Paquistão enfrenta pressão para mediar negociações entre Estados Unidos e Irã

O Paquistão enfrenta crescente pressão diplomática para liderar negociações entre os Estados Unidos e o Irã, em uma tentativa considerada complexa por analistas internacionais. O objetivo é alcançar um acordo de paz capaz de reduzir tensões no Oriente Médio e mitigar impactos na economia global.

As conversas estão previstas para ocorrer neste sábado (11), em Islamabad, capital paquistanesa, que já recebe delegações dos dois países. Representantes iranianos chegaram à cidade, enquanto a comitiva norte-americana é liderada pelo vice-presidente JD Vance.

Nos bastidores, o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o chefe do Exército, Asim Munir, vêm conduzindo semanas de esforços diplomáticos para aproximar Washington e Teerã. A iniciativa ocorre em meio ao receio de que uma escalada do conflito agrave a instabilidade nas fronteiras do Paquistão com o Irã e o Afeganistão, regiões já marcadas por confrontos recentes.

Para garantir a segurança das delegações, o governo paquistanês intensificou medidas em Islamabad. Áreas estratégicas foram isoladas, o policiamento foi reforçado e o espaço aéreo passou a ser monitorado com maior rigor. O Hotel Serena, onde as negociações devem ocorrer, foi esvaziado e colocado sob controle estatal.

Segundo analistas, o papel desempenhado pelo Paquistão representa uma mudança significativa em sua atuação internacional. Até recentemente à margem de grandes articulações diplomáticas, o país ganhou protagonismo ao conseguir levar EUA e Irã à mesa de negociações.

“O Paquistão deixou de ser apenas um intermediário de mensagens e passou a atuar ativamente na tentativa de convencer as partes”, avalia o especialista Kamran Bokhari, do Conselho de Política do Oriente Médio.

Apesar do avanço, os desafios permanecem elevados. O país enfrenta ameaças internas de segurança, especialmente nas regiões próximas à fronteira com o Afeganistão, onde a atividade de grupos militantes aumentou desde o retorno do Talibã ao poder, em 2021.

Além disso, um eventual fracasso nas negociações pode comprometer a credibilidade internacional recém-conquistada por Islamabad. Por outro lado, um acordo bem-sucedido pode consolidar o país como um ator relevante na diplomacia global.

Entre os pontos sensíveis das negociações estão as demandas de países do Golfo, aliados dos EUA, que foram atingidos por ataques iranianos, e a pressão de Teerã para ampliar o cessar-fogo a outras frentes, como o Líbano.

Embora o Paquistão tenha conquistado espaço como mediador e reúna condições para facilitar o diálogo, especialistas avaliam que o país ainda pode não ter influência suficiente para garantir um desfecho definitivo — especialmente em questões estratégicas, como a reabertura do Estreito de Ormuz, rota essencial para o comércio global de energia.

foto: Matt King-ICC/ICC via Getty Images

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