Artigos do Autor: Fernando Bruder

O calor que derrete a educação brasileira: Por Dimas Ramalho

O calor extremo não é mais uma anomalia passageira. Na era do aquecimento global, ele veio para ficar –atravessando estações, invadindo cidades, transformando os hábitos e moldando o curso da vida cotidiana. Nas escolas brasileiras, essa nova realidade climática representa muito mais do que um incômodo. Trata-se de um obstáculo direto ao aprendizado. A equação é simples: à medida que o termômetro sobe, o desempenho dos alunos cai.

Estudantes suando sob o uniforme, professores interrompendo as explicações para abrir janelas que pouco refrescam, ventiladores que apenas reviram o ar quente e denso –tudo isso compõe o retrato do cotidiano de milhares de salas de aula pelo país. Em ambientes onde o desconforto térmico prevalece, o conteúdo, por mais relevante que seja, não encontra espaço para se fixar, a irritabilidade toma o lugar do interesse.

As estatísticas confirmam esse quadro alarmante. Um levantamento recente feito pelo Centro de Inovação para a Excelência das Políticas Públicas revelou que apenas 33% das salas de aula das escolas públicas brasileiras são climatizadas. O dado, extraído do Censo Escolar organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, considera climatizados os ambientes que contam com ar-condicionado, aquecedor ou climatizador.

O dado geral, entretanto, esconde enormes discrepâncias regionais. Se olharmos para o estado de São Paulo, centro econômico do país, a situação é ainda mais desconcertante. Somando as escolas estaduais e municipais, só 9% dos espaços de ensino são climatizados.

Mas as estatísticas não param por aí. Outro estudo recente, produzido pelo Instituto Alana e pelo MapBiomas, revelou que em um terço das capitais brasileiras ao menos metade das escolas –públicas e particulares– estão situadas em regiões que apresentaram desvios de temperatura de pelo menos 3,5ºC acima da média urbana.

São estabelecimentos de ensino situados nas chamadas “ilhas de calor”, áreas urbanas densamente ocupadas, dominadas pelo concreto e pelo asfalto e com pouca vegetação. Nessas regiões, as altas temperaturas não são um fenômeno pontual, mas uma presença constante, transformando as escolas em ambientes hostis para o aprender e o ensinar. Essa realidade insalubre afeta as vidas de cerca de 2,5 milhões de crianças e adolescentes, em sua maioria oriundos das camadas mais vulneráveis da sociedade.

Diante dessa soma de fatores, a resposta das autoridades governamentais precisa ser rápida e eficaz. Climatizar as salas de aula não é uma questão de luxo, mas de dignidade. Não se trata apenas de proporcionar algum conforto, mas de garantir condições mínimas para que todos os alunos, independentemente de sua origem ou condição social, possam aprender.

Diversos estudos já demonstraram que o calor excessivo, ao prejudicar a concentração, a memória e a saúde física e mental dos alunos, afeta diretamente o aprendizado. Uma análise feita por pesquisadores do Banco Mundial utilizando dados da Prova Brasil mostrou que o aumento de dias quentes foi responsável por uma queda de desempenho nos exames de matemática e português.

Com o fim do período de verão, estamos no momento ideal para que governos de todas as esferas iniciem uma mobilização pela climatização das escolas. O Tribunal de Contas do Estado de São Paulo vem cobrando diagnósticos e planos concretos dos jurisdicionados. Não podemos esperar o próximo recorde de temperatura para começar a agir.

A adaptação climática das salas de aula é uma necessidade incontornável dos tempos atuais. É hora de fazermos da educação uma prioridade não apenas nos discursos, mas na criação de um ambiente propício ao aprendizado, em que a temperatura seja o menor dos desafios.

Dimas Ramalho é conselheiro-corregedor do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo

Expediente das repartições públicas municipais nos feriados de 18 e 21 de abril

A Prefeitura de Botucatu informa que as repartições públicas não funcionarão nos feriados dos dias 18, Sexta-Feira Santa, e 21 de abril, Dia de Tiradentes. O atendimento voltará ao normal na terça-feira (22).

Saúde: Os Prontos Socorros Adulto (Vila Assumpção) e Pediátrico (no Hospital das Clínicas, em Rubião Júnior), o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU192) e a Central de Ambulâncias (0800-772-1415), atenderão normalmente a população em esquema de plantão 24 horas.

A Unidade Básica de Saúde da Cecap funcionará em pronto atendimento na sexta-feira (feriado), sábado, domingo e segunda-feira (feriado), das 8 às 16h30.

Já as Unidades de Saúde e da Família estarão fechadas, seguindo o expediente da Prefeitura, e retornarão ao atendimento no dia 22, terça-feira. Mais informações podem ser obtidas junto à Secretaria Municipal da Saúde pelo telefone (14) 3811-1100.

Educação: Na sexta-feira (18) e segunda-feira (21), todas as unidades da Rede Municipal de Ensino e Conveniadas (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Educação Especial e EJA) estarão fechadas, retornando às aulas na terça-feira, 22.

No sábado (19), os CEI’s Claudeval Luciano da Silva (Centro), Ruy Amado Piozzi (Vila dos Lavradores) e Canal Comunitário (Centro) atenderão em sistema de plantão os alunos de 4 meses a 3 anos matriculados nessas unidades.

Mercado Municipal: O Mercado Municipal estará fechado na sexta-feira (18) e na segunda-feira (21), retornando ao atendimento normal na terça-feira, das 07 às 18 horas.

Limpeza Pública: As coletas domiciliar e seletiva serão normais nos feriados de 18 e 21 de abril.

Cachoeira da Marta: O Parque Natural Municipal Cachoeira da Marta estará aberto para visitação pública nos feriados de 18 e 21 de abril em horário normal, das 9 às 16 horas.

Ecoponto: O Ecoponto, localizado na Rua Major Nicolau Kuntz, 1299-1201 – Cohab IV, não abrirá nos dias 18 e 21 de abril. No dia 19, sábado, atendimento normal.

Parque Municipal: O Parque Municipal Joaquim Amaral Amando de Barros, localizado na Rua Dr. José Barbosa de Barros – Jardim Paraíso, abrirá normalmente na sexta-feira (18) e na segunda-feira (21).

 

Entidades reagem a vetos de terapias hormonais para menores

A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) publicou nota de repúdio à resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) publicada nesta quarta-feira (16) que revisa critérios éticos e técnicos para o atendimento a pessoas com incongruência e/ou disforia de gênero.

A entidade avalia que a publicação promove “grande retrocesso” no direito ao acesso à saúde integral da população trans e travesti no Brasil, sobretudo de crianças e adolescentes trans que, segundo a nota, são diretamente impactados pelas normas definidas pelo CFM.

“Estamos diante de mais uma ação coordenada que dialoga com a crescente agenda antitrans em nível global, marcada por políticas e discursos que atacam diretamente a existência, a dignidade e os direitos básicos da nossa população”, destaca a Antra no comunicado.

“A revogação de diretrizes que garantem acompanhamento e cuidado adequados para crianças e jovens trans sem nenhuma justificativa aceitável representa um ataque deliberado ao futuro dessas pessoas, com impactos profundos e irreversíveis em sua saúde mental, segurança e bem-estar coletivo”, alerta a associação.

Para a associação, a decisão do CFM ignora evidências científicas e ocorre em um contexto de falta de escuta qualificada com especialistas, profissionais de saúde que atuam no atendimento a crianças e adolescentes trans e movimentos sociais.

“A resolução ignora o entendimento internacional sobre os cuidados afirmativos em saúde, promovido por instituições como a Organização Mundial da Saúde (OMS), e desconsidera completamente a realidade vivida pelas juventudes trans brasileiras, que enfrentam múltiplas formas de violência, exclusão e abandono social.”

Também em nota de repúdio, a organização não governamental (ONG) Mães pela Diversidade diz ter recebido “com absoluta surpresa e indignação” a aprovação da resolução pelo CFM.

“Nossas famílias vivenciam cotidianamente os enormes desafios de romper estigmas, preconceitos e discriminações e buscam oferecer a suas crianças, adolescentes e jovens ambientes seguros e todas as oportunidades de vivenciarem as experiências necessárias para seu pleno e saudável desenvolvimento.”

A entidade se coloca em defesa da manutenção do atendimento especializado “que, até o momento, vinha sendo prestado a nossas filhas, filhes e filhos que vivenciam a disforia de gênero e que dependem de procedimentos terapêuticos criteriosamente prescritos por equipes multidisciplinares para não sofrerem agravos em sua saúde física e mental.”

Em seu perfil no Instagram, a ONG Minha Criança Trans avalia que a resolução do CFM joga no lixo os direitos trans por proibir que jovens trans e travestis acessem tratamentos classificados como essenciais pela entidade.

“Isso é um golpe na saúde mental e em vidas trans. Esses tratamentos são a salvação para muitos jovens. Sem eles, a depressão, a ansiedade e até riscos de suicídio disparam! O CFM está ignorando a ciência e condenando adolescentes a sofrerem em corpos que não representam quem são”, afirma a ONG.

Entenda

A resolução do CFM proíbe o bloqueio hormonal para crianças e adolescentes com incongruência e/ou disforia de gênero. A entidade estabelece ainda que terapia hormonal cruzada (administração de hormônios sexuais para induzir características secundárias condizentes com a identidade de gênero do paciente) só poderá ser iniciada a partir dos 18 anos.

A publicação também restringe o acesso a cirurgias de redesignação de gênero para pessoas trans antes dos 18 anos de idade e, nos casos em que o procedimento implicar potencial efeito esterilizador, antes de 21 anos.

Por fim, a resolução determina que pessoas trans que mantêm seus órgãos reprodutivos biológicos devem buscar atendimento médico preventivo ou terapêutico com especialistas do sexo biológico e não conforme sua identidade de gênero.

MPF

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou procedimento para apurar a legalidade da resolução.

Em nota, a entidade destaca que a publicação altera as normas que definem o atendimento e a realização de procedimentos médicos ofertados a pessoas trans, incluindo crianças e adolescentes.

De acordo com o MPF, o procedimento foi aberto a partir de denúncia feita pela Associação Mães pela Diversidade e de nota técnica publicada pela Antra.

“As entidades comunicaram o fato e demonstraram a preocupação de familiares de crianças com variabilidade de gênero ou adolescentes trans que sofrem de disforia de gênero e que têm acesso a procedimentos terapêuticos como bloqueio puberal e hormonização cruzada”, disse o MPF.

O que diz o CFM

Em coletiva de imprensa, o presidente do CFM, José Hiran Gallo, ressaltou que a resolução foi aprovada por unanimidade pelo plenário da entidade.

“Todos os 28 conselheiros presentes aprovaram essa resolução”, afirmou.

O médico ginecologista Rafael Câmara, conselheiro pelo estado do Rio de Janeiro e um dos relatores da resolução, destacou que se trata de um tema em que as evidências e os fatos mudam a todo instante.

“É natural que essas resoluções sejam alteradas”, avalia.

Ao tratar da vedação da terapia hormonal cruzada para menores de 18 anos de idade, ele lembrou que a resolução anterior do CFM estabeleceu 16 anos de idade como a idade mínima para a administração de hormônios sexuais com essa finalidade.

“Não é algo inócuo”, disse, ao citar riscos como o aumento de doenças cardiovasculares e hepáticas, incluindo câncer, fertilidade reduzida, calvície e acne, no caso da testosterona, e problemas tromboembólicos e câncer de mama, no caso do estrogênio.

Sobre bloqueadores hormonais, o médico destacou que o uso desse tipo de terapia no intuito de suprimir a puberdade em crianças e adolescentes é motivo de discussões e questionamentos frequentes.

Câmara lembrou que, em abril do ano passado, o Reino Unido aboliu o uso de bloqueadores sexuais. Segundo ele, Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca, “países com sistemas de saúde fortes e de tendência progressista”, também proibiram a terapia.

“A exposição a hormônios sexuais é importante para a resistência óssea, para o crescimento adequado e para o desenvolvimento de órgãos sexuais”, lembrou, ao citar, dentre as consequências, densidade óssea comprometida, altura alterada e fertilidade reduzida.

O médico ressaltou que a vedação do uso de bloqueadores não se aplica a situações clínicas reconhecidas pela literatura médica nas quais o uso é cientificamente comprovado, incluindo quadros de puberdade precoce e doenças endócrinas.

Na coletiva, Câmara citou ainda o aumento de relatos de arrependimento de transição e mesmo de destransição sexual desde 2020, o que levou diversos países a revisarem seus protocolos para lidar com a incongruência e a disforia de gênero.

Outro ponto destacado pelo médico trata do sobrediagnóstico, sobretudo entre menores de idade.

“Mais crianças e adolescentes estão sendo diagnosticados com disforia de gênero e, com isso, levados a tratamentos. Muitos, baseado em estudos, no futuro, poderiam não ser trans, mas simplesmente gays e lésbicas”.

“Estudos mostram que, alguns anos atrás, a tendência, quando se tinha casos diagnosticados [de disforia de gênero], era tentar fazer com que a criança não mantivesse [o quadro]. Hoje, a tendência é fazer um viés de confirmação. Se a criança de 4 anos diz que é trans, muitos serviços acabam mantendo ou estimulando”.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Divulgação

Semana de Leitura com Itamar Vieira Junior no Senac Botucatu

Autor do premiado romance Torto Arado participa de bate-papo gratuito sobre literatura e identidade, em evento com diversas atividades sobre o poder transformador da leitura

O Senac Botucatu recebe, de 22 a 26 de abril, a 10ª Semana Senac de Leitura com o tema Cultura e convivência: a biblioteca além dos livros, que acontece em todas as unidades do Senac São Paulo e on-line. Gratuito e aberto à comunidade, o evento na cidade inclui slam e batalha de rimas, bate-papo literário e apresentações artísticas. Um dos destaques é o premiado escritor baiano Itamar Vieira Junior.

Autor de importantes obras literárias, Itamar Vieira Junior participa de um bate-papo com o público no dia 24/4, às 19h30, abordando temas como identidade, ancestralidade e o poder transformador da literatura. Esses temas estão presentes em seus livros, especialmente em Torto Arado, romance vencedor de prêmios como o Jabuti (2020, Brasil) e o LeYa (2018, Portugal), entre outros reconhecimentos nacionais e internacionais.

Outra atividade tradicional do evento é a Feira de Troca de Livros e Gibis. O público interessado pode ir até a unidade, levando um livro ou gibi, para realizar a troca com os itens que estarão disponíveis no local. Vale destacar as regras:

  • A troca será de livro por livro e gibi por gibi;
    ● Livros de literatura em geral são bem aceitos (seguindo o critério de conservação e qualidade);
    ● Serão permitidos livros de literatura estrangeira, nacional, infantil, infanto‐juvenil e gibis;
    ● Não serão aceitos materiais didáticos, livros de cunho político/partidário, religioso, dicionários, lista de endereços e telefones, teses e dissertações, enciclopédias, pornográficos e sobre sexologia, código civil e legislação, e livros de informática.

 

A abertura oficial acontece no dia 22, às 15h, no Teatro do Sesi Campinas, com transmissão ao vivo pelo YouTube do Senac São Paulo. O bate-papo contará com Lucas Afonso, MC, ator e arte-educador, Luciane Vignolli Muller, escritora, professora, palestrante e Bel Santos Mayer, educadora social e ativista de livros e bibliotecas, com mediação da jornalista e docente Aurora Salles.

De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, mais de 52% da população brasileira é considerada leitora. No entanto, o estudo também revela uma queda no número de leitores nos últimos anos, o que reforça a importância de iniciativas que estimulem a leitura em espaços acessíveis e acolhedores. Ao transformar bibliotecas em ambientes vivos de convivência, o Senac reafirma o papel desses espaços como catalisadores de inclusão, repertório cultural e fortalecimento comunitário.

Confira os destaques da programação do Senac Botucatu:


Slam e Batalha de Rima
Data:
23/4
Horário: 14h às 17h
A programação conta com show de rap com influências de boom bap, trap, drill, reggae e dancehall, com letras de reflexão e positividade, slam de poesia com cinco mulheres slammers abordando temas atuais em performances potentes e uma batalha de rima entre quatro MCs, com interação do público e votação ao final de cada duelo.

Yuri Garfunkel e Lula Fidalgo
Data:
23/4
Horário: 20h às 21h
A atividade é uma apresentação musical e bate-papo sobre a produção do livro A Viola Encarnada: moda de viola em quadrinhos, em que demonstra os principais estilos de composição dentro da tradição caipira, relacionando cada ritmo com uma proposta narrativa (romance, comédia, ação, etc) e apresentando clássicos como Chico Mineiro e Calix Bento.

Torto Arado e Além: diálogos com Itamar Vieira Junior
Data:
24/4
Horário: 19h30 às 22h
Itamar Vieira Junior, escritor brasileiro, autor do romance Torto Arado, ganhador do Prémio LeYa de 2018, do Prêmio Jabuti de 2020, do Prêmio Oceanos de 2020 e do Prêmio Montluc Rèsistance et Liberté de 2024, fará um bate-papo sobre os temas dos seus livros e sua trajetória como escritor. Haverá sessão de autógrafos após o bate-papo.

Para conferir a programação completa e se inscrever, basta acessar o site do evento.

Serviço: 10ª Semana Senac de Leitura
Quando:
  22 a 26 de abril
Informações e inscrições:https://eventos.sp.senac.br/evento/10a-semana-senac-de-leitura/

Evento gratuito

Senac Botucatu

Endereço: Rua Dr. Rafael Sampaio, 85 – Boa Vista – Botucatu/SP

Site: www.sp.senac.br/senac-botucatu

Senac Botucatu

Foto: Renato Parada

SUS substituirá papanicolau por exame de DNA mais eficaz este ano

O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a substituir gradualmente o papanicolau pelo exame molecular de DNA-HPV. O teste com coleta de amostras é mais eficaz para a detecção do vírus causador do câncer de colo de útero.

A técnica, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é mais precisa na detecção de casos precoces. Estudos mostram que ela revela a presença do vírus 10 anos antes do aparecimento das lesões visíveis no exame papanicolau, que hoje é padrão. Esse intervalo de diagnóstico precoce reduz o risco de morte pela doença.

“A tecnologia de DNA para a detecção do HPV, junto ao rastreamento periódico, é mais fidedigno que o papanicolau para fazer a prevenção dessa doença”, afirma a ginecologista Sálua Calil, da Rede Mater Dei de Saúde.

A transição no SUS será gradual, conforme diretrizes divulgadas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), mas a previsão é que em até 180 dias o exame já seja o padrão de rastreamento na rede pública.

Profissionais de enfermagem já capacitados para o papanicolau poderão realizar a coleta do novo teste. “O material é um pouco diferente, mas com treinamento básico, o enfermeiro consegue fazê-lo”, afirma Gabriela Giacomini, representante do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

Intervalo maior entre exames

Com a adoção do teste molecular, o intervalo entre coletas para mulheres sem diagnóstico de HPV passará de três para cinco anos, reduzindo a frequência de realização do exame. A faixa etária recomendada permanece de 25 a 49 anos.

O exame identifica os principais subtipos do vírus que são associados ao aparecimento de lesões, como os tipos 16 e 18, responsáveis por 70% das feridas pré-cancerosas. Caso detectados, a paciente será encaminhada diretamente à colposcopia, em que uma lente amplia a visão das áreas examinadas e aumenta a precisão dos laudos.

HPV e o câncer de colo de útero

O papilomavírus humano (HPV) está ligado a quase todos os casos de câncer de colo de útero. Este tipo de tumor ginecológico é o terceiro mais comum entre mulheres brasileiras. O HPV ainda é ligado a outras neoplasias perigosas, como os tumores de ânus, pênis e faringe.

O HPV atinge mais da metade (54,4%) das mulheres brasileiras que já iniciaram suas vidas sexuais e 41,6% dos homens na mesma circunstância. Ter o vírus não é sinônimo de doença, mas sinal de risco para seu desenvolvimento.

A vacina contra o HPV é uma das formas mais eficazes de prevenir o aparecimento destes tumores. A integração entre vacinação e teste molecular pode acelerar a meta da OMS de eliminar o câncer de colo de útero até 2030.

Em 2024, o Ministério da Saúde atualizou a indicação de imunização com dose única da vacina, visando ampliar a capacidade de imunização e intensificar a proteção contra a doença e outras complicações relacionadas ao HPV.

A vacina está disponível no SUS para: meninas com idade entre 9 a 14 anos; adolescentes e mulheres vítimas de abuso sexual; indivíduos vivendo com HIV, transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea ou pacientes oncológicos, com idades entre 9 e 45 anos.

Na maioria dos casos, o câncer de colo de útero é assintomático em seus estágios iniciais. No entanto, sintomas podem aparecer e indicar a presença da doença, explica a oncologista Thais Almeida, oncologista no IBCC Oncologia, hospital especializado no tratamento de câncer.

“À medida que a doença progride, alguns sinais podem surgir, como sangramento vaginal anormal, sangramento durante a relação íntima, dor pélvica e corrimento vaginal incomum com odor desagradável”, detalha.

Fonte: Metrópoles
Imagem: Reprodução

Ibitinga: Colisão entre Corsa e Kombi na SP-317 deixa uma vítima fatal

Um grave acidente de trânsito foi registrado na manhã desta quarta-feira (16), na Rodovia Maurício Antunes Ferraz (SP-317), que liga Itápolis a Ibitinga. A colisão envolveu um veículo Corsa e uma Kombi, resultando em uma vítima fatal e outra ferida.

De acordo com as informações apuradas, uma das vítimas foi socorrida com vida e encaminhada ao pronto-socorro da Santa Casa de Itápolis. Já a outra, infelizmente, não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local do acidente.

Equipes da Polícia Rodoviária, da Concessionária responsável pela rodovia, do Corpo de Bombeiros e do Resgate estiveram no local e prestaram atendimento à ocorrência.

As circunstâncias do acidente ainda serão apuradas pelas autoridades competentes.

Fonte: Leonardo Santos
Fotos: Reprodução/Redes Sociais

Caminhão de gado tomba e animais ficam à solta em Agudos

Um caminhão que transportava gado tombou no canteiro central da rodovia Marechal Rondon (SP-300) nesta terça-feira (15). Vídeos que circulam nas redes sociais mostram os animais andando pela pista após o acidente. O caso aconteceu em Agudos (21 quilômetros de Bauru), no sentido Agudos-Bauru, km 327.

Além do gado correndo pela pista, um dos vídeos mostra que um animal ficou com a pata presa debaixo do caminhão e tenta escapar. Um homem, que parece ser o motorista do veículo, também aparece no vídeo. De acordo com a Polícia Militar Rodoviária, ninguém ficou ferido e não há informações sobre os animais.

A polícia informa ainda que os bois foram levados para uma propriedade rural.

Fonte: JC NET

EMBRAER mostra cabine do “carro voador” da empresa

A empresa brasileira de aviação Embraer apresentou nesta semana o visual da cabine do “carro voador” em desenvolvimento pela companhia. A demonstração foi a primeira em território nacional e aconteceu durante o Brazil Investment Forum, evento organizado pelo banco Bradesco BBI.

O primeiro conceito do veículo, que deve operar como uma espécie de serviço de táxi aéreo em ambientes urbanos, foi apresentado em 2018. Apesar de ser chamado de forma simplificada de carro, ele na verdade mistura características de vários veículos, incluindo drones e helicópteros.

A cabine exibida pela Eve, que é a subsidiária de desenvolvimento de novas tecnologias da Embraer, ainda é um modelo provisório de exposição. Ela foi mostrada ainda sem a estrutura que permite o voo em si, composto de uma estrutura com várias hélices e um motor.

O espaço acomoda até quatro passageiros, sem contar o condutor. Os ocupantes podem conferir o trajeto em uma tela que fica localizado na parte traseira. Já o piloto tem acesso a um painel de instrumentos completo, além do manche e de outros controles em ambas as laterais.

A expectativa para o “carro voador” brasileiro

De acordo com informações compartilhadas pela companhia, o projeto já tem 2.800 unidades na fila de pedidos por meio de carta de intenção de compra. São 28 clientes de nove países interessados em desenvolver parcerias e adquirir ao menos um eVTOL para implementação.

Ao todo, a Embraer pode gerar até US$ 14 bilhões (ou mais de R$ 81 bilhões na conversão direta da moeda) em receita só com a demanda inicial essa nova divisão. A Eve tem cerca de 700 engenheiros atualmente dedicados ao setor, tem fábrica na cidade paulista de Taubaté e a expectativa é de que os primeiros veículos comecem a operar em 2026.

Esse tipo de veículo será usado como uma alternativa inicialmente de luxo para transporte aéreo de distâncias relativamente curtas. Ele tem autonomia de até 100 km, o que é considerado o suficiente para uma área de grande porte com múltiplos eVTOLs e áreas de pouso e decolagem espalhadas pela cidade.

Em termos práticos, o modelo atual seria capaz de fazer o trajeto entre a tradicional avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, e o Aeroporto Internacional de Guarulhos em 13 minutos — uma viagem que pode levar cerca de uma hora em horários de maior movimento. Até o momento, apenas a cidade de São José dos Campos anunciou um “vertiporto” no Brasil para carros voadores.

Como funciona um eVTOL

O projeto da Embraer é eVTOL, sigla para electrical Vertical Take-off and Landing — ou veículo elétrico de decolagem e pouco na vertical, em tradução livre. Essa categoria inclui aeronaves normalmente de pequeno porte que alçam voo e aterrisam sem precisar de um impulso em alta velocidade, como é o caso de aviões.

Para funcionar, um eVTOL precisa de aprovação de órgãos fiscalizadores de aviação ao redor do mundo. O projeto da Embraer já está em fase de regulamentação em vários países, mas ainda sem previsão para aprovação. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) ainda não tem uma regulamentação própria para esse formato de transporte.

Para além da Embraer, são vários os projetos de “carros voadores” similares ao redor do mundo, a maioria de startups com financiamento privado, como a Gohobby. Além disso, empresas de fabricação de aeronaves, como a Boeing, e de outros veículos, como a Hyundai em parceria com a Uber, também possuem propostas em andamento no setor.

Fonte: TecMundo