No ano da morte de Suzana, a repórter Mirian Tomé foi ao zoológico para acompanhar a adaptação do leão na nova casa. A reportagem mostrou que ele estranhou o ambiente e até os bichos da mesma espécie.
“Ele virou atração no zoológico, o povo ia lá ver o leão que matou a menina. Aquela curiosidade mórbida. Criou-se essa curiosidade sobre o bicho”, relembrou.
“Eu me lembro das pessoas torcendo para matá-lo. Um absurdo, mas o maior absurdo é um animal daquele estar onde estava, na condição em que estava, e a morte da menininha”, completou.
“Eu creio que ele ficou muito assustado. Ele procurou pular do recinto, mas pode ter sido pela procura de alimento também”, disse o profissional, sem o nome divulgado.
Repercussão
No velório da menina, uma testemunha contou à TV Anhanguera que o leão já havia atacado uma idosa. Ao g1, Cileide contou que a notícia ganhou repercussão nacional.
“A forma como a criança morreu e a existência de um leão em uma loja que era muito conhecida na época, chamou muita atenção. Foi um episódio bem rumoroso”, disse Cilede.
“Foi horrível, gerou muita comoção. Um animal aprisionado daquele jeito em uma área urbana, foi uma sequência de erros que gerou aquela tragédia. Na época eu fiquei muito baqueada”, completou Mirian.
Justiça
Para entender o decorrer do caso, o g1 analisou reportagens da época no jornal O Popular. Uma matéria publicada em 21 de julho de 1988 descreve que Mário foi condenado a prestar um ano de serviços em instituição de caridade pelo ataque do Guru. Advogado do empresário, Wanderley de Medeiros recorreu da decisão.
No texto, o repórter explica que o animal era criado em uma jaula na empresa Marial. A condenação original era de pena de reclusão, mas por “possuir bons antecedentes, ótima conduta social e personalidade”, o juiz a substituiu pela prestação de serviços.
Em um texto de 22 de julho de 1988, o advogado preparou um novo recurso para questionar a falta de denúncia contra o vigia da empresa.
“O vigia recebeu ordens expressas de não tocar na jaula por não possuir habilidade necessária e a convivência com o leão nos seus dois meses na empresa. Mesmo assim, descumpriu as ordens e soltou o animal para exibir a amigos e curiosos e por fim provocou a sua fuga”, detalha um trecho da reportagem. Na época, o vigia negou que abriu a jaula.
Um segundo recurso é o tema de outra matéria, publicada em 25 de agosto de 1988. O advogado apontou erros na denúncia contra Mário e pediu a absolvição do cliente.
Na sexta-feira, 27 de outubro (dessa vez, em 2023), o g1 procurou o escritório do advogado Wanderley de Medeiros, mas descobriu que ele faleceu. A reportagem pediu informações ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) sobre o processo, mas como é um caso que aconteceu há 37 anos, o processo não está mais disponível para acesso.
O g1 não conseguiu localizar a família do dono do leão, nem descobriu o destino dele após o zoológico. Questionada se o animal estava empalhado na unidade, a Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer negou.
Fonte: G1
Foto: Reprodução