Atendentes de creche da rede municipal de Botucatu realizaram, na manhã desta terça-feira (14), um protesto silencioso durante o desfile em comemoração aos 171 anos do município, com o objetivo de chamar a atenção do prefeito Fábio Leite, de autoridades locais e da população para a situação que classificam como insustentável em relação ao reconhecimento profissional da categoria. Segundo as participantes do ato, a manifestação foi pacífica e simbólica, mas buscou dar visibilidade a uma reivindicação que se arrasta há anos: o enquadramento das atendentes como profissionais da educação infantil.
Paralelamente ao protesto, o grupo está divulgando uma carta aberta à população, à imprensa e ao poder público municipal destacando que, além dos cuidados diretos com as crianças, as atendentes participam do planejamento pedagógico, realizam registros escolares, acompanham avaliações, participam de reuniões com famílias e de formação continuada — atividades que, segundo elas, caracterizam atuação educacional. As profissionais afirmam ainda que cumprem jornadas de oito horas diárias com responsabilidade integral sobre o desenvolvimento das crianças, muitas vezes sem apoio direto em sala.
No documento, a categoria também cita a Lei nº 15.326/2026, que reconhece como profissionais do magistério aqueles que exercem atividades de docência ou suporte pedagógico na educação básica, independentemente da nomenclatura do cargo, além da Lei nº 9.394/1996, que define a educação infantil como a primeira etapa da educação básica. Para as atendentes, essas legislações já oferecem respaldo suficiente para o enquadramento funcional solicitado.
As profissionais relatam que mantêm diálogo com a administração municipal há anos, mas apontam demora nas respostas e interpretações administrativas que ainda impedem avanços concretos. Entre as reivindicações estão o reconhecimento oficial como profissionais da educação infantil, acesso ao piso do magistério para quem já atende aos requisitos legais e a manutenção de gratificação como medida transitória nos demais casos. Segundo as atendentes, a mobilização realizada durante o desfile buscou justamente sensibilizar o poder público e reforçar que a valorização da primeira infância passa necessariamente pelo reconhecimento dos trabalhadores que atuam diretamente com as crianças.
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