Professor Nelson Letras volta ao Rádio com programa Românticos da Noite pela Rádio Alpha FM

Uma crônica de rádio… e de vida

Estávamos nos anos 80, a charrete que perdeu o condutor como cantava o maluco beleza.

Aos meus oito anos de idade, cantarolava, enquanto caminhava pelo quintal de terra, “toquem o meu coração, façam a revolução… está no ar, nas ondas do rádio”… Aquela música da banda RPM não saía de minha cabeça. E como eu a conhecia? Pelo rádio, aquela caixa mágica que me entretinha com uma das maravilhas da arte, a música, com a companhia dos locutores, as transmissões dos jogos de futebol – “abrem-se as cortinas e começa o espetáculo”, e havia também os jornais (que, na época, eu não ligava muito). Lembro-me bem de como a vinheta de encerramento da programação da Rádio PRF´8 me entristecia, pois aquele mundo de sonhos só estaria disponível no próximo dia.

Todas as manhãs, meus pais ouviam “O Palanque” com Plínio Paganini, Elias Francisco e companhia… Tudo que acontecia na cidade, ficávamos sabendo por esse programa.

Eu me apaixonei muito cedo pelo rádio e, naqueles tempos, nem imaginava que um dia faria parte dessa casa.

Os anos se passaram, e chegávamos a março de 1991. Não consigo recordar o dia exato do mês, mas foi quando subi as escadas daquele prédio histórico onde ficava a Radio Emissora de Botucatu e a Cultura FM. Eu seria o mais novo office-boy das duas emissoras! Fui apresentado a dona Maria Buriti, a dona da Cultura FM, que me recebeu como uma professora (que, aliás, ela também era). Minha função também era “atender o balcão”. As pessoas chegavam para saber sobre empregos, para divulgar sobre cães desaparecidos, para ver se alguém havia encontrado a carteira com documentos, chaves, até óculos. Tudo acontecia na Rádio!

Festa do dia das Mães, da PRF´8, 1991

Ali também fiz muitas amizades. Foi muito interessante ouvir a voz do locutor Clóvis Carmone, pessoalmente, e reconhecê-la. Mas não foi só a voz de meu amigo Clóvis. Também havia o Plínio e o Elias (do Palanque), o Gilberto Silva, o Wartão, o Nelson Camargo, o Edmundo Anselmo e muitos outros. Ah, também os técnicos de som, os programadores, jornalistas… Luís Valin, Heitor e César Titon, o Dez, o Rúbens Roberto Herbst, o Haroldo Amaral … a lista é grande. Depois vieram outros, o Tom Martins, o Fernando Bruder, o Marcelo Kor, o Kiko Filho, o Joandre César, o Paulo Magrão, o Giovani Neto, o Luís Henrique… enfim… são tantos os nomes, amigos, que seriam necessárias muitas linhas para escrever.

Mas eu sentia que minha vida não estava somente no escritório da Rádio e ao lado do aparelho transmissor. Eu queria mais!

Foi em 1993 que comecei a aprender sonoplastia (comandar a mesa de som, os toca-discos, as fitas…). O Césinha Jr, que hoje apresenta o programa da tarde na Municipalista, foi meu primeiro professor. Até me emociono quando lembro as palavras de meu amigo roqueiro: “Nelsinho, tudo aqui é som! A finalidade de todos esses botões, de todos esses aparelhos é som!”…

Em poucas semanas, eu já estava comandando aquele equipamento e ajudando a levar música, informação, entretenimento para milhares de ouvintes. Agora eu estava do outro lado da caixa mágica.

Estúdio Nova Cultura FM, 1997

… “Lojas Algodão Doce informam o hora certa!”. Meu coração acelerou… Eu fazia técnica de som, nas madrugadas, aos fins de semana, na Cultura FM, quando apertei o botão da cartucheira (equipamento em que eram tocadas as fitas com comerciais), e a propaganda das Lojas Algodão Doce informava a hora. Mas quem falava era o locutor do horário. Opa, que locutor? Naquele horário não havia locutor, era só eu ali naquele estúdio. Minha ação foi muito rápida, abri o canal do microfone e falei a hora… Assim, iniciava-se minha nova aventura de vida…

A cerca de três, quatro meses, eu começara a aprender técnica de som, e agora eu já estava até anunciando músicas nas madrugadas dos fins de semana.

Aí vem um momento que nunca esquecerei. A equipe da FM conversou com o diretor, dono da Rádio, Plínio Paganini, que eu chamava de seu Plínio, e lhe informou sobre o que eu estava “aprontando”. Só que o objetivo era positivo, era me ajudar a ser mais uma voz do rádio. “Seu Plínio” me chamou em sua sala e disse: “responde uma coisa, Nelsinho, você quer ser locutor?”. A resposta foi automática “sim, seu Plínio, quero muito”. “Muito bem, então você começa a treinar no estúdio de gravação, mas antes quero que você preste muita atenção no que vou lhe dizer, tome muito cuidado com o que você fala no rádio, pois, no mínimo, haverá mil pessoas te ouvindo!”. Na hora, eu fiquei empolgado, pois era exatamente o que eu queria. Foi muitos anos depois que entendi melhor o que aquelas palavras significavam. Quantos locutores deveriam ter ouvido isso de seu Plínio… – Durante a pandemia de Covid, absurdos que causaram milhares de mortes, sofrimento de milhões, foram alardeados por “locutores” em muitas emissoras do país, até mesmo em emissoras importantes, como a Jovem Pan de São Paulo, emissora que um dia, no final da adolescência, eu admirava e tinha como referência. Aquelas mentiras como “o vírus não faz tão mal, distanciamento social é errado, máscaras fazem mal, vacinas não são confiáveis…” vieram de pessoas que, possivelmente, não tiveram a oportunidade que eu tive: de ter um professor como Plínio Paganini.

Estúdio PRF´8, 1999

Eu tinha dezessete anos quando assumi o horário da tarde da na Nova Cultura FM. Eita, vida corrida… Saía da escola mais de meio-dia para começar minha locução às 13h. Era uma aventura… EECA, terceiro colegial, e já locutor de rádio. E, enquanto “brincava de rádio”, ia aprendendo a vida.

Estúdio Cultura FM, 2001

E os anos foram passando, novos amigos no rádio, novos programas… Em Botucatu, foi marcante apresentar nos fins de noite o “Cultura e os Românticos do Mundo”. Isso foi no final dos anos 90 e começo dos anos 2000.

Mas era tempo de trilhar novos caminhos. Era tempo de cursar Letras, na Unesp de Assis, tempo de ser professor. Aqueles anos também haviam sido os últimos momentos de rádio para mim, já que enquanto fazia faculdade também trabalhei em duas rádios na cidade de Assis. Também foram momentos inesquecíveis, e amigos que sempre serão lembrados…

Estúdio Cultura FM de Assis, 2003

Minha formatura foi no início de 2005. Logo após, retornei a Botucatu para começar minha carreira de professor no cursinho da Escola Viva, o cursinho da Nora, da Noinha, rsrsrs – o Nelson Leite do rádio passava a ser conhecido como Nelson Letras. Desde então atuei em várias escolas. Eu que nunca havia entrado em uma sala de aula de uma escola particular como aluno, passei a ser professor nelas. Montei meu curso de redação que continua participando da vida de muitos jovens, futuros universitários. Nestes anos, também tenho me divertido com programas de tevê, apresento o programa Flashmix, produzido e exibido pela TV Alpha, Botucatu, e também exibido em várias emissoras comunitárias do país, inclusive, no canal nacional, a TVcom Brasil.

Mas a crônica do rádio não pode parar, a caixa mágica de som continua emitindo ondas que pulsam nossas vidas… Assim, o fim desse texto é para contar a sequência de minha aventura, de meu amor pelo rádio. É a hora de continuar me emocionando e de levar emoção para outras pessoas, para antigos e novos ouvintes. As músicas românticas voltarão a fazer parte do rádio e da vida de muitos. Estreia segunda, dia 09 de março, às 22h, na Rádio Alpha FM Botucatu, o programa Românticos da Noite. Além da frequência 87,5 – como o rádio também evoluiu – o programa poderá ser ouvido pelo celular, é só baixar o aplicativo da Rádio Alpha Botucatu (é apenas um toque em seu celular e você ouve), ou ainda pelo site https://www.radioalphabotucatu.com.br/

É em um clima de extremo saudosismo, que, tantos anos depois, subirei, no mesmo mês de março, aquelas mesmas escadas de 1991, de quando era menino, e são, realmente, os mesmos degraus, já que a Rádio Alpha fica naquele mesmo prédio da rua Marechal Deodoro, no centro da cidade, em que ficava a Rádio PRF´8 e a Cultura FM, ou seja, a minha segunda casa.

Termino essa crônica de rádio e de grande parte de minha vida convidando você a fazer parte dessa viagem, a resgatar o prazer de ouvir rádio, a ouvir e fazer comigo o programa Românticos da Noite. Você poderá participar mandando sua mensagem, pedindo sua música pelo WhatsApp (14) 99661 64 11 ou pelo Instagram “@programaromânticosdanoite”. Afinal, a frase é clichê, mas é verdadeira “o show não pode parar”.

 

 

 

Sobre Fernando Bruder

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