Na Rua Amando de Barros, em Botucatu, em frente ao antigo Shopping Amando, a lembrança de uma tragédia ainda emociona quem passa pelo local. Dois anos após a morte da jovem Ana Júlia, a mãe dela, Neide Albertino, retornou pela primeira vez ao ponto onde a filha perdeu a vida. Em relato comovente, ela descreveu a dor que permanece presente no dia a dia da família.
“É muito difícil. Em dois anos, é a primeira vez que eu paro aqui. Quando posso, evito passar por essa rua, porque é muito dolorido”, afirmou.
Segundo Neide, o sofrimento não diminuiu com o tempo. A mãe relatou que a perda abalou profundamente toda a família e que, até hoje, enfrenta dificuldades para lidar com a ausência da filha.
“É uma dor que não passa. Às vezes, nem consigo mais chorar, mas continua doendo muito. Minha família toda sofre, minhas outras filhas também. Ela era muito importante para nós”, disse.
Além da dor, a família também enfrenta a frustração com a falta de apoio após o ocorrido. De acordo com Neide, não houve assistência por parte da empresa envolvida.
“Eu não tive apoio de ninguém. Ninguém da empresa falou comigo. Pelo contrário, tentaram jogar a culpa nela”, relatou.
A família chegou a buscar medidas judiciais, mas, segundo ela, o processo ainda se arrasta sem solução definitiva.
O caso levanta questionamentos sobre as condições de trabalho oferecidas à jovem na época do acidente. Conforme relato da mãe, teria havido falhas na orientação e na preparação técnica, além de um ambiente de trabalho improvisado, o que pode ter contribuído para a fatalidade.
“Foi tudo muito corrido, sem instrução adequada. Um erro foi puxando o outro”, afirmou.
Mesmo diante da dor e da espera por justiça, Neide faz um apelo para que situações semelhantes não se repitam.
“Os jovens saem de casa para trabalhar e ajudar a família. É preciso dar mais segurança, mais orientação. Eu não gostaria que outras famílias passassem por isso”, disse.
A tragédia, que marcou a cidade, segue como um alerta sobre a importância de condições adequadas de trabalho e responsabilidade das empresas na proteção de seus funcionários, especialmente os mais jovens e inexperientes.
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