Idoso recebe alta do Pronto Socorro Adulto e em seguida tem hemorragia em casa

Mais um caso de complicações para pacientes no atendimento do Pronto Socorro Adulto de Botucatu.

A família procurou a Rede Alpha de Comunicação para denunciar situação de alta indevida de um idoso que procurou atendimento no Pronto Socorro Adulto de Botucatu.

A família reclama de omissão de socorro e risco de morte do paciente que procurou o serviço na semana passada con queixa de sangramento digestivo.

A família alega que o paciente deveria ter sido internado na sala de emergência, mas que o médico resolveu dar alta hospitalar e orientou queno caso deveria ser acompanhado na Unidade Básica de Saúde (UBS). A decisão de liberar o paciente, segundo familiares, foi tomada mesmo diante de sinais evidentes de sangramento ativo.

Poucas horas após a alta, já em casa, o idoso sofreu hemorragia maciça, com sangramento abundante, colocando sua vida em risco iminente.

A família revoltada com a situação, enquanto aguardava a ambulância para transportar o paciente para um hospital, fez um vídeo pra expor a situação e denunciar possíveis crimes e violações éticas no Pronto Socorro Adulto de Botucatu.

O caso do idoso que recebeu alta do Pronto Socorro Adulto de Botucatu, mesmo apresentando quadro de situação possível de risco de morte, recebu alta sem o devido atendimento.

A situação ultrapassa a esfera da falha administrativa e entra no campo de possíveis ilícitos penais, infrações éticas graves e responsabilidade civil do Município.

O paciente, pertencente a grupo de risco, buscou atendimento médico em situação de urgência.

A família alega que o idoso foi liberado sem a realização adequada de exames, sem estabilização clínica e sem observação hospitalar. Condutas estas, amplamente previstas nos protocolos médicos e nas diretrizes do atendimento de emergência.

A família registrou em vídeo o estado crítico do paciente, material que agora circula como prova concreta do agravamento previsível e evitável para pacientes graves que procuram o Pronto Socorro Adulto.

Possíveis crimes

À luz do Código Penal Brasileiro, o caso pode configurar, em tese:
1. Omissão de socorro (art. 135 do Código Penal), uma vez que o paciente buscou ajuda médica e não recebeu a assistência compatível com a gravidade do quadro.

2. Lesão corporal culposa (art. 129, §6º), caso fique comprovado que a conduta negligente resultou em agravamento da condição de saúde.

3. Homicídio culposo, na forma tentada ou consumada, caso o desfecho seja fatal e se estabeleça nexo causal entre a alta indevida e o resultado.

4. Prevaricação ou conivência administrativa, se houver indícios de que a liberação ocorreu para aliviar demanda, superlotação ou metas internas, em detrimento da segurança do paciente.

Infrações éticas médicas

No âmbito ético-profissional, a conduta pode violar frontalmente o Código de Ética Médica, que proíbe expressamente:

– Negar assistência em casos de urgência e emergência;
– Expor o paciente a risco desnecessário por imprudência, negligência ou imperícia;
– Abandonar o paciente ou interromper tratamento sem garantir continuidade segura da assistência;
– Deixar de empregar todos os meios disponíveis e cientificamente reconhecidos para preservar a vida e a saúde.

A liberação de um paciente com sangramento ativo, sem diagnóstico e sem controle da hemorragia, afronta princípios básicos da Medicina, como a não maleficência e a proteção à vida.

Responsabilidade civil do Município e da Empresa Terceirizada

Por se tratar de unidade pública de saúde, o caso também pode gerar responsabilidade civil objetiva do Município, conforme o artigo 37, §6º da Constituição Federal.

Isso significa que o poder público e a empresa terceirizada PROMEDSP, responsável pela contratação dos médicos que assumiu contrato com a Prefeitura de Botucatu há cerca de 4 meses, também podem ser responsabilizados e serem obrigados a indenizar a vítima e seus familiares, independentemente, de dolo, bastando a comprovação do dano e do nexo causal com o serviço defeituoso.

Perguntas que exigem resposta imediata

1. Quem realizou a avaliação clínica do paciente?
2. Quem autorizou e assinou a alta médica?
3. Quais exames foram solicitados — e por que não foram feitos?
4. O prontuário registra adequadamente o quadro de sangramento?
5. Houve pressão institucional para liberação rápida de pacientes?

A Rede Alpha de Comunicação procurou o prefeito Fábio Leite, o vice-prefeito e secretário secretário de saúde, Dr. André Spadaro; a secretária de comunicação, Cinthia Al-Lage; e o médico responsável pela empresa terceirizada PROMEDSP, Dr. Vinícius Barrionuevo Garcia Gullo; mas não deram qualquer resposta sobre a grave situação que o atendimento do Pronto Socorro Adulto se encontra.

A ausência de respostas oficiais até o momento reforça a suspeita de tentativa de silenciamento e banalização de um episódio gravíssimo.

Providências urgentes

Diante da gravidade dos fatos, o caso exige:
1. Abertura imediata de sindicância administrativa;
2. Investigação pelo Ministério Público;
3. Apuração pelo Conselho Regional de Medicina;
4. Acesso integral da família ao prontuário médico;
5. Esclarecimentos públicos da Secretaria Municipal de Saúde e da Prefeitura de Botucatu.

Não se trata de erro isolado ou fatalidade.

Trata-se de um possível fracasso do dever legal de proteger a vida.

Quando um paciente procura socorro e sai do hospital em situação pior do que entrou, o sistema falhou — e essa falha precisa ter nome, responsáveis e consequências.

A sociedade precisa saber até quando a negligência será tratada como rotina no Pronto Socorro Adulto.

Sobre Fernando Bruder

DEIXAR UM COMENTÁRIO

Política de moderação de comentários: A legislação brasileira prevê a possibilidade de se responsabilizar o blogueiro ou o jornalista responsável por blogs e/ou sites e portais de notícias, inclusive quanto a comentários. Portanto, o jornalista responsável por este Portal de Notícias reserva a si o direito de não publicar comentários que firam a lei, a ética ou quaisquer outros princípios da boa convivência. Não serão aceitos comentários anônimos ou que envolvam crimes de calúnia, ofensa, falsidade ideológica, multiplicidade de nomes para um mesmo IP ou invasão de privacidade pessoal e/ou familiar a qualquer pessoa. Comentários sobre assuntos que não são tratados aqui também poderão ser suprimidos, bem como comentários com links. Este é um espaço público e coletivo e merece ser mantido limpo para o bem-estar de todos nós.