O Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar, na Grande São Paulo, é alvo de uma operação deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quarta-feira (13/5), que apura possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos. Segundo as investigações, o regime previdenciário teria investido cerca de R$ 107 milhões em quatro letras financeiras, incluindo papéis do Banco Master, liquidado pelo Banco Central no fim do ano passado.
O montante corresponde a aproximadamente 19,56% do patrimônio líquido do Regime Próprio de Previdência Social do município, o que elevou o nível de alerta das autoridades. O caso também cita reportagem da colunista Andreza Matais, do portal Metrópoles, que revelou que o prefeito de Cajamar à época — aliado político do senador Ciro Nogueira (PP-PI) — estava no comando do município quando o instituto aplicou R$ 87 milhões em letras de crédito do Banco Master.
Nesta quarta-feira, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em Cajamar, Boituva e na capital paulista. A Justiça Federal também determinou o afastamento de pessoas ligadas à gestão do instituto, além do bloqueio de bens, conforme decisão da 9ª Vara Criminal Federal de São Paulo.
De acordo com a Polícia Federal, os gestores teriam falhado em praticamente todas as etapas do processo de investimento. A investigação aponta ausência de análise adequada dos emissores, falta de avaliação de riscos, inexistência de justificativas técnicas para as escolhas, ausência de critérios objetivos na seleção de instituições e ativos, falta de limites de concentração por emissor na política de investimentos, não verificação da liquidez dos papéis e documentação insuficiente das decisões.
Entre agosto de 2023 e março de 2024, o instituto realizou quatro aplicações em letras financeiras junto ao Banco Master e ao Banco Daycoval, com prazos de vencimento entre oito e dez anos e remuneração indexada ao IPCA.
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