O Conselho de Alimentação Escolar (CAE) de Botucatu voltou a discutir, na reunião desta quarta-feira (25), os desdobramentos do caso das carnes consideradas impróprias para consumo distribuídas na rede municipal de ensino em janeiro de 2026. O encontro foi marcado por debates acalorados entre jornalista da Rede Alpha, nutricionista da Cozinha Piloto, vereador, representantes da secretaria de educação e da Prefeitura de Botucatu.
O nutricionista da Cozinha Piloto, William Fernandes apresentou esclarecimentos adicionais sobre a atuação técnica da Secretaria de Educação e os protocolos sanitários adotados. Segundo ele, a condução do caso seguiu critérios preventivos e normativos. “Desde o primeiro alerta, adotamos medidas cautelares. Houve o bloqueio imediato da proteína, independentemente de marca ou lote, justamente para eliminar qualquer possibilidade de risco. Esse tipo de decisão não é simples, pois envolve logística, contratos e impacto direto na alimentação escolar, mas a prioridade sempre foi a segurança dos alunos, as amostras retiradas passaram por verificação visual, olfativa e laboratorial. Nem todas apresentaram indícios de deterioração. Por isso, os encaminhamentos técnicos consideraram exatamente os lotes questionados”, explicou. Ele acrescentou que toda a documentação foi registrada junto aos órgãos competentes. “Os procedimentos foram formalizados e acompanhados pela vigilância sanitária”
Sobre o descarte das carnes, o nutricionista detalhou que as decisões seguiram orientação técnica. “Quando surgiram as suspeitas, a empresa fornecedora foi imediatamente comunicada e a substituição do produto ocorreu de forma emergencial. Em paralelo, os lotes recolhidos foram isolados para evitar qualquer reintrodução na cadeia de consumo. Esse cuidado é padrão em situações de investigação sanitária”, pontuou.
Durante o debate, o jornalista Fernando Bruder reiterou os questionamentos feitos à administração municipal e destacou o impacto social do caso. “O que nos chamou atenção foi o volume de relatos semelhantes vindos de diferentes pontos da cidade. Famílias, merendeiras e até servidores relataram o mesmo problema. Nossa função como imprensa é justamente dar voz a essas denúncias provenientes da população”, declarou. Bruder também enfatizou a necessidade de comunicação institucional mais ágil. “Em episódios sensíveis, o silêncio oficial da Prefeitura amplia a desconfiança. Transparência é fundamental.”
O vice-presidente do CAE, Luciano Valin, reforçou a preocupação do conselho com os indícios observados em campo. “Quando estivemos nos locais, o odor era muito forte. Não era uma situação subjetiva. Havia registros fotográficos, relatos consistentes e preocupação legítima das famílias. Nosso papel é agir diante de qualquer suspeita que envolva alimentação escolar”, afirmou. Ele voltou a defender maior integração entre o conselho e a Secretaria de Educação. “O CAE não é adversário da gestão, mas um instrumento de controle social. Precisamos ser incluídos nos processos.”
Valin também relatou desconforto com a condução da comunicação durante a crise. “Houve momentos em que a narrativa pública não refletia o que estava sendo verificado pelos conselheiros. Isso gera desgaste desnecessário. A solução passa pelo diálogo e pela clareza das informações”, disse. Valim também solicita uma retratação pública do Prefeito Fábio Leite, pois o prefeito disse em uma emissora de rádio que a Prefeitura teria feito o Boletim de Ocorrência sobre o assunto, fato desmentido por Luciano Valim, tendo em vista não encontrar nenhum Boletim de Ocorrência nos Distritos Policiais de Botucatu.
Outros participantes da reunião também se manifestaram, destacando a relevância do episódio para o aprimoramento dos mecanismos de fiscalização. Conselheiros ressaltaram que o caso evidenciou a importância de revisões nos critérios de recebimento, armazenamento e controle de qualidade dos alimentos. “Não se trata apenas de um episódio isolado, mas de uma oportunidade para fortalecer procedimentos e evitar recorrências”, pontuou um dos membros.
Ao final, William Fernandes informou de maneira categórica que o laudo emitido pelo Instituto Adolfo Lutz concluiu que “AS CARNES ANALISADAS ESTAVAM IMPRÓPRIAS PARA CONSUMO”. A confirmação técnica reforçou a versão apresentada pelo Conselho de Alimentação Escolar que foi amplamente divulgada pela Rede Alpha de Comunicação à toda a população botucatuensea.
Fernando Bruder ressaltou que: “A seriedade do caso e ampliou o debate sobre responsabilidades, protocolos e fluxos de comunicação entre fornecedores, poder público e órgãos de controle. Nós tinhamos certeza que a carne estava imprópria, pois acompanhei reportando em diversas partes do município, relatos e depoimentos, visualizando o estado da carne fornecida pela Prefeitura de Botucatu aos alunos da Rede Municipal de Ensino“.
O CAE reiterou que seguirá acompanhando o tema e cobrando medidas que garantam rigor técnico e transparência administrativa. O caso permanece como um dos assuntos mais sensíveis da pauta educacional do município, mobilizando famílias, profissionais da educação e autoridades locais.

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