Presidente do Sintaema fala sobre assédio moral na Sabesp

Na manhã desta terça-feira (04), Alpha Notícias conversou com José Antonio Faggian, Presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente (SINTAEMA), sobre o assédio moral coletivo que os trabalhadores da Sabesp estão enfrentando.

Alpha Notícias: “Nos últimos dias, tivemos informações sobre o Programa de Desligamento Voluntário (PDV) e também sobre casos de assédio moral contra os trabalhadores da Sabesp. Isso realmente está acontecendo, Faggian?

Faggian: “Infelizmente, isso é verdade; tem acontecido com nossos trabalhadores. O que ocorre é que estamos passando pelo processo de privatização, e a Sabesp começa a funcionar como uma empresa privada. O ‘modus operandi’ das privatizações no Brasil inclui elementos como o Plano de Demissão Voluntária e o Plano de Demissão Incentivada (PDI). Todas as empresas que passaram por privatização, no primeiro momento, tiveram esses planos, justamente para se ‘livrar’ daqueles trabalhadores que, na avaliação do novo proprietário, não se enquadram na nova filosofia de empresa privada.

No mês de janeiro, foi lançado um Plano de Demissão Voluntária, e as inscrições para esse plano se encerraram na sexta-feira (31). Temos mais de 10 mil trabalhadores em todo o Estado, e a adesão a esse plano foi de aproximadamente 20%, ou seja, cerca de 2.024 trabalhadores. Para ‘incentivar’ que os trabalhadores aderissem, foram oferecidas migalhas.

Quando a empresa percebeu que a adesão não estava sendo a esperada, começou a fazer uma série de lives, notícias e ameaças aos trabalhadores para que eles aderissem. A lei que autorizou a privatização é válida até abril de 2026, e por essa razão a empresa começou a ameaçar com diminuição de salários, afirmando que quem não aderisse ao incentivo seria desligado, independentemente de qualquer coisa. Assim, interpretamos isso como um ‘assédio moral coletivo’, inclusive em uma das lives feitas pelo diretor responsável pelo RH da Sabesp, que foi literal ao dizer essas coisas. Fizemos uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho e estamos aguardando a apuração.”

Faggian apontou que a empresa tem adotado várias medidas prejudiciais à categoria, como a imposição de condições para a adesão ao plano de demissão voluntária (PDV) lançado em janeiro. Uma das cláusulas do programa exige que os funcionários renunciem a ações judiciais contra a companhia, o que, segundo o Sindicato, fere os princípios e dispositivos previstos na Constituição Federal e na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Outro ponto destacado na denúncia é a transferência compulsória de funcionários para a capital, sem planejamento adequado e sem o suporte necessário. O anúncio foi feito pelos diretores da companhia durante uma live realizada na última quarta-feira, dia 29.

A reunião foi marcada pela Sabesp após cobranças das entidades sindicais SINTIUS e SINTAEMA, representantes dos trabalhadores, especialmente após a live realizada pela empresa no dia 29/01, que causou desconforto e constrangimento entre os colaboradores. Durante a transmissão, foi mencionada a possibilidade de transferência dos trabalhadores administrativos para a capital e até mesmo para regiões distantes de suas casas na Baixada Santista, o que gerou uma série de mal-entendidos.

Em nota, a Sabesp esclareceu que o Programa de Desligamento Voluntário (PDV) é uma escolha totalmente livre do colaborador, atendendo, inclusive, a uma demanda dos próprios colaboradores que desejam decidir se querem fazer uma transição de suas carreiras neste momento de vida ou não continuar na empresa.

Essa ação faz parte do Sabesp Gente, iniciativa que reforça o compromisso da Companhia em promover a universalização do saneamento até 2029. O programa está estruturado em três pilares: valorização dos talentos internos; atração de novos colaboradores, incluindo aprendizes, estagiários e trainees; e apoio na transição de carreira e pós-carreira, sendo nesse último que se insere o Programa de Desligamento Voluntário.

Com o Sabesp Gente, a empresa busca unir a experiência reconhecida de seus profissionais à de novos talentos, além de desenvolver suas equipes para enfrentar e superar os desafios do novo ciclo de crescimento.

A Companhia informou ainda que, em reunião nesta quinta-feira (30) com representantes sindicais, esclareceu que não haverá transferência compulsória de pessoas. Está em andamento a transferência de processos de trabalho, o que não implica necessariamente na transferência de profissionais.

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