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Essa língua portuguesa

Vamos começar por partes. O latim é uma língua morta. Assim, ela não sofre transformações. Se a gente for aprender latim hoje, serão as mesmas utilizadas para ensinar latim para o padre Antônio Vieira. Até aí, nenhuma novidade. Também não é novidade que o mesmo não ocorre com a língua portuguesa. É uma língua viva e, por isso, sujeita a modificações. Essas modificações ocorrem de maneiras diferentes. Existe a maneira oficial, que depende de uma legislação que envolve, obrigatoriamente, o Brasil e Portugal. Sem a aprovação desses dois países, não há mudança oficial. Foi o que ocorreu há alguns anos com as regras do uso do hífen e com as regras da acentuação gráfica. Por causa dessas regras, devemos escrever ‘autoaprendizagem’ e não ‘auto-aprendizagem’, como se escrevia no século passado. Pelas mesmas regras, devemos escrever ‘voo’ e não ‘vôo’, como era antigamente. E para todos aceitarem essas pequenas regras foi um parto. Em Portugal, principalmente, até hoje existem resistências.

Se estou dizendo que a língua portuguesa é um ser vivo, devo aceitar que, de tempos em tempos, sofra mudanças. Essas mudanças, na realidade, são adaptações à nova realidade social, que depois passam a ser aceitas pelas gramáticas. Ninguém, por exemplo, acha errado, hoje, dizer ‘não pise na grama’. A não ser que seja um conservador radical. No entanto, a gente sabe que a gramática esclarece que o verbo pisar é transitivo direto. Assim, o correto gramaticalmente é dizer ‘não pise a grama’. Mas nem o papa fala assim!

Todas essas reflexões foram motivadas por um radialista que, ao divulgar uma notícia, disse que ‘as pilotas’ fizeram tal coisa. Pegou mal no meu ouvido. Fui pesquisar se existe essa forma feminina. É que eu aprendi que ‘piloto’ é comum de dois gêneros, como dentista, por exemplo: o piloto, a piloto; o dentista, a dentista. Mas foi uma surpresa. Pesquisei numas cinco fontes. Só que ninguém se entende. Há aqueles que dizem que ‘piloto’ tem feminino e outros que garantem que a palavra é comum de dois gêneros. Mas isso não muda a cotação do dólar nem mata o coronavírus. E aí surge outra questão: coronavírus, corona vírus ou vírus corona? Se for para usar as regras da língua portuguesa, deveríamos dizer ‘vírus corona’, como dizemos ‘vírus ebola’ ou ‘menino prodígio’. Só que aqui se adotou a palavra importada, com o qualificativo antes: ‘fat boy’, ‘strong man’. E é por isso que devemos dizer ‘a’ COVID-19, no feminino: corona vírus disease. É ‘a’ doença do corona vírus.

O duro de aceitar mesmo é o que já estão ensinando em algumas escolas: abolir o masculino e o feminino e passar a usar apenas o neutro. Vai ser esquisito. Já pensaram alguém falando ‘todes es alunes bonites de classe…’? Parece outra língua. Ou lhes parece algo natural?

BAHIGE FADEL

Sobre FERNANDO BRUDER TEODORO

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