Dra. Julia Bruder foi entrevistada no Jornal Alpha Notícias sobre a estrutura da saúde pública em Botucatu

O jornalista Fernando Bruder recebeu, na manhã desta sexta-feira, a médica Dra. Julia Bruder durante o Jornal Alpha Notícias, da Rádio Alpha FM 87,5, para uma ampla discussão sobre saúde pública e a realidade da assistência às gestantes no município de Botucatu.

A entrevista aconteceu após uma reunião e mesa-redonda promovida na OAB de Botucatu, na última quarta-feira, 15/05, que debateu a temática e reuniu profissionais da saúde, advogados e representantes da sociedade civil. Durante a conversa, Dra. Julia destacou a importância do encontro, mas apontou a ausência de representantes considerados fundamentais para o debate, como integrantes do Conselho Regional de Medicina, vereadores, representantes da Secretaria Municipal de Saúde e o prefeito.

Segundo a médica, é necessário ampliar a discussão sobre assistência obstétrica e não para a criminalização dos ginecologistas e obstetras. Ela explicou que atualmente existem projetos de lei em tramitação no Brasil, como o PL 2.373/2023 e o PL 173/2025, que criminalizam procedimentos e a assistência à gestante. Para Dra. Julia, o uso do termo “violência obstétrica” pode acabar criando um ambiente de medo tanto para pacientes quanto para profissionais da saúde.

“A humanização no atendimento passa pela relação entre médico, paciente e equipe de saúde. É preciso acolhimento, respeito e esclarecimento. Quando a paciente chega ao atendimento já receosa, e o médico trabalha sob medo constante de processos, isso prejudica o vínculo e a qualidade da assistência”, afirmou.

Durante a entrevista, ela relatou que ocorrem situações de maus atendimentos e relatos de pacientes que passaram por experiências traumáticas. Porém, a Dra. Julia ressaltou a importância de diferenciar falhas individuais de maus profissionais e que uma generalização contra os obstetras e procedimentos necessários para salvar, tanto a vida da paciente quanto do bebê, não podem de forma nenhuma serem classificados como atos de violência. E são procedimentos que somente os médicos obstetras estão habilitados a realizarem. Segundo ela, muitos procedimentos realizados durante o parto acontecem por necessidade clínica de complicações do parto que podem acontecer durante o período da gestação, são inerentes à condição da gestante e do bebê, e não podem ser automaticamente classificados como violência ou falha no atendimento.

Outro ponto debatido foi a estrutura da saúde pública em Botucatu que impacta consideravelmente sobre as gestantes do município. Fernando Bruder e Dra. Julia criticaram a falta de uma maternidade do município de Botucatu a qual não existe, no momento. Botucatu não tem uma maternidade própria, estruturada e apontaram que a cidade depende excessivamente do Hospital das Clínicas da Unesp para atendimentos obstétricos e outras demandas hospitalares.

Segundo eles, apesar do crescimento populacional do município nas últimas décadas, a estrutura da saúde pública não acompanhou essa evolução. Eles lembraram que Botucatu já contou com mais leitos hospitalares e unidades funcionando de maneira mais eficiente. No.entanto, atualmente, a população enfrenta filas; dificuldades para exames; cirurgias e atendimento especializado.

A médica também questionou o modelo de terceirização da saúde pública municipal. De acordo com ela, a prefeitura mantém contratos para disponibilização de ginecologistas e pediatras em unidades de saúde, mas há constantes reclamações sobre a ausência desses profissionais. Para Dra. Julia, o problema não seria falta de médicos na cidade. Mas sim, questões relacionadas à baixos salários, pejotização da mão de obra médica municipal, desvalorização profissional, condições de trabalho precárias e gestão ineficiente saúde pública municipal.

“O município precisa discutir seriamente sua estrutura de saúde. Não é uma crítica pessoal a ninguém, mas estamos falando de necessidades reais da população e que os últimos prefeitos, desde 2013, não tem resolvido em relação à assistência às gestantes. A saúde da gestante e do bebê precisa ser prioridade absoluta”, destacou.

Ao final da entrevista, Dra. Júlia defendeu a estruturação de uma maternidade própria para o município, a contratação de ginecologistas obstetras e pediatras para os postos de saúde, serviço de ultrassonografia, laboratório e ainda, a retomada de grupos de gestantes nos postos de saúde, campanhas educativas e ações de orientação à população, além da continuidade dos debates sobre humanização do atendimento e fortalecimento da rede pública municipal de saúde.

A entrevista completa foi exibida durante o Jornal Alpha Notícias, na programação da Rádio Alpha FM de Botucatu.

Assista pelo Link:

youtube.com/watch?v=UXABEr6qy7A&feature=youtu.be

 

Sobre Fernando Bruder

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