Botucatu figura entre as cidades com pior desempenho do Brasil em relação a Inclusão Social de acordo com o Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2025.
O IPS é um dos mais importantes indicadores que medem o desenvolvimento social e a qualidade de vida da população, indo além de dados econômicos como o PIB.
Ele avalia se as pessoas conseguem viver com dignidade, segurança, bem-estar e oportunidades reais, com base em resultados concretos na vida da população.
No Brasil, o IPS é elaborado de forma independente, inspirada no índice internacional Social Progress Index, e utiliza apenas dados oficiais de órgãos como IBGE, Ministério da Saúde (Datasus), TSE e CadÚnico.
O índice analisa todos os 5.570 municípios brasileiros, estruturando os dados, com pontuação de 0 a 100, em três dimensões:
1. Necessidades Humanas Básicas;
2. Fundamentos do Bem-Estar e;
3. Oportunidades
De acordo com os dados divulgados pelo IPS Brasil, o município de Botucatu, infelizmente, ocupa a 5.342ª posição entre os 5.570 municípios brasileiros, com nota 36,15 em 2025. Em 2024, ocupava 5304° lugar com a nota de 27,70.
Mesmo apresentando um leve aumento no ranking de 42 posições, esse ganho não foi susbtancial em comparação às outras cidades paulistas.
E infelizmente, o desempenho é considerado extremamente fraco quando comparado a cidades de porte e perfil econômico semelhantes e com outras cidades do Estado e da região da Cuesta.
Assim, esse resultado coloca Botucatu na parte mais baixa do ranking nacional e muito abaixo da média brasileira, que foi de 46,07 pontos, neste componente.
O IPS avalia não apenas renda ou crescimento econômico, mas a capacidade real dos municípios de garantir direitos, inclusão, segurança e oportunidades à população.
Inclusão social: onde Botucatu falha
O componente Inclusão Social integra a dimensão Oportunidades do IPS e analisa indicadores diretamente ligados à equidade, representatividade e proteção social.
No caso de Botucatu, os dados revelam fragilidades estruturais importantes:
1. Paridade de gênero na Câmara Municipal, evidenciando baixa representatividade de gênero no poder político local;
2. Paridade de negros na Câmara Municipal é classificada como relativamente fraca, evidenciando baixa representatividade racial no poder político local;
3. Indicadores de violência contra mulheres apresentam desempenho relativamente fraco, apontando taxas elevadas de ocorrências;
4. Violência contra a população negra e a violência contra povos indígenas aparecem como relativamente neutras, mas ainda distantes de um cenário considerado satisfatório.
O conjunto desses fatores contribui para a pontuação final extremamente baixa no ranking nacional.
Comparação com municípios semelhantes
O IPS Brasil agrupa municípios com faixa de PIB per capita semelhante para permitir comparações mais justas.
Nesse grupo de cidades com renda per capita de 55 a 56 mil, da qual Botucatu faz parte, a situação é ainda mais alarmante. Das 11 cidades, do Estado de São Paulo, que compõem esse grupo, Botucatu fica em último lugar em Inclusão Social.
Esse grupo inclui as seguintes cidades:
1. Aparecida d’Oeste: 96,20;
2. Mesópolis: 85,26;
3. Cafelândia: 63,15;
4. São José do Rio Pardo: 54,68;
5. Morungaba: 54,26;
6. Ubarana: 51,82;
7. Guararapes: 50,31;
8. Pirapozinho: 47,24;
9. Aguaí: 37,95;
10. Anhembi: 36,41
11. Botucatu: 36,15
Esse desempenho de Botucatu sinaliza que o problema não pode ser atribuído apenas a questões econômicas.
Em relação a cidades paulistas com população entre 150 a 200 mil habitantes, Botucatu continua entre as piores. Nesse grupo estão:
– Mogi Guaçu: 52,54;
– Itapecirica da Serra: 50,5;
– Franco da Rocha: 48,90;
– Santana do Parnaíba: 48,08;
– Ferraz de Vasconcelos: 46,75;
– Bragança Paulista: 42,23;
– Francisco Morato: 42,03;
– Pindamonhangaba: 40,27;
– Botucatu: 36,15
Botucatu aparece entre os piores desempenhos, mostrando que o problema também não pode ser atribuído a quantidade populacional, ficando a frente apenas de Itapetininga: 32,84; São Caetano do Sul: 28,58; Itu: 28,32 e Atibaia: 26,82.
Comparação com outras cidades da Região
Botucatu ocupa posição abaixo de outras cidades da região, tais como:
– Paranapanema: 84,61
– Areiópolis: 64,24
– Barra Bonita: 57,41
– Pardinho: 54,99
– Bofete: 51,92
– São Manuel: 50,58
– Itatinga: 49,39
– Pratânia: 40,14
– Bauru: 38,70
– Anhembi: 36,41
– Conchas: 30,83
– Avaré: 30,19
– Jaú: 27,89
Contraste com outros indicadores
O desempenho negativo, em inclusão social, contrasta com resultados mais positivos em outros componentes avaliados pelo IPS.
O município apresenta indicadores relativamente fortes em Acesso à Educação Superior, como proporção de trabalhadores com ensino superior e desempenho médio no Enem.
Ainda assim, os dados mostram que esse avanço educacional não têm se convertido em inclusão social efetiva, sobretudo para mulheres, negros e populações vulneráveis.
O que o ranking revela
Mais do que uma posição numérica, o 5.342º lugar expõe um alerta sobre a incapacidade das políticas públicas locais de enfrentar desigualdades estruturais.
O IPS Brasil 2025 evidencia que crescimento econômico, oferta de ensino superior ou infraestrutura urbana não são suficientes quando não há ações consistentes voltadas à proteção social, equidade de gênero e racial, segurança pública e representatividade política.
Em um ranking que avalia todos os municípios brasileiros, Botucatu passa a integrar o grupo das cidades que mais falham em garantir inclusão social, reforçando a necessidade de revisão profunda das prioridades e estratégias da gestão pública municipal.
O IPS é uma ferramenta essencial para as cidades brasileiras, porque permite diagnosticar desigualdades sociais, comparar municípios de forma justa e fortalecer a transparência e o controle social.
Mais do que medir crescimento econômico, o índice mostra se o desenvolvimento está, de fato, chegando às pessoas e contribuindo para uma sociedade mais justa, inclusiva e com oportunidades para todos.
Não basta constuir estradas, represas, ruas e prédios, se as pessoas não tem suas vidas melhoradas.
Não basta ter obras de infraestrutura, se essas obras não atendem às necessidades de todos os moradores.
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