E o tema da redação do vestibular da Unesp 2026 foi “Vivemos hoje uma epidemia da solidão?”. A seguir, confira um texto produzido pelo professor Nelson, da Escola de Redação Nelson Letras, sobre o tema deste ano.
Responsável por reflexões e emoções, a sétima arte implicou angústias em inúmeras pessoas quando o protagonista de O náufrago – interpretado por Tom Hanks -, devido à solidão, passou a interagir com uma bola de vôlei, “Wilson”, como se esta fosse um ser humano. O sofrimento do personagem transporta o espectador à dor do estar só. Essa solidão retratada no cinema é uma situação paradoxal ao ser comparada com a “epidemia”, cultura do isolamento alertada pela OMS, segundo a qual um terço dos idosos e um quarto dos adolescentes sofrem, física e/ou subjetivamente, angústias semelhantes às do personagem do filme, embora não estejam em uma ilha isolada, mas sim em uma sociedade hiperconectada pelos novos sistemas de comunicação. Logo, por causa de um condicionamento exterior que lhe prejudica a relação com o outro e a posse de uma boa saúde mental, grande parte da sociedade perde um pouco de sua humanidade.
Em Modernidade Líquida, Zygmunt Bauman analisou como a sociedade, determinada por um sistema que conduz o indivíduo a priorizar trabalho e bens de consumo, tem vivido sob a substituição de relacionamentos interpessoais por relações entre sujeitos e objetos. Os indivíduos passaram a viver sob um acúmulo de tarefas que os impedem de aprender sobre suas características de ser que necessita de interações sociais mais sólidas. Destarte: idosos são isolados de seus familiares e também socialmente, pois não estão em relações de trabalho, em atividades de entretenimento comunitário; e crianças, jovens e adultos, encontram-se, muitas vezes, sob o domínio das redes sociais e da positividade tóxica, com a necessidade de uma idealização de felicidade, mas isolando-se das relações físicas e sólidas, tendo como consequência uma solidão capaz até de gerar pseudointerações sentimentais com inteligências artificiais, os Wilsons do mundo virtual.
Assim, percebe-se que o aspecto negativo do signo linguístico solidão está relacionado não só a algo físico, mas principalmente mental. Em grande parte da sociedade moderno-líquida, o indivíduo possui seu inconsciente construído, desde criança, sob relações afetivas menos profundas, pois não há tempo para elas, estão inseridas em um sistema educacional de aulas expositivas sem interatividade, pois até mesmo as redes sociais, os jogos de celulares, substituem os pais. Nesse cenário, o superego, o qual é desenvolvido para não ter comunhão com outras pessoas, reflete no ser consciente, causando-lhe sofrimento. Mesmo vivendo em sociedade, com pessoas ao redor, esse indivíduo se sente solitário e não possui a capacidade de compartilhar suas emoções com outras pessoas – haja vista a imensa quantidade de indivíduos que têm procurado ajuda psicológica pelo ChatGPT ou por Apps de suporte emocional, ou ainda o fenômeno social dos bebês reborn ocorrido no Brasil em 2025.
O ser humano depende intelectual e materialmente do outro – assim como refletiu Aristóteles “O homem é por natureza um animal político”- e, com exceções de casos mais complexos de saúde, não necessita de bolas de vôlei personificadas, as IAs ou os bonecos artificiais hiper-realistas, para suprir uma carência. Projetar nestes a idealização da companhia pode gerar mais sentimento de solidão, por ser um falso compartilhamento de emoções o qual vai contra a natureza humana de ser social. É pelas relações sociais que o inconsciente é construído para uma boa saúde emocional capaz de viver bem o ócio e a relação com o outro – a exemplo da Finlândia, país considerado pelo oitavo ano consecutivo como o mais feliz do planeta, ao priorizar um sistema educacional para o pensamento crítico e com menos ênfase em competições, um estilo de vida pela ausência de ostentação, com valorização de tempo livre, da família e hobbies ao ar livre.

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