Prefeitura de Botucatu reconhece a carne estragada e faz recolhimento

O jornalista Fernando Bruder entrevistou Luciano Valim, membro do Conselho de Alimentação Escolar (CAE) de Botucatu, para esclarecer os fatos relacionados à denúncia feita na semana passada enviada à Rede Alpha sobre a distribuição de carne suína supostamente estragada nos kits de alimentação escolar entregues pela Prefeitura de Botucatu, por meio da Secretaria Municipal de Educação, durante o período de férias.

Segundo Luciano Valim, “a situação teve início no dia 13 de janeiro, quando ele esteve na Cozinha Piloto do município para acompanhar a distribuição dos kits que, inicialmente, estavam previstos para dezembro, mas acabaram sendo entregues apenas em janeiro. Durante esse acompanhamento, Valim relatou ter identificado a inclusão de uma carne suína tipo charque, proteína que, segundo ele, não havia sido previamente apresentada ou discutida com o Conselho. Ainda assim, ele acompanhou a entrega dos kits em escolas e creches da cidade.

No dia seguinte, mães de alunos começaram a relatar que a carne apresentava odor forte e característico de produto estragado. Uma das mães fez o alerta público, o que levou Valim a retornar imediatamente à Cozinha Piloto. No local, estavam presentes o Secretário Municipal de Educação, Gilberto Mariotto, os subsecretário Márcio e Carlinhos e Roberta da Vigilância Sanitária além o nutricionista responsável, William Fernandes o vereador Japa. Valim afirmou que, ao cheirar a carne apresentada, percebeu mau cheiro e solicitou o recolhimento do produto, pedido que, naquele momento, não teria sido atendido, sob a justificativa de que se tratava do odor normal do charque.

De acordo com o conselheiro, a situação se agravou ao longo do dia, quando ele e outros membros do CAE, além da reportagem da Rede Alpha, visitaram residências de famílias que receberam os kits. Nesses locais, o cheiro da carne foi descrito como “insuportável” e “de podre”. À tarde, durante uma visita à casa da mãe que fez a denúncia, o secretário de Educação levou uma marmita preparada com carne retirada da Cozinha Piloto, tentando demonstrar que o alimento estava próprio para consumo. No entanto, segundo Valim, essa carne não era a mesma recebida pela família denunciante. Ainda assim, ao serem abertas as embalagens levadas pelas mães, o forte odor foi constatado, inclusive por autoridades presentes.

Luciano Valim destacou que, após os relatos, foi determinada a recolha de toda a proteína distribuída nos kits em escolas e creches do município. Ele afirmou que, apesar de a embalagem chegar lacrada às unidades escolares, a responsabilidade é da empresa fornecedora, que deverá repor toda a quantidade distribuída, estimada em cerca de 3.300 quilos de carne, além de estar sujeita a multa diária. As carnes recolhidas estão armazenadas na Cozinha Piloto, aguardando retirada pela empresa.

O conselheiro também criticou a falta de diálogo entre a Secretaria de Educação, a equipe de nutrição e o Conselho de Alimentação Escolar ao longo dos últimos três anos de mandato. Segundo ele, decisões importantes são tomadas sem a devida comunicação prévia ao CAE, o que, na sua avaliação, contribui para episódios recorrentes envolvendo alimentos, como já teria ocorrido anteriormente com ovos, pão de forma e atum. Valim afirmou que o Conselho encaminhará o caso ao Ministério Público Estadual e ao Conselho Estadual de Alimentação Escolar, além de registrar boletim de ocorrência.

Outro ponto levantado foi o processo de licitação. Valim explicou que a substituição de marcas só pode ocorrer se houver apresentação e aprovação prévia de amostras e se não houver redução de qualidade ou quantidade do produto. Ele ressaltou que, no caso específico da carne da marca Seara, com embalagens de 400 gramas, cada kit deveria conter duas unidades, informação que, segundo ele, não foi claramente repassada à população.

Por fim, Luciano Valim cobrou mais transparência do poder público. Para ele, a Prefeitura e a Secretaria de Educação deveriam comunicar claramente à população o que ocorreu, quais providências estão sendo adotadas, quais penalidades serão aplicadas à empresa fornecedora e como será feita a reposição dos alimentos. “Não se trata de política ou de prejudicar quem quer que seja. Estamos falando da alimentação e da saúde das crianças de Botucatu”, afirmou.

A Rede Alpha de Comunicação segue aguardando um posicionamento oficial e detalhado da Prefeitura de Botucatu e da Secretaria Municipal de Educação sobre o caso, especialmente quanto aos laudos laboratoriais das amostras encaminhadas para análise, às multas aplicadas e ao cronograma de reposição da proteína às famílias atendidas pelos kits de alimentação escolar.

Acompanhe a entrevista completa de Luciano Valim ao Jornalista Fernando Bruder no Jornal Alpha Notícias:

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