Brasil

A juventude brasileira traça novos rumos para a política em 2026

A juventude brasileira tem transformado profundamente sua relação com a política, afastando-se das estruturas partidárias tradicionais para ocupar as trincheiras do ativismo digital. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam um cenário de contraste acentuado: enquanto a filiação partidária de jovens entre 16 e 24 anos despencou 56% na última década – caindo de mais de 415 mil para cerca de 180 mil -, a emissão de títulos de eleitor aos 16 anos passou de 480.044, em 2014, para 724.324, em 2024.

Especialistas ouvidos apontam que a militância, historicamente forjada em diretórios, sindicatos e movimentos estudantis, migrou massivamente para as redes sociais. Nesse novo ambiente, o debate político se mistura a temas do cotidiano e entretenimento, sendo frequentemente mediado por influenciadores digitais, longe da hierarquia rígida das siglas. Para Camilo Aggio, pesquisador da UFMG, o fenômeno reflete uma “descrença nas instituições tradicionais” e altera a própria natureza da discussão pública.

Essa digitalização do ativismo, no entanto, traz efeitos colaterais. A dinâmica das redes favorece a “tribalização”, onde o contraditório é menos tolerado do que nos espaços físicos de negociação política. O levantamento indica que apenas 1% do total de eleitores nessa faixa etária opta por se filiar formalmente a um partido, evidenciando uma crise de representa tividade. O jovem participa, opina e milita, mas prefere fazê-lo de forma autônoma e online.
Diante desse esvaziamento, grandes legendas como o Partido Novo, têm investido em campanhas de filiação na tentativa de reverter o quadro e atrair novos quadros.

Contudo, os números mostram que o engajamento formal ainda é concentrado na população adulta (25 a 59 anos), impondo às lideranças politicas o desafio de encontrar novas linguagens para reconectar a institucionalidade à geração conectada.

Imagem: Shutterstock

Bebê de 1 ano cai da cama e fica com carregador cravado na testa em MG

Claro. Segue a matéria reescrita, sem referências externas e com novo título:


Bebê sofre acidente doméstico e fica ferida após queda em MG

Uma bebê de 1 ano e 4 meses sofreu um grave acidente doméstico em Divinópolis, Minas Gerais, após cair da cama enquanto segurava um carregador de celular. Com a queda, o objeto acabou ficando cravado na testa da criança.

Segundo informações apuradas, a mãe havia se ausentado do quarto por um curto período para ir ao banheiro quando o acidente aconteceu. Ao retornar, encontrou a filha ferida e acionou imediatamente o socorro.

A criança foi levada às pressas para uma unidade hospitalar da cidade, onde passou por procedimento cirúrgico para a retirada do carregador e limpeza do ferimento. A equipe médica informou que a intervenção ocorreu sem complicações.

Após permanecer em observação, a bebê apresentou boa evolução clínica e recebeu alta médica. De acordo com os profissionais de saúde, não foram constatados danos neurológicos até o momento.

O caso reforça o alerta sobre os riscos de acidentes domésticos envolvendo crianças pequenas, especialmente com objetos que podem causar ferimentos em caso de quedas, mesmo em situações rotineiras.

Lula gera polêmica ao afirmar que pobres “nasceram só para trabalhar”

Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou forte repercussão nesta sexta-feira (16), após um discurso realizado na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. Em tom exaltado, ao criticar o histórico descaso com a educação no BrasiUma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou forte repercussão nesta sexta-feira (16), após um discurso realizado na Casa da Moeda, no Rio de Janeiro. Em tom exaltado, ao criticar o histórico descaso com a educação no Brasil, o presidente utilizou uma fala que gerou polêmica ao mencionar o papel social da população mais pobre.

Durante o pronunciamento, Lula afirmou: “Pobre não precisa estudar, porra. Vocês nasceram só para trabalhar”. A frase foi dita no contexto de uma crítica à formação tardia do sistema educacional brasileiro, destacando que a primeira universidade do país foi criada apenas em 1920, o que, segundo ele, reforça um histórico de privilégios e exclusão no acesso ao ensino superior.

Apesar da intenção de criticar desigualdades históricas, a declaração foi interpretada por críticos como contraditória e inadequada, por sugerir que o destino das camadas mais pobres estaria limitado ao trabalho, e não à educação. O trecho repercutiu negativamente nas redes sociais e em setores da oposição, que apontaram incoerência entre o discurso e os períodos em que o Partido dos Trabalhadores esteve à frente do governo federal.

O PT governou o Brasil por quase 17 anos, entre 2003 e 2016, além do atual mandato iniciado em 2023. Para críticos, esse período teria sido suficiente para promover mudanças estruturais profundas na educação, o que torna a fala ainda mais controversa ao reforçar a percepção de que o acesso ao estudo segue restrito às elites.

do presidente, por outro lado, afirmam que a declaração foi retirada de contexto e que a intenção de Lula era denunciar justamente o modelo histórico que excluiu os mais pobres do sistema educacional. Ainda assim, especialistas avaliam que a forma utilizada acabou gerando uma mensagem ambígua, interpretada como desestímulo à ascensão social por meio da educação.

A repercussão do episódio reacendeu o debate sobre políticas públicas educacionais, desigualdade social e o papel do Estado na garantia do acesso universal ao ensino, temas centrais na trajetória política do presidente e do partido que governa o país.

l, o presidente utilizou uma fala que gerou polêmica ao mencionar o papel social da população mais pobre.

Durante o pronunciamento, Lula afirmou: “<em><strong>Pobre não precisa estudar, porra. Vocês nasceram só para trabalhar</strong><Lula gera polêmica ao afirmar que pobres “nasceram só para trabalhar” /em>”. A frase foi dita no contexto de uma crítica à formação tardia do sistema educacional brasileiro, destacando que a primeira universidade do país foi criada apenas em 1920, o que, segundo ele, reforça um histórico de privilégios e exclusão no acesso ao ensino superior.

Apesar da intenção de criticar desigualdades históricas, a declaração foi interpretada por críticos como contraditória e inadequada, por sugerir que o destino das camadas mais pobres estaria limitado ao trabalho, e não à educação. O trecho repercutiu negativamente nas redes sociais e em setores da oposição, que apontaram incoerência entre o discurso e os períodos em que o Partido dos Trabalhadores esteve à frente do governo federal.

O PT governou o Brasil por quase 17 anos, entre 2003 e 2016, além do atual mandato iniciado em 2023. Para críticos, esse período teria sido suficiente para promover mudanças estruturais profundas na educação, o que torna a fala ainda mais controversa ao reforçar a percepção de que o acesso ao estudo segue restrito às elites.

Aliados do presidente, por outro lado, afirmam que a declaração foi retirada de contexto e que a intenção de Lula era denunciar justamente o modelo histórico que excluiu os mais pobres do sistema educacional. Ainda assim, especialistas avaliam que a forma utilizada acabou gerando uma mensagem ambígua, interpretada como desestímulo à ascensão social por meio da educação.

A repercussão do episódio reacendeu o debate sobre políticas públicas educacionais, desigualdade social e o papel do Estado na garantia do acesso universal ao ensino, temas centrais na trajetória política do presidente e do partido que governa o país.

Estudo aponta mais 365 mil pessoas em situação de rua no Brasil

O número de pessoas que vivem em situação de rua continua crescendo no país. Em dezembro de 2024 havia 327.925 pessoas vivendo nas ruas do Brasil. No final do ano passado esse número chegava a 365.822 pessoas. Os dados são de levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (OBPopRua/Polos-UFMG), divulgado nesta quarta-feira (13).

O levantamento foi feito com base nos dados do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), que reúne os beneficiários de políticas sociais, como o Bolsa Família, e serve como indicativo das populações em vulnerabilidade para quantificar os repasses do governo federal aos municípios.

De 2020 a 2021, quando teve início a pandemia da covid-19, o número de pessoas em situação de rua havia caído, passando de 194.824 para 158.191 pessoas. Mas em 2022, voltou a subir e vem crescendo de forma contínua desde então.

A maioria dessa população que vive nas ruas se encontra na Região Sudeste do país, somando 222.311 de pessoas, o que representa 61% do total no país. Em seguida aparece a Região Nordeste, com uma população de 54.801 pessoas em situação de rua.

Só no estado de São Paulo estão concentradas 150.958 pessoas em situação de rua, seguida pelos estados do Rio de Janeiro (33.656) e Minas Gerais (33.139). O Amapá é o estado com o menor número de pessoas nessa condição, somando 292.

Para os pesquisadores do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, quatro situações podem explicar esse aumento:

  • o fortalecimento do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico) como principal registro da população em situação de rua e de acesso às políticas públicas sociais do país;
  • a ausência ou insuficiência de políticas públicas estruturantes voltadas para essa população, tais como moradia, trabalho e educação;
  • a precarização das condições de vida principalmente após a pandemia; e
  • as emergências climáticas e deslocamentos forçados na América Latina.

Em entrevista à Agência Brasil, Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, disse que apesar das políticas públicas que fizeram a insegurança alimentar grave diminuir no país LINK 3, ainda há muita gente passando fome no país.

“Acho que está crescendo o número de pessoas em situação de rua em todo o Brasil e em São Paulo por uma série de fatores. Mesmo com a questão da queda acentuada das pessoas em alta vulnerabilidade social, ou seja, de combate à fome, ainda existe muita fome no Brasil. Existem pessoas que não conseguem se alimentar porque tem que pagar o aluguel ou porque tem que comprar remédio”, avalia.

Ele mesmo disse que tem dificuldades para pagar por todos os remédios que precisa tomar por seus problemas de saúde. “Se eu tivesse que comprar o que eu tenho que comprar para as doenças que eu tenho, eu precisaria receber dez salários desses para poder comprá-los. Só a máscara que eu preciso usar custa R$ 6 mil. Tem outros remédios que custam entre R$ 700 ou R$ 800. Como é que uma pessoa vai conseguir pagar aluguel, água, luz, alimentação e medicamentos com um ou dois salários mínimos? Ela não tem condições”, ressaltou.

Na opinião de Mendonça, outro fator que tem contribuído para esse aumento é o avanço tecnológico, que tem trazido ainda mais dificuldades para quem busca um emprego. “As pessoas não passam por uma reciclagem para se aperfeiçoarem na questão do trabalho”.

Para ele, a solução para esse problema passa pela capacitação, pelo enfrentamento ao preconceito contra essas pessoas e também por políticas voltadas à moradia e ao emprego.

“É preciso tratar de uma maneira para que não se veja a população de rua como um ser de outro planeta, mas como um cidadão desempregado, que precisa de uma chance para reingressar ao mercado de trabalho. Quando o Brasil tomar conhecimento e quando o governo se conscientizar de que ele não tem que tratar a população em situação de rua criando guetos, mas tratar como cidadão desempregado, criando capacitação e, principalmente, sensibilizando os empresários para que deem empregos para essas pessoas, aí sim isso começa a mudar”, defendeu.

“O problema não está na população de rua, mas no governo que não encara a temática da população em situação de rua como tem que ser encarada, com seriedade, com dignidade e respeito”, acrescentou.

Programas

A Secretaria de Desenvolvimento Social do estado de São Paulo informou que “tem trabalhado de forma integrada com os municípios para a redução da população de rua em todo o estado”.

Segundo a secretaria, a pasta já repassou R$ 633 milhões para as prefeituras paulistas desde o início desta gestão, sendo que R$ 145,6 milhões desse valor seriam exclusivos para ações voltadas à população em situação de rua.

Além disso, informa a pasta, foram ampliados os serviços que são ofertados para essa população, tais como a criação de 24 novas unidades do Bom Prato, programa que oferece alimentação de qualidade a um custo acessível. Outro programa que foi ampliado foi o Serviço de Acolhimento Terapêutico Residencial e que permite, segundo a secretaria, “a conquista da autonomia, com renda e moradia às pessoas em situação de rua afetadas pelo uso de substâncias psicoativas”.

Procurado, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania ainda não se pronunciou sobre o levantamento. A Agência Brasil está aberta à manifestações.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Reprodução

 

2026 marca o adeus definitivo aos orelhões nas grandes cidades brasileiras

O ano de 2026 simboliza o encerramento de um dos maiores ícones da comunicação urbana no Brasil: os telefones públicos, popularmente conhecidos como orelhões. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deu início, neste mês de janeiro, a uma operação nacional para retirar esses equipamentos das ruas e avenidas das grandes cidades.

Ao todo, cerca de 30 mil estruturas desativadas serão recolhidas em todo o país. A medida ocorre com o fim das concessões do serviço de telefonia fixa, que deixa de obrigar as operadoras a manterem telefones públicos em funcionamento.

Por décadas, os orelhões fizeram parte da rotina dos brasileiros, especialmente entre os anos 1970 e o início dos anos 2000. Eles eram ponto de encontro, facilitavam recados e garantiam comunicação mesmo para quem não possuía telefone em casa. Hoje, o sentimento é de nostalgia para quem viveu essa época.

Com a retirada dos aparelhos, as empresas responsáveis passam a direcionar investimentos para redes de banda larga e telefonia móvel. Em alguns municípios, porém, os orelhões ainda poderão permanecer até 2028, exclusivamente em locais onde não há outra alternativa de serviço telefônico disponível.

Atualmente, restam pouco mais de 2 mil orelhões espalhados pelo Brasil, muitos deles inoperantes. A Anatel informa que não há mais produção de cartões telefônicos e que os pontos de venda praticamente desapareceram. Pela regra vigente, quando não houver cartão disponível, os aparelhos remanescentes devem permitir ligações locais e nacionais para telefones fixos de forma gratuita.

Apesar da evolução tecnológica, o fim dos orelhões representa mais do que a retirada de um equipamento urbano. Para muitos brasileiros, trata-se do encerramento de uma era marcada pela simplicidade, pela convivência e por uma forma de comunicação que ajudou a conectar gerações.

No site da Anatel, é possível consultar a lista completa dos endereços onde ainda existem telefones públicos ativos no país.

Reajuste das aposentadorias acima do mínimo será de 3,9% em 2025

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) registrou alta de 3,90% em 2025, abaixo dos 4,77% observados em 2024. O indicador é usado para definir o reajuste das aposentadorias de quem recebe acima de um salário mínimo, de acordo com dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (9).

Os preços dos produtos alimentícios subiram 2,63% no ano passado, enquanto os não alimentícios tiveram variação de 4,32%. Entre as regiões, Vitória apresentou o maior aumento (4,82%), influenciada pela energia elétrica residencial (17,65%) e pelo aluguel (9,06%), enquanto Campo Grande registrou a menor alta (2,78%), com queda nos preços do arroz (-31,01%), frutas (-9,56%) e carnes (-3,00%).

Os aposentados e pensionistas que começaram a receber benefícios em 2025 terão a correção proporcional ao período do ano em que receberam os pagamentos. Já o piso previdenciário, pago a quem recebe o valor mínimo, será de R$ 1.621,00, representando um aumento de 6,79%. O reajuste começará a ser pago entre 26 de janeiro e 6 de fevereiro, impactando cerca de 21,9 milhões de benefícios de até um salário mínimo, o que corresponde a 62,5% do total de 35,15 milhões de benefícios do Regime Geral de Previdência Social, com custo estimado de R$ 30,7 bilhões em 2026.

Inquérito militar aponta explicação para o caso do ET de Varginha

A história do suposto ET de Varginha completa 30 anos em janeiro e, apesar de ainda despertar curiosidade e crença em parte da população, um inquérito militar concluiu que o episódio não teve qualquer relação com vida extraterrestre. O Inquérito Policial Militar (IPM) do Superior Tribunal Militar (STM), com mais de 600 páginas e disponível no site do órgão, aponta que o caso foi resultado de um equívoco ocorrido em um dia de forte chuva, no início de 1996.

De acordo com o documento, três jovens relataram ter visto uma criatura agachada, próxima a um muro, em um bairro da cidade mineira. A investigação, no entanto, identificou que a figura descrita era, na verdade, um homem com transtornos mentais, conhecido por circular pelas ruas de Varginha frequentemente de cócoras. Fotos desse homem, registradas em diferentes locais, foram anexadas aos autos do inquérito.

Instaurada em março de 1997, a apuração teve como objetivo investigar boatos sobre um suposto envolvimento de militares do Exército na captura e no transporte da suposta criatura. O IPM também ouviu os dois ufólogos responsáveis por um livro que ajudou a popularizar o caso em todo o país.

Mesmo com a conclusão oficial, o episódio voltou a ganhar destaque recentemente com a série documental “O Mistério de Varginha”, exibida pela TV Globo em coprodução com a EPTV. A produção conta com três episódios, exibidos entre terça-feira (6) e quinta-feira (8), na faixa das 23h, e também está disponível no Globoplay.

Lei endurece contra agressores que desrespeitarem medidas protetivas

A cada novo caso de feminicídio, o país é confrontado com a urgência de transformar proteção em efetividade. No Distrito Federal, foram registradas 27 vítimas no ano passado. Criadas para interromper esse hediondo ciclo de violência, as medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha funcionam como ordens judiciais imediatas para resguardar a integridade física, psicológica e patrimonial de mulheres ameaçadas, impondo restrições ao agressor, como o afastamento do lar e a proibição de contato. Com o recente endurecimento da legislação para quem descumprir a medida protetiva, a promessa é reforçar a segurança de quem vive sob risco constante.

Dos 27 casos de feminicídio, sete vítimas chegaram a solicitar Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) em algum momento, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF). Dentre elas, quatro tinham a proteção judicial em vigor no dia do crime. “Em todos os casos, isto é, das quatro vítimas com MPUs vigentes, todas coabitavam com o autor no momento do crime”, informou a pasta, ao destacar que a convivência com o agressor representa um fator de risco elevado.

De acordo com a SSP-DF, a coabitação reduz a eficácia da proteção. “Essa circunstância representa um fator de risco expressivo e reduz a efetividade de mecanismos de proteção baseados em distância, acionamento remoto e resposta rápida”.

Ainda segundo a pasta, nenhuma das vítimas estava inserida no Programa Viva Flor, aplicativo com botão de pânico, que envia alerta e localização em tempo real para a polícia. Desde a implementação, em 2018, 2.657 mulheres já foram assistenciadas, com 1.481 usuárias ativas, atualmente, no DF.

Em 2025, foram registrados 87 acionamentos voluntários, que resultaram em 64 prisões. “A ocorrência é tratada de forma prioritária, em uma espécie de ‘fura fila’, pois a mulher do Viva Flor não pode esperar. Nenhuma mulher regularmente incluída no programa foi vítima de feminicídio, desde a sua implementação, em 2018”, ressaltou a SSP-DF.

O que muda?

A Lei 15.280/2025 mudou, e agora endurece a resposta penal contra agressores que desrespeitarem medidas protetivas determinadas pela Justiça. A nova legislação tipifica de forma mais rigorosa o descumprimento dessas ordens, estabelecendo pena de dois a cinco anos de prisão, além de multa, o que representa um avanço na proteção das vítimas. Outro ponto relevante é que a concessão de fiança passa a ser de competência exclusiva do juiz, restringindo a possibilidade de soltura imediata e reforçando o caráter preventivo das medidas, ao desestimular a reincidência e aumentar a segurança de mulheres, crianças e demais pessoas em situação de vulnerabilidade. A mudança também tornou obrigatório o uso de tornozeleira eletrônica por agressores em saídas autorizadas do sistema prisional, inclusive em casos de feminicídio e crimes sexuais. Além de outras mudanças.

A alteração é, na prática, um pacote de atualização penal e processual, sobretudo quando envolvem pessoas em situação de vulnerabilidade. Ou seja, o endurecimento não se limita a subir a pena, ele reorganiza a resposta do Estado em punição, proteção imediata e monitoramento do acusado.

Ordem desafiada

Para o advogado criminalista e especialista em direito constitucional Vítor Sampaio, o foco da nova legislação está justamente no momento em que o risco à vítima costuma se agravar. “No DF, onde é lamentavelmente crescente o número de denúncias e de pedidos de medidas protetivas, esse tipo de reforço normativo importa, porque melhora a capacidade de o sistema reagir exatamente no momento em que o risco costuma aumentar: quando a ordem judicial é desafiada. Na prática, é na violação que o risco da vítima costuma escalar. Por isso, o legislador reforça o ‘cinturão de proteção’ em duas frentes: tipifica e endurece a punição do descumprimento e busca aumentar a efetividade das medidas”.

“Revisar leis é importante, mas é um equívoco tratar isso como solução principal. O que costuma falhar é a efetividade: fiscalização que não acontece, atendimento que revitimiza, investigação que não prioriza risco”, completa.

Para a especialista em direito da mulher Cristiane Britto, a legislação é apenas uma das camadas do enfrentamento. “A violência contra a mulher não é apenas um problema penal, ela é cultural e educacional”, afirma. Ela destaca que, no DF, a maioria dos casos de feminicídio é precedida por violência psicológica, ameaças e agressões. “Isso revela que o problema começa muito antes do crime final e está ligado a padrões de comportamento ainda tolerados socialmente”.

Na avaliação de Patricia Zapponi, presidente da Rede Internacional de Proteção à Vítima Laço Branco Brasil, o endurecimento da lei fortalece a proteção e a responsabilização do agressor, mas precisa vir acompanhado de informação. “Existem vítimas que, dependendo do vínculo com o agressor, acabam quebrando a medida protetiva. Por isso, precisamos conscientizar tanto as vítimas quanto os autores sobre a importância dessa medida e sobre o fato de que o descumprimento vai ensejar prisão”, defende.

Para a presidente, campanhas nacionais serviriam para explicar o que é a medida protetiva e por que ela deve ser respeitada por ambas as partes. “Nossa legislação é boa. O que falta é a informação chegar a quem precisa”.

A psicóloga Simone Arruda, especializada em saúde mental, ressalta que o retorno da mulher ao agressor muitas vezes está ligado a fatores emocionais profundos. “Não é que a mulher gosta de apanhar. Ela está inserida em um ciclo psicológico complexo, com dependência emocional, culpa e esperança de mudança”. Segundo ela, sair do ciclo de violência é uma questão de sobrevivência. “A medida protetiva é justamente para resgaurdar a vida e a integridade da mulher. Viver sob violência não é viver, é estar em alerta constante”.

Vítimas

Esse ciclo é vivido por mulheres que recorreram à Justiça, como Ana Paula*, que abriu uma medida protetiva há poucos meses. Ela relata mais de cinco anos de perseguição e violência psicológica. “Levei um tempo para entender todo o cenário. A perseguição começou a tomar proporções assustadoras e minha saúde mental estava em jogo”, conta. Apesar da proteção judicial, ela afirma que o medo permanece. “Vemos muitos episódios de mulheres que morrem após solicitar a protetiva. No meu caso, ele demorou muito para entregar as armas, e isso me deixou aflita”.

O agressor de Ana Paula a procurou após a medida protetiva. Segundo ela, ele arquitetou um plano para parecer que quem tinha ido atrás era ela. “Ele tentou forjar um descumprimento da minha parte, mas, graças a Deus, o Judiciário verificou a situação da forma correta e manteve a minha protetiva”. Ainda assim, reforça a importância de buscar ajuda. “O único caminho para sair dessa situação é procurando ajuda. Sair desse lugar sozinha é muito difícil e dá muito medo. Sem apoio é complicado. Terapia, polícia, advogado, tudo o que conseguir… e força, é o que as vítimas precisam”.

Já Luana* relata que a medida protetiva representou uma mudança radical em sua vida após anos de abusos físicos, psicológicos, morais e patrimoniais. Ela abriu a medida há menos de um mês. “A melhor coisa que eu fiz foi a medida. O cenário mudou completamente. Com contato zero, pararam as ameaças e a pressão psicológica”, afirma. Ela também passou a usar o aplicativo Viva Flor, que aciona a polícia em situações de risco. “Hoje me sinto muito mais segura. Todo mundo que tiver motivo, peça”, aconselha.

*O nome das entrevistadas foi alterado para preservar a segurança das vítimas

Fonte: Correio Braziliense
Foto: Reprodução