Ao circular pelas ruas de Botucatu, situações recorrentes levantam um questionamento inevitável: Há, de fato, fiscalização eficiente das obras e estruturas urbanas na cidade? A dúvida ganha ainda mais peso quando se relembra o episódio que quase terminou em tragédia na Avenida Floriano Peixoto, onde parte de um prédio desabou sobre um ponto de ônibus. Mais de um ano após o ocorrido, o cenário no local continua preocupante e evidencia a ausência de providências efetivas por parte do poder público.
O endereço é conhecido da população. Trata-se de um espaço histórico da cidade, onde funcionou a antiga rodoviária de Botucatu e, posteriormente, estabelecimentos comerciais como uma casa de shows entre outros. Após o desmoronamento da parte superior do prédio, causado principalmente pela deterioração da estrutura e agravado pelas chuvas, esperava-se o isolamento da área e uma solução definitiva. No entanto, o que se viu foi a reinstalação do ponto de ônibus a poucos metros do local do acidente, justamente ao lado de outra estrutura igualmente comprometida, que também apresenta sinais claros de colapso.
Imagens aéreas e registros feitos no local mostram que o imóvel segue em condições precárias, com partes já cedendo recentemente. Mesmo assim, usuários do transporte coletivo aguardam diariamente o ônibus sob uma estrutura que representa risco iminente. Em um dos episódios, uma senhora chegou a se ferir no local. A pergunta que fica é até quando situações como essa serão toleradas: quantos acidentes, ou quantas vítimas fatais, serão necessárias para que providências concretas sejam tomadas?
A população cobra o mínimo: fiscalização rigorosa, isolamento imediato de áreas de risco e responsabilidade na tomada de decisões. O poder público não pode agir apenas após tragédias consumadas. Secretários, fiscais e gestores municipais têm a obrigação de zelar pela segurança da população, função para a qual são remunerados com recursos provenientes dos impostos pagos pelos próprios munícipes.
Botucatu pede socorro. Pede fiscalização, planejamento e respeito à vida. Um ato cotidiano, como aguardar um ônibus, não pode se transformar em um risco de morte. Cabe à população exigir seus direitos e ao poder público lembrar que sua função é servir, proteger e trabalhar em favor de quem sustenta a máquina pública: o cidadão.

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