Justíça

Presos liberados na saidinha precisam retornar nesta segunda-feira 17/03

Na região, os 3.282 reeducandos dos Centros de Progressão Penitenciária (CPP) que receberam, na última terça-feira (11), o benefício da saída temporária, a primeira do ano, devem retornar às suas respectivas unidades prisionais até as 18h desta segunda-feira (17), segundo a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). O benefício é previsto na Lei de Execução Penal e ocorre em quatro datas regulamentadas no ano: março, junho, setembro e dezembro.

De acordo com a SAP, quando um preso não retorna no prazo estabelecido, ele passa a ser considerado foragido e perde automaticamente o direito ao regime semiaberto. Ou seja, ao ser recapturado, volta ao regime fechado.

Benefício

De acordo com a Lei de Execução Penal, a saída temporária tem como objetivo a ressocialização dos presos e a manutenção do vínculo deles com o mundo fora do sistema prisional. Segundo a portaria do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o benefício sempre tem início na terça-feira da terceira semana do mês, às 6h, e se encerra às 18h da segunda-feira seguinte, com exceção de dezembro, quando contempla o Natal e o Ano Novo.

Para ter direito à saída temporária, o detento precisa ter cumprido pelo menos 1/6 da pena, caso seja réu primário, e 1/4 da pena, se for reincidente. Além disso, é necessário apresentar bom comportamento.

Por unanimidade, Supremo mantém prisão de Braga Netto

Por unanimidade, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) manteve, nesta sexta-feira (14/3), a prisão preventiva do ex-ministro Walter Braga Netto. Ele foi preso em dezembro por suspeita na investigação sobre uma trama golpista para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A ação está no plenário virtual da Corte — sistema que os integrantes votam sem a necessidade de discussão presencial sobre o tema.  A 1ª Turma do STF é formada pelos ministros Cristiano Zanin (presidente), Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Flávio Dino e Cármen Lúcia.

Braga Netto é acusado de ser o financiador do plano golpista. O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, também denunciou que o general e Fabio Wajngarten, ex-secretário de Comunicação do ex-presidente Jair Bolsonaro, tentaram obter informações sobre o conteúdo de seus primeiros depoimentos à Polícia Federal.

A prisão de Braga Netto foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes no inquérito que apurada uma tentativa de golpe de Estado para manter Bolsonaro no poder mesmo após sua derrota eleitoral em 2022. O trama também previa o assassinato do presidente Lula e do próprio integrante do STF. Além de planejar deslegitimar o processo eleitoral, o grupo é acusado de financiar atos antidemocráticos que culminaram nos ataques de 8 de janeiro às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

Na delação premiada, Cid indicou que o dinheiro para o plano de matar autoridades teria sido entregue em uma sacola de vinho pelo ex-ministro Walter Braga Netto. O montante teria sido repassado os chamados Kids Pretos, das forças especiais do Exército. Eles seriam os responsáveis por executar o plano.

Fonte: Correio Braziliense

Foto: Pedro Kirilos

Ambulantes são resgatados de trabalho análogo à escravidão no Carnaval

Trezentos e três vendedores ambulantes que trabalharam no Carnaval de Salvador foram resgatados por auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) por trabalho análogo ao de escravizado. Segundo a pasta, a prefeitura de Salvador e a empresa de bebidas Ambev eram responsáveis por esses trabalhadores no período da festa. Ambas foram notificadas na quarta-feira (12).

Conforme o órgão, os vendedores tinham vínculos de trabalho com a Ambev, que comercializou bebidas nos principais circuitos da folia, e com a prefeitura de Salvador. Ainda conforme a denúncia, durante a festa, os ambulantes dormiram na rua, não tiveram acesso a boas condições higiene e foram expostos a jornadas exaustivas, situações que configuram o trabalho semelhante ao de escravizados.

De acordo com a Prefeitura de Salvador, a gestão ainda não recebeu a autuação do órgão. Em nota, a gestão detalhou que os ambulantes recebem cestas básicas, kits de higiene e podem deixar as crianças em centros de acolhimento.

A Ambev, por sua vez, afirmou que, assim que tomou conhecimento da notificação, prestou esclarecimentos ao MTE, e forneceu a documentação solicitada.

Relação de trabalho entre as partes

Para trabalhar no carnaval, os ambulantes fazem um cadastro com a Prefeitura de Salvador, que atualmente ocorre de forma on-line e sem taxas. Caso o vendedor seja aprovado, ele recebe uma licença referente ao circuito onde poderá trabalhar. Essa licença não determina o posto exato de trabalho.

Durante os dias de carnaval, os ambulantes podem vender apenas produtos da empresa Ambev. As bebidas são adquiridas em centros de distribuição da empresa e o preço de cada uma delas é tabelado, ou seja, não é o ambulante que determina o valor dos produtos.

No entendimento da auditoria-fiscal do trabalho, a Ambev é a empregadora desses trabalhadores, em razão da existência dos requisitos do vínculo empregatício previstos na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT): onerosidade, pessoalidade e subordinação – sendo este último o mais forte. Entenda:

pessoalidade – os vendedores cadastrados não podem ser substituídos por terceiros e uma transferência poderia resultar em penalidade;

subordinação – os ambulantes eram obrigados a usar os kits da empresa, vender apenas os produtos da empresa e por um preço estabelecido pela empresa;

não eventualidade – a empresa utiliza os vendedores como parte da cadeia de distribuição dos produtos ao consumidor final na festa;

onerosidade – remuneração baseada no lucro líquido obtido pela venda dos produtos e precificação de forma tabelada pela empresa.

“A equipe que atuou, agiu de uma forma bastante técnica. Ela se fundamenta na Legislação Trabalhista Federal, que está em vigor, onde estão presentes, no entendimento desse grupo de que estão presentes os requisitos de emprego entre a empresa e esses trabalhadores. E ela deve adotar alguma medidas indicadas na notificação, que basicamente se referem ao cumprimento das obrigações trabalhistas com relação a esses 303 trabalhadores identificados pela fiscalização”, afirmou o chefe da fiscalização da Superintendência Regional do Trabalho na Bahia (STRE-BA), Maurício Melo.

A gestão municipal é apontada como omissa pela pasta, já que também era responsável pelas condições desses trabalhadores e teria se omitido de prover condições dignas.

O MTE pontuou, inclusive, que a prefeitura fiscalizou a venda dos ambulantes através da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) e puniu aqueles que vendiam produtos que não eram da Ambev.

“A Prefeitura, como ente regulador, ela deve se debruçar sobre esses elementos que estão sendo apresentados e sempre no intuíto de promover melhorias nas condições desses trabalhadores”, completou Maurício Melo.

Jornadas exaustivas

Lonas usadas por ambulantes para dormirem durante o carnaval em Salvador — Foto: MTE

Lonas usadas por ambulantes para dormirem durante o carnaval em Salvador — Foto: MTE

O MTE constatou que os ambulantes precisaram sair de suas casas e residir na rua para não perderem os postos de trabalho. Ao licenciar o vendedor para trabalhar em determinado circuito, a Prefeitura não determina o local exato onde ele poderá comercializar os produtos.

Para não gerar confusões com colegas, os trabalhadores costumam ocupar as calçadas dos circuitos dias antes da abertura do carnaval e permanecem nesses pontos até o final da festa.

Em relação à jornada de trabalho, a pasta reforçou que era completamente exaustiva. Antes do início dos desfiles dos trios elétricos nos circuitos, por volta de 14h, os ambulantes já tinham iniciado as vendas. Eles ainda precisavam transportar as bebidas e sacos de gelo das distribuidoras até o isopor, sem auxílio de carrinhos, que foram proibidos nos circuitos.

“Dorme na rua, debaixo de um sombreiro. Quando está chovendo demais, tem que sentar em um banco e ficar lá com o sombreiro, todo encolhido, esperando a chuva passar. Quando vai ver, já amanheceu o dia e tem que ir atrás de mercadoria, arrumar caixa, e toda a coisa já se torna cansativa. Às vezes, debruça em cima das caixas, cochila, não dorme direito… acaba pegando desgaste físico, querendo ou não”, falou Fraziele Lima Santos, presidente do Sindicato dos Ambulantes.

Entre os problemas apontados pelos auditores-fiscais, estão:

banheiros – em sua maioria, químicos, completamente sujos e compartilhados com o público geral da festa;

pernoite – descanso em barracas de acampamento, papelões ou lonas, instaladas na rua, sem vedação e expostas a sujeiras e chuva;

riscos – a exposição, a violência urbana e falta se segurança.

 

Pichações feitas por ambulantes no circuito Barra-Ondina, em Salvador, para marcar lugares antes do início da festa — Foto: Divulgação/GCM Salvador

    Pichações feitas por ambulantes no circuito Barra-Ondina — Foto: Divulgação/GCM Salvador

O que diz a prefeitura

“A Prefeitura de Salvador informa que tem adotado ao longo dos últimos anos diversas medidas para melhorar as condições de trabalho dos ambulantes durante as festas populares da cidade, incluindo o Carnaval. A gestão municipal comunica ainda que não foi autuada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em relação a esse assunto.

Entre as ações relativas aos trabalhadores ambulantes realizadas pela gestão municipal no Carnaval, estão a isenção de todas as taxas anteriormente cobradas e o cadastramento 100% on-line, que acabou com as filas e trouxe mais transparência ao processo e conforto para os trabalhadores.

Também houve cursos de capacitação para os ambulantes, entrega de cestas básicas e kits de higiene, instalação de banheiros equipados com chuveiros e pontos para carregamento de celular e máquina de cobrança. Além disso, a Prefeitura acolhe durante o período do Carnaval os filhos de ambulantes cadastrados pela Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) para trabalhar na festa. O programa Salvador Acolhe tem capacidade para atender até 600 crianças e adolescentes e foi conhecido este ano pela ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo.

Os avanços no ordenamento do comércio ambulante também foram reconhecidos pela população soteropolitana. Uma pesquisa realizada pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), em parceria com a Ouvidoria Municipal, aponta que 96% das pessoas aprovam as ações da Prefeitura nessa área. O levantamento ouviu 5.892 pessoas.

Por entender o Carnaval como um período em que os trabalhadores ambulantes têm uma oportunidade para incrementar a renda ou até mesmo garantir seu sustento nos meses seguintes, a Prefeitura tem atuado continuamente para garantir a cada ano melhores condições para esta categoria. Mais de 4,3 mil ambulantes foram licenciados para o Carnaval, movimentando um contingente de mais de 20 mil pessoas envolvidas na comercialização de produtos nos circuitos.”

Posicionamento da Ambev

“Em 2025, a Ambev foi patrocinadora do carnaval organizado pela Prefeitura de Salvador. Toda a comercialização de produtos durante o Carnaval na cidade é realizada por ambulantes autônomos credenciados diretamente pela Prefeitura, seguindo as regras estabelecidas em edital de patrocínio, e sem qualquer relação de trabalho ou prestação de serviços com a Ambev.

Assim que tomamos conhecimento da notificação, imediatamente prestamos esclarecimentos ao MTE, fornecendo toda a documentação solicitada. Seguimos à disposição para colaborar com qualquer informação necessária. Nosso compromisso com os direitos humanos e fundamentais é inegociável e não aceitamos qualquer prática contrária a isso.”

Fonte: G1

Foto: Reprodução

Justiça de São Paulo anula leilões de novas escolas estaduais de Tarcísio

A Justiça suspendeu o decreto estadual proposto pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que concede gestão de escolas públicas à rede privada. Na decisão, o juiz invalidou os leilões já realizados e afirmou que a concessão “compromete o serviço público de educação e coloca em risco a autonomia pedagógica e a gestão democrática das escolas”.

O tribunal decidiu a favor de uma ação civil pública proposta pelo sindicato dos professores. Em fevereiro, o Tribunal de Justiça de São Paulo já havia atendido a um pedido do Psol de suspensão do decreto. A Procuradoria-Geral do Estado já recorreu da decisão ao Supremo Tribunal Federal e aguarda resposta.

Fonte: Globo News

Foto: Pablo Jacob/Governo do Estado de SP

Conselho Nacional de Justiça registra aumento de julgamentos de feminicídio

Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou aumento de 225% nos julgamentos de casos de feminicídio em todo o país no período de quatro anos. O número faz parte do novo Painel Violência Contra a Mulher, lançado nesta terça-feira (11) durante sessão do CNJ.

Conforme o levantamento, o crescimento apresentou a seguinte evolução de processos julgados: 2020 (3.375); 2021 (5.351); 2022 (6.989); 2023 (8.863) e 2024 (10.991).

O conselho também registrou aumento de novos casos julgados, que passaram de 3,5 mil em 2020, para 8,4 mil no ano passado. A elevação também levou em conta os últimos quatro anos: 2020 (3.542); 2021 (5.043); 2022 (6.102); 2023 (7.388); 2024 (8.464).

Medidas protetivas

As informações do painel também mostram aumento do número de medidas protetivas concedidas com base na Lei Maria da PenhaO Judiciário brasileiro chegou a 582.105 medidas concedidas em 2024.

O tempo médio de análise da medida protetiva pelo Judiciário passou de 16 dias, em 2020, para cinco dias, no ano passado.

Avaliação

Na avaliação do presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, os dados são “estarrecedores” e vão servir para a elaboração de políticas públicas de proteção às mulheres.

“É um número que cresce a cada ano, o que revela a necessidade de proteção das mulheres pelo sistema de Justiça. Nós não podemos fechar os olhos, nem virar o rosto para esse problema”, afirmou Barroso.

Lei do Feminicídio

No último domingo (9), a Lei do Feminicídio completou dez anos de vigência. Sancionada em 2015 pela então presidente Dilma Rousseff, a norma inseriu no Código Penal o crime de homicídio contra mulheres no contexto de violência doméstica e de discriminação.

Em outubro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 14.994/24 e ampliou a pena para quem comete o crime. A pena, que variava entre 12 a 30 anos de prisão, passou para mínimo de 20 e máximo de 40 anos.

Fonte: Agência Brasil

Foto: Tânia Rêgo

Lei Maria da Penha se estende a casais homoafetivos e mulheres trans

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, que a Lei Maria da Penha se aplica a casais homoafetivos formados por homens e a mulheres, travestis e transexuais. Sancionada em 2006, a Lei Maria da Penha prevê medidas de combate à violência doméstica. Originalmente, a legislação foi criada pensando na proteção das mulheres vítimas de agressões no ambiente familiar.

O STF definiu que “todos os tipos de entidades familiares” devem ser protegidos pela lei. No caso das travestis e transexuais, a interpretação dos ministros é a de que a legislação vale para todas as mulheres com identidade social feminina, ou seja, tanto para o sexo feminino quanto para o gênero feminino.

No caso dos casais homoafetivos formados por homens, o STF entendeu que, muitas vezes, há nessas relações uma dinâmica de subordinação que reproduz violências de relações heterossexuais. Os ministros aplicaram o conceito de “ideia sociológica de gênero”, que tem a ver com a diferenciação social entre os papéis dos homens e das mulheres.

Justiça de São Paulo penhora 19 imóveis do ex-governador Paulo Maluf

A Justiça penhorou 19 imóveis que estão no nome do ex-governador e ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf. Eles fazem parte do processo que condenou o político a devolver R$ 417 milhões aos cofres públicos.

O processo contra Maluf começou há 32 anos e, em 2007, saiu a condenação definitiva, mas os valores não foram pagos. A defesa disse que vai recorrer da decisão.

Maluf já foi condenado e preso em outros processos. Em 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) extinguiu as penas de prisão contra ele baseado nos critérios do indulto de Natal assinado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, em 2022.

Inscrições para eleição de Conselheiro Tutelar suplementar dia 11/02

O Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) informa que, entre os dias 11 e 21 de fevereiro, estará recebendo as inscrições para a eleição suplementar de Conselheiro Tutelar. Elas devem ser feitas das 9 às 12 horas na Rua Cardoso de Almeida, 1026, no Centro.

Esta eleição suplementar elegerá os suplentes para eventual substituição dos titulares, cujo chamamento encerrará na mesma data do mandato dos titulares.

Para se candidatar ao cargo de conselheiro suplente, são exigidos diversos requisitos, entre eles:

. Ter idade igual ou superior a 18 anos, até a data do último dia das inscrições;

. Residência e domicílio fixo em Botucatu há mais de dois anos;

. Ser eleitor no município;

. Ser graduado nas áreas das ciências humanas e sociais na data da posse, ocasião em que deverá apresentar cópia autenticada da documentação comprobatória;

. Estar no gozo de seus direitos políticos.

A Comissão Eleitoral que realizará o processo eletivo para a escolha dos membros do Conselho Tutelar de Botucatu será composta por nove membros, sendo seis do CMDCA e três da sociedade civil.

Os interessados devem apresentar os seguintes documentos:

. Cópia da cédula de identidade (RG);

. Cópia do título de eleitor;

. Cópia de comprovante de residência;

. Certidão de distribuição criminal da comarca (antecedentes criminais);

. Cópia autenticada do diploma de graduação nas áreas das ciências humanas ou sociais;

. Certidão de distribuição de ações penais;

. Certidão negativa de execução judicial, na área civil;

. Curriculum vitae – com comprovante;

. Atestado de idoneidade moral;

. Comprovante de ter residência e domicílio fixo em Botucatu há mais de dois anos.