Depois de quase duas décadas, as vendas de CDs voltaram a crescer no Brasil e no mundo

No mercado nacional, a alta chegou a 139% em 2021, segundo dados da Federação Internacional da Indústria Fonográfica. O índice coloca o CD à frente de todas as outras mídias físicas, inclusive o disco de vinil. A CBN ouviu fãs de música, artistas e críticos para ir atrás de uma resposta para essa pergunta: será que, em meio uma onda nostálgica, o CD se tornou o novo vinil?

 

O acervo de quatro mil CDs do Henrique Dídimo é fruto de uma paixão que começou há mais de 30 anos. Nem mesmo a chegada das plataformas digitais fez o professor desistir do disquinho cor de prata.

Foi no final da década de 80 que o CD tomou o lugar do vinil e se tornou objeto de desejo dos fãs de música. Por pelo menos duas décadas, o CD dominou, até a popularização de aplicativos como Spotify e Deezer. Mas, no último ano, os CDs voltaram a dar sinal de resistência. De 2020 pra 2021, as vendas cresceram 139% no país, segundo a Federação Internacional da Indústria Fonográfica. Entre as mídias físicas, os CDs foram o formato mais comercializado no ano passado, gerando quase sete milhões de reais. O resultado coloca o CD à frente até mesmo dos discos de vinil, que vivem uma redução no ritmo de crescimento, pelo menos aqui no Brasil.

Será, então, que os CDs estão se tornando o novo vinil? Eu sou Maria Eduarda Aloan e nesse episódio do CBN Mais você confere comigo a resposta para essa pergunta.

O último álbum da Adele, o “30”, foi o mais vendido de 2021, tanto a mídia física quanto o formato digital. Isso, no mundo todo. Mas o que chama a atenção é o número de discos físicos vendidos. Em pouco mais de duas semanas, o CD chegou à marca de 1 milhão de cópias vendidas só nos Estados Unidos.

Adele é uma das artistas que mais lutam pela sobrevivência da mídia física. Em novembro de 2015, a cantora só disponibilizou o álbum “25” em CD. Foram sete meses de espera até a chegada às plataformas digitais. A estratégia deu certo. Adele bateu todos os recordes de vendas e downloads pra uma semana de lançamento. A artista vendeu 3 milhões e 380 mil cópias em sete dias.

Todo esse sucesso também é resultado do empenho dos fãs, como a promotora de vendas Ingrid Drumond.

O sucesso do último trabalho da Adele contribuiu pra alta nas vendas de CDs no mercado americano no ano passado. Outra artista que aparece entre as que mais vendem discos nos Estados Unidos é a Taylor Swift.

Mesmo com relançamentos, Taylor Swift esteve no topo das paradas de 2021 com a nova versão de “Fearless”, de 2008, e “Red”, de 2012. O álbum “evermore”, lançado no final de 2020, também se destacou, chegando a um pico nas vendas em 2021. Com artistas como Adele, Taylor Swift, BTS e Olivia Rodrigo, os Estados Unidos somaram, no ano passado, 46 milhões e 600 mil CDs vendidos. Em 2020, esse número tinha sido de 31 milhões e 600 mil. Foi o primeiro crescimento em quase duas décadas, segundo dados divulgados pela Recording Industry Association of America.

O produtor musical e comentarista da CBN, João Marcelo Boscoli, deu algumas explicações para essa nova onda do CD.

A arquiteta e urbanista Patricia Martins Borges, de 29 anos, é fã da Taylor Swift desde 2010. Pra ela, comprar um álbum físico da cantora vai muito além da música.

Em 2019, dos dez CDs mais vendidos, quatro não eram discos daquele ano. Entre eles “Bohemiam Rapsody”, do Queen, e “Abbey Road”, dos Beatles. No ano seguinte, foi apenas um. Já em 2021, todos os CDs mais vendidos eram lançamentos daquele ano. A força dos CDs também pode ser vista nas premiações. Dos dez álbuns de 2021 indicados a álbum do ano no Grammy, três estão na lista dos mais vendidos: “Sour”, da Olivia Rodrigo, “Justice”, do Justin Bieber, e “Evermore”, da Taylor Swift. No ano anterior, apenas um entre dez estava na lista de mais vendidos.

Pro jornalista e fundador do site Tenho Mais Discos Que Amigos, Tony Aiex, o grande responsável pelo aumento nas vendas dos CDs é o pop.

O Anderson Monteiro Ramalho tem uma loja de discos no Centro do Rio. Ele também destaca o papel do pop nesse cenário.

No Brasil, são poucos os artistas que ainda lançam álbuns físicos. Um deles é o Jão.

Aos 27 anos, o cantor paulista já lançou três CDs. O primeiro álbum, “Lobos”, veio em 2018. Um ano depois, em 2019, Jão lançou “Anti-Herói”. Em entrevista à CBN, o artista afirmou que lançar músicas em versão física é uma demanda dos fãs. Ele garantiu que “Pirata”, lançado em outubro de 2021 nos streamings, também vai virar CD.

Apesar da alta nas vendas, os CDs representam apenas 0,6% do total das receitas da indústria fonográfica no país. Por isso, o jornalista especializado em música Tony Aiex, disse que o importante é estar presente nas plataformas digitais.

Dados da Federação Internacional da Indústria Fonográfica também mostram que o Brasil tem, hoje, o décimo primeiro maior mercado fonográfico do mundo, atingindo 2 bilhões e 100 milhões reais em faturamento em 2021, o que representa quase o dobro do valor de três anos atrás. O crescimento foi puxado pelo aumento das receitas do streaming, que subiram 34% em relação a 2020, e, hoje, representam 85% de todas as receitas do setor.

Esse episódio do CBN Mais teve a sonorização de Ramon Lemes, edição de Matheus Carrera, colaboração de Cláudio Gabriel, e produção e reportagem feitas por mim, Maria Eduarda Aloan.

Fonte: CNB 

Sobre FERNANDO BRUDER TEODORO

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