Parque Linear do Lavapés custou mais de R$ 10 milhões e recebeu aditamentos de mais 342 mil, inclusive após a inauguração

O Parque Linear do Lavapés, em Botucatu, é uma das obras mais caras e controversas feitas pelo ex-prefeito Mário Pardini. E segue acumulando críticas da população que pede providências à Prefeitura.

Com apenas 340 metros de extensão, o que equivale a cerca de meros 3 quarteirões, o projeto já consumiu mais de R$ 10 milhões em recursos públicos e foi inaugurado no dia 29 de dezembro de 2024, no final dos 8 anos de mandato, do ex-prefeito Mário Pardini.

Quanto custou a obra e quem executou?

A obra do Parque Linear foi contratada por meio da Concorrência Pública nº 004/2022, que resultou no Contrato nº 171/2023, firmado com a empresa Dellazari & Borlina Soluções Ltda – ME (CNPJ 11.118.773/0001-93).

O contrato inicial de 22 de junho de 2023, foi de R$ 9.826.467,21. Houve 3 aditamentos registrados oficialmente até 2025, sendo:

  1. Aditivo 406/2024: assinado em 24 de outubro de 2024, com aditamento de valor;
  2. Aditivo 496/2024: assinado em 30 de dezembro de 2024, um dia após a inauguração do Parque, com aditamento de valor e ainda com prorrogação de prazo de 23/11/2024 a 21/02/2025;
  3. Aditivo 091/2025: assinado em 11 de abril de 2025 com aditamento e supressão de valores e prorrogação de prazo de 22/02/2025 a 23/04/2025

Valor contratual atualizado após os aditamentos com supressões e acréscimos técnicos, passou a ter o valor contratual final divulgado para R$ 10.168.746,57. Esses documentos (contrato e aditivos) estão disponíveis no Portal de Transparência da Prefeitura de Botucatu.

Isso significa que a obra recebeu R$ 342.279,36 em acréscimos ao longo de 2024–2025. E o prazo foi prorrogado por 113 dias além da inauguração.

Entretanto, poucos meses após a inauguração, o Parque Linear já apresentava falhas graves e estruturais, mesmo com os aditamentos feitos após a sua inauguração. Consta no documento oficial que o aditamento, n° 496/2024 foi assinado no dia seguinte da inauguração do Parque e com prorrogação de prazo até fevereiro de 2025. Já o aditamento de nº 091/2025 mostra que, além de ajustes administrativos e prorrogação de prazo até abril de 2025, além do acréscimo financeiro que foi justificado para:

  • Inclusão de itens complementares que não estavam previstos inicialmente no projeto de 2022, mas sem a especificação de quais itens;
  • Adequações no sistema de drenagem;
  • Correções nas estruturas já implantadas;
  • Readequação de serviços que, segundo o documento, “apresentaram necessidade técnica após avanço da obra”.

Contudo, esses itens são compatíveis, justamente, com vários dos problemas que ainda persistem no Parque. A população reclama que as falhas continuam sem solução efetiva, mesmo após este gasto adicional, e que as novas intervenções não surtiram efeito visível, mantendo situações como:

  • Juntas de dilatação do piso com rachaduras, o que sugere que a reestruturação realizada não resolveu totalmente o problema estrutural.
  • Parte do piso intertravado está desnivelado, com algumas peças soltas, representando risco de acidentes para pedestres e usuários;
  • A quadra poliesportiva ainda apresenta grama sintética solta e com buracos, que podem provocar lesões nos atletas;
  • A pista de skate acumula água, em grande quantidade, nos dias de chuva;
  • Bancos riscados e danificados, o que denota deficiência na entrega de acabamento e na manutenção do Parque;
  • Os banheiros e bebedouros com ausência de torneiras. No banheiro masculino, falta uma cuba na pia. Além de problemas nos acabamentos, indicando falha nas etapas finais da obra e no controle de qualidade;
  • Quase total falta de arborização com grandes áreas de sol intenso sem sombras, dificultando as pessoas de frequentar o parque durante o dia. As árvores que foram cortadas para a construção do Parque, não foram replantadas e os coqueiros que aparecem no projeto, não existem no espaço;
  • Falta de jardinagem e paisagismo do parque. Há plantas mortas, canteiros e vasos vazios. Evidenciando que não foi realizado o paisagismo adequado para recompor o verde, fazendo com que o Parque pareça, em partes, um grande corredor duro cimentado, sem a ambientação natural prometida no projeto e com visual de obra crua e inacabada.

Para os moradores, é inadmissível que uma obra tão cara, inclusive com aditamentos após a sua inauguração, continue com defeitos na sua estrutura. Além disso, outra questão que chama a atenção, é em relação à Prefeitura ter feito novos pagamentos para a obra ainda dentro do prazo de garantia. Ou seja, tanto na gestão de Pardini quanto na gestão do atual prefeito Fábio Leite, a Prefeitura autorizou, pagamentos para correções e adequações da obra recém inaugurada. E ainda mais estranho, é que foram pagos para a mesma empresa responsável pela obra, a Dellazari & Borlina Soluções em Construção Ltda.

Vale ressaltar que as obras de drenagem e construção dos gabiões para o canal do Rio Lavapés, na área do Parque Linear, foram executada por outra empresa, a Conteg Construções e Gabiões Ltda, através do contrato 309/23.

A empresa Dellazari & Borlina já executou várias obras no governo do ex-prefeito Pardini

A Dellazari & Borlina não é estranha aos contratos com o município. Há registros públicos de outras contratações e aditamentos envolvendo serviços de drenagem, implantação de aduelas, recapeamentos e adequações viárias.

No Portal de Contratos aparecem contratos e termos de aditamento que vinculam a empresa a várias obras de infraestrutura urbana na cidade, tais como:

  • Aduelas de concreto armado e gabiões no Condomínio Vale do Sol;
  • Execução de Av. Arquiteto Zenon Lotufo e Av. Maria Nazaré Roseiro;
  • Drenagem no Bairro Jardim Tropical;
  • Drenagens, guias, sarjetas e recapeamento asfáltico nas rua Veiga Russo e Carlos Corsi no Jardim Dona Nicota.

Em pelo menos em uma dessas obras, a do trecho da rua Veiga Russo, a qualidade do serviço foi criticada publicamente pelo próprio prefeito Fábio Leite, em vídeo, publicado nas suas redes sociais.

A Dellazari & Borlina foi alvo de duras críticas do prefeito Fábio Leite

A Dellazari & Borlina já foi alvo de duras críticas pelo próprio prefeito Fábio Leite, que chamou, publicamente, a empresa de “porca”, após falhas graves no recapeamento da Rua Veiga Russo, no Centro.

Contudo, o mesmo Fábio Leite participou de contratações anteriores da empresa, pois durante os 8 anos de governo Pardini, ocupou três secretarias estratégicas:

  • Secretaria de Governo;
  • Secretaria da Fazenda e
  • Secretaria de Administração.

Ou seja, antes de classificá-la como “porca”, o atual prefeito foi gestor em pastas responsáveis por assinar contratos, fiscalizar, planejar e autorizar obras realizadas pela mesma empresa Dellazari e Borlina.

Fiscalização sob suspeita

Moradores e especialistas apontam possíveis falhas na fiscalização e permissão de aditamentos para problemas de execução da obra. Dessa forma, é possível levantar outros questionamentos, tais como:

1. Quem foram os fiscais da obra?
2. Os relatórios de fiscalização existem? Eles não apontam os problemas estruturais?
3. Houve medição correta das etapas?
4. Por que foram liberados pagamentos se haviam defeitos?
5. Por que os fiscais permitiram que fossem pago novo aditamento, após a inauguração, sem acionar a garantia?

A soma desses fatores, em uma obra tão recente, indica possível falha de fiscalização de contrato, além de questionamentos sobre a necessidade dos aditamentos, tanto de valores quanto de prazos, feitos após inauguração, pelo ex-prefeito Pardini em dezembro de 2024; e por Fábio Leite, em abril de 2025.

Obra curta, custo alto e aditamentos suspeitos

O trecho de pouco mais de 300 metros, custou mais de R$ 10 milhões e ainda recebeu um aditamentos, após 4 meses da inauguração e mesmo assim continua apresentando defeitos.

Dessa forma, mais questões perfazem essa situação:

  • 1. Por que uma obra de valor tão alto foi inaugurada com tantos problemas estruturais?
  • 2. Por que a Prefeitura, no governo Pardini, não multou a empresa antes da inauguração e não exigiu que a empresa corrigisse as falhas sem custos, e mesmo assim realizou aditamento logo após a inauguração?
  • 3. Por que os mesmos problemas continuam após outro aditamento, já no governo Fábio Leite?

Infelizmente, as respostas ainda não foram dadas oficialmente. A Equipe de jornalismo da Rede Alpha de Comunicação procurou o prefeito Fábio Leite; a Secretária de Comunicação, Cinthia Al-Lage; o Secretário de Infraestrutura, Rodrigo Taborda e o Secretário de Zeladoria, Márcio (Dadá), mas nenhum deles deu qualquer explicação sobre o caso. Sem respostas oficiais, cresce a cobrança por transparência e responsabilização por parte da população.

A Rede Alpha de Comunicação publicou diversas matérias relacionadas à empresa e às obras executadas

A Rede Alpha já publicou várias matérias sobre essa empresa e as obras executadas por ela na cidade. Essas matérias trazem o relato de moradores, imagens e a posição do Executivo Municipal. Veja as principais reportagens que documentam os casos até o momento:

Problemas estruturais no recém inaugurado Parque Linear no Lavapés” — descreve rachaduras, piso fora de nível e falta de manutenção apontadas por usuários.

Link: https://www.alphanoticias.com.br/problemas-estruturais-no-recem-inaugurado-parque-linear-no-lavapes/

Empresas terceirizadas sem a fiscalização da Prefeitura só trazem prejuízos para Botucatu” — reportagem que cita a Dellazari & Borlina, registra crítica pública do prefeito e relata que a Procuradoria Municipal foi acionada para notificar a empresa sobre serviços considerados “muito mal feitos”. Nessa matéria há referência a trechos de recapear/obras de rua cuja qualidade foi questionada.

Link: https://www.alphanoticias.com.br/empresas-terceirizadas-sem-a-fiscalizacao-da-prefeitura-so-trazem-prejuizos-para-botucatu/

Prefeitura de Botucatu realiza reparos no Parque Linear após denúncias” — notícia sobre ações de manutenção adotadas pela administração municipal após as reclamações dos moradores.

Link: https://www.alphanoticias.com.br/prefeitura-de-botucatu-realiza-reparos-no-parque-linear-apos-denuncias/ 

A obra de mais de R$ 10 milhões, com extensão de apenas 340 metros, já apresentou defeitos em menos de 1 ano; recebeu aditamento de R$ 103 mil após a inauguração; continua com problemas; foi executada pela mesma empresa que o prefeito chamou de “porca”; e permanece sem solução, mesmo com todos os prazos de garantia vigentes. A população exige: transparência, correções imediatas, responsabilização da empresa, e explicação pública sobre o aditamento feito dentro da garantia.

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