Artigos do Autor: Fernando Bruder

Dimas Ramalho: Leis demais e de menos

Desde a promulgação da Constituição Federal de 1988, o Brasil embarcou numa verdadeira compulsão legislativa.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), mais de 8,2 milhões de normas foram editadas, nas três esferas de governo, nesses 37 anos –uma média superior a 850 por dia útil. Legislar tornou-se uma resposta automática a qualquer problema, escândalo ou clamor público. Instalou-se por aqui uma cultura normativa em que o impulso de criar leis substitui o dever de planejar, avaliar e, acima de tudo, fazer cumprir.

O resultado é um ordenamento jurídico inchado, confuso e frequentemente contraditório. Esse excesso compromete a clareza das regras, dificulta sua aplicação e mina a confiança nas instituições. Daí a expressão tão brasileira quanto reveladora: há “lei que pega” e “lei que não pega”. A própria linguagem popular escancara a ineficácia do sistema legal, naturalizando o descumprimento como algo corriqueiro.

Paradoxalmente, essa produção normativa desenfreada convive com uma omissão crônica: mais de 160 dispositivos constitucionais seguem pendentes de regulamentação, segundo o Senado Federal. Ou seja, cerca de um terço da Constituição tem sua aplicação comprometida, por falta de leis infraconstitucionais que lhe dariam efetividade.

A contradição é gritante. De um lado, normas são editadas em escala quase industrial, muitas vezes sem análise de impacto, viabilidade ou coerência com o arcabouço existente. De outro, temas centrais para o funcionamento do Estado e a garantia de direitos permanecem indefinidos, congelados em dispositivos que, sem regulamentação, tornam-se letra morta.

O direito de greve dos servidores públicos é um exemplo emblemático. Previsto no artigo 37, inciso VII da Constituição, depende de regulamentação para garantir segurança jurídica ao seu exercício. Passadas quase quatro décadas, essa lei nunca foi editada. O vácuo tem sido preenchido por decisões judiciais casuísticas, muitas vezes contraditórias, que oscilam entre reconhecer a legitimidade das greves e impor severas restrições. O resultado é um cenário de incerteza tanto para servidores quanto para a administração pública –e, sobretudo, para a população, que arca com os efeitos dessa omissão.

Outro caso notório é o da criação de municípios. A Constituição, em seu artigo 18, §4º, exige uma lei complementar federal para viabilizar o processo, estabelecendo critérios, prazos e condições. Desde a Emenda Constitucional nº 15, de 1996, essa regulamentação se tornou obrigatória –e, quase 30 anos depois, segue inconclusa. Há ainda lacunas importantes em áreas como reforma agrária, seguridade social, meio ambiente, sistema financeiro, direitos dos povos indígenas e educação básica indígena. Em todos esses campos, a omissão do legislador representa não apenas inércia institucional, mas o esvaziamento prático de promessas constitucionais ainda não cumpridas.

Essa dissonância entre excesso e omissão revela um desvio de prioridades. Pressionado por ciclos eleitorais curtos, interesses corporativos e demandas midiáticas, o Congresso frequentemente privilegia leis simbólicas e imediatistas. Enquanto isso, temas estruturais –mas juridicamente complexos e politicamente menos rentáveis– são negligenciados.

A inflação legislativa, longe de indicar eficiência normativa, evidencia justamente sua ausência. Um ordenamento repleto de normas mal aplicadas ou inaplicáveis enfraquece a autoridade da própria lei. Ao tornar-se onipresente, ela corre o risco de se tornar irrelevante. Em vez de promover ordem, previsibilidade e justiça, o sistema jurídico acaba alimentando confusão, arbitrariedade e descrédito.

Romper com essa lógica exige uma mudança de paradigma. O país precisa abandonar a cultura da legislação reflexa e adotar uma política normativa centrada na qualidade, na simplicidade, na estabilidade e na efetividade. Isso implica revisar o estoque legislativo, eliminar redundâncias, sistematizar o ordenamento e, sobretudo, regulamentar os dispositivos constitucionais ainda pendentes.

Enquanto isso não ocorrer, o Brasil seguirá convivendo com leis que não pegam, com direitos que não saem do papel e com uma Constituição que, embora celebrada em discursos, permanece parcialmente ignorada na prática. Um país que se habitua a viver entre o excesso e a omissão legislativa dificilmente conseguirá consolidar um Estado de Direito pleno. Afinal, a força da lei não está na sua quantidade, mas na sua capacidade de produzir justiça concreta e eficaz.

Dimas Ramalho é vice-presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo.

Carreta com 32 toneladas de fertilizante tomba na Rodovia Nilo Paulo Romano em Dois Córregos

Na tarde de segunda-feira (27), uma carreta carregada com 32 toneladas de fertilizante tombou na Rodovia Nilo Paulo Romano, em Dois Córregos (SP), por volta das 16h30, no sentido leste.

De acordo com informações da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (Artesp), o condutor perdeu o controle do veículo, que acabou tombando sobre a faixa 2 de rolamento e colidindo contra uma barreira de concreto.

Equipes da Polícia Rodoviária, do Corpo de Bombeiros e da Cetesb foram acionadas para atender a ocorrência. O motorista ficou preso nas ferragens, mas foi resgatado com ferimentos de média gravidade.

Após os procedimentos de emergência, a carreta foi removida da pista e o trânsito foi normalizado. As causas do acidente ainda serão investigadas.

Operação no Rio de Janeiro deixa dezenas de mortos e 56 presos

O governo do estado do Rio de Janeiro informou que a operação das polícias Militar e Civil deflagrada nesta terça-feira (28) na região dos Complexos da Penha e do Alemão deixou 18 suspeitos mortos, 56 presos, policiais mortos e feridos até o início da tarde. A Operação Contenção mobiliza 2,5 mil policiais civis e militares. 

O governador do Rio, Cláudio Castro, não quis detalhar quantos policiais foram mortos e feridos porque a operação ainda está em andamento. Ele participou de reunião com agentes das forças de segurança para tratar da operação no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), na região central do Rio.

A operação busca capturar lideranças criminosas do Rio e de outros estados, além de impedir a expansão territorial da maior facção do estado, o Comando Vermelho. Os dois complexos abrigam 26 comunidades.

A operação, que também conta com promotores do Ministério Público Estadual, foi deflagrada a partir de mais de um ano de investigação e mandados de busca e apreensão e de prisão obtidos pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).

Fonte: Agência Brasil

Foto: Reprodução

Mulher pega carona com ex, é agredida e ameaçada em Jaú

Após aceitar uma carona do ex-companheiro até o trabalho, uma mulher acionou a Polícia Militar (PM) denunciando ter sido vítima de agressões e ameaças, no bairro Cidade Alta, em Jaú, na manhã desta segunda-feira (27). O suspeito foi localizado no trabalho e preso pouco tempo depois por uma equipe da corporação.

De acordo com a PM, os policiais foram acionados para atender a uma ocorrência de violência doméstica. Ao chegarem ao local, a vítima relatou que, após oferecer-lhe carona, o homem a teria levado para a casa dele e, já no interior do imóvel, a enforcou com as mãos, dificultando sua respiração, além de proferir ameaças de morte. A mulher conseguiu escapar e pedir ajuda, sendo seguida pelo agressor até a rua, onde ele teria tentado continuar as agressões.

A vítima se abrigou em uma residência próxima e acionou o 190. Ela também informou que o suspeito possuía uma arma de fogo em casa, o que aumentava seu temor. Segundo a PM, a mulher apresentava um ferimento superficial no lábio.

Com base nas informações, os policiais se deslocaram até o local de trabalho do suspeito, onde o localizaram. Questionado, ele negou as agressões e alegou que a ex-companheira teria se ferido sozinha.

Em seguida, a equipe foi até a residência do suspeito, onde, com sua autorização, realizou uma vistoria. No local, ele entregou voluntariamente um simulacro de arma de fogo, que foi apreendido.

O homem foi conduzido à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Jaú, onde o caso foi registrado como lesão corporal, ameaça e apreensão de objeto. O suspeito permanece preso, à disposição da Justiça.

Fonte: JCNET

Foto: Reprodução

Filhote atropelado é salvo pela Defesa Civil na Rodovia Marechal Rondon, em Botucatu

Na manhã de segunda-feira (27), um filhote de cachorro foi resgatado com vida após ser atropelado na Rodovia Marechal Rondon, nas proximidades do bairro Tijuco Preto, em Botucatu. O animal foi encontrado pela equipe da Defesa Civil durante patrulhamento de rotina, próximo a um ponto de reciclagem.

Diante da situação, os agentes prestaram o primeiro atendimento e levaram o cão imediatamente ao Canil Municipal, onde recebeu os cuidados iniciais. Na sequência, foi transferido ao Hospital Veterinário de plantão (HVB) para atendimento especializado.

Graças à agilidade da equipe, o filhote pôde ser socorrido a tempo, demonstrando a efetividade das ações de proteção animal no município.

Defesa Civil

Foto: Divulgação

Acidentes de trânsito causam 41 quedas de energia em Botucatu em 2025, alerta CPFL Paulista

Entre janeiro e agosto deste ano, Botucatu registrou 41 interrupções prolongadas no fornecimento de energia causadas por acidentes de trânsito que atingiram a rede elétrica. Os dados são da CPFL Paulista, que aponta colisões contra postes e rompimentos de cabos aéreos como os principais responsáveis pelos desligamentos.

De acordo com a concessionária, esses episódios geram impactos significativos na rotina da população, podendo afetar até mesmo serviços essenciais, como hospitais e o sistema de abastecimento de água.

A CPFL reforça que os motoristas considerados responsáveis pelos acidentes podem ser cobrados pelos prejuízos, cujo custo pode variar entre R3 mil e R 14 mil, dependendo da complexidade e dos equipamentos danificados.

Trio é preso após compras de R21 mil com cartão clonado em Jundiaí; suspeitos já tinham passagem por crime semelhante em Botucatu

Jundiaí (SP) – No último sábado (25), duas mulheres e um homem foram presos em flagrante em Jundiaí (SP), suspeitos de utilizarem um cartão de crédito de terceiros para realizar compras que somaram cerca de R 21 mil. O grupo adquiriu mais de mil cigarros, um celular e diversos produtos de cuidados pessoais em um supermercado da cidade.

Segundo o boletim de ocorrência, o comportamento dos suspeitos despertou a atenção de um fiscal do estabelecimento, que acionou a Guarda Municipal. A corporação emitiu um alerta para as viaturas da região, que localizaram o veículo do trio nas proximidades de um shopping.

No momento da abordagem, apenas o homem estava no carro. Já as duas mulheres foram encontradas dentro do centro comercial, portando um cartão em nome de outra pessoa. No automóvel, os agentes apreenderam uma máquina de cartão, comprovantes das transações e produtos que totalizavam R$ 20.878,24.

Todos os envolvidos foram autuados por furto qualificado e associação criminosa. A polícia investiga a possível conexão dos suspeitos com outro caso semelhante registrado anteriormente em Botucatu (SP).

Escândalo do Metanol: 30 dias de caos, vidas perdidas e a corrida contra a falsificação de bebidas

​São Paulo, 28 de outubro – Trinta dias após o primeiro alerta sobre a suspeita de intoxicação por metanol em bebidas, o Brasil contabiliza 58 casos confirmados e 15 mortes, a maioria concentrada em São Paulo, mas com vítimas também no Paraná e Pernambuco. A tragédia, que mobilizou órgãos de saúde, vigilância sanitária e polícias em diversas regiões, teve sua provável origem desvendada: a falsificação de bebidas alcoólicas utilizando álcool combustível adulterado com metanol.

​O ciclo de contaminação expôs a vulnerabilidade da cadeia de produção e distribuição, culminando com a localização de postos de combustível no ABC paulista que teriam vendido o álcool irregular, e a distribuidora onde os produtos falsos eram envasados, 21 dias após o primeiro aviso. “O primeiro ciclo foi fechado. Vamos continuar as diligências para identificar a origem de todas as bebidas adulteradas no estado”, afirmou o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian.

Resposta Governamental e Mobilização Científica

​Apesar da lentidão inicial, com o caso ganhando atenção da mídia apenas na semana seguinte ao alerta do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) de Campinas (SP), as ações ganharam corpo. Em 07 de outubro, o governo federal estabeleceu um comitê integrado para gerenciar a crise, providenciando etanol farmacêutico e o antídoto fomepizol para hospitais pólo organizados até mesmo em estados distantes como nas regiões Norte e Centro-Oeste.

​O ritmo acelerado de confirmação ou descarte de casos se deu com o avanço nos protocolos de testagem. O Instituto de Criminalística de SP confirmou a adição anormal de metanol nas garrafas, e a Polícia Técnico-Científica adotou um novo protocolo que reduziu o tempo de análise de bebidas adulteradas.​

Paralelamente, a ciência entrou em campo: pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram o “nariz eletrônico”, um dispositivo de resposta rápida que utiliza inteligência artificial para detectar metanol em uma única gota de bebida.

​Impacto e Próximos Passos

O surto de intoxicação, que o Ciatox classificou como “fora do padrão para o curto período de tempo e também por desviar dos casos até hoje notificados”, resultou em uma queda de até 5% no consumo no setor de bares e restaurantes em setembro, segundo a Abrasel.​

O boletim mais recente, de sexta-feira (24), confirma 58 casos e 15 óbitos (nove em SP, seis no PR e seis em PE). Outros 50 casos e nove óbitos seguem em investigação.​

O tema agora domina a agenda política:

​Em São Paulo, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) deve ser instalada amanhã para apurar os esforços de combate à falsificação.​

Na Câmara dos Deputados, o PL 2307/07, que visa tornar a adulteração de alimentos e bebidas um crime hediondo, pode entrar em votação esta semana.​

As investigações continuam para determinar se os casos em outros estados (como Paraná e Pernambuco) estão ligados à mesma rede de falsificação originada na Grande São Paulo.

Foto: Divulgação