Estado

Falta de energia causa perdas de R$ 126 milhões ao comércio paulista

O comércio na região metropolitana de São Paulo pode ter deixado de arrecadar até R$ 126 milhões devido à falta de energia desde a última sexta-feira (3), quando uma tempestade atingiu a região, estimou a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Até a manhã desta terça-feira (7), 200 mil imóveis ainda estavam sem energia.

A estimativa é baseada no volume movimentado diariamente na Grande São Paulo. Na avaliação do economista da ACSP Ulisses Ruiz de Gamboa, o prejuízo se dá, principalmente, por reduções nas compras imediatas e por impulso dos consumidores, resultado das restrições no fluxo de clientes.

No total, foram 2,1 mil imóveis afetados pela falta de energia desde a tempestade, informou a concessionária Enel.

Segundo a Associação de Bares e Restaurantes (Abrasel), , até a manhã de ontem (6), 15% dos estabelecimentos afetados ainda estavam sem energia na capital. Em 23,4% dos estabelecimentos do setor, a Enel demorou mais de 24 horas para restabelecer a energia, e 46,8% dos responsáveis alegam que tiveram prejuízos de leves a moderados por causa da falta de luz.

Quase metade (49%) dos estabelecimentos considerou insatisfatória a resposta da Enel sobre o restabelecimento da energia no estado.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Twitter/okumuraphil

Grande São Paulo ainda tem 200 mil imóveis sem energia após chuvas

Após quatro dias da tempestade que atingiu área de concessão da Enel, 200 mil imóveis continuam sem energia elétrica nesta terça-feira (7).

A empresa informou, em nota no site, que a energia foi restabelecida para 90% dos clientes que tiveram o fornecimento impactado. No total, 2,1 milhões de pessoas ficaram sem energia elétrica depois das chuvas de sexta-feira (3).

Manifestação

O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST-SP) fez manifestação na manhã de hoje em frente ao prédio da Enel, no Morumbi. Os manifestantes exigiam a restauração do serviço de energia, a responsabilização da concessionária pelos prejuízos causados à população do estado e um plano de ação eficiente para as temporadas de chuvas.

O movimento ressaltou que entre os imóveis afetados estão estabelecimentos comerciais, escolas e até hospitais e que, em alguns bairros, ainda falta energia. O MTST denuncia o sucateamento dos serviços públicos no estado de São Paulo, apontando que a situação tem se intensificado por conta das privatizações.

“Recebemos inúmeras denúncias de comunidades inteiras sem energia por mais de 50 horas. Inúmeras pessoas perderam o pouco que tinham para comer sem qualquer retorno da empresa pelos canais de comunicação. Exigimos a retomada imediata do serviço de energia, o ressarcimento e a responsabilização pelos danos causados. O que aconteceu em São Paulo nos últimos dias é um alerta sobre resultados nefastos das privatizações dos serviços básicos no Estado de São Paulo. A Enel de hoje pode ser a Sabesp de amanhã”, disse Débora Lima, coordenadora nacional do MTST, em nota.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Rovena Rosa

Conheça a história do leão ‘criado como cachorro’ que fugiu pelas ruas de Goiânia e matou criança

Fazer uma simples caminhada ou carinho ao lado de um cachorro é normal. Mas e com um leão? Simples não é, mas acontecia em Goiânia na década de 1980. Na época, a TV Anhanguera acompanhou o caso, que acabou em tragédia, o “rei da selva” chamado de “Guru” fugiu pelas ruas e matou uma criança

“O leão tava em cima das madeiras, de repente ele pulou, tinha uma senhora e três crianças, mas acertou só a Suzana, arrastou numa distância, mas a gente não podia fazer nada, ele tava puxando a criança, não tinha como fazer nada”, detalhou uma testemunha à TV Anhanguera na época.

g1 vasculhou as edições do jornal O Popular e assistiu reportagens da TV Anhanguera da época, que narram o dia em que aconteceu a tragédia na capital. A pequena Suzana Fernandes Junqueira, de 2 anos, foi atacada no dia 13 de junho de 1986, após o bicho fugir da loja de construção em que morava.

A repórter Mirian Tomé, que trabalhava na TV Anhanguera e cobriu o caso, disse que a menina estava brincando quando o leão atacou, começando uma longa tensão na rua para que ele fosse enjaulado.

“A polícia e o Corpo de Bombeiros tentaram enjaular o leão, uma verdadeira operação de guerra, mas o animal, assustado, se escondeu. Depois de 3 horas de muita tensão, conseguiram capturar, isso somente porque veio ao local um domador de leão de um circo que está aqui na cidade”, disse Mirian na reportagem.

Como o leão foi parar lá?

Na época, a jornalista Cileide Alves trabalhou na cobertura do caso e define o caso como uma “tragédia chocante”. A jornalista contou que o dono, o empresário Mário Ângelo Simionato, pegou o leão ainda filhote, levou para casa e criava como se fosse um animal de estimação.

“O bichinho era pequenininho, engraçadinho, dormia com os filhos dele [o dono]. À medida que foi crescendo, a família ficou preocupada porque poderia ser um risco, ele era dócil com todo mundo, mas era um leão. Eles o levaram para a loja. A loja era cercada de tela. Então você via o bicho solto nessa área, como realmente um cão de guarda da loja”, detalhou.

O leão da “Marial”, nome da loja que marcou o caso, pode ter ficado sem comer durante o fim de semana, saiu da área cercada e foi para a rua, conforme informações da época. Suzana, que era filha do porteiro de um prédio da região, deu de cara com o bicho.

“Ela viu o leão e achou bonitinho, começou a bater palma e cantar parabéns para o leão. O leão se assustou e pulou na jugular dela e a matou. Depois, o leão foi levado para o zoológico de Goiânia”, contou.

Zoológico

No ano da morte de Suzana, a repórter Mirian Tomé foi ao zoológico para acompanhar a adaptação do leão na nova casa. A reportagem mostrou que ele estranhou o ambiente e até os bichos da mesma espécie.

“Ele virou atração no zoológico, o povo ia lá ver o leão que matou a menina. Aquela curiosidade mórbida. Criou-se essa curiosidade sobre o bicho”, relembrou.

“Eu me lembro das pessoas torcendo para matá-lo. Um absurdo, mas o maior absurdo é um animal daquele estar onde estava, na condição em que estava, e a morte da menininha”, completou.

“Eu creio que ele ficou muito assustado. Ele procurou pular do recinto, mas pode ter sido pela procura de alimento também”, disse o profissional, sem o nome divulgado.

Repercussão

No velório da menina, uma testemunha contou à TV Anhanguera que o leão já havia atacado uma idosa. Ao g1, Cileide contou que a notícia ganhou repercussão nacional.

“A forma como a criança morreu e a existência de um leão em uma loja que era muito conhecida na época, chamou muita atenção. Foi um episódio bem rumoroso”, disse Cilede.

“Foi horrível, gerou muita comoção. Um animal aprisionado daquele jeito em uma área urbana, foi uma sequência de erros que gerou aquela tragédia. Na época eu fiquei muito baqueada”, completou Mirian.

Justiça

Para entender o decorrer do caso, o g1 analisou reportagens da época no jornal O Popular. Uma matéria publicada em 21 de julho de 1988 descreve que Mário foi condenado a prestar um ano de serviços em instituição de caridade pelo ataque do Guru. Advogado do empresário, Wanderley de Medeiros recorreu da decisão.

No texto, o repórter explica que o animal era criado em uma jaula na empresa Marial. A condenação original era de pena de reclusão, mas por “possuir bons antecedentes, ótima conduta social e personalidade”, o juiz a substituiu pela prestação de serviços.

Em um texto de 22 de julho de 1988, o advogado preparou um novo recurso para questionar a falta de denúncia contra o vigia da empresa.

“O vigia recebeu ordens expressas de não tocar na jaula por não possuir habilidade necessária e a convivência com o leão nos seus dois meses na empresa. Mesmo assim, descumpriu as ordens e soltou o animal para exibir a amigos e curiosos e por fim provocou a sua fuga”, detalha um trecho da reportagem. Na época, o vigia negou que abriu a jaula.

Um segundo recurso é o tema de outra matéria, publicada em 25 de agosto de 1988. O advogado apontou erros na denúncia contra Mário e pediu a absolvição do cliente.

Na sexta-feira, 27 de outubro (dessa vez, em 2023), o g1 procurou o escritório do advogado Wanderley de Medeiros, mas descobriu que ele faleceu. A reportagem pediu informações ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) sobre o processo, mas como é um caso que aconteceu há 37 anos, o processo não está mais disponível para acesso.

O g1 não conseguiu localizar a família do dono do leão, nem descobriu o destino dele após o zoológico. Questionada se o animal estava empalhado na unidade, a Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer negou.

Fonte: G1

Foto: Reprodução

Influenciador ‘Uber Presente’, que fazia corridas fingindo ser PM e carregava réplica de fuzil no carro, é detido no RJ

Um influenciador digital, que se passava por um policial militar em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, foi detido por ameaçar um passageiro durante uma viagem. No momento da abordagem, ele usava um falso uniforme da PM, segundo a corporação.

Willian Rodrigo Peixoto, de 38 anos, produz vídeos nas redes sociais onde se apresenta como “Uber Presente”, um agente que está trabalhando como motorista de aplicativo. Ele não pertence à corporação.

A Uber informou que a conta dele foi banida e o motorista não dirige há 4 meses pelo aplicativo.

Já Willian disse que foi levado para a delegacia e, após prestar esclarecimentos, foi liberado

Militares do 22º BPM (Maré) estavam em patrulhamento na Avenida Brigadeiro Lima e Silva quando foram acionados por um homem que alegou ter sido ameaçado pelo “Uber Presente”.

Os agentes encontraram o influenciador e perceberam que ele estava vestido como policial militar. Ele também carregava réplicas de fuzil e de pistola, colete à prova de balas, rádio e outros materiais.

Ao ser abordado, Peixoto se apresentou como produtor de conteúdo digital. Ele foi conduzido à 59ª DP (Caxias), para onde o material apreendido foi encaminhado, e autuado por ameaça. De acordo com a PM, ele já possui anotação criminal por lesão corporal.

Em um dos seus vídeos, Peixoto busca um passageiro em frente ao Degase da Ilha do Governador, unidade que recebe jovens com menos de 18 anos de idade que cumprem medidas socioeducativas. O passageiro coloca a comunidade do Dendê, também na ilha, como destino.

Ao perceber que o motorista está com a farda da PM, o passageiro se desespera e pede para que o motorista pare o carro.

Nota da Uber

“Apesar do nome da Uber ser usado pelo motorista em suas redes sociais, sabemos que popularmente o nome da empresa é usado como sinônimo para toda a categoria de aplicativos de mobilidade, bem como sinônimo da atividade de quem utiliza os apps para gerar renda. Por isso é fundamental verificar os dados para saber se o caso tem ou não relação com o aplicativo, e para que a empresa possa verificar o que ocorreu.

No caso do motorista em questão, a empresa informa que a conta do motorista está banida da plataforma e ele não dirige mais há 4 meses pelo app.”

Nota de esclarecimento do influenciador

“Nesta quinta feira, 19/10/2023, Willian Rodrigo Peixoto conhecido como “PEIXOTO” por postar vídeos com conteúdo humorístico em suas redes sociais, foi conduzido à delegacia após ser abordado pela Polícia Militar. Diante das informações falsas veiculadas pela imprensa, o humorista esclarece que não houve prisão em flagrante mas sim condução à Delegacia de Polícia para prestar os devidos esclarecimentos e maiores averiguações acerca do material encontrado. Após prestar aclaramentos foi liberado pela PCERJ e se mantém a disposição das Autoridades para colaborar com a elucidação dos fatos no que for necessário.

Outrossim, o humorista no momento da abordagem não estava utilizando a farda como alguns veículos de imprensa mencionam e não foi preso em flagrante.

Devido às recentes postagens espalhadas nas redes sociais e até mídias jornalísticas a imagem do humorista está sendo utilizada de forma indevida e irresponsável vez que trazem informações INVERÍDICAS. Ressalto que as informações veiculadas serão devidamente esclarecidas no bojo do devido processo legal.

No mais, a intenção do humorista sempre foi levar ao público entretenimento e lamenta que tal atitude, mal-intencionada dos veículos de imprensa, tenham vinculado a sua imagem a postagens sem procedência.

Fonte: G1

Universidades fecham campus, suspendem aulas e abonam faltas no RJ

Os ataques ao transporte público na zona oeste do Rio de Janeiro promovidos na segunda-feira (23) por milicianos tiveram impacto no funcionamento das universidades públicas na região metropolitana do Rio de Janeiro nesta terça-feira (24).

A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) suspendeu as aulas de seu campus Zona Oeste nesta terça-feira, “devido à situação de insegurança e precariedade no sistema de transportes públicos”.

Nas demais unidades e campi da Uerj, as atividades serão mantidas, com abono de eventuais faltas de estudantes, servidores e colaboradores atingidos pelos impactos dos conflitos.

A decisão de suspender aulas também foi tomada pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). “Considerando que grande parte da comunidade acadêmica reside em região conflagrada, a Reitoria recomenda que os servidores e alunos não se exponham a riscos e evitem locomoção na cidade no dia de amanhã (24)”, divulgou a universidade na segunda-feira. “Desse modo, as atividades presenciais na Universidade estão suspensas nesta terça-feira, sem prejuízo da prestação dos serviços considerados essenciais”.

Já a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) decidiu adotar atividades remotas nesta terça-feira após os ataques realizados por milicianos contra o transporte público da capital fluminense. Os dois principais campi da universidade ficam em Seropédica e Nova Iguaçu, cidades da Baixada Fluminense que são vizinhas à zona oeste do Rio.

“Todas as atividades da Universidade que puderem ser executadas de forma remota deverão ser feitas desta forma, em caráter excepcional; As avaliações acadêmicas que estiverem marcadas para amanhã [terça-feira ]deverão ser reagendadas”, escreveu a Administração Central da Universidade em comunicado divulgado ontem.

Por conta dos alunos e profissionais afetados pelos ataques, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) anunciou que todas as faltas devem ser abonadas nesta terça-feira.

“Além disso, devem ser asseguradas segundas chamadas das avaliações discentes que ocorreram em 23/10 aos alunos residentes nessas áreas”, disse a universidade, que se comprometeu a elaborar um plano de contingência.

Fonte: Agência Brasil/Edição: Juliana Andrade

É hora de rever ações, diz Tarcísio após novo ataque em escola de SP

Após a morte de uma adolescente na Escola Estadual Sapopemba na manhã de hoje, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que as ações do governo estadual precisam ser revistas para que novos ataques a escolas não voltem a acontecer.

“É hora de e rever, de voltar, de rever tudo que a gente está fazendo para que a gente evite novas ocorrências, né? A gente não pode deixar que esse tipo de coisa aconteça. A escola tem que ser um local seguro, a escola tem que ser um local de convivência”. Tarcísio de Freitas, governador

Aí alguém pode perguntar: mas o governo falhou? Provavelmente falhamos em alguma coisa. A gente não queria até falhar.

Ele admitiu que não existe um novo plano para lidar com esse tipo de ocorrência. Se você perguntar pra mim, se eu tenho todas as respostas pra lidar com esse tipo de situação, eu vou responder muito sinceramente: não tenho. Porque ninguém quer ver alunos morrendo aqui na escola, ninguém quer isso.”

“Está havendo um esforço muito grande para evitar esse tipo de ação”, afirmou. De acordo com ele, 165 tentativas ou suspeitas de ataques a escolas foram “frustradas” desde março. “Em algumas situações a gente chegou a recorrer ao Judiciário para ter operação de busca.

A gente se sente incapaz, impotente de lidar com esse tipo de situação. E vamos trabalhar, vamos ter uma reunião agora da Secretaria da Educação com a Secretaria da Segurança Pública para ver que medidas a mais nós podemos tomar para evitar novos incidentes dessa natureza.
Tarcísio de Freitas…

Fonte: UOL

Motorista atropela 16 pessoas na cracolândia após suposta tentativa de roubo

Um atropelamento ocorrido na região da Cracolândia, na Avenida Rio Branco com a Rua dos Gusmões, deixou 16 pessoas feridas na noite deste domingo (22), sendo quatro delas com fratura exposta.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, oito vítimas precisaram ser socorridas pelo SAMU e 11 viaturas foram deslocadas para atendimento da ocorrência, que começou por volta de 21h30.

Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), um homem foi abordado por indivíduos ao parar em cruzamento, teve o vidro do carro quebrado e uma bolsa e aparelho celular foram roubados. Ainda conforme versão apresentada pela SSP, o motorista atropelou as pessoas em uma tentativa de fuga.

“O homem encontrou uma viatura da Polícia Militar e comunicou os fatos, deixando o local posteriormente. Uma das placas do veículo caiu na via, e foi apreendida para perícia. O caso foi registrado como roubo a interior de veículo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor pelo 2º Departamento de Polícia (Bom Retiro)”, diz nota da secretaria.

Questionada pela Agência Brasil sobre depoimentos das vítimas e se eles chegaram a ser registrados no boletim de ocorrência, a SSP-SP respondeu que não tinha a informação.

Fonte: Agência Brasil

Privatização da Sabesp abre margem para municipalização de serviços na grande ABC

O avanço do projeto de privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) abre caminho para que cidades que têm a empresa como gestora do fornecimento de água e esgoto possam municipalizar novamente os serviços. No Grande ABC, porém, nenhuma prefeitura sinaliza com essa possibilidade ainda.

A Sabesp opera em seis dos sete municípios da região – exceção é São Caetano, que mantém o Saesa (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental). Em Mauá, há uma particularidade, já que a Sabesp administra somente o serviço de fornecimento de água – o esgoto está a cargo da BRK Ambiental.

Diário consultou os contratos da Sabesp firmados com Santo André, São Bernardo, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra e todos contam com a cláusula que permite a extinção do acordo caso haja a transferência do controle acionário da Sabesp à iniciativa privada. Atualmente, a estatal é de economia mista, com 50,3% sob controle do Estado e o restante de acionários privados.

A privatização da empresa tem sido acompanhada pelo Consórcio Intermunicipal do Grande ABC. O presidente da entidade e prefeito de Mauá, Marcelo Oliveira (PT), já disse que um modelo estudado e debatido internamente é o de que os municípios sejam co-gestores junto com a empresa privada que adquirir a Sabesp futuramente – o projeto ainda precisa ser analisado pela Assembleia Legislativa e ser sancionado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) antes de avançar para a parte da concorrência.

Em Diadema, que em 2014 negociou a Saned (Companhia de Saneamento Básico de Diadema) com a Sabesp em troca da amortização da dívida, a Prefeitura informou que “as discussões estão em curso e todas as possibilidades e consequências as quais o município estará sujeito estão sendo estudadas pelo seu corpo jurídico”.

Em Ribeirão, o governo declarou que “que acompanha, por meio do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, as discussões sobre a desestatização da Sabesp. Não há previsão de o município reassumir os serviços.” Os demais municípios não se manifestaram oficialmente.

Ainda publicamente, o único prefeito a se manifestar acerca do debate foi José de Filippi Júnior (PT), de Diadema – ele declarou ser contrário à privatização da empresa pública. “Bem essencial não se vende. A Sabesp é uma empresa do povo paulista que gera bilhões de reais de lucro anualmente. Não faz sentido ela ser privatizada”, argumentou o petista, que participou de reunião com deputados petistas da Assembleia para debater estratégias para obstruir o avanço do projeto.

APORTE

O projeto prevê que a participação do Estado de São Paulo na Sabesp deve cair dos 50,3% atuais para algo entre 15% e 30% após a privatização. A privatização se daria por meio da oferta subsequente de ações (follow on), que consiste na venda ao mercado de ações da empresa em poder do Estado. O texto diz ainda que a desestatização permitirá a redução de tarifas e a antecipação da universalização do saneamento no Estado.

Para isso, o governo se compromete a usar 30% dos recursos arrecadados com a venda de ações para aliviar a conta de água. “Parte do recurso fica reservado para garantir tarifas mais baixas”, disse Tarcísio.

De acordo com a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado, Natália Resende, o governo ainda não definiu qual será a participação do Estado na empresa. O foco, disse ela, é diminuir o porcentual para atrair investidores de referência para a companhia. “Não estamos falando de venda do total da empresa, mas, sim, de diluição”, reforçou o governador, que antes de encaminhar o projeto à Assembleia se reuniu com parlamentares da base aliada para explicar o modelo de privatização proposto.

Tarcísio garante o plano de investimento subiu de R$ 56 bilhões para R$ 66 bilhões com a privatização. Além disso, mais para frente, o plano é utilizar o próprio resultado da companhia para reinvestir.

Oposição crava voto contra; aliados vão analisar texto

Por Gabriel Rosalin

Especial para o Diário

Os deputados estaduais do Grande ABC que integram o lado de oposição ao governo do Estado já confirmaram que serão contrários ao projeto de lei de privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Na terça-feira, o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) enviou a proposta sobre a desestatização da empresa para apreciação da Assembleia Legislativa.

A equipe do Diário ouviu os parlamentares da região para entender o posicionamento de cada um. Se a oposição já tem certeza que votará contra, os deputados da situação evitaram confirmar o apoio e afirmam que estão estudando o melhor caminho.

O chefe do executivo do Estado diz que a ideia não é a venda total da empresa, “mas sim de diluição”, e que a privatização renderia R$ 66 bilhões para o plano de investimento. Além disso, ainda segundo Tarcísio, não haverá aumento na tarifa após o processo e a universalização dos serviços será antecipada, de 2033 para 2029. A expectativa do governador é que esse projeto de lei seja votado e aprovado ainda neste ano.

O Grande ABC conta com uma bancada de oito deputados estaduais na Alesp: Ana Carolina Serra (Cidadania), Atila Jacomussi (SD), Carla Morando (PSDB), Ediane Maria (Psol), Luiz Fernando Teixeira (PT), Rômulo Fernandes (PT), Teonilio Barba (PT) e Thiago Auricchio (PL).

Ana Carolina comenta que está dialogando com pessoas especializadas no assunto, somente após esse estudo vai decidir sua posição. “Estamos analisando o projeto de lei e dialogando com especialistas, na busca de um entendimento mais amplo sobre a medida, para posterior posicionamento de voto. O nosso encaminhamento será sempre em prol da população, em especial, dos mais vulneráveis.”

Atila Jacomussi, que foi ex-prefeito de Mauá e hoje é base do governador Tarcísio, não confirmou que votará a favor do projeto, dizendo que necessita de algumas confirmações para tomar sua decisão. “O que me preocupa primeiro é garantia de redução da tarifa. Além disso, precisa ter garantia da continuidade do Programa Água Legal e também é necessário ser colocado no contrato a obrigação que a empresa execute o sistema de saneamento em áreas irregulares. Se não tiver esses compromissos, qualquer deputado vai ser contra. Uma coisa é ser base, outra é você ser uma base alienada”, afirmou.

Os deputados estaduais de oposição já executam duras críticas ao projeto. Para o deputado estadual e pré-candidato ao Paço de São Bernardo pelo PT, Luiz Fernando Teixeira, a privatização da Sabesp fará com que a qualidade do serviço caia drasticamente. “Vai faltar água em São Paulo, a tarifa vai ficar impagável. A tarifa disparou e o serviço piorou em lugares que privatizaram a água. Nós trabalharemos radicalmente contra essa privatização, a água não é mercadoria”, confirmou o petista.

Assim como Luiz Fernando, Barba também se posicionou contrário e leva como referência o sistema de energia elétrica, que foi privatizado, e que, para ele, piorou e se tornou mais caro. “Lutaremos duramente contra, pois onde ocorreu a privatização a tarifa social encareceu. Não existe privatizar para tornar mais barata, a energia ficou mais cara, por exemplo.”

Rômulo foi outro petista a se pronunciar contra a desestatização da Sabesp. “Vou votar contra e afirmo com convicção que, se depender da oposição, a proposta não será aprovada. O governador argumenta que não vai mudar as finalidades da empresa, pois o estado permanecerá com participação de 15% a 30%o das ações, mas o projeto não define qual será essa participação. Assim, São Paulo corre o risco de ficar apenas com participação simbólica, no futuro. O argumento cruel com o povo paulista é o de que a Sabesp precisa ganhar eficiência, mas o que o governo quer é entregar o mercado de saneamento aos interesses de grupos privados “, disse.

“A Alesp não poderia ter aceito essa matéria desprovida de fundamentação técnica, pois os estudos não se sustentam e por isso o governo se recusa a submetê-lo ao contraditório no debate público. Vamos enfrentar isso com todos os mecanismos da boa prática legislativa”, completou Rômulo Fernandes.

Em suas redes sociais, Ediane Maria também confirmou a luta contra a privatização da empresa. Por vídeo, a parlamentar declara que a desestatização da Sabesp é um retrocesso, prejudicando, principalmente, o povo mais pobre do Estado. “Somos oposição, a bancada do Psol vai para cima. O Tarcísio tenta colocar para todos nós que será melhor, mas temos o caso do Rio de Janeiro, que foi privatizada e chega água insalubre, não tem tratamento e não faz investimento aos que não podem chegar. Aqui não pode ter a negociação das nossas estatais”, declarou Ediane Maria, em seu Instagram.

O deputado estadual Thiago Auricchio, com base eleitoral em São Caetano, e a deputada estadual Carla Morando, com base em São Bernardo, foram procurados pela reportagem, mas não responderam até o fechamento da matéria.

Atualmente no Grande ABC, a Sabesp possui operação em Santo André, São Bernardo, Diadema, Mauá (só a gestão da água), Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. Apenas São Caetano, que possui o Saesa (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental).

fonte: www.dgabc.com.br