões. Não importa se PRISÃO está no singular ou no plural. pois não é sujeito de HAVER. É objeto direto. Você se lembra de quando aprendeu objeto direto?

E se eu trocar o verbo HAVER por existir, ocorrer? Aí a história é outra. O verbo HAVER é impessoal; o verbo EXISTIR (ou OCORRER), não. Para facilitar, a gente poderia memorizar uma frase simples: Objeto direto do verbo HAVER é sujeito de existir (ocorrer). Então, quando eu falo ‘Ocorreu uma prisão’, o verbo está no singular, porque o sujeito (prisão) está no singular. Se eu passar para ‘prisões’, o verbo deverá ir para o plural, porque o verbo concorda com o sujeito: ‘Ocorreram várias prisões.’
‘Havia vários leões, no zoológico.’ – oração sem sujeito; vários leões = objeto direto
‘Existiam vários leões, no zoológico.’ – vários leões = sujeito (verbo concordando com o sujeito)

Bahige Fadel

Imagem ilustrativa

Entendendo o “Paradoxo”, por Professor Fadel

Não se iluda, meu amigo, as despedidas sempre são tristes. Por mais alegres que sejam, sempre serão tristes. Paradoxo? Loucura? E o que é a vida se não um amontoado de paradoxos? E o que é a nossa vida, se não um rol de loucuras, umas explicáveis, outras sem explicação alguma? A gente costumava brincar dizendo que, neste mundo, o mais normal é o menos louco.

Aliás, só para utilizar outro paradoxo, é até saudável ter alguns momentos de loucura. Sim, saudável. As pequenas loucuras da vida fazem bem para o corpo e para o espírito. Pode ser a loucura aventureira, para sair da rotina e tentar algo que você nunca fez nem sabe se vai dar certo. É como enfrentar um dragão só com um sorriso.

O melhor sorriso seu. Um sorriso tão belo, que é capaz de suavizar a fúria de um dragão. É que, se a gente sempre fugir dos dragões da vida, por medo ou comodidade, teremos sempre a sensação de fracasso ou fraqueza. Às vezes, faz bem sentir-nos Davi ao enfrentar o Golias. Se fracassarmos, o máximo que dirão é ‘mas que loucura!’. Se vencermos, no entanto, dirão ‘Esse é o meu herói! Fez o que ninguém esperava.’ Melhor essa loucura do que viver sempre no marasmo de só fazer as coisas possíveis e previsíveis. Uma pequena loucura aventureira pode fazer com que eu descubra em mim habilidades que eu nem imaginava ter.

Mas voltemos à ideia do primeiro parágrafo. O paradoxo do primeiro parágrafo: Por mais alegres que sejam as despedidas, elas serão sempre tristes. É que tudo depende da razão ou do objetivo. Vamos aos fatos. Um pai se despede do filho, que, pela primeira vez na vida, vai morar noutra cidade. Vai estudar na faculdade. O pai está triste, pois não terá mais a presença do filho. Há aquela sensação de vazio, de ausência. Até as irritações que o filho causava com a roupa suja jogada ao chão, com o volume alto da música, com suas exigências, tudo isso faz falta. E bate aquela saudade. Quando meu filho vai voltar? Por outro lado, há a felicidade do pai pelo sucesso do filho. Pelo sucesso dele como pai. Meu filho está ficando um homem. Já está na faculdade. Logo será um doutor. O motivo da tristeza: a ausência.

O motivo da alegria: o sucesso.
Poderia dar outros exemplos, mas é melhor que cada um encontre o seu. Lembro-me da adolescência, quando caí mergulhando numa piscina da escola. Só que eu não sabia nadar. Fui socorrido pelos colegas. Quando disse a eles que não sabia nadar, veio a exclamação: Mas que loucura! Durante alguns dias, fiquei feliz, por me tornar o principal personagem dos comentários na escola. A alegria veio depois, pois lá na água, tinha sido o maior sufoco.

Sabe de uma coisa, amigo? É muito bom a gente ter um plano de vida, ser organizado. Mas também é bom, vez ou outra, a gente tentar um lance ousado, intuitivo, pelo qual ninguém espera. Dar uma de Ronaldinho Gaúcho, quando jogava bola. Lembra? Vai que dá certo.

Bahige Fadel

“Bahige FadeL: Com artigo ‘Falar Bem”

Vira e mexe, ouço alguém dizendo para outra pessoa, no momento em que me aproximo: “Tome cuidado com o que vai falar; ele é professor de português.’ E eu penso: Caramba! Devem pensar que eu sou um monstro pronto para devorar alguém que venha a cometer um erro de língua portuguesa. Ledo engano. Não sou assim. Não fico corrigindo as pessoas num bate-papo ou num supermercado. Não corrijo. A não ser que me peçam ou que a fala prejudique a compreensão do conteúdo. Caso contrário, fico na minha. A não ser que a intimidade que tenho com alguém me permita essa liberdade.
Vamos explicar algumas coisas. A linguagem, isto é, o uso da língua, tem várias funções. Vou me ater a duas delas apenas: a referencial ou denotativa, que visa a informar, e a poética, que visa à beleza na forma de transmitir uma mensagem. A pessoa estará falando bem quando conseguir unir essas duas funções, ou seja, transmite uma mensagem com clareza e de forma agradável. Eu sei que beleza é algo relativo. Quando explicava a relatividade da beleza aos meus alunos, invariavelmente, dava dois exemplos: um de Vinícius de Moraes:

‘Eu sem você não tenho por quê
Porque sem você não sei nem chorar
Sou chama sem luz
Jardim sem luar
Luar sem amor
Amor sem se dar…’

Outro de Valdick Soriano:

‘Eu não sou cachorro, não
Pra viver tão humilhado
Eu não sou cachorro, não
Para ser tão desprezado…’

A língua de ambas as músicas é a portuguesa, mas cada autor escolheu um tipo de linguagem para transmitir a ideia do que sentia com a separação. A função referencial está satisfeita em ambas as composições. Já a função poética… Eu prefiro a de Vinícius.
Eu tendo a aceitar todos os tipos de linguagem, desde que não machuquem ou magoem a língua portuguesa. Guimarães Rosa usou uma linguagem diferente da de Olavo Bilac.

“O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia” (Guimarães Rosa)
“Última flor do lácio, inculta e bela
És, a um tempo, esplendor e sepultura
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela,” (Olavo Bilac)

O que machuca a língua portuguesa são certos vícios, como o de um diretor de escola que conheci, aqui em Botucatu. Ele dizia para os alunos: ‘Mais respeito e menas confiança.’ E os alunos riam. Ou aquele locutor de rádio: ‘Houveram várias prisões.’ E olhe que já expliquei para esse bom locutor que o verbo haver, com o sentido de existir, ocorrer, é impessoal e, por isso, não tem sujeito. Deve ficar na terceira pessoa do singular: Houve várias prisões. Se trocar por ocorrer, muda de figura. O que era objeto direto com o verbo haver vira sujeito com o verbo ocorrer. Daí, o verbo concorda com o sujeito: Ocorreram várias prisões.
Pois é, falar bem não é falar chique. Falar bem é respeitar as funções da linguagem, sem magoar a língua. É só ter um pouco de cuidado.

Bahige Fadel

Coluna Professor Bahige: Fadel “Meus Desejos”

Hoje, eu quero desejar a todos um feliz Natal e um ano novo com mais soluções e menos problemas.
Reafirmo que meus votos são para todos. Todos mesmo. Não apenas para aqueles que procuraram ser bons cidadãos, cumprindo com suas obrigações. Não apenas para aqueles que procuraram ser bons profissionais, aprimorando-se em suas atividades, para poderem ser sempre melhores. Não apenas para aqueles que foram bons filhos, procurando realizar suas funções como filhos, fazendo as tarefas mínimas que lhes são atribuídas, cumprindo com suas atividades escolares e evitando maiores problemas aos pais. Não apenas para os pais, que souberam como educar os seus filhos, dando-se amor e exigindo responsabilidades. Se com tudo isso, puderam ainda ser amigos de seus filhos, melhor ainda. Não apenas para os políticos que utilizaram seus cargos e funções para melhorar a vida dos cidadãos, que cumpriram ou, pelo menos, procuraram cumprir com suas promessas de campanha. Não apenas para as mães que deram conta de suas funções de mães, não terceirizando a educação de seus filhos, mas que, apesar das múltiplas funções que tiveram que desempenhar, não abriram mão de sua condição de mães. Não apenas para o patrão que procurou estimular seus empregados, reconhecendo o seu valor e aceitando suas dificuldades, procurando apoiá-los, para que pudessem se desenvolver em suas atividades profissionais. Não apenas para os empregados que trabalharam com dedicação, competência e honestidade, valorizando o seu trabalho e a empresa de que fazem parte.
Desejar um feliz Natal para essas pessoas é uma moleza. Acontece que Cristo, a principal personagem do Natal, não veio ao mundo apenas pelas pessoas boas, para presenciar a sua bondade. Veio também para socorrer os maus e fazer com que se tornassem pessoas melhores.
Assim, desejo um feliz Natal para aqueles que não foram bons cidadãos também, na esperança que, no nascimento de Cristo, vejam nascer nelas os bons sentimentos e as boas atitudes.
Desejo um feliz Natal aos profissionais que não procuraram cumprir com suas obrigações, na esperança de que passem a ter, na percepção do sacrifício de Cristo, a consciência de que estão agindo como Judas contra os vários Cristos que há no mundo.
Desejo um feliz Natal até para os políticos corruptos e incompetentes, na esperança de que se arrependam e se penitenciem, passando a agir em benefício da coletividade.
Desejo um feliz Natal também para os pais que, por comodismo e irresponsabilidade, lavaram as mãos e terceirizaram a educação de seus filhos, na esperança de que descubram a maravilha de educar e proteger seus filhos, dando-lhes condições para que sejam pessoas felizes e úteis à sociedade.
Enfim, desejo um feliz Natal e um ano novo com mais soluções e menos problemas a todos. Aos bons, na esperança de que se mantenham bons ou, até, se tornem pessoas melhores; aos não tão bons, porque é um tempo de perdão e de esperança. E eu espero, sinceramente, que o mundo seja melhor. Para que isso aconteça. é preciso que as pessoas sejam melhores. Espero que sejam.

Bahige Fadel

Professor Fadel: Crônica desta semana “Difícil Entender”

Recentemente, ouvi uma notícia segundo a qual uma universidade federal do Maranhão havia contratado uma artista trans para apresentar a sua arte aos alunos. Sua apresentação foi uma dança erótica em que a referida artista trans mostrava suas partes íntimas, que, aliás, não deviam ser tão íntimas assim. E a artista deve ter feito um sucesso enorme, pois foi alegremente aplaudida. Quero deixar claro que ela foi paga por nós, que pagamos os nossos impostos.

A crônica não tem como objetivo discutir sobre sexo ou gênero, como preferem atualmente. Desejo falar sobre educação, sobre o processo de ensino e aprendizagem. Então, a pergunta que não quer calar é esta: O que a universidade ensinou e o que o aluno aprendeu, com essa apresentação artística? Notem que não estou colocando nada entre aspas, para que não pareça uma ironia do autor. Não quero ser irônico. Quero, apenas, dirimir dúvidas a respeito do processo de ensino e aprendizagem. já que meus longos anos na educação não foram suficientes para entender o que aconteceu, com o uso do meu dinheiro, nessa atividade.

Está certo. Podem dizer que o assunto era sexualidade ou gênero sexual. Até aí eu entendi. Agora, eu não consegui entender o que os alunos entenderam com o espetáculo apresentado pelo artista trans. Vamos lá: artisticamente, ele mostrou à plateia suas partes não tão íntimas. E o que isso ensina? O que isso mostra que os alunos ainda não conheciam? Um aluno universitário, em tese, já conhece esse tipo de espetáculo melhor que o professor. Na verdade, não ensinou nada. Apenas mostrou o que já havia sido visto.

E não estou discutindo a qualidade da apresentação, pois não vi.
Isso me faz lembrar a época em que eu era diretor de escola. Numa festa cultural realidade pela escola que eu dirigia, uma turma apresentou uma dança moderna. As meninas dançaram direitinho. Quando fui cumprimentar a professora pela apresentação, perguntei-lhe como tinha sido o treinamento das alunas. Para minha surpresa, a professora me disse que não havia feito absolutamente nada. As meninas lhe disseram que desejavam dançar e a professora as inscreveu. Elas conheciam a dança, que era feita num programa de TV. Decepcionei-me. Era uma festa cultural. O mínimo que se podia desejar era um aprendizado artístico. Mas não houve nada. As meninas fizeram o que já sabiam fazer, independentemente da escola. Ou seja, a escola não teve participação alguma, a não ser ceder o espaço. Isso tem pouquíssimo valor para o processo de ensino e aprendizagem, pois ninguém aprendeu nada, nem a professora, que poderia ter feito uma pesquisa sobre aquele tipo de dança e explicado para seus alunos.

Voltemos ao espetáculo trans. Não tem alguma semelhança com a história que acabei de contar? Infelizmente, a tal universidade apoiou o professor responsável. Falou em diversidade cultural, em respeito às diferenças. Essas coisas aí que são ditas quando não há um argumento melhor. Na verdade, não passou de uma apresentação inútil ou quase inútil.

Se houve alguma utilidade, foi a estupefação e a indignação que ocorreram.
Depois não entendem por que somos sempre os últimos nas avaliações internacionais de nossos alunos.

Bahige Fadel